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O TVR Griffith está de volta, com motor V8 Cosworth de 500 cv, efeito solo e design matador

Preciso confessar que não estava botando muita fé na volta da TVR. Uma das minhas fabricantes de esportivos favoritas (graças, em parte, a Gran Turismo 2) criou alguns dos automóveis mais incríveis e empolgantes da história – tanto os clássicos dos anos 1960, com carroceria compacta e dirigibilidade incrível; quanto os exagerados e selvagens modelos da década de 1990 –, mas também teve uma história tortuosa, com diversos donos diferentes, permeada por dificuldades financeiras.

Acontece que, quando anunciou que traria a marca de volta com o melhor carro de sua existência, o empresário Les Edgar (que atuava antes no ramo da computação e dos jogos eletrônicos) falava sério. Ele investiu pesado na TVR e até chamou Gordon Murray, o pai do McLaren F1, para ajudar com sua revolucionária técnica de construção chamada iStream para dar vida ao novo modelo, que foi lançado hoje no Goodwood Revival, um dos eventos que são realizados anualmente no templo britânico do automobilismo. Local mais que apropriado.

Seu nome? Griffith, TVR Griffith.

Lançado em 1964, o Griffith foi o primeiro TVR a empregar um motor V8 – no caso, o small block Windsor de 289 pol³ (4,7 litros) do Ford Mustang. Era um verdadeiro foguete para a época, sendo capaz de chegar aos 100 km/h em 4,7 segundos com máxima de 240 km/h.

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Não foi à toa que o último teaser do novo Griffith foi uma imagem sua ao lado do clássico. E, veja só: novamente o Griffith usa motor de Mustang – desta vez, o V8 Coyote da atual geração do muscle car, com de cinco litros e comando duplo no cabeçote. Preparado pela Cosworth e entregando 500 cv (ainda que os detalhes não tenham sido revelados), a usina tem força suficiente para garantir que o carro de 1.250 kg tenha os 400 cv por toneladas prometidos por Edgar desde o início. É acoplado a uma caixa manual de seis marchas da Tremec, que leva a força para as rodas traseiras. Nada de turbos, motores elétricos, tração integral, aletas atrás do volante, nada disso. É exatamente o que eu esperava.

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Não restam dúvidas quanto à eficácia do conjunto mecânico. Embora a TVR não tenha divulgado dados de desempenho exatos, disse que o Griffith é capaz de chegar aos 100 km/h em menos de quatro segundos e de atingir os 320 km/h – honestamente, mais do que qualquer ser humano precisa para se divertir ao volante de um carro.

No entanto, nem só de motor e câmbio o TVR Griffith é feito. Na verdade, talvez sua grande sacada seja o envolvimento de Gordon Murray e seu método de produção iStream no desenvolvimento do esportivo. O sistema consiste basicamente em empregar materiais leves e técnicas de construção que priorizam economia de materiais e energia, além de conter custos e acelerar o processo de fabricação. Outros benefícios incluem alta rigidez estrutural e proteção aos ocupantes em caso de impacto.

Na prática: por mais que seja um carro old school, o Griffith não será uma máquina de matar. Tudo bem que parte do apelo de um TVR era justamente seu temperamento assassino, sem qualquer tipo de assistência eletrônica, mas os tempos mudaram e, se quisesse voltar a vender carros, a companhia britânica teria de se adequar aos atuais padrões de segurança. A gente entende, e apoia.

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No caso do Griffith, a estrutura iStream consiste em paineis internos de fibra de carbono colados a um chassi do tipo colmeia feito de aço – tudo envolto por uma carroceria também feita de fibra de carbono. As linhas gerais do carro são agressivas, com grandes faróis triangulares sobre entradas de ar no para-choque dianteiro, uma traseira que traz as lanternas horizontais ladeadas por extratores de ar e posicionadas sob o spoiler traseiro embutido. As proporções, contudo, são clássicas, com capô longo (o motor fica todo atrás do eixo dianteiro, ajudando a distribuir o peso em exatos 50:50), teto fastback e cauda curta.

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As dimensões do dois-lugares também são contidas: 4.314 mm de comprimento, 1.850 mm de largura e 1.239 mm de altura – para se ter uma ideia, é quase 20 cm mais curto que um 911. A TVR só não divulgou ainda o entre-eixos do Griffith, o que até me causou certo estranhamento. Mas tudo bem – mais informações deverão pintar em breve.

Por outro lado, a TVR não foi econômica ao deixar claro que a aerodinâmica do novo Griffith é tão importante quanto a mecânica. O assoalho do carro é quase totalmente plano, fazendo com que o ar que passar por baixo do carro em movimento ganhe velocidade e criando uma zona de baixa pressão sob o mesmo. Com isto, o ar que passa sobrea carroceria a pressiona contra o chão – é o famoso efeito solo, auxiliado por uma asa traseira retrátil. A TVR acena para o passado com o Griffith, mas não parou no tempo.

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Por dentro, o carro deixa claro que o cuidado com design, ergonomia e qualidade de construção tem um papel bem mais importante nesta nova fase da TVR. Quer dizer, o charme de um esportivo britânico artesanal ainda está lá, manifestando-se no couro que reveste praticamente tudo, no volante pequeno, nos comandos bem destacados (como o botão para o “Sport mode”), nos instrumentos digitais, na alavanca de câmbio curta e elevada e nas saídas de ar com aspecto barato.

É meio que um kit car chique, o que não nos incomoda nem um pouco. O carro fotografado para divulgação é um dos 500 exempalres da leva inicial, e vem com uma central multimídia com tela vertical no console central.

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O TVR Griffith ainda conta com rodas assimétricas de 19 polegadas na dianteira e 20 polegadas na traseira, calçando pneus 235 na frente e 275 atrás. Os discos de freio são enormes, com 370 mm na dianteira e 350 mm na traseira, todos ventilados e mordidos por pinças de seis e quatro pistões, respectivamente. A suspensão tem braços triangulares sobrepostos nas quatro rodas, os amortecedores são ajustáveis do tipo coilover e a direção tem assistência elétrica.

A chegada do TVR Griffith veio em um momento oportuno, quase simbólico: poucas semanas depois de o Dodge Viper deixar definitivamente de ser produzido e dias depois de o esportivo americano percorrer Nürburgring Nordschleife em sete minutos. O Viper foi um dos últimos heróis da resistência à sobrealimentação, aos motores elétricos e à dupla embreagem com seu V10 de oito litros na dianteira (e também tinha controles de tração e estabilidade por questões legais). Por mais que o TVR Griffith seja britânico, ele é mais do que digno de carregar a tocha. Além disso, seu motor vem dos Estados Unidos!

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Estamos loucos para saber mais sobre o novo TVR Griffith, e espero que ele venda bem e faça um bom trabalho mantendo viva a chama dos carros esportivos à moda antiga. Capacidade para tal ele tem, com certeza.

Mas diga aí: o que você achou do novo TVR Griffith?

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