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O último McLaren F1 GTR fabricado está à venda – e com pedigree de corrida

É exatamente isto que você está lendo, caro entusiasta: a o último exemplar da versão de competição daquele que, para muita gente, é simplesmente o maior e mais incrível supercarro do planeta está à venda. Este é o McLaren F1 GTR chassi nº #028R, que também é o último dos dez exemplares na configuração “Longtail”, ou simplesmente LT — que significa, literalmente, cauda longa. É um carro para lá de especial, e ele pode ser seu.

Ok, sabemos que a chance de de qualquer um que esteja lendo isto agora tenha uma conta bancária gorda o bastante para encarar a compra de um fuckin’ McLaren F1 GTR LT, é ínfima, mas você entendeu: o carro está à venda. E não se trata de um leilão, e sim de uma venda particular — mediado, é verdade, pela própria McLaren, que atualmente está cuidando do carro em sua divisão Special Operations, dedicada a preservar carros históricos para a marca e personalizar os carros dos clientes. De acordo com a companhia britânica, o F1 GTR LT #028R está em “tip-top condition”, ou seja, está nos trinques.

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Este cara foi o último McLaren F1 GTR construído em 1997. Talvez você já conheça esta história, pois até falamos dela há pouco tempo, mas não custa relembrar: o McLaren F1 jamais deveria ter competido segundo seu criador, Gordon Murray. Para ele, o supercarro deveria ser a expressão máxima de alto desempenho ao mesmo tempo em que foi desenvolvido unicamente para as ruas. Acontece que ele era tão bom que os donos de equipes independentes começaram a pressionar a McLaren, praticamente exigindo uma versão de corrida — o F1 GTR.

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O F1 GTR era basicamente um modelo de rua com peso aliviado, uma gaiola de proteção no interior, aparatos aerodinâmicos e filtros restritores de potência nos coletores de admissão. A medida era necessária para adequar o carro ao regulamento da BPR Global GT da FIA, que limitava a potência dos carros a 600 cv, enquanto o F1 de rua tinha 627 cv.

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Apesar de não ter sido criado para vencer corridas foi exatamente isto o que o McLaren F1 GTR fez, vencendo as 24 Horas de Le Mans de 1995 com carros na 1ª, 3ª, 4ª, 5ª e 13ª posições e tornando-se a primeira fabricante de automóveis a vencer no circuito de La Sarthe logo na primeira tentativa. Esta história será contada com detalhes em um post da nossa série “Lendas de Le Mans“, até porque este carro veio depois disso.

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Mais precisamente, em 1997, quando a FIA decidiu transformar a BPR Global GT no campeonato FIA GT1, modificando as regras para tornar as coisas mais interessantes. Em vez de usar carros de rua transformados em carros de competição, como era antes, agora as fabricantes poderiam desenvolver protótipos com mais aerodinâmica mais avançada e motores mais potentes, desde que conseguissem fabricar 25 exemplares para uso nas ruas.

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Foi daí que nasceram carros incríveis, como o Porsche 911 GT1 e o Mercedes-Benz CLK GTR, protótipos mais modernos que, além de dar origem a exemplares de homologação cultuados no mundo todo, eram mais velozes do que o F1 GTR. A McLaren precisava se mexer se quisesse continuar ganhando.

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Para isso, os engenheiros da McLaren decidiram que o carro deveria ser mais estável, visto que a potência dos motores ainda era limitada em 600 cv. A solução era aumentar o downforce e pregar o carro no solo nas curvas, e isto foi conseguido graças a uma remodelação completa na carroceria — dianteira mais baixa, traseira mais longa, para-lamas mais largos (para acomodar mais borracha, claro) e uma asa traseira maior. O monocoque de fibra de carbono permaneceu o mesmo (e, consequentemente, o entre-eixos), mas o carro era 64 cm mais longo (de 4,28 para 4,92 m). Boa parte do comprimento extra ficou na traseira, daí o nome “Longtail”. Com 915 kg, o carro também era 135 kg mais leve do que o F1 GTR “comum”, que pesava 1.050 kg.

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O carro que está à venda é o de nº 1 nesta foto

Foram fabricados dez exemplares do F1 GTR — o primeiro deles, um protótipo para testes, enquanto os outros nove foram vendidos a equipes independentes. O último ficou com a equipe Gulf Team Davidoff e pintado com a clássica combinação de azul e laranja. Com ele, a equipe disputou oito corridas do campeonato FIA GT1, estreando nas 4 Horas de Nürburgring. Seus melhres resultados foram dois sextos lugares — em Suzuka, no Japão, e em Laguna Seca, nos EUA, conquistando, ao todo, dois pontos. E isto é tudo.

De fato, não são resultados muito expressivos, mas isto não importa muito quando se está falando de um dos carros de corrida mais raros e cultuados do planeta — ainda mais um que, segundo a McLaren, pode ser convertido e regularizado com relativa facilidade para uso nas ruas. Motivos para querer comprá-lo não faltam.

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Esta não é a primeira vez que o carro aparece à venda. Em 2012 a Bonhams vendeu o carro em um leilão no famoso encontro de exóticos “The Quail, a Motorsports Gathering”, na Califórnia, por estonteantes US$ 13 milhões (cerca de R$ 39 milhões em conversão direta). Na época, a Bonhams disse que o carro havia competido por mais alguns anos até ser aposentado em 2004 e vendido de volta para a McLaren, que o restaurou e vendeu para uma equipe de corrida japonesa, que o teria vendido novamente em 2006. O novo proprietário ligava o carro e rodava com ele ao menos uma vez por ano, e foi assim até 2012, quando decidiu vendê-lo.

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Pouca coisa se sabe do histórico do carro desde então, além do fato de ele ter participado da maior reunião de McLaren F1 GTR da história no último Goodwood Members Meeting. É certo, porém, que a atual responsável por ele é a própria McLaren, que através da divisão Special Operations realizou uma restauração mecânica no valor de £ 120 mil, ou mais de R$ 560 mil. Algo nos diz que o preço pedido pelo carro agora é ainda mais alto…

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