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Achados meio perdidos Automobilismo Car Culture

O Williams FW14B de Nigel Mansell, Riccardo Patrese e Damon Hill está à venda!

A Fórmula 1 atual é constante alvo de críticas dos entusiastas por causa de suas regras muito rígidas. Eles dizem que a busca incessante por um esporte seguro e amigo do meio ambiente tornou os carros feios e sem graça, e deu origem a circuitos tão empolgantes quanto um congestionamento matinal. A gente não gosta de cair naquele discurso que repete exaustivamente “antigamente tudo era melhor, antigamente tudo era melhor”, mas há diversas evidências de que a F1 das décadas de 1970, 1980 e até 1990 era bem mais interessante.

Uma delas é um carro. Mas não qualquer carro, e sim um dos monopostos mais incríveis a acelerar em uma corrida de F1. Uma revolução, um verdadeiro game changer chamado Williams FW14B, projetado pelo mago Adrian Newey — um projetista tão f*da que fizemos um especial em duas partes (parte 1, parte 2) com seus melhores carros. E o FW14B era um deles.

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O Williams FW14 foi o primeiro carro projetado por Newey em sua nova equipe, e já começou “operando milagres” antes mesmo de ficar pronto: quando Nigel Mansell viu o projeto, que previa com controle de tração, suspensão ativa e câmbio semiautomático, desistiu de se aposentar pois viu chances reais de vencer com aquele carro. E ele estava certo.

O FW14 estreou em 1991, e foi o carro de Fórmula 1 mais avançado do grid nas duas temporadas em que competiu. Em seu ano de estreia, Nigel Mansell e Riccardo Patrese venceram ao todo sete corridas com ele. Não foi o suficiente para evitar que Ayrton Senna, então na McLaren, conquistasse seu terceiro e último título — o FW14 teve alguns problemas mecânicos no início da temporada, mas Mansell ainda conseguiu garantir o vice-campeonato. E, com o desempenho matador do FW14, seria desperdício não aproveitá-lo na temporada seguinte. Com alguns ajustes, claro.

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Assim, para 1992, a Williams preparou o FW14B. O chassi era praticamente o mesmo, assim como o motor V10 Renault, porém foram feitos ajustes no câmbio semi-automático (a maior fonte de problemas no ano anterior), na suspensão ativa e no controle de tração. O carro também passou por testes aerodinâmicos em um túnel de vento e teve modificações feitas no bico, que ficou mais alto e estreito. Aí, sim, o “carro de outro planeta” se tornou invencível. Tanto que, em agosto de 1992, o Williams FW15 já estava pronto, mas a equipe decidiu continuar usando o FW14B.

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Fez certo: foram dez vitórias na temporada, nove com Nigel Mansell e uma com Riccardo Patrese. O leão britânico ficou com o título, seu colega de equipe, com o vice. Não era raro vê-los dividindo o pódio com dois segundos de vantagem em relação ao resto do grid. A Ayrton Senna e Michael Schumacher (que estreava pela Benetton), restou brigar pelo terceiro lugar — que ficou com o alemão.

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O carro que está à venda é o chassi #10, com o nº 6 estampado no bico. Ele começou sua vida como carro de testes de Nigel Mansell, sendo que sua estreia em uma corrida foi no GP de Monaco, em maio de 1992. Ao todo, foram seis corridas com Patrese ao volante do FW14B #10, com três subidas ao pódio — terceiro lugar em Monaco, segundo lugar em Magny Cours e primeiro lugar em Suzuka, sendo que esta última vitória garantiu o vice-campeonato a Patrese. As outras corridas não foram completadas por problemas mecânicos.

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O último piloto a ficar com o carro foi Damon Hill, como piloto de testes, antes de ocupar uma vaga fixa na equipe entre 1993 e 1996. A partir dali, o carro foi aposentado, mas sempre mantido em condição de show car na Williams Private Collection, aos cuidados da oficina britânica Cars International — os mesmos que cuidaram do FW15C de Damon Hill, que foi vendido no ano passado.

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Não fica claro se o carro está em condições de correr e seu preço também não foi anunciado, mas a gente sabe que a Cars International conta com o apoio da Williams, que cede os serviços de seus engenheiros, mecânicos e técnicos para garantir que os carros estejam sempre imaculados e com a mecânica em ordem. Eles também incluem fotografias e documentos da época junto com o carro. Mesmo que não dê para correr com ele, seu valor histórico é imensurável.

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