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História

Os 50 anos da Apollo 11: como a humanidade chegou à Lua

Eram 20:17 daquele domingo, 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong chamou a unidade de comando: “Houston, aqui é a Base da Tranquilidade. Eagle has landed”.

Eagle era o nome do menor dos módulos transportados pelo maior foguete que a humanidade já viu, o Saturn V. Lá dentro, estavam Armstrong e seu parceiro Edwin “Buzz” Aldrin. O pouso da águia (eagle has landed) significava que o módulo estava sobre a superfície lunar. Pela primeira vez tocávamos a Lua e realizávamos o sonho coletivo de desbravar o Cosmos.

A viagem de Armstrong, Aldrin e Michael Collins (que ficou no módulo de comando) durou pouco mais de oito dias, e a dupla de astronautas caminhou sobre a Lua por duas horas e meia. Mas como o pequeno passo que significou um salto para a humanidade, aquelas poucas horas foram apenas o auge de uma história de quase quarenta anos.

 

O sonho espacial

Embora seja um dos grandes símbolos dos anos 1960, a Corrida Espacial teve sua origem nos anos 1930, no país-símbolo da Guerra Fria: a Alemanha.

Ainda durante a República de Weimar o exército alemão começou a desenvolver armas de longo alcance impulsionadas por foguetes para contornar as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes. O programa, obviamente, foi conduzido em segredo e era formado por um pequeno grupo de engenheiros, dentre os quais estavam Walter Dornberger, Leo Zanssen e o jovem talento Wernher von Braun.

Com o início da Segunda Guerra os três assumiram postos de chefia do programa de foguetes e mísseis balísticos da Alemanha que resultou no Aggregat-4, o primeiro veículo a atingir o espaço sideral, durante os testes realizados entre 1942 e 1943.

Ainda em 1943 os alemães começaram a construir o Aggregat-4 em escala, agora rebatizado como Vergeltungswaffe 2 (nome alemão para “Arma de Vingança 2”) e mais conhecido como V2. Era um míssil balístico com alcance de 320 km, capaz de levar 1.130 kg de explosivos e que atingia insanos 4.000 km/h. Os mísseis V2 foram usados para bombardear o sul da Inglaterra e os territórios ocupados pelos Aliados na Europa Ocidental entre 1944 e 1945.

Apesar da superioridade dos mísseis V2, a Alemanha perdeu a Guerra e, com a derrota, os Aliados começaram uma competição interna pelos engenheiros de foguetes, pelos projetos e pelas armas em si. Tanto os EUA quanto o Reino Unido e a União Soviética (URSS) conseguiram partes do programa de foguetes alemães, mas quem saiu em vantagem foram os EUA com a Operação Paperclip, que recrutou Wernher von Braun e praticamente toda a sua equipe de engenharia, que fora responsável pela tecnologia do V2.

Werner von Braun

A disputa entre os Aliados, claro, não se limitou à corrida pelos foguetes alemães: naquele instante iniciava a Guerra Fria. Embora fosse uma disputa geopolítica, o desenvolvimento de tecnologia e a demonstração de poderio militar eram táticas de propaganda político-ideológica e intimidação bélica. Ainda nos anos 1950 as duas potências começaram a desenvolver armas capazes de atravessar o oceano, dando origem aos mísseis intercontinentais.

Apesar de ter como aliados Von Braun e sua equipe criadora do V2 os americanos saíram atrás nesta corrida armamentista: em 21 de agosto de 1957 o foguete soviético R-7 voou por 6.000 km antes de cair no Oceano Pacífico. Naquele mesmo ano, em 4 de outubro, os soviéticos modificaram o R-7 e o utilizaram para lançar o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história. Essa sequência de eventos mostrou que os soviéticos não tinham apenas a capacidade de atingir os EUA sem atravessar o Oceano, mas também tinham tecnologias mais avançadas que a dos americanos.

Isso resultou em um grande temor dos americanos sobre o que poderia acontecer em seguida. Estava claro que eles não estavam mais seguros e que o Atlântico não era mais uma barreira física. Durante cinco dias o governo dos EUA planejaram como responder ao público e que medidas deveriam ser tomadas. Estes cinco longos dias ficaram conhecidos como a “Crise do Sputnik”.

Sputnik 1

Em seu primeiro pronunciamento após o lançamento do Sputnik, o presidente americano Dwight Eisenhower disse que o peso do satélite indicava que ele não era uma arma de guerra, mas admitiu que a URSS havia superado os EUA “e o resto do mundo livre” nos avanços científicos e na tecnologia espacial. Considerando isto, Eisenhower mencionou que se a URSS mantivesse essa superioridade, ela poderia ser usada para “minar o prestígio e a liderança dos EUA”, além de representar uma ameaça militar ao país.

A primeira medida prática de Eisenhower foi a criação da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, mais conhecida por seu acrônimo NASA. E a agência já nascia com uma missão: o Projeto Mercury, que pretendia colocar um homem na órbita terrestre. Foi o início da Corrida Espacial.

 

Sovetskaya Luna

Antes da chegada do homem ao espaço, contudo, veio a ideia de ir à Lua e conhecer melhor nosso satélite natural. E ela não veio dos americanos: em 1959 os soviéticos lançaram a sonda Luna-1, que deveria pousar na Lua. Eles erraram por míseros 5.996 km, mas deixaram claro que já havia tecnologia e ciência para determinar as variáveis necessárias para a exploração lunar — e nada disso estava com os americanos. Além disso, sensores de radiação e magnetismo nos ajudaram a descobrir se era possível chegar ao espaço.

Réplica na Luna-1

Ainda em 1959 eles abriram ainda mais a dianteira: lançaram a Luna-2 e, desta vez, acertaram o alvo. Em 13 de setembro a sonda “bateu” no solo lunar. Apesar de ser uma simples sonda incapaz de pousar suavemente na superfície, a Luna-2 foi fundamental para descobrirmos que não havia radiação nem magnetismo na Lua.

Os EUA reagiram ao sucesso do programa Luna com um novo programa, o Ranger, que pretendia fotografar e mapear a superfície lunar. O início estava previsto para 1959 e seria dividido em três “blocos”, cada um com missões diferentes e tecnologias mais avançadas. Mas antes que a primeira missão do primeiro bloco da Ranger sonhasse em ver a plataforma de lançamento, os soviéticos deram mais um passo à frente dos americanos: a sonda Luna-3 fez as primeiras fotos do lado escuro da Lua, revelando uma face nunca vista do nosso próprio satélite.

Àquela altura os EUA já tinham dois programas em andamento e nenhum lançamento realizado. Nem as cápsulas do Mercury, nem as sondas do Ranger. Os soviéticos já sabiam como chegar à Lua, já haviam colocado um animal vivo no espaço (a cachorrinha Laika) e estavam prestes a cumprir a promessa dos EUA antes da NASA.

 

O homem no espaço

Depois de colocar o Sputnik 1 na órbita baixa terrestre, os soviéticos lançaram em 1959 como resposta a Eisenhower um novo programa espacial para colocar um humano no espaço, o Vostok. Depois de uma série de lançamentos não-tripulados para testes, eles fizeram o primeiro voo tripulado em 12 de abril de 1961. Ele durou apenas uma hora e 48 minutos, mas foi tempo suficiente para colocar Yuri Alekseyevich Gagarin em órbita e fazer dele o primeiro humano a ver o planeta Terra do espaço.

Três semanas mais tarde, em 5 de maio de 1961, os americanos finalmente fizeram o primeiro lançamento do projeto Mercury e colocaram Alan Shepard no espaço em um voo suborbital. Em agosto os soviéticos colocaram um segundo cosmonauta no espaço e, seis meses depois, os americanos colocaram o primeiro astronauta na órbita terrestre (os soviéticos são “cosmonautas”, os americanos são “astronautas”). Os dois projetos alternaram voos até 1963, quando ambos foram encerrados.

Logo depois da ida de Alan Shepard ao espaço, a NASA lançou as primeiras missões do programa Ranger. Ou melhor: tentou lançar. Nos dois primeiros lançamentos, realizados em 23 de agosto e 18 de novembro, as sondas não conseguiram se estabilizar a mal chegaram à sub-órbita. Os três blocos seguintes realizados entre janeiro e outubro de 1962 foram igualmente fracassados. A URSS estava vencendo a corrida espacial.

 

Escolhemos a Lua

Em 25 de maio de 1961, 20 dias depois da viagem espacial de Alan Shepard, o recém-empossado presidente John F. Kennedy fez um discurso no Congresso americano no qual mencionou a conquista da Lua como um objetivo essencial e urgente para os EUA. Kennedy acreditava que, para conter os ideais socialistas da URSS, para reverter a impressão de que os soviéticos eram mais modernos e avançados que os EUA, chegar à Lua era fundamental.

“Acredito que esta nação deve se comprometer com o objetivo de colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta em segurança antes do final da década. Nenhum projeto espacial neste período será mais impressionante para a humanidade, ou mais importante para a exploração espacial de longa distância; e nenhum será tão difícil ou caro de se realizar. Propomos acelerar o desenvolvimento de uma nave espacial lunar apropriada. Propomos o desenvolvimento de propulsores alternativos de combustível líquido e sólido, muito maiores do que os que estão sendo desenvolvidos atualmente, até que algo seja superior. Propomos fundos adicionais para o desenvolvimento de outros motores e para explorações não-tripuladas – explorações que são particularmente importantes para um propósito que esta nação jamais negligenciará: a sobrevivência do homem que primeiro fizer esse vôo ousado. Mas em um sentido muito real, não será um homem indo para a Lua — será uma nação inteira. Todos nós devemos trabalhar para colocá-lo lá.”

Naquele mesmo ano a NASA iniciou o Projeto Apollo. Ele havia sido desenvolvido nos anos 1950 para colocar tripulações de três astronautas no espaço, mas acabou redesignado para a missão lunar. Paralelamente a isso, a NASA iniciou o terceiro bloco do programa Ranger em janeiro de 1964. A primeira missão, Ranger 6, teve um lançamento bem-sucedido e chegou à Lua, porém um problema com as câmeras onboard a tornou inútil.

Em 31 julho de 1964, a Ranger 7 chegou à Lua logo ao sul da cratera Copérnico e fez mais de 4.300 fotos com suas seis câmeras. As imagens revelaram que as crateras eram predominantes na superfície lunar, mesmo nas planícies mais suaves e vazias. Em 20 de fevereiro de 1965 foi a vez da Ranger 8 pousar no Mar da Tranquilidade e fazer mais de 7.000 fotos em uma área ainda maior que a região coberta por sua antecessora.

As imagens confirmaram as primeiras conclusões feitas a partir das imagens da Ranger 7. Um mês depois, em 21 de março de 1965, a Ranger 9 atingiu a cratera Alphonsus e fez mais 5.800 fotos em uma região mais escura que permitiu imagens mais nítidas das crateras lunares. Com quase 20.000 imagens da superfície lunar, os americanos finalmente estavam à frente dos soviéticos na corrida espacial.

 

Apollo

Depois do programa Ranger, a NASA iniciou o programa Surveyor, que consistiu em sete sondas enviadas para testar aterrissagens suaves e decolagens a partir da Lua, manobras essenciais para enviar missões tripuladas ao satélite. Das sete sondas, cinco pousaram e somente uma decolou a partir da Lua. Com a conclusão bem-sucedida do programa Surveyor, a NASA avançou o programa Apollo para colocar os primeiros astronautas na Lua.

Virgil “Gus” Grissom, Ed White e Roger B. Chaffee: os tripulantes da Apollo 1

A primeira missão seria realizada em janeiro de 1967, mas terminou tragicamente antes mesmo de começar: durante um treinamento para o lançamento um incêndio na cabine do foguete Saturn IB matou os três ocupantes e destruiu o módulo de comando. Enquanto a NASA investigava as causas do acidente, os voos tripulados foram suspensos.

Por essa razão a segunda missão do programa, batizada Apollo 4, não teve tripulantes. Ela foi realizada para testar o novo foguete Saturn V e passou 8 horas e 36 minutos na órbita terrestre. Em seguida foi a vez da Apollo 5, uma missão que também não foi tripulada e serviu para testar o módulo lunar da Apollo com o foguete Saturn IB ao longo de pouco mais de 11 horas em janeiro de 1968. Três meses depois, em abril de 1968 a NASA realizou com sucesso a Apollo 6, que também foi uma missão não tripulada para testar a trajetória do Saturn V com 80% da carga total.

As missões tripuladas só voltaram a acontecer em outubro de 1968 com a Apollo 7. A missão durou 11 dias e permaneceu na órbita terrestre para testar o novo módulo de controle Block II. Foi o primeiro voo tripulado do Saturn IB a chegar no espaço e também a primeira missão a realizar uma transmissão ao vivo de televisão. Houve uma certa tensão entre a tripulação e os controladores de voo, mas a missão foi bem-sucedida e permitiu que a NASA avançasse para a missão Apollo 8.

 

Ao vivo do espaço

Apollo 8: Frank Borman, William Anders e Jim Lovell

A Apollo 8 foi a missão que nos colocou na Lua pela primeira vez. Frank F. Borman II, James A. Lovell Jr. e William A. Anders jamais pisaram na superfície lunar, mas passaram 20 horas ao redor do satélite antes de voltar à Terra sãos e salvos.  Até então nenhum humano havia viajado tão longe, nem visto nosso planeta e nosso satélite como Borman, Lovell e Anders viram.

“Certo, Houston. A Lua é essencialmente cinza, sem cor; parece gesso ou um tipo de areia cinzenta de praia. Podemos ver muitos detalhes. O Mar da Fertilidade não se destaca tanto aqui quanto se destaca lá na Terra. Não há tanto contraste entre ela e as crateras ao redor… as crateras são todas arredondadas. Há bastante delas, algumas delas são mais novas. Muitas delas se parecem – especialmente as redondas – parecem que foram atingidas por meteoritos ou projéteis de algum tipo…”

Uma das principais tarefas da tripulação era fazer reconhecimento de futuros locais de pouso, especialmente no Mar da Tranquilidade. O horário de lançamento da Apollo 8 foi escolhido para que o local a ser examinado estivesse sob as melhores condições de iluminação possíveis. Anders passou boa parte das vinte horas seguintes tirando o maior número possível de fotografias, mas uma delas se tornou um ícone da Era Espacial e um dos momentos mais incríveis da história da humanidade.

Batizada “Earthrise” ou “O Nascer da Terra”, a foto retrata um evento que eles testemunharam por acaso. Em uma das órbitas realizadas, Anders viu a Terra emergindo no horizonte lunar e começou a sacar fotos. Primeiro ele fez uma fotografia em preto e branco, mas em seguida trocou o filme da câmera por um colorido e fotografou a terra surgindo da escuridão infinita do espaço. A foto é considerada até hoje uma das imagens mais marcantes do Século XX e, como disse o próprio Anders, é irônica: “Fizemos tudo isso para descobrir a Lua e, no fim das contas, descobrimos a Terra”.

Como se não bastasse o simbolismo de conhecer nosso próprio lar, a Apollo 8 ainda “salvou” o caótico ano de 1968 com uma transmissão ao vivo na noite de Natal. Ao entrar no ar, os astronautas se apresentaram ao público e descreveram suas impressões sobre a superfície da Lua e a sensação de serem os primeiros humanos a orbitar um corpo celeste. Em seguida, a tripulação leu um trecho da história bíblica da criação do mundo segundo o livro do Gênesis.

“Estamos nos aproximando do nascer do Sol lunar, e para todos aí na Terra, a tripulação do Apollo 8 tem uma mensagem. 

‘No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: faça-se a luz; e se fez luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.
E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.
E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.

E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.
E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom.’

E da tripulação da Apollo 8, nós encerramos com boa noite, boa sorte, um feliz Natal e que Deus abençoe todos vocês – todos vocês na boa Terra”.

Embora pareça controversa, a leitura do livro de Gênesis foi escolhida por ser uma visão comum sobre a criação do universo de acordo com as religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo), que são praticadas pela maioria da população global até hoje.

A Apollo 8 retornou em 27 de dezembro de 1968 com um pouso suave no Pacífico Norte. A primeira parte da promessa de John F. Kennedy estava cumprida. O próximo passo seria caminhar sobre a superfície lunar.

 

Um ensaio espacial

Desde as primeiras missões bem-sucedidas do projeto Apollo, a NASA já sabia o local mais seguro para pousar na Lua, já sabia como pousar o módulo lunar na Lua, como orbitar a Lua e como decolar para o retorno à Terra. As missões seguintes, Apollo 9 e Apollo 10, foram missões de testes e validação dos sistemas que fariam isso.

Apollo 9: James McDivitt, David Scott e Russell Schweikart

Em 3 de março de 1969 o foguete Saturn V foi lançado pela primeira vez com o módulo de comando e serviço (CSM) e com o módulo lunar (LM). Era o teste definitivo do equipamento que nos levaria à Lua. O objetivo era levar o módulo lunar à órbita baixa da Terra e testar seus sistemas de propulsão para verificar se ele conseguiria voar de forma independente e realizar as manobras de acoplamento ao CSM.

Spider, o módulo lunar da Apollo 9. O módulo de comando chamava-se Gumdrop

A missão também testou os propulsores do LM como sistema emergência para o conjunto CSM/LM — algo que foi necessário na missão Apollo 13 —, e também o sistema de oxigênio que permitiria aos astronautas respirar enquanto estivessem fora do módulo.

Gumdrop e Spider acoplados. O astronauta saindo para uma caminhada espacial é David Scott

Logo após o lançamento a tripulação fez uma “caminhada espacial” para testar o suprimento de oxigênio, e a primeira manobra de acoplamento e desacoplamento dos módulos. A missão foi concluída em 10 dias e abriu caminho para a missão seguinte, que seria o último teste necessário para colocar a humanidade na Lua: o teste de pouso lunar.

Apollo 10: Eugene Cernan, John Young e Thomas Stafford

A missão responsável por isso foi a Apollo 10, lançada em maio de 1969. Ela foi até a órbita lunar, realizou as manobras de desacoplamento do módulo lunar ensaiadas pela Apollo 9 e iniciou um teste inédito: a descida até a Lua. Usando seus propulsores, o módulo lunar foi desacoplado do CSM e voou de forma independente até a Lua, chegando ao ponto em que o sistema de pouso seria ativado. Durante os testes, a maior aproximação foi de 15,6 km da superfície lunar. Dali o LM voltou ao CSM, fez a manobra de acoplamento e voltou em segurança à Terra em 26 de maio de 1969.

Snoopy: o módulo lunar da Apollo 10. O módulo de controle era o Charlie Brown

Doze anos depois da Luna 1 e do Sputnik, depois das viagens de Laika e Gagarin, da promessa de Kennedy, da trágica perda da tripulação da Apollo 1 e da descoberta da Terra pela Apollo 8, o caminho para a Lua finalmente estava aberto.

 

O fracasso soviético

Enquanto os americanos progrediam na Corrida Espacial, os soviéticos tentavam recuperar a liderança que conseguiram nos anos 1950 e início dos anos 1960. Com as missões Soyuz eles conseguiram testar os trajes espaciais e sistemas de oxigênio antes mesmo dos americanos e também fizeram seu mapeamento da Lua. Seus problemas começaram com o foguete que levaria um cosmonauta ao satélite terrestre, o N1.

O projeto era imenso, e tinha potencial para ser maior e mais poderoso que o Saturn V. O problema é que o N1 jamais funcionou. A primeira tentativa de lançá-lo foi em 21 de fevereiro de 1969 — na mesma época em que a NASA lançou a Apollo 9. Ele chegou a decolar, mas depois de exatos 70 segundos, o foguete explodiu. Felizmente era um voo não-tripulado.

Os soviéticos tentaram mais uma vez em 3 de julho de 1969, naquela que se tornaria sua última chance de se manter na Corrida Espacial. A nave explodiu praticamente no mesmo instante do lançamento e destruiu completamente a plataforma 110E, e ainda danificou a plataforma 110W que ficava a 500 metros de distância e guardava o terceiro exemplar do N1. Com seus dois foguetes e suas duas plataformas de lançamento em pedaços, os soviéticos estavam fora da disputa.

Eles ainda construiriam outros três exemplares do N1, mas só conseguiram tentar um novo lançamento do N1 em 1971. Desta vez o voo durou 50 segundos. O foguete começou a girar, os sistemas não conseguiram compensar a inclinação e ele caiu a pouco mais de 5 km da base. O quarto N1 foi lançado em novembro de 1972, voou por 90 segundos e os motores falharam antes de o foguete explodir. Por fim, o quinto N1 seria lançado em 1974, mas a URSS cancelou o projeto e ele jamais saiu do chão.

 

Enfim, a Lua

Enquanto os soviéticos recolhiam os pedaços de seus N1 e de suas plataformas de lançamento, Edwin “Buzz” Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins se preparavam para iniciar a missão Apollo 11, a primeira destinada ao pouso lunar.

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin

A tripulação da Apollo 11 foi formada em 1967, durante os preparativos da Apollo 8. Armstrong, Aldrin e Jim Lovell eram os reservas do trio originalmente escalado para a missão, formado por Frank Borman, Michael Collins e William Anders. Contudo, Collins desenvolveu uma hérnia de disco e precisou ser operado, o que o retirou da missão. Em seu lugar foi escalado Jim Lovell, que foi substituído por Fred Haise na equipe reserva. Quando Collins se recuperou da cirurgia, ele foi colocado na tripulação principal da Apollo 11.

Saturn V rumo à Lua

Exatamente às 13:32 (UTC) de 16 de julho de 1969, a NASA lançou o Saturn V que deu início à missão Apollo 11 e levaria Armstrong, Aldrin e Collins à Lua. O lançamento foi transmitido ao vivo pela televisão para 33 países e mais de 25 milhões de pessoas somente nos EUA, e foi presenciado por quatro membros do gabinete presidencial de Richard Nixon, pelo vice-presidente dos EUA Spyro Agnew, pelo ex-presidente Lyndon Johnson e sua esposa, por 19 governadores americanos, 40 prefeitos, 60 embaixadores, 200 congressistas e cerca de 3.500 jornalistas de 56 países.

Doze minutos depois ele entrou na órbita terrestre. O motor do terceiro estágio do Saturn V acionou a injeção translunar às 16:22 (UTC) e impulsionou o foguete na trajetória em direção à Lua.

Michael Collins assumiu os controles trinta minutos depois da entrada na órbita e realizou a manobra de transposição, acoplamento e extração, separando o módulo de comando (CSM) Columbia do terceiro estágio e acoplando o módulo lunar Eagle para extraí-lo do foguete. O conjunto Columbia-Eagle seguiu para a Lua e o restante do foguete seguiu uma trajetória distinta para evitar que ele colidisse com os módulos, com a Terra ou com a Lua.

A viagem durou três dias: a Apollo 11 passou por trás da Lua às 17:21 (UTC) de 19 de julho e acionou seu motor de propulsão de serviço para entrar em órbita lunar. Em seguida a tripulação avistou o local de pouso, logo ao sul do Mar da Tranquilidade, a cerca de 19 km da  cratera Sabine D — ambos identificados pelas missões Ranger 8 e Surveyor 5 como relativamente planos e lisos.

Com a nave na órbita lunar, Armstrong e Aldrin entraram no Eagle às 12:52 (UTC) de 20 de julho e iniciaram as preparações finais para a realização da descida. O Eagle se separou do Columbia às 17:44 (UTC). Collins permaneceu sozinho no Columbia — provavelmente o homem mais solitário do universo naquele momento — e inspecionou o Eagle durante sua manobra de desacoplamento para garantir que a nave não estava danificada e que os trens de pouso estavam ativados. Ao receber a confirmação de Collins, Armstrong respondeu: “the Eagle has wings” (a Águia tem asas). 

Módulo lunar Eagle visto do módulo de comando Columbia

Instantes depois da confirmação a dupla Armstrong-Aldrin avistou o local do pouso. Era uma área pedregosa ao lado de uma cratera de 91 metros de diâmetro que seria o local ideal para coletar amostras geológicas. O problema é que o módulo estava descendo em uma velocidade vertical muito elevada e, como se não bastasse, o suprimento de combustível estava quase esgotado. Armstrong encontrou um pedaço limpo e plano da superfície e manobrou a nave, mas durante a manobra descobriu que o local era uma cratera. A menos de 75 metros do solo lunar, ele manobrou e encontrou outro local plano e iniciou a manobra de pouso.

Quando o Eagle chegou a 30 metros da superfície, eles tinham menos de 90 segundos de combustível. Parece uma eternidade para uma descida tão curta, porém os motores do módulo lunar começaram a levantar poeira e dificultaram a visibilidade durante a manobra. Armstrong estava sem referência visual alguma para descer e seu combustível estava acabando. A movimentação da poeira acabou revelando algumas pedras maiores que, no fim, se tornaram os pontos de referência para o piloto. Segundos depois, as luzes de alerta dos trens-de-pouso se acenderam, avisando que o Eagle havia tocado a superfície da Lua.

“Houston, aqui é a Base da Tranquilidade. Eagle has landed“, disse Neil Armstrong no rádio para a equipe de comando na Terra. O nome “Base da Tranquilidade” fora escolhido para designar o módulo lunar enquanto ele estava estacionado na Lua. A mudança do nome de “Eagle” para “Base da Tranquilidade” deixava claro que finalmente estávamos na Lua.

O contato seguinte com a Terra foi feito por Buzz Aldrin. Ele chamou o comando na NASA para avisar sobre o início das preparações para a saída do módulo e completou com uma mensagem pessoal:

“Aqui é o piloto do módulo lunar. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para pedir que cada pessoa que estiver ouvindo, quem quer que seja e onde quer que esteja, que pare por um momento e contemple os eventos das últimas horas e agradeça à sua própria maneira.”

Em seguida, Aldrin abriu um pacote que continha uma hóstia, vinho e uma oração. Sua primeira ação na lua foi comungar. Ele tomou a hóstia, bebeu o vinho e leu um versículo do evangelho de São João: ‘“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Mais tarde Aldrin explicou que, na época, muitos cientistas e pilotos da NASA acreditavam que a exploração espacial e a viagem à Lua em si eram parte do plano divino para a humanidade. Ele também revelou que decidiu comungar na Lua porque o pastor de sua igreja presbiteriana costumava dizer que Deus se revela em pequenos momentos do dia-a-dia. Para Aldrin, a chegada do homem à Lua era um destes momentos.

Na época, o fato foi ocultado porque a NASA havia sido processada por uma união ateísta devido à leitura bíblica na transmissão de Natal da Apollo 8. Como resultado, eles evitavam a divulgação de atividades religiosas no espaço, ainda que  Após seu momento de fé, Aldrin e Armstrong inverteram uma etapa do cronograma antecipando os preparativos para a saída do módulo lunar em vez de dormir por cinco horas, como previsto. Eufóricos, eles achavam que não conseguiriam fechar os olhos e relaxar, então decidiram aproveitar a movimentação.

 

O salto

Às 23:43 (UTC) a dupla iniciou os preparativos para a saída, uma atividade que demorou três horas e meia em vez das duas previstas inicialmente. O equipamento necessário havia sido organizado durante os treinamentos, mas durante a viagem a cabine acabou cheia de listas de checagens, ferramentas e pacotes de comida.

Às 2:39 (UTC) de 21 de julho, a cabine foi despressurizada e a escotilha foi aberta. Armstrong era o comandante e foi o primeiro a descer. Carregando o sistema de oxigênio ele teve dificuldades de passar pela escotilha e atingiu seu pico de batimentos cardíacos na operação. Às 2:51 (UTC) ele iniciou a descida dos nove degraus que o separavam da superfície lunar. Foi durante a descida que ele ativou a câmera externa do módulo.

Como o sistema de transmissão do módulo lunar era incompatível com os transmissores de televisão convencionais usados pelas emissoras, a transmissão ao vivo realizada naquela noite para o mundo inteiro foi feita a partir de uma câmera de TV que enquadrou o monitor da NASA, daí a baixa resolução.

A descida de Armstrong foi lenta. Ele não conseguia enxergar seus pés devido ao sistema de rádio preso ao seu peito, e precisava fazer tudo cautelosamente pois uma queda poderia colocar tudo a perder. Durante a descida ele também descobriu uma plaqueta montada no lado de fora do módulo lunar. Ela tinha o desenho dos hemisférios ocidental e oriental da Terra, as assinaturas dos três astronautas e do presidente dos EUA Richard Nixon, e uma mensagem que dizia: “Aqui homens do planeta Terra pela primeira vez pisaram sobre a Lua, julho de 1969 AD. Nos viemos em paz por toda a humanidade”. 

No último degrau do módulo lunar, Armstrong descreveu a superfície lunar como “granulada, quase como um pó”. Em seguida, pisou pela primeira vez sobre esta poeira que acabara de descrever. Às 2:56 (UTC), um humano tocava a Lua pela primeira vez.

Novamente Armstrong se manifestou ao rádio: “É um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”.

A primeira ação de Armstrong na Lua foi coletar uma amostra do solo, cerca de sete minutos depois de seu primeiro passo. Ele usava uma vara coletora com um sacola na extremidade. Com o solo lunar coletado, ele dobrou a sacola e a guardou em um bolso na perna direita.

A intenção era garantir que ao menos a amostra fosse levada à Terra, caso uma emergência os obrigasse a voltar para o módulo lunar. Em seguida, ele tirou a câmera do seu suporte, fez uma tomada panorâmica e a instalou em um tripé. Além da câmera de TV, Armstrong e Aldrin tinham à disposição uma câmera Hasselblad de médio formato equipada com filmes Kodachrome coloridos. Estas câmeras e estes filmes já tinham uma altíssima definição de imagens e de cores, uma vez que eram usadas para fotografias publicitárias e para o cinema. Em seguida, cerca de dez minutos após a saída de Armstrong, foi a vez de Aldrin chegar à superfície lunar.

Armstrong afirmou que se mover gravidade lunar era “mais fácil do que nas simulações” e que “não há absolutamente problema algum em andar”. Aldrin também testou métodos de locomoção, incluindo pequenos saltos. A mochila do sistema de suporte de vida tinha a tendência de escorregar para trás, porém nenhum dos astronautas teve problemas em manter o equilíbrio. Com o tempo, eles perceberam que os saltos eram a melhor forma de se movimentar.

Buzz Aldrin saindo do Eagle

Aldrin e Armstrong relataram que precisavam planejar os movimentos com cerca de sete passos de antecipação porque a poeira era fina e escorregadia, e que a transição do sol para a sombra não alterava a temperatura dentro do traje espacial, embora o capacete ficasse mais quente.

O ato seguinte foi fincar a bandeira dos EUA na superfície lunar, momento em que a dupla descobriu a dureza do solo. Eles entraram na área de enquadramento da câmera de TV, abriram a haste telescópica da bandeira e, com alguma dificuldade, enterraram uma ponta de cinco centímetros. Nesse momento Armstrong e Buzz receberam o contato do presidente dos EUA pelo rádio:

“Alô, Neil e Buzz! Estou falando com vocês por telefone da Sala Oval na Casa Branca. E este deve ser o telefonema mais histórico já feito. Não posso lhes dizer o quão orgulhosos todos nós estamos do que vocês fizeram. Para cada americano, este deve ser o dia mais orgulhoso de suas vidas. E para todas as pessoas do mundo, tenho certeza que elas também se juntarão aos americanos em reconhecimento deste enorme feito. Por causa do que vocês fizeram, os céus tornaram-se parte do nosso mundo. Conversar com vocês no Mar da Tranqulidade, nos inspira a redobrar nossos esforços para levar paz e tranquilidade para a Terra. Por um momento inestimável em toda a história do homem, todas as pessoas nesta Terra estão verdadeiramente unidas pelo orgulho do que vocês fizeram e pelas orações para que retornem em segurança para a Terra.”

Depois de coletar as amostras que precisavam (cerca de 21 kg de poeira, solo e pedras), os dois astronautas iniciaram o retorno. A subida foi ainda mais difícil que a descida: com o peso das amostras e um equipamento altamente ineficiente para elevação, eles acabaram deixando na lua parte do suporte de oxigênio, suas botas lunares e uma das câmeras Hasselblad (obviamente sem filme). Às 5:01 (UTC) eles fecharam a escotilha, pressurizaram o módulo e foram dormir.

 

O retorno

Os dois astronautas descansaram por sete horas, foram acordados pelo Controle da Missão e ligaram o motor de subida do Eagle duas horas depois, às 17:54 (UTC). Enquanto isso, Michael Collins continuava solitário a bordo do CMS Columbia. Mais tarde ele diria que “desde Adão nenhum humano conheceu tamanha solidão”, mas disse que em nenhum momento se sentiu solitário pois estava extremamente envolvido na missão. Seus momentos mais isolados eram os 48 minutos em que ele perdia o contato de rádio com a Terra sempre que o CMS passava atrás da Lua.

O Eagle reencontrou com o Columbia às 21:24 (UTC) do dia 21 de julho, e o acoplamento aconteceu onze minutos depois. O estágio de subida foi descartado na órbita lunar às 23:41 (UTC). Foi quando a viagem de volta começou.

Dois dias mais tarde, já próximos da órbita terrestre, os três astronautas fizeram uma transmissão e, desta vez, Collins foi o interlocutor:

“O Saturn V que nos colocou em órbita é um equipamento incrivelmente complicado, mas cada uma de suas peças funcionou perfeitamente. Sempre tivemos confiança de que ele funcionaria corretamente. Tudo isso só foi possível através do sangue, suor e lágrimas de muitas pessoas. Tudo o que vocês veem são nós três, porém por trás há milhares e milhares de pessoas e a todos eles eu gostaria de dizer ‘muito obrigado’.”

Em seguida Aldrin complementou:

“Isto foi muito mais do que três homens em uma missão para a Lua; mais ainda do que os esforços de um governo e equipe industrial; ainda mais do que os esforços de uma nação. Sentimos que isto permanece como um símbolo da curiosidade insaciável de toda humanidade para explorar o desconhecido… pessoalmente, ao refletir sobre os eventos dos últimos dias, um verso dos Salmos me vem à cabeça. ‘Quando vejo os teus céus, obra dos Teus dedos, a Lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?”

E Neil Armstrong encerrou a transmissão:

“A responsabilidade por este voo está primeiro com a história e com os gigantes da ciência que precederam este esforço; em seguida com o povo americano, que, através de sua vontade, indicou seu desejo; em seguida com quatro governos e seus congressos, por implementarem essa vontade; e então, com a agência e equipes industriais que construíram nossa espaçonave, o Saturno, o Columbia, o Eagle, o traje espacial e mochila que foi nossa pequena espaçonave na superfície lunar. Gostaríamos de agradecer especialmente a todos os americanos que construíram essas espaçonaves; que fizeram a construção, projeto, os testes e colocaram seus corações e suas habilidades nesses ofícios. Para essas pessoas esta noite, damos nossos agradecimentos especiais, e para todas as outras pessoas que estão ouvindo ou assistindo esta noite, Deus os abençoe. Boa noite da Apollo 11.”

 

Enfim, a Terra

Quando os para-quedas do Columbia abriram às 16:44 (UTC) os helicópteros da marinha americana os identificaram imediatamente. O módulo atingiu o Oceano Pacífico sete minutos depois, a 2.660 km da Ilha Wake, 380 km ao sul do Atol Johnston e a 24 quilômetros de distância do porta-aviões Hornet.

Ao tocar o mar, o módulo acabou virando de cabeça para baixo, mas ele era equipado por flutuadores que foram acionados manualmente pelos astronautas e, sem seguida, um helicóptero desembarcou os mergulhadores que ancoraram o módulo e afixaram os colares de flutuação para estabilizar o Columbia e permitir a extração dos astronautas.

Os mergulhadores também entregaram trajes de isolamento biológico aos astronautas antes de embarcá-los nos botes. Apesar da possibilidade de trazer algum agente patogênico da superfície lunar fosse remota, a NASA preferiu agir de forma precavida. Em seguida eles tomaram um banho de hipoclorito de sódio e o Columbia foi banhado com Iodopovidona. Somente depois disso os astronautas foram içados para dentro do helicóptero e levados ao módulo de isolamento do porta-aviões. O bote com os materiais de descontaminação foi afundado.

Às 17:53 o helicóptero pousou no Hornet e levado até um hangar, onde os astronautas entraram na estação móvel de quarentena (que, apesar do nome, durou 21 dias). Eles receberam atestados médicos de saúde limpa depois de três semanas.

Os três astronautas desfilaram em carro aberto em 13 de agosto em Nova Iorque e em Chicago e depois voaram para Los Angeles onde foram recebidos em um banquete de estado em homenagem à missão.

Em seguida, os três astronautas receberam a Medalha Presidencial da Liberdade e discursaram no Congresso em 16 de setembro. Duas semanas depois eles iniciaram uma turnê mundial de 38 dias que passou por 22 países.

 

O legado

Depois da Apollo 11 outras cinco missões retornaram ao satélite: Apollo 12, Apollo 14, Apollo 15, Apollo 16 e Apollo 17. No total, 12 astronautas caminharam sobre a Lua e nenhum deles retornou em missões posteriores. Ainda em 1969 Charles “Pete” Conrad e Alan Bean passaram 1:07:31 na superfície lunar com o módulo Intrepid.

Em 1971 foi a vez de Alan Shepard (sim, o primeiro astronauta americano no espaço) desembarcar do módulo Antares com Edgard Mitchell. Naquele mesmo ano David Scott e James Irwin foram à Lua com o módulo Falcon. Em 1972 John Young e Charles Duke foram com o módulo Orion e passaram 2:23:02 sobre a Lua. A última missão aconteceu no final de 1972, quando Eugene Cernan e Harrison Jack Schmitt — o único geólogo a participar de uma missão lunar — passaram 3:02:59 na superfície da Lua. Cernan foi o único a chegar perto da Lua duas vezes: na Apollo 10 ele apenas orbitou o satélite, sem pousar. Na segunda vez, com a Apollo 17, ele finalmente teve a chance de se aproximar e caminhar sobre a Lua.

Atualmente a China, a Índia e a Rússia têm projetos para enviar uma nave tripulada à Lua. A China pretende fazer isso em 2020, a Índia irá lançar seu Chandrayaan 2 no próximo dia 22 de julho e os russos esperam conseguir estabelecer uma base lunar entre 2025 e 2032.

Dos três pioneiros na Lua, Buzz Aldrin e Michael Collins estão vivos e ativos publicamente. Eles acompanham as missões para Marte e são porta-vozes do programa espacial americano até hoje. Neil Armstrong morreu em 25 de agosto de 2012 aos 82 anos devido a complicações decorrentes de uma cirurgia de ponte de safena.

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