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Os carros americanos mais icônicos de todos os tempos – parte 2

Há alguns dias perguntamos a nossos leitores quais eram os carros americanos mais emblemáticos de todos os tempos, como parte de nossa mais nova série de posts aqui no FlatOut. Logo em seguida, publicamos a primeira parte da lista com as respostas. Você sabe o que vem agora, certo? Então vamos conferir quais são os outros integrantes do seleto grupo de carros mais essencialmente americanos de todos os tempos, de acordo com vocês, galera!

 

Ford Crown Victoria

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É fácil lembrar dos americanos por causa dos muscle cars e de sua tendência a colocar motores V8 em tudo. No entanto, se por “carro americano mais icônico” estivermos nos referindo a um modelo onipresente nas ruas, nos filmes de Hollywood e no imaginário popular, fica difícil competir contra o Ford Crown Victoria.

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Além de ser o táxi mais comum dos EUA (diz-se que em Nova York, mas praticamente toda cidade americana tem uma frota de Crown Vics servindo como táxis) e, ao longo dos anos, ter se tornado também o mais popular carro de polícia americano, o Ford Crown Victoria foi praticamente o mesmo por décadas, mantendo sua construção de carroceria sobre chassi, motor V8, câmbio automático e tração traseira.

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A verdade é que o Ford Crown Vic é membro de uma família de três irmãos, que também inclui o Mercury Grand Marquis e o Lincoln Town Car. Todos foram lançados entre 1991 e 1994 e dividiam a mesma plataforma, alguns componentes do conjunto mecânico e diversos painéis da carroceria. A construção sobre chassi era rudimentar, porém robusta, com eixo rígido na traseira, e foi assim por toda a produção do Crown Vic, de 1992 a 2011.

Nem precisamos dizer que as ruas dos EUA são abarrotadas de Crown Vics. E o mais legal é que, entre os carros civis e os usados por taxistas e policiais, há carros que eram táxis e carros de polícia mas foram vendidos a pessoas comuns por um preço bem mais em conta — com motor V8 e tração traseira, o Crown Vic dá um ótimo project car.

 

Ford F-Series

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Os americanos também gostam muito de picapes — muito mesmo. E parece até que só estamos colocando modelos da Ford na lista, mas é inevitável: a picape mais lembrada pelos leitores (e, na verdade, por qualquer um que puxe picapes americanas na memória) é a Ford F-Series, que é produzida desde 1948. E por que ela é tão marcante?

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Para começar, ela foi a primeira picape da Ford a não ser baseada em um carro, como era antigamente com aquela que era batizada simplesmente de Ford Pickup. Com uma plataforma própria, a Ford F-Series era maior, mais resistente e capaz de levar mais carga, além de ser bastante estilosa em suas primeiras gerações — que, tradicionalmente, eram movidas por motores seis-em-linha e V8 a gasolina.

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Com o passar das décadas, a F-Series evoluiu bastante. Na terceira geração, produzida entre 1957 e 1960, o estilo clássico com para-lamas destacados, típico das décadas de 1940 e 1950, deu lugar a um visual mais moderno, com linhas mais retas e para-lamas integrados, além da introdução da tração nas quatro rodas. Os motores, naturalmente, cresciam em deslocamento e potência, bem como acontecia com a caçamba e sua capacidade de carga.

No entanto, o que realmente nos lembra que a F-Series é uma picape verdadeiramente americana são suas versões esportivas da SVT, Lightning e Raptor. A primeira tinha um V8 de 5,4 litros com compressor mecânico Eaton de 367 cv e 61,2 mkgf, acoplado a uma caixa automática de quatro velocidades — V8, supercharger e câmbio automático — dá para ficar mais americano que isso? A potência ia para as rodas traseiras através de um diferencial de deslizamento limitado. Com este conjunto, a Lightning era capaz de chegar aos 100 km/h em 5,8 segundos, com máxima de 222 km/h, e percorrer o quarto-de-milha em 15,2 segundos. America, FUCK YEAH!

A outra versão esportiva, por sua vez, tem apelo off-road. A primeira SVT Raptor, produzida entre 2009 e 2014, seguia uma receita parecida, mas o motor era maior (6,2 litros) e mais potente, com 416 cv e 60 mkgf de torque; o câmbio ainda era automático, mas de seis marchas; e a suspensão não era mais baixa, e sim mais alta e robusta. Ou seja, além de chegar aos 100 km/h na casa dos sete segundos — mais lenta que a Lightning, sim, mas estamos falando de uma picape que não foi feita para o asfalto —, ela topava qualquer terreno. E o visual era totalmente badass, vai dizer que não?

 

Dodge Charger

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American Muscle: nenhum carro se encaixa tão bem nesta expressão quanto o lendário Dodge Charger. Mais especificamente, o modelo fabricado entre 1968 e 1970. Além de ser o astro de diversos filmes e programas de TV americanos — como protagonista em “Os Gatões”, no papel do emblemático General Lee; como vilão em “Bullitt”; e fortemente associado a certos personagens, como o Dodge Charger preto de Dom Toretto (Vin Diesel) em quase todos os filmes da saga “Velozes e Furiosos”.

Não é para menos: por mais que o Pontiac GTO tenha sido o primeiro e o Mustang seja o mais famoso deles, é em um Charger que você pensa quando alguém diz “muscle car”. Ou não?

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Grandalhão, baixo, largo, com balanços enormes e uma cara de mau que assusta (especialmente no modelo de 1968), o Charger tem uma presença muito forte — tanto que, no Brasil, o Dodge mais cobiçado é justamente o Charger, ainda que o nosso seja um Dart modificado para ficar parecido com ele. Dá para ver vários deles (e outros Dodge brasileiros) nesta mega galeria que fizemos durante o Mopar National 2015.

 

Shelby Cobra

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Prometemos que falaríamos do Shelby Cobra na segunda parte da lista, e aqui está. O Cobra nasceu no Reino Unido, é verdade, mas foi nos EUA, com um americano encarregado do projeto, que ele ganhou o mundo. O americano era Carroll Shelby e, em sua oficina no Texas, ele pegou o equilibrado, elegante e compacto AC Ace, que era movido por um fraco seis-em-linha Bristol de 100 cv, e o transformou em um monstro.

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Como? Primeiro, com um V8 289 (4,7 litros), e depois por um big block 427 (sete litros). Apesar das modificações no projeto, necessárias por causa do aumento de potência — estamos falando de 425 cv brutos no big block —, o Cobra sempre foi, em essência, um enorme motor americano envolto por uma carroceria britânica. Pensando bem, é só colocar um V8 para aumentar muito a dose de sangue americano correndo pelas “veias” de qualquer carro, não?

Além de virar um sucesso imediato, o Shelby Cobra se tornou um dos maiores ícones do mundo automotivo. E não falamos apenas do original, mas de todas as milhares (milhões?) de réplicas que são fabricadas até hoje, bastante fiéis ao visual e à receita original.

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A própria Shelby o faz até hoje — mas, neste caso, não são réplicas, e sim recriações feitas usando o desenho clássico e motores modernos, como o Coyote 5.0 com comando duplo no cabeçote usado no Ford Mustang, por exemplo.

 

Jeep CJ

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Se um veículo que nasceu como utilitário para o Exército Americano não fizer parte de uma lista de carros americanos mais icônicos, que tipo de lista será esta? Sendo assim, nada mais justo que colocar o off roader mais emblemático dos Estados Unidos aqui.

A primeira encarnação do Jeep CJ surgiu em 1942 e serviu aos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Ele era chamado de Jeep MB, e trouxe em seu design elementos que jamais deixariam de aparecer nos modelos da Jeep — como a grade dianteira, característica que une todos os veículos já produzidos pela marca. Curiosidade: nos primeiros exemplares, a grade tinha nove aberturas, mas quando a Willys assumiu a produção durante a guerra, foi modificada para sete aberturas e patenteada.

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A versão civil começou já em 1944, quando os Aliados consideravam que o conflito já estava ganho e começaram a desenvolver o CJ — que, em essência, era um MB com estepe na lateral, uma porta na traseira e teto de lona. E foi esta a receita seguida pelo modelo de 1945, quando teve início a produção em série, até 1986, quando o CJ foi substituído pelo Wrangler — que é produzido até hoje e, apesar de ser um veículo muito mais moderno, é indiscutivelmente um descendente direto do MB original.

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Vale lembrar também que o Jeep CJ influenciou diretamente um dos maiores ícones off-road britânicos, que nos deixou recentemente: o Land Rover Defender.

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