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Os carros mais bacanas que você finalmente pode importar em 2016

Com o fim das festas cada vez mais distante no passado, você deve estar se dando conta de que mais um ano está começando. E sabe o que isto significa? Mais um punhado de carros bacanas está completando trinta anos de lançamento, o que significa que eles finalmente podem entrar legalmente em solo brasileiro.

Vamos fazer aquela brincadeira que sempre fazemos por aqui: imagine que você tem grana, muita grana. Assim, você não vai ficar tão deprimido ao lembrar que o “pode” no título deste post significa que não há mais impedimentos legais para que você traga um destes carros de fora do país para sua garagem. Então, vamos lá: dinheiro não é problema, OK?

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Sendo assim, lembramos de um carro ótimo (e bem nostálgico, para alguns) que está completando trinta anos: O Toyota Supra de terceira geração. Que tal finalmente ter na garagem um daqueles esportivos japoneses bacanas de Gran Turismo?

A ideia soa atraente, não? Porque, de fato, é: o Supra é um dos carros que nos lembram que a Toyota não fabrica apenas sedãs prata. Sua quarta geração é uma verdadeira lenda não apenas entre os fãs do JDM (o mercado doméstico japonês), mas entre qualquer um que já tenha assistido ao primeiro “Velozes e Furiosos” quando era moleque ou simplesmente goste de carros. Infelizmente, porém, a quarta geração só foi apresentada em 1992 — se você quiser um desses, ainda vai ter que esperar mais seis anos. De qualquer forma, quem for corajoso o bastante para decidir importar um Supra Mk3 levará para casa um grande carro.

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O Supra Mk3 foi lançado em maio de 1986 e começou a ser vendido logo em seguida. Por isso, os carros fabricados neste ano são conhecidos como “1986,5”. As gerações anteriores eram, na verdade, uma versão com faróis escamoteáveis do Toyota Celica, chamada Celica Supra. Os motores eram variados, e o mais potente Celica Supra tinha um seis-em-linha aspirado de 2,8 litros e 180 cv.

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No entanto, a Toyota decidiu separar os modelos quando viu que o Celica Supra tinha muito mais apelo entre os fãs de esportivos. Assim, em 1986, o Celica se tornou um carro de tração dianteira enquanto o Supra ficou maior, mais refinado e reteve a tração traseira. A ideia era transformá-lo em uma vitrine de design e tecnologia para a Toyota.

Tenha em mente que o modelo mais desejado, o turbo, só apareceu em 1987 e é o mais raro de todos. Mas não se preocupe: o Toyota Supra que começou a ser vendido em 1986 também é bem interessante.

Apenas uma versão estava disponível. O motor, ainda que não fosse o famoso 1JZ/2JZ que equipou os Supra mais novos, também era um seis-em-linha de três litros com comando duplo no cabeçote e injeção eletrônica. Deslocando três litros (2,954 cm³), o chamado 7M-GE era capaz de entregar 204 cv a 6.000 rpm e 27 mkgf de torque a 4.800 rpm. A transmissão podia ser manual de cinco marchas ou automática de quatro marchas.

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OK, não são números de colar o queixo no chão, mas são ótimos para um esportivo de 1986. O primeiro Supra Mk3 era capaz de chegar aos 100 km/h em 6,4 segundos, com máxima de 230 km/h. Definitivamente nada mau.

No entanto, se você realmente queria um Supra Turbo, com todos os seus 276 cv no motor turbo 1JZ-GTE, talvez queira dar uma olhada nestas outras opções que separamos. Você certamente vai encontrar algo de que goste!

 

BMW M3 E30

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Sim, sim, sabemos que ele foi apresentado em 1985 — mais precisamente, no Salão de Frankfurt, que acontece sempre entre setembro e novembro. Alguns exemplares foram fabricados e vendidos ainda naquele ano, mas não muitos. Você até vai encontrar um M3 E30 1985, mas a produção só começou de verdade no ano seguinte. Sendo assim, nos permitimos uma licença poética aqui e temos certeza de que você não vai reclamar.

Continuando: como você já deve saber (especialmente se leu nosso último post sobre as três primeiras gerações do BMW M3), o BMW M3 E30 foi lançado como especial de homologação para o Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, o Campeonato Alemão de Carros de Turismo.

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O grande barato do M3 E30 é seu motor: um girador quatro-cilindros denominado S14, com comando duplo no cabeçote e projeto derivado do seis-em-linha do supercarro M1 e do sedã esportivo M5. Deslocando 2,3 litros, o motor era capaz de entregar 195 cv a 6.750 rpm — suficientes para levar o cupê aos 100 km/h em menos de sete segundos. Considerando a época, era mesmo impressionante. E ficava ainda mais se lembrarmos que, na versão de competição, são mais de 320 cv!

 

Porsche 959

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Repare na expressão de concentração do lendário Walter Röhrl ao volante do Porsche 959

Claro, o M3 E30 é um carro bacana. Mas o 959 é algo de outro mundo — ele foi o Porsche 918 Spyder de seu tempo. Não que ele tivesse tecnologia híbrida e quase 900 cv, nada disso. Mas imagine-se em 1986 (ano de lançamento do 959), ouvindo falar sobre um esportivo com monocoque era feito de alumínio e compósito de Aramida/Kevlar com fundo de Nomex; tração integral com diferencial eletrônico; distribuição de torque variável entre 50/50 e 80/20 (traseira/dianteira); suspensão com oito amortecedores; sistema hidráulico que ajustava automaticamente a altura e até sensor de pressão nos pneus. Trinta anos atrás, cara!

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Isto sem falar no motor: um boxer de seis cilindros e 2,8 litros, com dois turbos sequenciais e 450 cv, capaz de fazer o carro chegar aos 100 km/h em 3,6 segundos e seguir acelerando até os 314 km/h. Mind = blown. 

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E tem mais: o Porsche 959 começou a ser desenvolvido em 1981 e, para testar seu sistema de tração integral, a Porsche decidiu colocar o 911 (com o qual o 959 tem alguns componentes em comum) para competir no Grupo B de rali. Isto acabou não acontecendo mas, ainda em 1986, o Porsche 959 acabou competindo no Rali Dakar, com Jack Ickx e René Metge protagonizando uma dobradinha da vitória.

Quer mais? O maior rival do Porsche 959 era a Ferrari F40. Caso encerrado — você só precisa torcer para que um dos 337 exemplares apareça logo à venda.

 

Volvo 480

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Todo entusiasta já quis um Volvo. Especialmente peruas absurdamente seguras e robustas que também dão bons carros de corrida, como a emblemática 850 R. No entanto, se você quiser algo diferente — praticamente uma curiosidade sobre rodas, na verdade —, aproveite que em 1986 o hatchback Volvo 480 completa apenas trinta anos.

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Ao olhar para ele, a primeira coisa que você pensa é “bem, isto aí não parece um Volvo dos anos 80”. Isto porque o 480 foi um dos poucos modelos da marca escandinava a romper com o estilo “caixote” que dominava as pranchetas de seus designers. Na verdade, seu visual é surpreendentemente bem resolvido para um carro tão obscuro, que só foi fabricado em 1986 e 1987. A dianteira é baixa, com faróis escamoteáveis, e a traseira traz um vigia avantajado que invadia parte da área das lanternas — inspirado diretamente pela belíssima shooting brake P1800S, e influência no design do Volvo C30, hatch apresentado em 2006 (exatos 20 anos depois).

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E o motor? Bem, em sua versão mais potente, o Volvo 480 era movido por um motor 1.7 turbo de 120 cv para empurrar seus quase 1.150 kg. Ele nunca foi um hot hatch, claro, mas a gente compraria um desses mesmo assim.

 

Ford Sierra RS Cosworth

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Claro, o Escort é o mais famoso dos RS Cosworth e o mais desejado aqui no Brasil. No entanto, ele só foi lançado em 1992 — ou seja: quando fizermos esta lista em 2022, vai ser animal. E a gente também não pode esquecer do carro que lhe cedeu as entranhas e, mais importante, já pode começar a ser importado para o Brasil: o Ford Sierra RS Cosworth.

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O Sierra Cosworth foi criado para homologar o modelo no Grupo A de turismo da FIA. Para isto, a Ford recorreu à sua parceira Cosworth para trabalhar o motor do carro. A pedido da marca ele seria um 2.0 de 180 cv, mas a Cosworth só aceitaria um contrato para produzir 15.000 motores, no mínimo, e eles não teriam menos de 207 cv. A Ford topou, e em 1985 nasceu o Sierra RS Cosworth, lançado como modelo 1986. Na época, seu 2.0 turbo tornou-se o primeiro motor de um carro produzido em série a produzir mais de 100 cv por litro.

Com motor longitudinal e tração traseira, o Sierra era uma bela base para um carro de corrida e, claro, para um esportivo — que tal 0-100 km/h em 6,5 segundos e máxima de 240 km/h? E isto ficou ainda mais evidente quando a Ford simplesmente decidiu transplantar uma carroceria de Escort sobre a plataforma do Sierra, a fim de transformá-lo em um vencedor nos ralis. E fez o mesmo com sua versão de rua. Claro, o Sierra pode não ser tão bonito, mas é o mais perto que se pode chegar de importar um Escort RS Cosworth atualmente.

 

Shelby GLHS

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Em meados dos anos 1980, Carroll Shelby foi chamado por Lee Iacocca para trabalhar com a Chrysler. Lá, o texano acostumado com motores grandes em cupês de tração traseira teve que se virar com modelos menores e naturalmente menos empolgantes — reflexo dos tempos de crise do petróleo. Por sorte, Shelby sabia das coisas.

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Uma de suas melhores criações na Chrysler foi uma versão esportiva do Dodge Omni, hatchback feito sobre um projeto da francesa Simca (que pertenceu à Chrysler até 1977) e lembrava muito as primeiras gerações do Golf — não apenas no visual, mas na configuração de motor transversal e tração dianteira. Era algo totalmente diferente do que Shelby estava acostumado, mas ele fez milagres.

Em 1984, Shelby apresentou o Dodge Omni GLH (de Goes Like Hell, algo como “anda pra diabo”), com motor 2.2 de 110 cv e capacidade de acelerar até os 100 km/h em 8,7 segundos. No entanto, foi em 1986 que sua versão mais bacana foi apresentada: o Shelby GLHS. Limitado a 500 unidades, o Shelby GLHS (Goes Like Hell, and S’more, ou “anda pra diabo e mais um pouco”) tinha uma versão turbinada de 175 cv e e 24,2 mkgf. Era o bastante para reduzir o tempo de 0 a 100 km/h parta 6,5 segundos e aumentar a velocidade máxima para 210 km/h. Leia mais sobre ele aqui!

Lembra de mais algum carro que foi lançado em 1986 e agora pode começar a ser importado para o Brasil? A caixa de comentários é toda sua — com mais sugestões legais, quem sabe não rola uma parte 2?

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