Os carros mais icônicos de “Velozes e Furiosos”, explicados por seu criador

Dalmo Hernandes 19 abril, 2017 0
Os carros mais icônicos de “Velozes e Furiosos”, explicados por seu criador

“Velozes e Furiosos 8” já está em cartaz no Brasil há alguns dias e, mesmo com as críticas pela falta de carros e pelo excesso de ação, é um sucesso. Sendo encarado como um filme de ação temperado com alguns carros legais, Fate of the Furious é até bem divertido.

Além disso, a verdade é que os carros jamais desapareceram de “Velozes e Furiosos”. As corridas podem não ser o pano de fundo e, em grande parte, foram substituídas por perseguições de carro, mas ainda estão presentes – quase como um prêmio de consolação para quem espera (sempre em vão) uma volta às raízes.

De um jeito ou de outro, os carros de “Velozes e Furiosos” se tornaram parte do imaginário dos fãs e já ganharam miniaturas, tributos e réplicas de verdade. Todos os carros, desde o primeiro filme, foram feitos sob o comando do mesmo cara: Dennis McCarthy, dono da Vehicle Effects. A empresa fica em Hollywood, na Califórnia, e fornece automóveis customizados para vários outros filmes, incluindo filmes de heróis da Marvel e da DC Comics. E, se tem um cara que conhece os carros de “Velozes e Furiosos”, esse cara é McCarthy.

Por isso, o pessoal da Wired o chamou para falar sobre cada um dos carros de destaque, de todos os oito filmes lançados até agora. Nós selecionamos os mais marcantes neste post!

 

“Velozes e Furiosos” (The Fast and the Furious, 2001)

Mitsubishi Eclipse 1995

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O Mitsubishi Eclipse que Brian pilota logo no início do primeiro filme era um carro verde e preto, equipado com um sistema de óxido nitroso, body kit Robo Car, splitter frontal de fibra de carbono, aerofólio e adesivos azuis. “É um carro que realmente combina com o personagem, e acho que Paul Walker dirigiria este carro na vida real.”

 

Dodge Charger R/T 1970

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O carro de Dom, na história, foi construído por ele e seu pai, e tem um V8 Early Hemi 392 de 900 cv. É o carro mais importante de toda a saga, e seu visual malvado, com pintura Tuxedo Black, rodas American Racing 200S e supercharger à mostra, o tornou instantaneamente reconhecível. “Ele é mais um personagem da franquia do que só um veículo”, diz McCarthy. “É um carro com o qual eu fiz questão de manter a consistência ao longo dos anos”. Clique aqui para ler uma reportagem na qual destrinchamos todos os detalhes e o paradeiro deste carro.

 

Toyota Supra 1994

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Este é provavelmente o segundo carro mais famoso da franquia como um todo, e não apenas do filme de 2001. É um dos únicos carros com preparação de verdade de “Velozes e Furiosos”: com um retrabalho no módulo de controle do motor, radiador de óleo, novas polias e injetores HKS, e outras modificações, a potência do seis-em-linha biturbo saltou de 330 cv para 551 cv. “O carro tinha praticamente tudo o que se pode colocar em um Supra naquela época”, comenta McCarthy sobre um de seus carros favoritos.

 

Mazda RX-7 1993

Na arrancada noturna, o carro de Toretto não é o Charger, e sim um RX-7 1993 com rodas e body kit da Veilside – que, aliás, vence a corrida. No filme, o motor Wankel de 1,3 litro é equipado com um sistema de nitro com cilindros de NOS escondidos debaixo do banco. McCarthy diz que este é seu aspecto favorito a respeito do carro. Ele também diz que o RX-7 é seu import favoritoe que por isso o modelo volta a aparecer em “Velozes e Furiosos 3: Desafio em Tóquio”.

 

“+Velozes +Furiosos” (2 Fast 2 Furious, 2003)

Mitsubishi Eclipse Spyder 2003

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“Não é meu carro favorito por causa do visual,” diz McCarthy, “mas eu sei que é exatamente o carro que Roman Pearce teria. O Eclipse tem uma pintura psicodélica roxa e prateada, e o V6 de três litros permaneceu original, com 210 cv. Naturalmente, porém, o carro foi rebaixado, recebeu “rodões” (como o próprio Pearce fala quando vê o Eclipse pela primeira vez) e um kit aerodinâmico de funcionalidade duvidosa, como mandava o figurino em 2003.

 

Chevrolet Camaro Yenko S/C 1969

O carro usado por Brian O’Conner no clímax de “+Velozes +Furiosos” é um legítimo muscle car – para muitos, um oásis em um deserto de xuning. É um Yenko legítimo, e foi completamente restaurado nos padrões originais  pela Vehicle Effects – incluindo o V8 big block de 427 pol³ (sete litros) e 430 cv.

 

Nissan Skyline GT-R R34 1999

McCarthy acredita que o Nissan Skyline GT-R R34 é um dos carros mais representativos de toda a franquia, e não é para menos: “ele tinha design à frente de seu tempo, tração integral e desempenho impressionante”, diz. O carro prata com listras azuis foi comprado e preparado pelo próprio Brian O’Conner pouco antes dos acontecimentos de “+Velozes +Furiosos”. Trata-se de um GT-R legítimo, equipado com o lendário seis-em-linha RB26DETT e um kit nitro, um body kit da C-West , e rodas HRE 446 de 19”, além de um splitter frontal integrado ao para-choques e uma nova asa traseira.

 

Mitsubishi Lancer Evolution VII 2002

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Enquanto Roman fica com o conversível, Brian fica com o Evo. McCarthy diz que “Velozes e Furiosos” certamente ajudou o Lancer Evo a adquirir a popularidade que tem hoje, e que sua equipe realmente fuçou bastante nos carros. Alguns dos veículos usados nas filmagens foram convertidos para tração totalmente traseira, para ajudar nas manobras, mas o hero car (o carro que aparece nas cenas mais tranquilas e detalhadas) só recebeu modificações estéticas. Curiosidade: no filme, o carro é retratado como um Evo VIII, pois o mesmo havia acabado de ser lançado.

 

“Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006)

Nissan Silvia S15 Spec-S 2005

Com boa parte da história passada no Japão, o Nissan Silvia S15 era presença obrigatória, como ficou claro para McCarthy durante sua pesquisa de campo. “Em todos os eventos de drift que visitávamos, algo entre 40% e 50% dos carros eram o Nissan Silvia S14 ou S15”. No filme, o Silvia é o primeiro carro que Sean Boswell dirige ao chegar no Japão, e prontamente o destrói em um pega no estacionamento de um prédio. O motor, um RB26DETT vindo direto de um Skyline GT-R, vai parar no cofre de outro carro (que você provavelmente sabe muito bem qual é).

 

Mazda RX-7 1997

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Han Lue dirigia um Mazda RX-7 com body kit da Veilside que se tornou praticamente o carro-propaganda de “Tokyo Drift”, e não é para menos. Embora os outros oito ou nove carros usados nas filmagens fossem réplicas perfeitas, McCarthy conta que o hero car, feito em parceria com a própria Veilside, era o único com preparação pesada no motor Wankel de 1,3 litro, dotado de um turbo maior pera entregar mais de 600 cv.

 

Mitsubishi Lancer Evolution IX 2006

O Evo IX era um “carro do ano” quando apareceu em “Velozes e Furiosos 3”, com tração convertida para traseira a fim de ajudar Sean a aprender a arte do drift. McCarthy conta que, além disso, as únicas modificações realizadas foram uma reprogramação eletrônica, a instalação de um novo sistema de escape. E, claro, a customização no visual.

 

Ford Mustang 1967

O Mustang de “Tokyo Drift” não recebe a atenção que deveria: trata-se de um projeto real, totalmente funcional, que foi testado pela equipe de McCarthy em estradas sinuosas e pistas de arrancada. Talvez isto se deva ao fato de o carro ser uma enorme heresia: ele é o herdeiro do motor RB26DETT usado no Nissan Silvia que aparece no começo do filme, e outro dos favoritos do dono da Vehicle Effects.

 

“Velozes e Furiosos 4” (Fast & Furious, 2009)

Buick Grand National 1987

Em “Velozes e Furiosos 4”, Letty e Dom usam o Buick GNX para roubar combustível de caminhões-tanque na República Dominicana. Mas apenas no filme — nas gravações, foram usados clones feitos com base no Buick Grand National mais comum, que também tinha um motor V6 turbo. O hero car quase não tem modificações, com exceção de um tombo na suspensão e rodas pretas com calotinhas cromadas.

 

Subaru Impreza WRX STI

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Em “Velozes e Furiosos 4”, um dos carros de Brian O’Conner é um Impreza hatch – mais precisamente, um WRX STI 2009. McCarthy diz que a escolha se deu pelo fato de as gravações terem sido realizadas em um deserto no México – nada mais justo, então, que um carro com pedigree de rali. A própria Subaru forneceu sete carros para a produção, e nenhum deles saiu inteiro das gravações.

 

Nissan Skyline GT-R R34 2002

Na cena de corrida, “Velozes e Furiosos 4” deu uma boa surpresa aos fãs ao colocar Brian O’Conner ao volante de um GT-R R34 mais uma vez – o próprio Paul Walker gostou bastante, pois ele tinha um. “Colocamos o R34 de volta no filme porque, bem, ele é legal demais”. Bônus para o carro azul do filme porque, na história, o próprio Brian preparou o carro usando peças de outros R34 apreendidos pela polícia… e o motor V6 VR38DETT de um Nissan GT-R R35. Na prática, porém, o carro tinha um RB36DETT preparado com dois turbos Turbonetics, escape Nismo, rodas Volk de 19 polegadas e body kit também da Nismo.

 

Chevrolet Chevelle SS 1970

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Em “Velozes e Furiosos 4”, Toretto troca o Dodge Charger por um Chevrolet Chevelle SS 1970. Dennis McCarthy diz que o carro é um de seus favoritos porque ele mesmo dirige um Chevelle no dia-a-dia, um exemplar de 1968. No epílogo do primeiro filme, o Chevelle é vermelho com listras laranja, mas no quarto filme o carro é pintado com primer cinza e recebe um V8 big block de 8,2 litros!

 

“Velozes e Furiosos 5” (Fast Five, 2011)

Nissan Skyline 2000GT-R 1971

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Escondido no Brasil, Brian O’Conner dirige um Nissan Skyline GT-R de primeiríssima geração – um exemplar fabricado em 1971, pertencente a um colecionador que não quis ser identificado. A escolha não faz muito sentido, pois ninguém conseguiria se esconder por tanto tempo com um carro destes, mas McCarthy fez questão de usar um exemplar legítimo do famoso Hakosuka. Originalmente, o carro era branco, mas foi pintado de preto especialmente para “Velozes e Furiosos 5”, transportado para o Brasil, mandado de volta para os EUA e repintado na cor original.

 

Armet Gurkha LAPV

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“O Gurkha foi o veículo que introduziu Hobbs à franquia,” comenta McCarthy, “e é o carro perfeito para o personagem”. Claro, pois Hobbs é interpretado por Dwayne “The Rock” Johnson, ex-lutador da WWE. O Gurkha é, originalmente, usado em serviço militar, mas a Armet decidiu lançar uma versão civil depois que o veículo apareceu em Fast Five. O detalhe é que, de fábrica, o Gurkha é resistente a tiros de armas de fogo leves, apesar de não ser blindado. A blindagem é opcional.

 

Dodge Charger 2011

Em troca de todas as aparições do Dodge Charger clássico nos filmes anteriores, para Fast Five a Dodge cedeu alguns exemplares do então novo Charger – incluíndo alguns protótipos que, de outra forma, seriam descartados. Uma das cenas favoritas de McCarthy é a da corrida com os Charger de polícia. Ele conta que um dos carros está com as luzes ligadas. Foi por engano, mas, no fim das contas, o produtor gostou da ideia. “Se fosse de verdade, é claro que um dos caras acenderia as luzes do carro, então deixamos assim.”

O Charger também foi usado na infame cena do roubo do cofre, uma das perseguições mais alucinantes (e implausíveis) de toda a franquia. McCarthy diz que, provavelmente, uns 150 carros foram mandados para o ferro-velho depois daquela cena.

 

 

“Velozes e Furiosos 6” (Fast & Furious 6, 2013)

Nissan GT-R 2011 e Dodge Challenger SRT-8 2009

A cena de abertura de Furious 6 é um pega amistoso entre Brian O’Conner e Dom Toretto. Nela, Brian usa um Nissan GT-R prata que, aparentemente, é original. O carro de Dom, porém, tem algumas modificações – poucas, na verdade: com os 430 cv de seu V8 Hemi 392, o Challenger SRT8 provavelmente é potente o bastante para garantir a diversão de Toretto no dia-a-dia.

McCarthy diz que esta é uma de suas cenas favoritas, e que a escolha dos carros retrata perfeitamente a personalidade dos dois personagens – que, mesmo naquele momento de aparente tranquilidade, os Brian e Dom continuam buscando adrenalina no asfalto.

 

Dodge Charger Daytona 1969

Como o Dodge Charger Daytona é raríssimo e seus exemplares sobreviventes valem uma fortuna, a produção de “Velozes e Furiosos 6” optou por converter dois Charger comuns em réplicas do especial de homologação. “A ideia original era colocar o carro em uma Autobahn, e o Charger Daytona, com sua aerodinâmica melhorada, seria perfeito para isto”, comenta McCarthy. No fim das contas, a ideia foi descartada, mas o carro permaneceu. O produtor conta que o carro não é uma réplica exata do Charger Daytona, e sim sua própria interpretação, com certas liberdades artísticas na carroceria.

 

Ford Escort RS1600 Mk1 1970

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O Escort de primeira geração é a prova de que o elenco automotivo de “Velozes e Furiosos 6” foi um dos melhores da franquia. “Quando fomos para o Reino Unido, não demorou para eu perceber que o Escort Mk1 é como o Plymouth ‘Cuda por aquelas bandas, e obviamente deveria estar no filme”. Foram usados cinco carros para filmar as cenas. Eles foram comprados pela Vehicle Effects, desmontados e reconstruídos totalmente, com gaiola de proteção, instrumentos Autometer, transmissão de cinco marchas moderna e motores restaurados.

 

“Flip Car”

Construídos especialmente para “Velozes e Furiosos 6”, os Flip Cars quase foram picapes com rampas instaladas na dianteira, como idealizou o diretor Justin Lin. No entanto, McCarthy teve uma ideia melhor: como o filme se passava no Reino Unido, os Flip Cars seriam mais parecidos com monopostos de corrida. Na prática, são estruturas tubulares com rodas expostas, motor V8 Chevrolet de seis litros central-traseiro e suspensão de picape.

 

Jensen Interceptor

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McCarthy fez questão que o Interceptor participasse do filme, como um legítimo muscle car britânico. Ele conta que Michelle Rodriguez não estava muito disposta a dirigi-lo, porque o carro era “feio demais”. O produtor teve de insistir, dizendo que não havia automóvel melhor para sua personagem no momento – Letty estava no Reino Unido, com amnésia, e precisava de um carro forte e genuinamente inglês. Especialmente um que fosse equipado com um V8 Mopar…

 

Ford Mustang 1969

Este é um projeto de verdade. Construído pela Pure Vision Design, o Mustang 1969 usado em “Velozes e Furiosos 6” tinha, na época, seu valor estimado em US$ 700.000-1.000.000, e por isto foram construídas sete réplicas. O original é equipado com um motor V8 Jon Kaase Boss Nine, de 520 pol³ (8,5 litros) com bloco Dart de alumínio, dotado de sistema de injeção Electromotive e capaz de entregar nada menos que 816 cv. O câmbio é manual de cinco marchas da Tremec.

 

“Velozes e Furiosos 7” (Furious 7, 2015)

Chevrolet Camaro Z28 1967

Um Camaro clássico com suspensão elevada e pneus lameiros é atirado de um avião, cai de para-quedas e segue seu caminho rodando. Absurdo? Sim. Mas o carro realmente foi feito para o off-road pois, para começar, não é sequer um Camaro, e sim um chassi tubular de Trophy Truck com a carroceria de um Camaro por cima.

 

Dodge Charger Maximus

O Dodge Charger Maximus é o carro usado por Dom na última corrida de “Velozes e Furiosos 7” – a última cena com Brian O’Conner, na qual os dois seguem por caminhos diferentes. Foi uma despedida emocionante, e McCarthy queria que os carros utilizados nela representassem perfeitamente os personagens. Por isso, Dom usa um Charger com motor de 9,4 litros e dois turbos que, com gasolina de competição de 116 octanas, entrega nada menos que 2.000 cv. Com combustível de alta octanagem, são bem mais “modestos” 600 cv.

 

Toyota Supra 1995

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O outro carro usado na cena foi o Toyota Supra 1995 que pertenceu ao próprio Paul Walker. A cena foi gravada depois de sua morte e, por isso, o Brian que vemos na tela é um truque de computação gráfica, mas não deixa de ser algo bastante simbólico.

 

Daqui para a frente, podem haver alguns spoilers para quem ainda não assistiu a “Velozes e Furiosos 8”. Estão avisados!

 

“Velozes e Furiosos 8” (Fate of the Furious, 2017)

Chevrolet Fleetline 1953

A primeira corrida do oitavo filme envolve um Fleetline 1953 totalmente destruído que, de acordo com o próprio dono – o primo cubano de Dom – é o pior carro da ilha. Usando o truque de travar a wastegate do turbo, Dom consegue ganhar a corrida. Falamos mais a respeito neste post!

 

Dodge Charger 1970

É claro que Dom Toretto estaria com seu Dodge Charger 1970 em “Velozes e Furiosos 8”. Peparado para enfrentar neve, o carro foi convertido para um sistema de tração integral, o que exigiu que se recuasse o motor alguns centímetros para dar espaço para um diferencial dianteiro. A carroceria alargada, além de permitir pneus e bitolas mais largas, conferiu ao fiel companheiro de lata de Dom um visual mais radical do que nunca.