Edição diária: 20/06/2019
FlatOut!
Image default
Car Culture Humor

Os carros perdidos que a Chevrolet quase fabricou no Brasil

Em 2015 a General Motors do Brasil completou 90 anos . Normalmente faríamos um post sobre sua história e glória e lembraríamos os melhores carros da Chevrolet (e GMC) no Brasil e lamentaríamos a guinada que ela deu nos últimos anos, mas desta vez vamos fazer diferente.

Quer dizer, todos nós conhecemos muito bem os grandes ícones engravatados e todos os carros maravilhosos que a GMB fabricou por aqui. Então por que em vez de fazer um álbum de memórias não aproveitamos a ocasião para conhecer coisas novas e descobrir os carros que ela quase fabricou no Brasil? Sim, estamos falando de conceitos, projetos abandonados, modelos que estavam nos planos mas foram deixados de lado ou substituídos por outros e poderiam ter feito uma história diferente nesses 90 anos.

 

Opala Las Vegas

Captura de Tela 2015-01-27 às 16.31.37

Foto: reprodução Quatro Rodas dez/72

No Salão do Automóvel de 1972 a GMB levou ao evento dois Opala “de estudo”, que é um jeito diferente de chamar um carro conceito feito para testar a receptividade do público. Um deles era o Opala Las Vegas, um cupê pintado de verde claro metálico, com meio teto de vinil branco, grade e lanternas traseiras exclusivas, bancos individuais com encosto alto e revestimento de vinil pérola com detalhes em verde e tapetes de nylon.

A Chevrolet aparentemente nunca planejou realmente vender o carro como exposto no Salão, mas queria saber como seria o interesse do público pelas soluções adotadas no carro. Pelo jeito o pessoal gostou, porque várias delas — como os bancos com encosto alto e o meio teto de vinil — acabaram equipando as versões de série do modelo nos anos seguintes.

 

Opala “Águia”

grade-opala-aguia-simplesmente-a-unica-a-venda-15169-MLB20096338906_052014-F

O outro Opala “de estudo” que foi ao Salão de 72 não tinha nome oficial, mas acabou conhecido como “Águia” devido ao grafismo do capô, semelhante à fênix dos Pontiac Trans Am da época. A ave mitológica no capô não foi a única inspiração dos esportivos americanos: ele tinha retrovisores de corrida afixados no topo dos para-lamas, faróis com grade de proteção, rodas douradas de liga leve com tala larga e pneus de letras brancas.

300x207x4-4c6a8abfef24a4759d55bd3401212af73821546101c90

A carroceria era pintada em marrom metálico e os para-choques cromados eram pintados de preto, dando ao modelo um ar mais esportivo. O interior era monocromático e os bancos individuais com abas laterais mais altas, porém ainda tinham encosto baixo, sem apoios para a cabeça. O modelo acabou não produzido por motivos nunca esclarecidos. Talvez o público brasileiro fosse conservador demais para ter um carro com uma fênix no capô.

 

Opala Pick Up

elcamino

A imagem acima é uma bela montagem feita no Photoshop, mas acredite: a GM chegou a produzir protótipos de uma picape baseada no Opala, da mesma forma que as Chevy El Camino derivavam do Chevelle. Isso aconteceu no começo de 1973. Segundo a revista Quatro Rodas de fevereiro daquele ano, o modelo teria sua produção iniciada junto com a versão perua do Opala (a Caravan, logicamente) e seria a primeira picape de luxo do Brasil — e também a primeira derivada de um carro de passeio.

OpalaPickup

Contudo, como sabemos, o projeto acabou cancelado e a primeira picape derivada de um carro de passeio no Brasil foi a Fiat 147 Pick-Up, lançada em 1978.

 

Opala Três Portas

Captura de Tela 2015-01-27 às 17.06.43

Na edição de setembro de 1975 da revista Quatro Rodas, o jornalista Nehemias Vassão apurou que a Chevrolet estava preparando uma versão de três portas para o Opala. Na prática, se tratava de um Opala cupê com o vidro traseiro integrado à tampa do porta-malas, formando uma abertura maior para acessar o interior do carro — que deixaria de ser um cupê fastback e se tornaria um hatchback. Até mesmo o banco traseiro seria rebatível para ajudar a carregar mais coisas na traseira do modelo.

Untitled

A ideia era aproveitar uma brecha na legislação tributária que o classificaria como “camioneta de uso misto”, o que lhe renderia uma redução de 4% nos impostos e um preço final mais competitivo. O modelo seria apresentado no Salão do Automóvel de 1976, mas acabou nunca se tornando realidade. A única imagem conhecida do modelo é essa ilustração

 

Opala Diplomata 1979

resized_CHEVROLET_20DIPLOMATA_2079_20SEDAN_20AENOV78

Quando falamos em Chevrolet Diplomata logo vem à cabeça aquela última estilização do Opala, com lanternas traseiras integradas, faróis em forma de trapézio e estilo mais moderno. Mas na verdade, o primeiro Diplomata seria lançado ainda na década de 1970, mais exatamente em 1979. Como seu nome sugere, ele foi projetado para ser a versão mais luxuosa do modelo, com rodas de liga-leve, bancos dianteiros reclináveis, direção hidráulica e aquecimento.

OpalaDiplomata

Foram produzidas oito unidades em 1978, já como modelo 1979 e só. O motivo para uma produção tão curta é desconhecido. Uns dizem que a GM teve um problema com o fornecedor das rodas de alumínio e o atraso para receber um novo lote faria o carro sair muito próximo do lançamento da nova “geração”. Outros afirmam que a GM mudou de ideia e achou melhor que o modelo fosse lançado somente com a nova carroceria, em 1980. Seja qual for, o Opala Diplomata 1979 é um daqueles carros que só quem viu acredita.

 

Chevette Monza

ChevetteMonzaStudy

Em 1974 a Chevrolet ainda não tinha uma versão esportiva para o Chevette, mas o departamento de estilo da GMB já estava trabalhando para mudar isso. No final daquele ano a fabricante levou ao Salão do Automóvel o Chevette Monza, uma versão esportiva inspirada no Camaro do ano anterior.

Ele tinha um conjunto óptico especial, com molduras salientes e farois retangulares, grade aumentada, com a parte inferior passando por trás dos para-choques, spoiler dianteiro e traseiro, arcos alargadores nos para-lamas e um filete preto ao redor das lanternas traseiras. Por dentro, os bancos teriam encosto alto e instrumentação completa.

Captura de Tela 2015-01-27 às 17.22.09

O Chevette Monza estava previsto para ser lançado em 1976, e seria produzido por encomenda com motor 1.4 ligeiramente preparado para render mais que os 68 cv originais. Contudo, o que aconteceu foi que em 1976 a GM optou por lançar uma versão menos radical do modelo, adotando somente uma pintura de dois tons e uma leve modificação na taxa de compressão que deu ao modelo 3 cv. O nome também mudou, deixando de ser Chevette Monza para se tornar Chevette GP. Aquele que todos conhecemos.

 

Chevette SR

ChevetteSR

Antes da versão de produção que veio à sua cabeça ao ler este subtítulo a Chevrolet produziu um estudo de design baseado no Chevette. Ele tinha pintura degradê, dianteira aerodinâmica sem grade dianteira, spoiler na traseira e instrumentação completa. De certa forma ele lembrava até o Vauxhall Chevette HSR, o esportivo inglês com motor 2.3 16v. Sob o capô estava o novo motor 1.6, bem mais potente que o 1.4 que equipava o GP II.

Parecia bom demais para ser verdade e de fato era. O Chevette SR 1978 era apenas um estudo de design. O conceito ao menos serviu como referência para o desenvolvimento da versão S/R de produção, lançada em 1980 e baseada no novo modelo hatch.

 

Perua Monza

Vauxhall_Cavalier_Mark_2_Estate

Na virada dos anos 1970 para os anos 1980 a Ford Belina reinava sozinha como perua média — a Parati só apareceria em 1982 e a Elba em 1985. Diante disso, a GM do Brasil achou que poderia ser uma boa ideia oferecer aqui a perua do Monza, que tinha uma versão Caravan nos EUA, na Austrália e na Inglaterra.

A GM chegou a trazer um modelo para clínicas e pesquisas de mercado, e o lançamento foi aguardado para 1984 e depois para 1987, segundo as revistas da época (Auto Esporte e Quatro Rodas). Mas em algum momento da história a GM desistiu da ideia — talvez preocupada com uma possível canibalização da Caravan quatro-cilindros, ou até mesmo devido a uma eventual proximidade de preços com a perua do Opala, o que inviabilizaria a Monza “Caravan”.

Untitled

O fato é que quem aproveitou a brecha foi a Envemo, que fabricou peruas Monza de duas e quatro portas baseada usando o sedã como base. A perua média da GM só apareceu nos anos 1990, derivada do Kadett. Era a Chevrolet Ipanema (inicialmente Kadett Ipanema), que na prática era a sucessora da Marajó na Europa.

 

Corsa A

Untitled

No final de 1983 a GM trouxe ao Brasil dois exemplares do Opel Corsa A, a primeira geração do modelo que faria sucesso por aqui nos anos 1990. A intenção era testá-los para decidir se o modelo seria produzido aqui como resposta ao Fiat Uno e ao Volkswagen Gol. Segundo a Quatro Rodas de janeiro de 1984, que flagrou os exemplares em testes, o lançamento aconteceria até 1986.

Mas como sabemos, não foi bem isso o que aconteceu. O Chevette teve sua carreira prolongada até 1993. O Corsa só chegou ao Brasil em 1994, já em sua segunda geração e causando uma pequena revolução no segmento de entrada com seu visual “redondo” que lhe rendeu o apelido de “Kinder Ovo”, outro lançamento que fez sucesso naquele ano.

 

Senator

Untitled

No fim dos anos 1980 o Opala já estava nas últimas. O projeto estava completando 20 anos e havia passado por duas reestilizações significativas para tentar atualizá-lo, mas as linhas gerais já denunciavam sua idade avançada. Enquanto isso, a GM decidia qual seria seu sucessor e um dos candidatos era o Opel Senator, uma variação maior e mais luxuosa do Omega.

A GM chegou a testá-lo e a fazer clínicas com consumidores no Brasil, mas no fim acabou decidindo lançar o modelo menor e menos luxuoso, o Omega. O resto da história todos conhecemos muito bem.

Vectra 2.5 V6

vectra-achados-1

Em 1997 a GM do Brasil pensava em lançar como versão topo de linha o Vectra 2.5 V6, de 175 cv. O modelo poderia ser um bom substituto para o Omega, que deixou de ser produzido no ano seguinte já carregando o peso do tempo e chegou a ser trazido para testes e clínicas. Contudo, a GM optou por trazer a nova geração do Omega baseada no Holden Commodore, equipada com um 3.8 V6 de 197 cv.

Alguns modelos 2.5 V6 acabaram parando nas mãos de consumidores comuns e, vez ou outra, um deles aparece anunciado em sites de classificados online.

Matérias relacionadas

John Easton: o cara por trás dos Lancer Evo de produção mais brutais da história – e do tetra de Makinen no WRC

Juliano Barata

500 cv e 12.000 rpm: Opel Calibra ITC Zakspeed, o monstro de fibra de carbono que nunca competiu

Dalmo Hernandes

CERV, o monoposto de corrida da Chevrolet que nunca competiu

Dalmo Hernandes