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Os games de corrida mais marcantes da Nintendo

Hoje o mundo dos games acordou mais triste: foi anunciada, na noite de domingo, a morte de Satoru Iwata, presidente-executivo da Nintendo, por complicações decorrentes de um câncer no ducto biliar. Mesmo quem não é ligado em jogos eletrônicos sabe que a Nintendo é uma das gigantes da indústria dos games desde os anos 80, quando revolucionou o mercado dos consoles domésticos com o Nintendo Entertainment System, videogame de 8 bits que você deve conhecer como NES ou Nintendinho.

Antes de entrar para a Nintendo, Iwata foi desenvolvedor e produtor na HAL Laboratories, empresa responsável por alguns dos grandes clássicos dos consoles da Nintendo — como as séries Kirby, Pokémon StadiumSuper Smash Bros. Quando passou a trabalhar diretamente para a Nintendo, Iwata envolveu-se em franquias ainda mais icônicas, como Legend of ZeldaMario, além do clássico simulador de vida selvagem Animal Crossing.

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Dá para dizer que Satoru Iwata carregou, nos últimos anos, boa parte da responsabilidade pelo direcionamento da Nintendo, que remou na contramão da maré de games cada vez mais sofisticados para dedicar-se à diversão e à jogabilidade mais simples, porém divertida. Além, é claro, de ajudar a dar vida a personagens icônicos, como Link e o encanador italiano mais famoso do mundo.

Para homenageá-lo, selecionamos alguns dos games de corrida mais icônicos lançados para todas as gerações dos consoles da Nintendo. Ainda que Iwata não tenha ficado famoso por jogos de carros, a Nintendo deve boa parte de sua reputação a ele. Nada mais justo, não é mesmo?

 

Exciting Rally: World Rally Championship (1991)

O primeiro game da lista foi desenvolvido pela HAL Laboratories e teve envolvimento direto de Iwata. Licenciado pela FIA, World Rally Championship trazia vista aérea gráficos impressionantes pra um console de 8 bits, além de diversas opções de customização do desempenho dos carros. Permitindo que você competisse em uma temporada completa do WRC, o jogo te deixava escolher entre o Grupo A, o Grupo N e até mesmo Grupo S, que foi cancelado pela FIA. Você ainda podia escolher entre três tipos de pneus (de neve, de terra e de asfalto). Só havia um carro — a capa que trazia algumas lendas do WRC, como o Lancia Delta, o Nissan Pulsar e o Peugeot 405, era quase uma propaganda enganosa…

 

Road Fighter (1984)

Este é um clássico do Dynavision, o console brasileiro que usava a engine do NES e vinha com um cartucho “64 in 1”. Desenvolvido pela Namco (famosa por Pac-Man e pela série de luta Tekken), usava vista aérea e te colocava em um carro vermelho que precisava desviar de todo tipo de obstáculo — outros carros, poças de água e óleo e barreiras no asfalto. O objetivo não era vencer a corrida, e sim chegar até o final do trecho antes antes que o tempo acabasse. Apesar de trazer apenas pistas retas (ainda que algumas trouxessem variações na largura), era surpreendentemente difícil.

 

Michael Andretti’s World GP (1988)

Se você acha que o NES só tinha jogos simples, Michael Andretti’s World GP prova que não é este o caso. Apesar da capacidade gráfica obviamente limitada, o game trazia muitos aspectos de um simulador na jogabilidade. Ainda que não permitisse modificações nos carros, World GP exigia que o jogador contornasse curvas com precisão e os circuitos eram relativamente fiéis às suas versões do mundo real, incluindo Interlagos, Monza, Imola Suzuka e Spa-Francorchamp. Ao todo, eram 16 circuitos — os mesmos da temporada de 1988 da Fórmula 1.

Um atrativo à parte eram os pilotos. Eram 13 deles, todos baseados em pilotos que competiram na Fórmula 1 em 1988, porém usando pseudônimos. Ayrton Senna era “Ayrton Zenna”, Nelson Piquet virava “Nelson Pequet”, Nigel Mansel era “Nigel Mansello”, e a mesma lógica era aplicada a todos os outros, com exceção do próprio Andretti — que até ganhou uma versão detalhada e relativamente realista, que dava dicas ao jogador. Ironicamente, na época do lançamento do game Andretti não disputava a Fórmula 1, e sim a CART, categoria de monopostos que, no fim dos anos 1990, foi suplantada pela IndyCar.

 

Nigel Mansell’s World Championship Racing (1993)

Se Michael Andretti’s World GP tinha veia de simulador, Nigel Mansell’s World Championship Racing era um jogo de Fórmula 1 no estilo arcade — mais fácil e voltado a jogadores casuais. Graficamente, porém, era ainda mais realista, aproveitando os últimos anos do NES em linha (o Super Nintendo já havia sido lançado em 1990). Com câmera em primeira pessoa do tipo cockpit view (algo que só recentemente os games de adotaram em peso), trazia Nigel Mansell como piloto principal, disputando com pilotos contemporâneos como Ayrton Senna, Gerhard Berger, Michael Schumacher e Mika Häkkinen.

 

Top Gear (1992)

Este aqui é, sem dúvida, um dos maiores clássicos da geração 16 bits — daqueles que despertam nostalgia à simples menção de seu nome. Divertido, graficamente avançado e com uma trilha sonora marcante (quem não sente arrepios com a música de abertura definitivamente não tem coração), Top Gear animou tardes de domingo com seu modo multiplayer, quatro carros com diferentes atributos e nada menos que 32 pistas em localidades famosas, espalhadas pelos cinco continentes.

Top Gear 2, de 1994, seguia a mesma receita, porém adicionou alguns toques de realismo — como um medidor de danos ao carro abaixo do velocímetro. Ainda no SNES, a franquia ainda teve Top Gear 3000, que foi lançado em 1995 e trazia a mesma engine de Top Gear 2, porém se passava… no ano 3000, claro!

Na geração seguinte, Top Gear ainda deu origem a outros três jogos — desta vez, no Nintendo 64. Top Gear Rally Top Gear Rally 2, como o nome indica, são games de rali com um toque mais realista. Top Gear Overdrive (os gamers vão lembrar do Dodge Viper com enormes presas que ilustrava a capa) era, basicamente, uma versão tridimensional dos games clássicos — e foi um dos primeiros games de corrida a oferecer gráficos em alta resolução.

 

Rock n’ Roll Racing (1993)

Nos anos 1990, quando ainda era impossível reproduzir música “de verdade” em um console doméstico, Rock n’ Roll Racing inovou trazendo versões 16 bits de clássicos do rock, como Paranoid, do Black Sabbath, Highway Star, do Deep Purple, e Born to be Wild, clássico eterno do Steppenwolf. A jogabilidade era simples, com visão isométrica e diversos circuitos espalhados por diferentes planetas. O objetivo, além de vencer a corrida, era bater nos adversários e tentar jogá-los para fora da pista — e, ao mesmo tempo, evitar que façam o mesmo com você.

A premissa fez sucesso e garantiu que Rock n’ Roll Racing se tornasse um clássico da era 16 bits, sendo elogiado pela imprensa da época pelos efeitos sonoros (que incluíam até vozes sintetizadas fazendo comentários sobre as corridas) e pelos gráficos que, apesar de não serem exatamente realistas, eram muito bem desenhados e coloridos.

 

F-Zero

Top Gear com naves em vez de carros” é uma descrição precisa do primeiro F-Zero, apesar de o game ter sido lançado em 1990, dois anos antes. Na verdade, F-Zero foi o primeiro game de corrida para o Super Nintendo, e só por isso já mereceria um lugar nesta lista. Contudo, nos 14 anos que se seguiram, dez outros títulos foram lançados, quase sempre para os consoles e portáteis da Nintendo, como o Nintendo 64, o Gamecube e o Game Boy Advance.

Com as óbvias diferenças entre os gráficos à parte, a premissa dos games de F-Zero é sempre a mesma: naves disputando corridas a centenas de quilômetros por hora, com uma história envolvendo disputas interplanetárias como plano de fundo. Um dos destaques é F-Zero X, do Nintendo 64, que trazia uma taxa de frames de 60 fps, garantindo movimentação fluida e sensação de velocidade sem precedentes.

 

F1 ROC: Race of Champions (1992)

Lançado em 1992, F1 ROC: Race of Champions (conhecido como Exhaust Heat no Japão) foi um dos mais adorados games de corrida do Super Nintendo. A jogabilidade era a de um arcade clássico, mas os gráficos estavam entre os mais realistas da época, com destaque para o ambiente tridimensional em que os sprites dos carros corriam. Você podia escolher entre diversos esquemas de pintura e acelerar em pistas baseadas em circuitos do mundo real — que incluíam até mesmo marcas de patrocinadores que fabricavam cigarros e bebidas alcoólicas, o que motivou

Ao longo da temporada, você podia usar o dinheiro ganho nas corridas para modificar e melhorar seu carro. E um detalhe bacana: como era regra na Fórmula 1 em 1992, não era permitido reabastecer o carro — os pit-stops só eram usados para troca de pneus e reparos mecânicos no carro.

 

Super Off Road: The Baja (1993)

O primeiro Super Off Road, de 1990, era um game de corrida com perspectiva isométrica (como Rock n’ Roll Racing) no qual você disputava corridas em estádios, com circuitos cheios de terra e lama. Sua sequência, de 1993, porém, deu um salto muito grande em gráficos e jogabilidade.
Com cenários em 3D, sprites ultra-realistas das picapes e jipes e efeitos sonoros muito convincentes para a época, Super Off Road: The Baja foi muito bem recebido pelo público e pela crítica.

A maior mudança, contudo, estava na ambientação do jogo: em vez de estádios, as corridas agora eram baseadas nos ralis de resistência como a Baja 1000 e o Rali Dakar. Tudo visto em terceira pessoa, como nos jogos de corrida modernos. Nem parece um game lançado há quase 25 anos!

 

 

San Francisco Rush (1997)

Sem dúvida San Francisco Rush é um dos maiores clássicos de corrida do Nintendo 64. Com carros extremamente velozes, baseados em modelos reais (como a Kombi e o Fusca, o Camaro de quarta geração e até o Bugatti EB110) e circuitos urbanos com rampas que te levavam ao topo de arranha-céus, Rush (você certamente sussurrou o nome do jogo mentalmente, como a gente ouvia repetidas vezes na sequência de abertura) era diversão na certa.

Rush não era exclusivo do Nintendo 64. Na verdade, foi portado dos arcades para os consoles domésticos. A versão para Playstation, porém, tem tempos de loading inaceitavelmente longos, que deixam o game praticamente impossível de jogar sem perder a paciência. Experiência própria.

 

Ridge Racer 64 (2000)

Ridge Racer seria só mais uma entre as várias boas franquias de corrida arcade que existem por aí, não fosse por um detalhe: a grid girl Reiko Nagase, que era bonitinha e feita sob medida para conquistar os moleques que jogavam. A versão para o “meia-quatro” foi a primeira em um console da Nintendo, e também foi um dos melhores capítulos da série. Com 32 carros, vários modos de jogo (incluindo um modo “carreira”), gráfico no auge da geração e uma trilha sonora cativante, Ridge Racer 64 era cartucho obrigatório na estante.

 

Cruis’n

Quando você ia ao fliperama, provavelmente via a máquina de arcade com volante, banco e pedais — a mais disputada entre a molecada que curtia jogos de corrida, pois dava o gostinho de como era pilotar um carro de verdade. E é quase certo que o jogo que estava rodando fosse algum da franquia Cruis’n.

Originalmente desenvolvidos pela Midway Games (a mesma da franquia Mortal Kombat), os jogos da série Cruis’n eram simples: você disputava corridas em vias públicas, urbanas e rurais, contra um punhado de adversários e contra o relógio. Mais do que vencer, você tinha que ultrapassar os checkpoints antes que o cronômetro zerasse. Era mais difícil do que parece.

Três games foram lançados para o Nintendo 64: Cruis’n USA (que se passava em várias localidades dos Estados Unidos), Cruis’n World (com circuitos de rua espalhados pelo planeta) e Cruis’n Exotica, que honrava o nome ao incluir corridas na selva africana e na superfície de Marte. O port dos arcades para o console foi fiel, com a vantagem de que você não precisava gastar todas as suas fichas.

 

Mario Kart

Se os adeptos do Playstation têm Gran Turismo e a galera do XBox tem Forza, os nintendistas têm Mario Kart. Não em semelhança, mas em nível de importância. A ideia de colocar os personagens de sua franquia mais popular — Mario, Luigi, a Princesa Peach, o cogumelo Toad, Yoshi, os Koopas e o chefão Bowser — para “tirar uma folga” de toda essa coisa de resgatar princesas e defender castelos e relaxar com uma corrida de kart. Como poderia dar errado?

É claro que não deu. Em 23 anos, ao todo foram oito games para todos os consoles e portáteis da Nintendo, sempre com a mesma essência — corridas de kart em circuitos inspirados nas fases de Super Mariopower ups para neutralizar seus adversários e chegar na frente, gráficos coloridos e, desde Super Mario 64, a possibilidade de jogar com mais três amigos. A fórmula não muda a quase um quarto de século, apenas os gráficos e a jogabilidade ficam cada vez melhores. É bom que continue assim.

Seu favorito não está na lista? Manifeste-se nos comentários — quem sabe não rola um round 2?

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