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Lançamentos Zero a 300

Os hipercarros de Genebra: Bugatti Chiron Sport e McLaren Senna GTR

O Salão de Genebra tradicionalmente é o favorito dos jornalistas automotivos e do público. Não apenas por ser um dos mais tradicionais, mas por duas questões práticas: o recinto é menor e mais intimista e é lá que costumam se apresentados superesportivos e projetos das grandes marcas europeias.

No entanto, uma tendência tem acabado com o apelo do Salão da metrópole suíça: o excesso de teasers e “vazamentos” de carros que estão para ser lançados. As fabricantes estão adiantando cada vez mais detalhes de seus carros novos, geralmente poucos dias depois que um monte de fotos oficiais em baixa qualidade dá as caras na Internet. Quando chega o dia da apresentação pública, o fator novidade já se dissipou. A maior novidade do Salão de Genebra 2018, por exemplo, foi o Toyota Supra de corrida – a maioria das outras atrações é de versões diferenciadas, edições especiais e coisas do gênero.

Isto vale também para os dois hipercarros que estão roubando a cena: o Bugatti Chiron Sport e o McLaren Senna GTR. Mas não é nada que nos impeça de querer saber mais a respeito deles, não é mesmo?

Bugatti Chiron Sport

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Vamos começar pelo superlativo e sempre desconcertante Bugatti Chiron. Talvez a esta altura você já não precise de uma repassada em suas especificações técnicas, afinal ele foi apresentado em Genebra há exatos dois anos, mas o caso é que o Bugatti Chiron Sport tem exatamente os mesmos números da versão “comum”. Ei-los, então: oito litros, dezesseis cilindros, quatro turbocompressores, 1.500 cv a 6.700 rpm e 163,15 mkgf de torque a 2.000 rpm, câmbio de dupla embreagem e sete marchas. Dados do fabricante: zero a 100 km/h em 2,4 segundos, zero a 200 km/h em 6,5 segundos, zero a 300 km/h em 13,6 segundos. O zero a 400 km/h foi aferido em 32,6 segundos, e o Chiron levou mais 9,4 segundos para desacelerar até o zero novamente. Por fim, a velocidade máxima é limitada em 420 km/h “por questões de segurança”, mas a velocidade máxima sem o limitador é estimada em 463 km/h.

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O Bugatti Chiron Sport tem exatamente estes mesmos números, pois o carro não passou por nenhuma modificação no motor. Na verdade, as mudanças se resumem a alguns ajustes de suspensão, reforços para enrijecer o chassi, novos controles eletrônicos e alguns quilos a menos graças à aplicação de mais fibra de carbono. Sim, mais, porque o Chiron já utiliza quantidades copiosas de fibra de carbono em sua construção: o monocoque é feito com o material, assim como os painéis da carroceria e boa parte do acabamento do interior.

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No Bugatti Chiron Sport, porém, a fibra de carbono vai até nos limpadores de para-brisa, cujos braços são feitos com o material. De acordo com a Bugatti, os braços dispensam as articulações usadas nas peças comuns, e também dá a eles um perfil mais aerodinâmico. As palhetas, por sua vez, têm suportes de alumínio impresso em 3D, que também reduz o peso final dos elementos. A Bugatti diz que, no total, os limpadores de para-brisa do Chiron Sport são 1,4 kg (ou 77%) mais leves do que as encontradas no Chiron “normal”. A barra estabilizadora também é feita de fibra de carbono, enquanto as novas saídas de escapamento empregam a mesma técnica de impressão 3D em alumínio usada nos limpadores de para-brisa.

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As novas rodas, chamadas “Course”, também contribuem para a redução de peso, assim como a adoção de vidro mais fino na janela traseira e de um defletor mais leve no sistema de escape. O resultado: 18 kg a menos… ou menos de de 1% dos 1.996 kg que o Chiron pesa em ordem de marcha.

Se quando traduzida em números a redução de peso não impressiona tanto, os ajustes na suspensão e as modificações na eletrônica do carro são mais significativos (e não foram tão alardeados por aí): a suspensão ficou mais firme – segundo a Bugatti, a rigidez dos amortecedores aumentou em cerca de 10%. A direção também foi recalibrada para, de acordo com a fabricante, ficar mais rápida sem sacrificar a responsividade e a comunicatividade na hora de esterçar. Esta mudança só é efetiva no modo Handling do Chiron Sport – nos outros modos, a calibragem permanece igual à do Chiron “básico”. Por outro lado, o diferencial do eixo traseiro foi recalibrado e conta com um sistema de vetorização de torque eletrônico (não atuado pelos freios) que distribui individualmente a força do motor para as rodas, melhorando a agilidade do Chiron nas curvas. A Bugatti diz que esta mudança se aplica a todos os modos de condução.

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A exclusividade no visual no carro levado a Genebra está na cor da carroceria: fibra de carbono visível na porção traseira e vermelho Italian Red na porção frontal. Esta também pode ser azul “French Racing Blue”, prata “Gris Rafale” e cinza “Gun Powder”. A linha em formato de “C” nas laterais do Chiron recebeu um friso de alumínio e é pintada na mesma cor da porção central, na qual também são pintadas as pastilhas de freio e alguns os emblemas do carro. Por fim, há um enorme número 16 pintado na grade, em referência ao motor W16.

O interior é predominantemente preto, e opcionalmente pode contar com fibra de carbono à mostra no painel de instrumentos e demais superfícies rígidas do interior. Também pode-se optar por inserções na mesma cor da parte frontal da carroceria.

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Segundo a Bugatti, o Chiron Sport é cinco segundos (!) mais rápido que o Chiron comum na seção dinâmica do circuito de testes de Nardò (que pertence à Volkswagen, vale lembrar). A fabricante também diz que a etiqueta de € 2,98 milhões (cerca de R$ 11,9 milhões em conversão direta) provavelmente fazem do Bugatti Chiron Sport o carro mais caro em exposição no Salão de Genebra.

 

McLaren Senna GTR

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Tradicionalmente a McLaren aplica a sigla GTR às versões feitas exclusivamente para as pistas de seus modelos mais rápidos. Foi assim com o McLaren F1 nos anos 90, com o McLaran P1 mais recenemente e agora, está acontecendo com o McLaren Senna — que já era um dos carros mais extremos, em todos os sentidos, já feitos não apenas pela McLaren, mas por toda a indústria automotiva.

Recapitulando, estamos falando de um hipercarro que, em sua versão civil, é movido por um V8 biturbo de quatro litros capaz de entregar 800 cv – sem a ajuda de motores elétricos, vamos reforçar. Pois bem: o McLaren Senna GTR tem “pelo menos” 825 cv, de acordo com McLaren. A companhia, contudo, ainda não dá mais detalhes técnicos a respeito do conjunto mecânico – a transmissão, por exemplo, é descrita apenas como sendo “ao estilo de um câmbio de competição”. Eles dizem também que a suspensão por braços triangulares sobrepostos foi recalibrada, e os pneus são slicks da Pirelli.

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Agora, se você achava o visual do McLaren Senna radical, a versão GTR consegue superá-lo. Com diversas modificações aerodinâmicas, o conceito (sim, é um conceito) ficou ainda mais extremo. O splitter frontal, por exemplo, é estupidamente maior, assim como o difusor na parte de trás. O deck traseiro do Senna GTR ficou ainda mais baixo e perdeu as saídas de escape na parte superior – elas migraram para as laterais. Com isto, segundo a fabricante, a eficiência do sistema de arrefecimento ficou maior. Os para-lamas também são mais largos. A McLaren diz que com o novo perfil o Senna GTR consegue gerar mais de 1.000 kg de downforce em alta velocidade.

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Como se não bastasse, o Senna GTR ainda é 50 kg mais leve que sua versão de rua, uma vez que abriu mão dos airbags, freio de mão, abafadores de escape e pôde substituir os vidros laterais por material plástico como o Plexiglass. Estamos falando de aproximadamente 1.150 kg sem fluidos — uma relação peso/potência de 1,4 kg/cv.

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A McLaren diz que, apesar da mudança drástica no visual por conta dos novos componentes, os mesmos são de fácil instalação pelo modo como os painéis da carroceria são fixados à estrutura, permitindo exatamente que se realize grandes modificações de forma fácil. E as rodas também são novas, “projetadas especificamente para uso em pista”. Outros detalhes interessantes são as portas, cujos painéis externos foram “empurrados” em direção ao centro do carro para melhorar o fluxo aerodinâmico; e as janelas laterais de policarbonato.

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A McLaren, contudo, faz questão de deixar claro que o conceito ainda não é o produto finalizado, mas que dá “uma boa noção do direcionamento que está sendo tomado”. E que rumo é este? Bem, eles dizem que o McLaren Senna GTR só não será mais rápido na pista do que os carros da equipe da McLaren na Fórmula 1.

Além disso, como vimos ontem no Zero a 300, a McLaren pode estar planejando um retorno ao endurance. O CEO Zak Brown já manifestou a vontade de colocar a marca no WEC e o atual regulamento técnico permitiria que o Senna GTR fosse inscrito na GTE Pro com algumas vantagens sobre os rivais, dado que já é um carro extremo em sua versão de rua. A gente torce para que isso aconteça. Ver o McLaren combatendo Ferrari, BMW, Aston Martin, Corvette e Porsche em Mans seria épico.

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