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Os melhores carros de polícia que existem (e não existem) – parte 1

Se parece que foi ontem que perguntamos a vocês qual é o melhor carro de polícia de todos, é porque foi mesmo. O que a gente queria saber: que carro, da vida real ou da ficção, seria a melhor viatura policial do planeta?

Nossa sugestão foi o Ford Crown Victoria, por razões bem simples: ele serviu por mais de duas décadas as forças policiais americanas, e não foi à toa. Com motor V8 de 4,6 litros e 250 cv, tração traseira e suspensão reforçada, ele tinha potência, dinâmica e resistência sob medida para perseguições nas rodovias e grandes centros dos EUA.

É claro que vocês, leitores, conhecem muitos carros, têm boa memória e têm boas ideias. Assim, novamente tivemos várias sugestões bacanas, e bastante criativas. Vamos dar uma olhada nelas agora!

 

Dodge Charger

Sugerido por: GM Spin

Não precisamos apontar a ironia nesta sugestão, não é? Bem, tarde demais: já o fizemos. De qualquer forma, segundo “Velozes e Furiosos 5” (Fast Five, 2011), a Polícia Civil do Rio de Janeiro costuma usar o Dodge Charger em perseguições rotineiramente – na versão SRT-8, claro, com um V8 Hemi de 6,4 litros e 476 cv. Tanto que os membros da equipe de Dom Toretto (eles trabalham para a polícia americana, logo, não são uma gangue) aproveitam para disputar um pequeno racha.

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Dito isto, na real o Dodge Charger é mesmo uma das viaturas policiais mais legais que existem. Nos EUA, o Dodge Charger Pursuit é, de fato, utilizado em perseguições e patrulhamento ostensivo. Por lá, os policiais podem escolher entre o motor V6 Pentastar de 3,6 litros e o V8 Hemi de 5,7 litros. O primeiro entrega 296 cv e 35,9 mkgf de torque para as rodas traseiras, enquanto o modelo com motor V8 desenvolve 375 cv e 53,9 mkgf de torque — com tração integral. Em ambos os casos, o câmbio é automático com alavanca na coluna, como manda a tradição.

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O Charger Pursuit também tem a pintura inspirada pelos clássicos Plymouth policiais dos anos 70 e 80, além de equipamentos como barra de proteção na dianteira (que confere ao sedã um visual bem intimidador), bancos especiais, preparação para equipamentos de comunicação e, claro, luzes atrás da grade.

 

Chevrolet Veraneio

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Sugerido por: Marcos Amorim

Aquela música do Aborto Elétrico (a banda que se dividiu e deu origem à Legião Urbana e ao Capital Inicial) que todo mundo conhece é uma referência à Chevrolet Veraneio usada pela polícia, com pintura “preto e branco, cinza e vermelho” – quase as mesmas cores do emblema do Vasco da Gama. A canção é uma crítica aos policiais corruptos, e também uma referência ao período de governo militar no Brasil, nos anos quando a station wagon da Chevrolet a serviço das tropas era visão comum nas ruas.

Discussões políticas à parte, é fato que não havia nada melhor que a Chevrolet Veraneio para servir à polícia brasileira naquela época. Grande, imponente, veloz (graças ao motor seis-cilindros de 4,3 litros, 149 cv e 32,1 mkgf de torque), espaçosa para os oficiais e com espaço para levar vários elementos de uma só vez.

 

Volkswagen Santana

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Sugerido por: Bruno de Paula

Não são poucos os que chamam o Volkswagen Santana de “o Crown Victoria brasileiro”, apesar da tração dianteira e da origem alemã. Isto porque, tal como o ícone da Ford, o Santana foi produzido no Brasil por muito tempo – 22 anos, de 1984 a 2006 – e, durante muito tempo, foi um dos carros favoritos da polícia militar de São Paulo.

O motor AP 2.0 se mostrava forte e confiável o bastante sob uso pesado, a suspensão não era a mais refinada, mas  era confortável o suficiente para não maltratar tanto o corpo em horas e horas seguidas em serviço, e robusta o suficiente para não pedir arrego tão fácil. Não é uma descrição muito diferente do que podemos dizer sobre o Crown Victoria – é só trocar o AP 2.0 pelo Modular 4.6, guardadas as devidas proporções.

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Aliás, tal como o Crown Vic, o Santana “Patrulheiro” é bastante popular entre civis que buscam um carro confortável e barato pagando pouco em leilões – são carros bastante rodados, porém mantidos rodando por muito tempo e devidamente “amaciados”, se é que você entende.

 

Os carabinieri da Alfa Romeo

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Sugerido por: Tommy James

Sim, a lista é para modelos específicos, mas tivemos de abrir uma exceção para a Alfa Romeo. Por que? Simples: não dá para escolher um só. Sério.

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A polícia civil e militar italiana é conhecida como Arma dei Carabinieri e, pensando bem, nada mais italiano que usar os Alfa Romeo como viaturas. É uma tradição antiga, que começou nos anos 60 com o Giulia e depois continuou com modelos como o Alfetta, o 156 e o 159.

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A mais recente adição à frota foram dois exemplares do Giulia Quadrifoglio, o super sedã de tração integral movido por um V6 biturbo de 510 cv que já foi recordista de Nürburgring Nordschleife – seu tempo de 7min32s, registrado há pouco mais de um ano, em setembro de 2016, ainda é impressionante.

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Apesar disso, nenhum Carabinieri é usado em perseguições, e sim em escoltas. E nem todos os oficiais têm o privilégio de poder conduzi-los: para obter permissão, é preciso passar por um rigoroso teste psicotécnico e por um treinamento feito com pilotos da própria Alfa Romeo.

 

Chevrolet Caprice

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Sugerido por: Eduardo Rodrigues

Como não lembrar do arquirrival do Ford Crown Victoria? O Chevrolet Caprice foi o carro que motivou a mudança radical no visual do Crown Vic – ele também era um carro quadradão que, em 1991, ficou mais moderno e arredondado sem perder a valentia. A versão 9C1, feita especialmente para a polícia, era movida por uma versão mais mansa do V8 small block LT1 usado no Chevrolet Corvette C4, com comando no bloco, 5,7 litros, bloco e cabeçotes de ferro fundido e 260 cv. No Corvette, que tinha cabeçotes de alumínio, o LT1 entregava 300 cv.

Por anos, o Caprice foi o carro de polícia mais rápido da história dos Estados Unidos, sendo capaz de ir de zero a 100 km/h em excelentes sete segundos. Ele só foi superado em 2004, quando a primeira versão do Dodge Charger R/T feita para a polícia foi lançada – seu motor Hemi, que na época deslocava 5,7 litros e entregava 340 cv, era capaz de levá-lo até os 100 km/h em seis segundos cravados.

 

Esportivos japoneses dos anos 90

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Sugerido por: Kindi Tonooka e Leandro Rocha

Na segunda metade da década de 1990, algumas fabricantes doaram carros para a polícia da prefeitura de Saitama, no Japão. Mas não foram quaisquer carros: a Nissan ofereceu o Skyline GT-R R34, enquanto a Mazda cedeu o RX-7 FD. O primeiro, com um seis-em-linha biturbo de 2,6 litros; o segundo, equipado com o clássico Wankel de 1,3 litro com dois rotores e dois turbos. Ambos tinham potência na casa dos 300 cv (ainda que o número declarado na ficha técnic fosse de 280 cv, por conta de um acordo de cavalheiros entre as fabricantes japonesas.

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O Honda NSX, com seu V6 naturalmente aspirado de três litros e 274 cv, também foi usado pela polícia de Saitama. Ao que tudo indica, os carros não tinham a velocidade limitada a 180 km/h como as viaturas comuns, e eram usados em perseguições.

Hoje em dia a fiscalização de velocidade no Japão é feita usando câmeras e radares, e raramente acontecem acidentes e perseguições. A maioria dos exemplares ainda pertence à polícia, mas não tem mais utilidade. Por isso, costumam ser vistos em eventos e exibições realizadas pela polícia, para fins de entretenimento.

 

Ford RS200

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Sugerido por: Daniel de Resende

O Ford RS200 é o membro mais selvagem da família Ford RS, sigla clássica dos carros de competição da divisão europeia da fabricante. Criado para o saudoso Grupo B de rali, ele era um protótipo com carroceria de Kevlar, uma versão de 1,8 litro do motor turbo (montado atrás dos bancos dianteiros) central-traseiro, tração integral e mais de 600 cv em acerto de competição. A versão de homologação tinha 250 cv e era capaz de chegar aos 100 km/h em menos de cinco segundos.

Ele nunca foi um carro de polícia de verdade, mas poderia ser. Ao menos foi  que a Ford imaginou ao bolar esta foto publicitária, na qual um RS200 “viatura” está parado, enquanto seu oficial multa um Sierra RS500 – por excesso de velocidade, presumivelmente. Só mesmo com um RS200 para alcançar o Sierra, que também é um ícone da Ford por seu histórico em provas de turismo. A versão de rua era equipada com o famoso quatro-cilindros de dois litros Cosworth YB, com turbo e potência entre 200 cv e 230 cv.

A foto foi tirada em 1986 e, no dia 24 de novembro daquele ano, foi enviada a toda a imprensa automotiva britânica acompanhada de um press release que dizia que a polícia de Essex estava testando o RS200 – claro, tudo para promover o especial de homologação de forma descontraída.

 

 

Volkswagen Fusca

Sugerido por: Felipe Monteiro

Todo mundo já viu um Fusca policial. Se não não em atividade, até mais ou menos os anos 80, viu preservado como veículo histórico de algum batalhão – especialmente em cidades pequenas.

O Fusca não era indicado para perseguições policiais, naturalmente: o boxer de quatro cilindros arrefecido a ar não era dos mais potentes, e o arranjo de suspensão não era nada apropriado para curvas em alta velocidade, pois as rodas “dobravam” para dentro e ocasionavam o capotamento do veículo.

No entanto, o Fusca era barato, simples de manter e cumpria muito bem seu papel como veículo de patrulhamento urbano. Além disso, ficava muito charmoso caracterizado como viatura.

 

Brasinca Gavião

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Sugerido por: Chico Rulez!

O Brasinca Uirapuru é considerado por muita gente um dos carros mais bonitos já feitos no Brasil – dizem até que os europeus o imitaram, embora isto jamais tenha sido comprovado. O motor era um seis-em-linha de 4,3 litros (4.271 cm³) usado nas picapes e caminhões da linha Chevrolet Brasil, e entregava 142 cv de potência bruta com três carburadores SU. Sua estrutura era feita de vigas de aço e a carroceria, com chapas moldadas à mão. Era capaz de chegar até os 100 km/h em 10,4 segundos, com máxima de cerca de 200 km/h. Nada mau para um carro produzido entre 1965 e 1967, apenas.

Seu bom desempenho foi quem inspirou o conceito Brasinca Gavião, apresentado no Salão do Automóvel de 1966. Feito sobre o mesmo chassi e com o mesmo motor do Uirapuru, o Gavião tinha carroceria blindada (até os vidros!) e uma traseira típica das shooting brake, com teto plano que caía abruptamente na traseira. Além disso, trazia duas metralhadoras atrás da grade e uma maca no compartimento traseiro.

O carro ficou famoso por sua participação especial em um episódio do seriado “Vigilante Rodoviário” exibido em 1967. Depois disso, segundo consta, o Gavião foi dado como desaparecido.

 

V8 Interceptor

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Sugerido por: Ismailly

Sendo bem honestos, o V8 Interceptor não era uma viatura de polícia comum. No mundo distópico de Mad Max, ele era o carro de Max Rockatansky, agente da Main Force Patrol, ou MFP, uma força especial criada para ajudar a polícia no combate ao crime. A única função da MFP era vigiar as rodovias e perseguir gangues de motociclistas que roubavam de combustível — um crime cada vez mais comum depois que uma grave crise energética colocou o país de cabeça para baixo.

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A maioria dos carros da MFP era pintada de amarelo, mas o V8 Interceptor era preto-sobre-preto (fosco embaixo, brilhante em cima) e tinha um motor com supercharger e 600 cv. Claro, o compressor roots era cenográfico e atuado por um motor elétrico, pois em 1979 (ano de estreia do filme) era impossível extrair 600 cv de um V8 Windsor 351 sem prejudicar seu funcionamento a longo prazo.

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Isto não impediu o V8 Interceptor de se tornar um dos maiores ícones automotivos do cinema, acumulando admiradores no mundo todo ao longo dos anos. Não é incomum ver réplicas assustadoramente fiéis em encontros de carros na Austrália.

 

 

 

 

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