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Os melhores desenhos animados com carros de todos os tempos – Parte 2

A segunda parte de nossa lista dos desenhos e animes com carros mais incríveis já feitos está saindo do forno com as sugestões que vocês deram no post anterior.

Normalmente temos a impressão de que o que evoca nostalgia são apenas os clássicos, os mais antigos. Acontece que quem nasceu até o fim dos anos 90 já é adulto, e já tem idade para lembrar com saudade de alguns desenhos que passavam na TV até meados dos anos 2000. Seja você mais velho ou mais novo, está preparado para ficar nostálgico? Então continue com a gente!

 

Transformers

Antes, muito antes dos filmes da franquia explosiva de Transformers explosivos dirigidos explosivamente por Michael “Explosion” Bay (o primeiro foi lançado em 2007 e o mais recente, “Transformers: A Era da Explosão Extinção”, em 2014), os Transformers eram uma linha de bonecos de ação fabricada pela Hasbro. O que nem todo mundo sabe é que a Hasbro baseou-se em outra linha de action figures, Diaclone e Microman, da Takara. Os Diaclone eram robôs que se transformavam em carros e caminhões, e os Microman eram seus pilotos.

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A primeira linha dos Transformers, conhecida como Genaration 1, foi lançada em 1984 e já trazia o conceito de Autobots — os heróis, robôs alienígenas que se transformavam em veículos terrestres, liderados pelo caminhão Optimus Prime — combatendo Decepticons, que se transformavam em aviões, armas e outros objetos.

A série de TV baseada no universo dos robôs gigantes estreou ainda em 1984, produzida pela Marvel, escrita e desenhada nos EUA e animada no Japão (não é à toa o jeitão de anime). Quem assistiu à série original lembra bem que, antes de ser um Camaro amarelo, o Bumblebee era um Fusca amarelo; Optimus Prime era um clássico caminhão “cara-chata” e havia até um Porsche 935 de competição (o famoso slant nose, com frente baixa e faróis escamoteáveis) chamado Jazz.

Foram quatro temporadas e 98 episódios exibidos entre 1984 e 1987, além de diversos rebootsspin-offs que, como os filmes, não seguiam exatamente a linha do desenho original. Em Transformers Prime (2010-2013), por exemplo, a animação toda é em computação gráfica tridimensional e as linhas dos robôs são mais futuristas e agressivas, sem o mesmo charme antiquado da série dos anos 80.

 

NASCAR Racers

Este é para a galera mais nova (este escriba não é muito mais velho que vocês, hein!), que passava as manhãs assistindo a maratonas de desenhos animados antes de ir para a escola. Talvez você estivesse esperando o começo de Digimon ou Dragon Ball Z, mas talvez você tenha topado com NASCAR Racers.  Os personagens eram pilotos, mas em vez de usar bolhas com motores Chevrolet em circuitos ovais, corriam com carros futuristas  e cheios de truques em circuitos que mais lembravam montanhas-russas.

Os carros eram movidos por combustível atômico e, em caso de acidente, a carroceria externa se desprendia para revelar uma espécie de módulo de segurança mais compacto e leve, que permitia ao piloto continuar a corrida. Em todo episódio os produtores arrumavam um pretexto para que os módulos entrassem em ação (admita, eles eram legais!) — sempre envolvendo a rivalidade entre as equipes Fastex (os heróis) e Rexcon (os vilões).

NASCAR Racers foi criado pela própria Nascar e exibida na Fox entre 1999 e 2001, aproveitando que, a partir de 2002, o canal passaria a exibir as corridas da Nascar ao vivo. Uma porção de brinquedos, games para consoles e portáteis e até livros baseados na série foram lançados, ainda que só tenha durado duas temporadas e 26 episódios.

 

Speed Buggy

Nos anos 70 os estúdios Hanna-Barbera tinham uma fórmula bastante conhecida para criar novos desenhos animados: um grupo de adolescentes e um mascote que não deveria falar (mas falava) resolvendo mistérios que, normalmente, envolviam um vilão disfarçado que tinha seu plano arruinado por “aquelas crianças intrometidas”. O mais famoso deles, claro, é Scooby-Doo, mas também foram feitos “Tutubarão” (que era quase como “Scooby-Doo no fundo do mar com um tubarão no lugar do cachorro”) e o que nos interessa agora: Speed Buggy.

Montado a partir de peças de ferro velho, Speed Buggy é um… buggy que ganha “vida” através do controle remoto que seu criador, Tito (que, não por coincidência, é muito parecido com o Salsicha) e enxerga através dos faróis. A premissa mais gearhead, contudo, não foi muito bem aceita pelo público e a Hannah-Barbera só produziu 16 episódios, nos quais Tito e seus amigos sempre procuravam maneiras de tornar Speed Buggy mais rápido. No Brasil, o desenho vai ser mais lembrado pela galera um pouco mais velha, pois foi exibido nos anos 70 e 80 em canais como a Rede Manchete, Record e Bandeirantes.

 

Hot Wheels AcceleRacers

Mais um para a galera mais nova: Hot Wheels AcceleRacers foi exibida no Brasil na segunda metade dos anos 2000. Produzida no Canadá e originalmente concebida como uma série de quatro filmes de 60 minutos, lançados entre janeiro e outubro de 2005, mas no Brasil foi dividida em episódios de cinco minutos.

Como as miniaturas da Mattel, os carros pilotados pelo protagonista Vert Wheeler e seus amigos em corridas “de rua” (que mais parecem pistas saídas de Tron) são futuristas e exagerados. Faz sentido, pois o apelo estava justamente em ver aqueles carros, iguais aos que estavam nas nossas estantes e caixas de brinquedos, correndo “de verdade”. Apesar dos gráficos meio toscos das produções em CG de dez anos atrás, é este tipo de coisa que ajuda a alimentar a imaginação e a formar futuros entusiastas.

 

Carangos e Motocas

“Carangos e Motocas” era o título brasileiro da série Wheelie and the Chopper Bunch. Também produzido pela Hannah-Barbera, o desenho foi exibido originalmente entre setembro e novembro de 1974 (época em que todo mundo chamava carros de “carangos” e motos de “motocas”…), em 13 segmentos com três episódios cada, com duração total de 30 minutos.

O protagonista, Wheelie, era um Fusca vermelho que namorava uma simpática conversível chamada “Rota Ree” (um trocadilho com rotary engine, ou motor rotativo, ainda que não fique claro se ela era um Mazda) e era um famoso carro de corrida. Ele era o único personagem que não falava, expressando emoções através de figuras que apareciam no seu para-brisa, nas em compensação tinha no porta-malas duas mãos mecânicas que forneciam qualquer coisa que ele precisasse para lidar com as artimanhas das “motocas” — o Chopper Bunch, uma gangue de motocicletas composta por Avesso (o triciclo), Chapa (o líder), Risada (grande, porém idiota) e Confuso (uma motoneta que mais parecia estar ali por engano e tinha o famoso bordão “eu te disse, eu te disse!”)

 

Corrida Maluca

Talvez este seja o mais famoso de todos. “Corrida Maluca”, exibido originalmente nos EUA entre 1968 e 1969, foi um dos grandes sucessos do estúdio Hanna-Barbera (William e Joseph até que gostavam de carros, não?), passando de um simples desenho a um símbolo da cultura pop, especialmente pelos personagens Dick Vigarista e Penelope Charmosa.

O enredo quase que dispensa apresentações: uma campeonato em que 11 equipes disputam diversas corridas pelos EUA pelo título de “volante mais biruta do mundo”. Além de Dick e Mutley, que fazem de tudo para vencer e nunca conseguem (e talvez por isso tenham desistido das corridas e fundado a Esquadrilha Abutre…); e Penélope (que às vezes vence a corrida quase sem esforço), também competiam o Barão Vermelho, os Irmãos Rocha (que, mais tarde, inspiraram o Capitão Caverna), a Dupla Sinistra, o Professor Aéreo, o Sargento Bombarda, a Quadrilha de Morte, o Tio Tomás, Rufus Lenhador e Pedro Perfeito (no “Carrão Aerodinâmico”).

Curiosamente, o “Corrida Maluca” ficou tão famoso que a gente mal lembra que só foram feitos 17 segmentos de dois episódios cada. Agora, um fato bem interessante: o desenho foi inspirado por um filme de 1965 chamado “A Grande Corrida” (The Great Race) no visual (os personagens principais certamente inspiraram Pedro Perfeito, Dick Vigarista e Penélope Charmosa). Assim como no desenho, o filme mostra vários pilotos e diversos carros diferentes, com a mesma estética caricaturesca e até efeitos sonoros parecidos.

 

Turbo Man

Você já gostou tanto de carros que decidiu ser um carro? É mais ou menos esta a história de Turbo Man (Turboteen nos EUA), um jovem piloto de um carro esportivo que, ao sofrer um acidente e cair em um laboratório, é atingido por um “raio transformador de moléculas” e se torna, com seu carro, uma só pessoa.

Apesar da perturbadora cena de transformação (é meio estranho ver o corpo do protagonista Brett Matthews se deformando para virar um carro) e da curta duração (apenas uma temporada de 13 episódios foi exibida em 1984), Turbo Man se tornou um clássico, com Matthews e seus amigos (que o chamam de TT) se envolvendo em aventuras para combater o crime e resolver mistérios.

 

Bônus 1: Susie, o Pequeno Cupê Azul (Susie, the Little Blue Coupe, 1952)

Nos anos 50 era comum que estúdios de animação como a Disney produzissem especiais de apenas um episódio, sem fazer parte de alguma série ou franquia. Era o caso de “Susie, o Pequeno Cupê Azul”, de 1952. O curta conta a história de Susie, um carro (na verdade “uma” carro) que é comprada nova por um dono que a usa até quase destruí-la totalmente. Depois de ir parar no ferro-velho, ela é comprada por um garoto por 12 dólares e ele a transforma em um belo hot rod.

Um detalhe curioso é o modo como a Disney desenhou Susie – com o olhos nos para-brisas e a boca no capô, quase como os personagens de “Carros”, que certamente foram inspirados nela.

 

Bônus 2: O Pateta no Trânsito (Motor Mania, 1950)

Se você tem carteira de motorista, certamente conhece este verdadeiro clássico de 1950: Motor Mania, conhecido por aqui como “O Pateta no Trânsito”. Contando a história do Sr. Andante e do Sr. Volante (Mr. Walker e Mr. Wheeler), a animação mostrava como o comportamento das pessoas é afetado pela sensação de poder que estar ao volante de um carro nos proporciona – de um pacato pedestre a um maníaco sobre quatro rodas.

Motor Mania é considerado um dos melhores filmes já feitos sobre educação no trânsito, e uma prova de sua qualidade é o fato de ter sido produzido há mais de meio século e ainda tratar das brigas no trânsito de forma surpreendentemente atual.

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