Os pilotos que correram as 24 Horas de Le Mans e você provavelmente não lembra

Projeto Motor 17 junho, 2017 0
Os pilotos que correram as 24 Horas de Le Mans e você provavelmente não lembra

Uma das várias particularidades que tornam as 24 Horas de Le Mans tão encantadoras é a presença de uma lista de pilotos extensa, que conta com alguns dos ases mais relevantes do mundo com outros que são automobilistas amadores na acepção mais pura da palavra.

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Por sediar uma das provas mais prestigiosas do planeta, o Circuit de la Sarthe já abrigou pilotos lendários (ou nomes que viriam a se tornar lendas posteriormente). E o curioso é que não estamos necessariamente nos referindo às provas mais antigas, onde era comum a migração dos grandes nomes da F1 ao endurance. Isso acontece de forma recorrente, inclusive na era moderna.

Muitos dos grandes nomes das pistas viveram em Le Mans capítulos escondidos em suas histórias. Relembre conosco alguns pilotos que disputaram a mítica prova e que você, provavelmente, não lembra.

 

Michael Schumacher – 1991

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Poucos meses antes de entrar com tudo na F1, Schumacher fez uma única aparição em Le Mans. O jovem alemão, membro do programa de desenvolvimento da Mercedes e piloto regular da Sauber no endurance, competiu com o C11 de número 31 ao lado de Karl Wendlinger e de Fritz Kreutzpointner.

Devido a uma mudança técnica que provocou certa controvérsia, a ordem do grid levava em consideração a especificação do protótipo além do tempo obtido na classificação.

O time de Schumacher, então, obteve o quarto melhor tempo, mas largou somente em 12º. Na prova, porém, o trio subiu rápido: fechou a primeira hora em quarto e assumiu a ponta nos 60 minutos seguintes.

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Na quinta hora de corrida, Wendlinger rodou na chicane Dunlop e causou danos à parte traseira do C11, que caiu para sexto, com duas voltas de atraso para os novos líderes – Jonathan Palmer, Stanley Dickens e Kurt Thiim, também da Mercedes.

Schumacher iniciou uma recuperação frenética, inclusive batendo o recorde da pista repetidamente. O #31 retornou ao segundo posto, mas passou a apresentar problemas de câmbio – há quem considere que o fato ocorreu justamente por Schumacher forçar tanto o ritmo em seu turno.

A equipe precisou fazer extensos reparos, o que jogou novamente o trio para trás. Schumacher, Wendlinger e Kreutzpointner terminaram a corrida em quinto, sete voltas atrás dos vencedores, Johnny Herbert, Volker Weidler e Bertrand Gachot, da Mazda. Mas os destinos de Schumacher e Gachot se cruzariam novamente meses mais tarde…

 

Sébastien Loeb – 2005 e 2006

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OK, a jornada do multicampeão do WRC em Le Mans não é a história mais desconhecida de todas. Porém, suas participações a bordo do protótipo da Pescarolo são apenas algumas em meio às várias aventuras que teve em categorias distintas com o passar dos anos.

Em sua estreia, em 2005, Loeb tinha poucas pretensões pessoais, já que não competia há tempos em um circuito fechado. Seus colegas Eric Helary e Soheil Ayari puseram o #17 na segunda posição da ordem de partida, atrás do protótipo irmão, conduzido por Jean-Christophe Boullion, Erik Comas e Emmanuel Collard.

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Ainda no estágio inicial da prova, o Pescarolo #17 passou por problemas distintos nas mãos de Ayari e Helary, e Loeb assumiu o protótipo pela primeira vez na oitava posição. Devolveu em sexto, mas Ayari voltou a se atrapalhar, o que jogou o time para 13º. Na 20ª hora, novo acidente de Ayari, o que acabou de vez com a corrida da equipe.

Loeb voltaria no ano seguinte, com o mesmo conjunto. A única diferença era a substituição de Ayari por Franck Montagny, que colocou o protótipo #17 no quatro posto, atrás dos dois Audi e do outro Pescarolo.

A corrida foi muito menos dramática para o time do que havia sido em 2005 – na verdade, com atuação sólida, o #17 pôde herdar duas posições após problemas de seus rivais à frente. Loeb, Helary e Montagny cruzaram em segundo, mas sem grandes chances de incomodar o #8 de Frank Biela, Marco Werner e Emanuele Pirro – o Audi, primeiro a vencer com motor a diesel, completou a prova com cinco pitstops a menos que o rival mais próximo, mesmo dando quatro voltas a mais.

 

Nigel Mansell – 2010

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O pessoal do Projeto Motor já contou a história por trás da participação de Mansell nas 24 Horas de Le Mans, que foi mais uma aventura nas pistas após sua saída na F1. Mesmo assim, vale recontar essa passagem curiosa (e um tanto dramática) do veterano na tradicional prova de longa duração.

Em 2010, Mansell quis realizar um sonho que quase todo veterano, no fundo, deve ter: dividir as pistas com suas crias. Para isso, se tornou sócio da Breechdean Motorsport e inscreveu a si próprio na prova, ao lado de seus filhos Greg e Leo.

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O conjunto utilizado seria um Ginetta-Zytek 09S, com pneus Dunlop, que eram longe de ser o bastante para incomodar com os demais modelos da LMP1, sobretudo as oficiais de Audi e Peugeot.

O clã Mansell obteve apenas o 18º lugar na ordem oficial de largada, 17s mais lento que a pole position, o Peugeot 908 HDi #1. Porém, o velho Nigel não teve o gostinho de desbravar todas as fases da corrida em Le Mans: com apenas 17 minutos de prova, sofreu um acidente fortíssimo que o fez ter problemas de memória e que o obrigou a pendurar de vez o capacete. As armadilhas de La Sarthe podem pregar peças até nos mais experientes…

 

Colin McRae – 2004

McRae

Um dos maiores nomes da história do rali, McRae desbravou novos terrenos em 2004. Primeiro, debutou no Dakar, e, meses depois, abraçou de vez o asfalto ao tentar as 24 Horas de Le Mans.

Tratou-se de uma aventura e tanto, já que o escocês tinha pouca experiência em circuitos (ele tinha em seu currículo apenas algumas provas no BTCC e um teste promocional na F1). Por isso, sua participação foi mais condizente a um ás que possui enorme talento, mas pouca experiência: correu na classe LMGTS com uma Ferrari 550 GTS, ao lado de Darren Turner e Rickard Rydell.

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Mesmo assim, McRae foi “pé no chão” em suas expectativas, já que pretendia apenas progredir ao longo da prova e ser consistente o bastante para completar as 24 horas de maratona.

Rydell colocou o carro na segunda posição na classe e assim se manteve no estágio inicial da prova, incluindo no primeiro turno de McRae. Contudo, o astro do rali enfrentou um tropeço na quinta hora de prova, quando rodou na curva Mulsanne após um pequeno problema de embreagem.

Isso fez o trio da Ferrari perder terreno – o que se agravou ainda mais no começo da segunda metade da disputa, quando problemas mecânicos derrubaram o time para quinto na classe. Sem chances de vitória, McRae conduziu o carro até a bandeirada, em terceiro na categoria e em nono no geral.

 

Nelson Piquet – 1996 e 1997

Piquet

A saga de Piquet em Indianápolis, em 92 e 93, não foi o ponto final em sua trajetória em grandes competições do automobilismo. O tricampeão calçou a sapatilha e embarcou em um par de participações em Le Mans com velhos conhecidos.

Na verdade, Nelsão vinha na ativa em provas esporádicas de longa duração, como as Mil Milhas Brasileiras e as 24 Horas de Spa. Assim, para Le Mans, fechou parceria com a equipe Bigazzi para usar um McLaren F1 GTR-BMW ao lado de seus ex-colegas de F1 Danny Sullivan e Johnny Cecotto.

Piquet

Piquet obteve o sexto lugar no grid da classe GT (12º no geral) e chegou a assumir o terceiro posto na primeira metade de disputa, mas sofreu com problemas no radiador e cruzou no mesmo lugar em que largou.

Doze meses depois, voltou a La Sarthe com a equipe Schnitzer, novamente com um F1 GTR-BMW. Seus parceiros agora seriam JJ Lehto e Steve Soper, veterano das corridas de longa duração.

As coisas pareciam promissoras. Em época de relativa equivalência de performance entre os GTs e os protótipos, Piquet e sua trupe marcaram o quarto melhor tempo do treino classificatório, mas, devido a uma regra maluca da ACO (que intercalou os mais bem colocados das classes), partiram do sexto posto.

O time andou forte no início, subindo para terceiro, mas depois perdeu terreno e ficou longe das primeiras posições. A pá de cal veio pela manhã, quando Lehto bateu forte e abandonou.

 

Cale Yarborough – 1981

Yarborough

Uma equipe americana tentou a sorte em Le Mans no início dos anos 80, quando Billy Hagan montou um esquema para competir na França. Para isso, contou com Yarborough, tricampeão da principal divisão da Nascar e, à altura, duas vezes vencedor das 500 Milhas de Daytona.

O carro utilizado, um Camaro, seguia filosofia de construção e preparação vistas na Nascar, sobretudo em suas suspensões. Hagan, à época, dizia que se tratava de um dos conjuntos mais bem preparados para a prova.

O time se posicionou em 39º no treino classificatório, mais de 30s atrás da pole (anotada pelos lendários Jacky Ickx e Derek Bell), mas ao menos foi o mais veloz dos cinco da classe IMSA GTO.

A corrida, todavia, não durou muito. Com apenas 13 voltas, a equipe sofreu um acidente, supostamente causado por falhas nos freios. Acabava ali a saga de um grande nome da Nascar em Le Mans.

 

Jacques Villeneuve – 2007 e 2008

Villeneuve

Em sua peregrinação por categorias após sua saída da F1, Villeneuve se arriscou nos protótipos para tentar incrementar seu currículo e agregar as 24 Horas de Le Mans aos troféus das 500 Milhas de Indianápolis e do Mundial de 97.

Por pouco não deu certo. Piloto oficial do programa da Peugeot na Le Mans Series (que originaria mais tarde o WEC), o canadense tinha um excelente pacote em mãos para triunfar.

Na primeira tentativa, em 2007, Villeneuve correu ao lado de Nicolas Minassian e Marc Gené no #7 e partiu da terceira posição do grid. Enquanto isso, a pole ficou com o outro Peugeot, de Sebastien Bourdais, Stephane Sarrazin e Pedro Lamy.

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Dada a largada, porém, as Audi mostraram ritmo muito mais competitivo. Já na primeira hora a marca de Ingolstadt estava em 1-2-3, enquanto que o time de Villeneuve ocupava o quarto posto. Acidentes de Mike Rockenfeller e de Rinaldo Capello promoveram o #7 ao segundo lugar, mas problemas mecânicos puseram um fim à jornada.

Em 2008, parecia que seria a vez da Peugeot. A marca francesa dominou o treino classificatório e comandava a corrida, sendo que Villeneuve chegou a assumir a ponta após problemas de um de seus companheiros de equipe. Contudo, a chuva se mostrou favorável à Audi, que venceu mais uma vez.

 

Menções honrosas

Michael Andretti: O americano disputou quatro edições, tanto no início da carreira quanto já veterano. Seu melhor resultado foi um terceiro lugar em 83.

Bobby Rahal: Entre 80 e 82, correu três vezes em três carros diferentes. Não conseguiu terminar a prova.

Keke Rosberg: Em 1991, Rosberg largou em segundo lugar com um Peugeot 905, mas quebrou após 67 voltas com problemas de câmbio.

Damon Hill: Filho do único piloto a conquistar a tríplice coroa, disputou a prova por uma única vez, em 1989. Não conseguiu terminar.

Arie Luyendyk: O “holandês voador” também competiu na prova em 1989. Assim como Hill, não viu a bandeira quadriculada.

Carlos Reutemann: Lole competiu em La Sarthe em seu estágio de carreira inicial na F1. Largou em quinto e abandonou.

Jackie Stewart: Outro que apostou no endurance antes de brilhar na F1. Em três participações, conquistou um quarto lugar, em 1953.