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Os revestimentos internos mais inusitados já colocados em automóveis

Se passamos a maior parte do tempo vendo nossos carros por dentro, é natural esperar que o interior seja agradável, não é mesmo — design bonito e funcional; materiais de qualidade; bom acabamento e, claro, um revestimento bacana nos bancos e portas. No entanto, de vez em quando as fabricantes acabam sendo criativas demais neste último quesito. Quando isto acontece, o resultado pode acabar ficando um tanto… esquisito

Ontem (28), perguntamos aos leitores exatamente isto: qual foi o revestimento interno mais inusitado que você já viu em um carro? Vocês foram eficientes e desenterraram alguns revestimentos bem curiosos para a lista de hoje. Nossa sugestão foram os “Mod Top”, revestimentos florais usados pela Chrysler em 1969 e 1970. Agora, vamos ver quais foram suas!

 

Neoprene no Peugeot 207 Quiksilver

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O primeiro contato dos brasileiros com as versões Quiksilver da Peugeot, feitas em parceria com a famosa grife de surfwear, aconteceu em 2000 com o Peugeot 106 Quiksilver. Ele tinha visual esportivo, com novas rodas e body kit idêntico ao do 106 GTI europeu.

No entanto, diferentemente do hot hatch, que tinha um motor de 1,6 litro e 120 cv, o 106 Quiksilver era equipado com o mesmo 1.0 de 50 cv das outras versões. De qualquer forma, o aspecto da versão agradou, e a parceria retornou no 206 e no 207, anos depois.

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E é do 207 Quiksilver, lançado em 2010, a contribuição da Peugeot para esta lista: com teto solar, rodas maiores e máscara negra nos faróis, o hatch emulava personalidade esportiva do lado fora, enquanto o interior recebia acabamento inspirado nas roupas dos surfistas — os bancos, por exemplo, usavam neoprene —  mesmo material das roupas usada por quem costuma pegar umas ondas.

 

Jeans no Chevrolet Chevette (e em alguns outros carros gringos)

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Em 1979, a Chevrolet decidiu apelar para o público jovem ao lançar o Chevette Jeans, edição especial que era exatamente o que o nome dizia: um Chevette comum com interior revestido em jeans. O tecido estava nas portas e nos bancos — estes, com direito a bolsos nas laterais. Além disso, havia adesivos com a inscrição “Chevette Jeans” nos pára-lamas… e só. O Chevette Jeans era despojado, baseado no modelo básico.

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A ideia pode até fazer sentido — jovens usavam (e ainda usam) jeans o tempo todo e, naquela virada de década, buscava identidade própria. Até mesmo o contraste com as versões mais refinadas, como o Chevette SL/E, ajudava nisso. No entanto, como você já deve ter deduzido, o Chevette Jeans não vendeu bem e desapareceu ainda em 1979.

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No entanto, saiba que o Chevas não foi o único carro do mundo a receber uma versão “jeans”.  Nos EUA, o AMC Gremlin ganhou uma edição especial feita em parceria com a famosa fabricante de jeans Levi’s — e, diferentemente do que acontecia com o Chevette, todo o acabamento do interior era azul para combinar com o tecido.

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E se você acha que isto é coisa do passado: em abril deste ano, a VW lançou na Alemanha a edição especial Jeans Up!, que traz faixas azuis na carroceria e, por dentro, revestimento em couro azul que lembra o tecido. Não são feitos de jeans de verdade…

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… ao contrário do Fusca, que teve edições especiais “Jeans” em diversos países ao longo das décadas — em 1974 e 1975 na Alemanha, em 1976 na África do Sul e em 1982, 1995 e 2000 no México.

 

As cores do Renault Twingo

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Se você acha que um bom carro precisa ser bonito, esportivo e veloz, talvez não goste do Twingo. No entanto, é inegável que o pequeno francês revolucionou a forma de aproveitar o espaço interno de um automóvel, sendo um dos mais versáteis e espaçosos subcompactos urbanos já feitos.

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No entanto, além de soluções criativas como o painel digital central ou os bancos sobre trilhos, que permitiam privilegiar espaço para os passageiros ou para a carga, o Twingo tinha como marca o fato de ser um carro lúdico e alegre. Interprete como quiser.

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O caso é que a primeira leva do Twingo, produzida entre 1992 e 2007 na Europa, estreou com um catálogo cheio de cores vibrantes como amarelo, roxo, turquesa e vermelho na carroceria. E os tecidos internos acompanhavam, usando padrões coloridos e geométricos que lembravam um quadro de Kandinsky ou os bancos de um ônibus.

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Naturalmente, nem todo mundo era fã desta ampla variedade cromática, e nos anos que se seguiram o Twingo assumiu uma personalidade um pouquinho mais sóbria, com cores mais discretas por fora (champagne, preto, prata, azul escuro) e tecidos mais conservadores, e até couro, no interior. E isto inclui o Brasil — o Twingo foi vendido aqui de 1994 a 2002 e, a partir de 2000 (ano em que deixou de vir da França e passou a ser importado do Uruguai), abandonou a paleta colorida para assumir cores mais discretas.

 

Fiat 500 Jolly e seus bancos de vime

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O Fiat 500 não é apenas o pequeno automóvel de visual simpático com motor traseiro refrigerado a ar que colocou a Itália sobre rodas depois da Segunda Guerra: ele também é um símbolo cultural da península, e um modelos da Fiat mais vendidos em todos os tempos.

Seu sucesso e sua simplicidade inerente davam à Fiat certa liberdade para brincar com a configuração da carroceria. Além da versão perua Giardinera e do furgão Furgo (que era, em essência, uma Giardinera com janelas traseiras opacas), havia o 500 Jolly, versão apresentada em 1957 que era simplesmente um 500 sem portas, com o teto cortado e cadeiras de vime no lugar dos bancos, iguais àquelas na varanda da casa da sua avó.

O pequeno motor de dois-cilindros, 479 cm³ e 16,5 cv não tinha problemas para mover os pouco mais de 450 kg do 500 Jolly, que foi pensado como um veículo de lazer. Conta-se que os altos executivos da Fiat o adoravam, levando o 500 Jolly a bordo de seus iates para usá-los como buggy de praia. Dá para imaginar uma cesta de piquenique no porta-malas, não é?

 

Citroën 2CV: bancos ou cadeiras de praia?

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Se os bancos do Fiat 500 Jolly pareciam cadeiras de vime para usar na praia e em piqueniques, no caso do Citroën 2CV, eles eram feitos exatamente para isto.

Tal qual o Fiat 500, o Citroën 2CV era um carro popular leve, barato e básico, feito sob medida para uma França que lutava para se reerguer depois da Segunda Guerra Mundial. Ele só trazia o básico necessário para ser considerado um automóvel, e era tão simples que podia ser desmontando quase completamente sem a ajuda de ferramentas e ficou conhecido como “guarda-chuva” sobre rodas.

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No entanto, como todo produto que nasce da necessidade e não da vaidade, o 2CV era cheio de soluções criativas para torná-lo ainda mais prático. Uma dela eram os bancos que, nas versões mais frugais, não passavam de armações de metal com molas nos assentos. Eles eram removíveis e podiam ser usados como cadeiras quando se viajasse a lazer para a praia ou para o campo. A publicidade da época até encorajava o hábito.

 

Renault Sandero Tweed

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Difícil não olhar com carinho para o Renault Sandero hoje em dia. A versão esportiva RS, com seu motor 2.0 de 150 cv a 5.750 rpm e 20,9 mkgf de torque a 4.000 rpm ajuda bastante nisso, mas é notável como a segunda geração do hatch evoluiu, esteticamente, em relação à primeira — que, como popular, não era um carro ruim e ainda trazia espaço interno superior. Só não era um carro muito bonito ou bem acabado.

O RS também é bem mais bacana do que as edições especiais que o Sandero tinha na geração passada. Neste top, cabe lembrar do Sandero Tweed, que como o nome dizia, trazia detalhes do acabamento dos bancos e portas no tradicional tecido europeu. A estampa era o famoso pied de poule, padrão preto-e-branco criado pela famosa estilista francesa Coco Chanel..

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O visual do interior não era ruim, mas acabava meio deslocado considerando que a edição limitada era baseada no Sandero Stepway, versão de apelo aventureiro com suspensão elevada, molduras nos para-lamas,  para-choques pretos e bagageiro no teto.

 

Chrysler “Corinthian Leather”

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Em 1975, o carro de luxo da Chrysler era o Cordoba, cupê equipado com um motor V8 de 5,2 a 6,6 litros (318 a 400 polegadas cúbicas). No entanto, a metade da década de 1970 foi marcada pela crise do petróleo e pelo declínio do poder de compra dos americanos. Além disso, a Chrysler sofria com a reputação de uma marca defasada, com motores obsoletos e qualidade de construção acima da média.

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Em uma tentativa de manter fiéis seus clientes mais ricos e aproveitando que carros esportivos estavam em baixa no mercado, a Chrysler decidiu apelar para a imagem luxuosa do Cordoba. Uma das características valorizadas em suas campanhas comerciais era o “Corinthian Leather”, citado com eloquência nas propagandas de TV que tinham como porta-voz o ator mexicano Ricardo Montalban, famoso por seu papel na trilogia Star Trek.

O mais irônico é que o tal “Corrrinthian Leather” não vinha de Coríntio, na Grécia, como a propaganda dava a entender sem pudor algum — o revestimento era fornecido por um curtume de Newark, estado de Nova Jersey. Só que não é tão legal comprar um carro com “New Jersey Leather”, né?

 

O  belo veludo do Passat “Iraque”

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O Volkswagen Passat de primeira geração tem uma história bem conhecida aqui no Brasil. Lançado em 1974 (um ano depois de sua estreia na Europa) e produzido até 1988, o médio da VW teve diversas versões marcantes, como as esportivas TS e GTS Pointer ou o hatchback de três portas, de 1976, que foi o primeiro hatch de motor dianteiro da marca. No entanto, o tema de hoje é uma versão mais desconhecida porquem não é fã do Passat: o modelo Iraque ou Iraquiano.

Ele foi produzido entre 1983 e 1988, com destino ao Oriente Médio — não apenas para o Iraque, diga-se. Foram fabricados cerca de 170 mil exemplares para exportação e, como curiosidade, os carros eram pagos à VW do Brasil em petróleo, que era revendido para a Petrobras.

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O brasileiro já podia comprar o Passat de quatro portas desde 1975, na versão LSE. No entanto, a partir de 1983, a VW passou a vender por aqui os carros que sobravam da produção destinada ao Oriente Médio, o que acabou lhe rendendo o apelido. Eram carros um pouco diferentes dos vendidos aqui — o motor, em vez do AP600 de 85 cv, era o MD270 de 72 cv, e o câmbio tinha quatro marchas em vez de cinco.

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No entanto, o que mais chamava a atenção era a cor do interior, todo em veludo vinho de alta qualidade — exigência do público do Oriente Médio que acabou fazendo sucesso por aqui, apesar de ser um tanto exagerada para o gosto dos brasileiros.  Com o fim do Passat de primeira geração no Brasil, em 1988, também veio o fim da versão Iraque.

Só um detalhe importante: quando o carro tinha carroceria na cor azul, o revestimento interno era cinza. Vai entender…

 

Chevrolet Chateau

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Lançado em 1977 como modelo 1978, o Chevrolet Opala Chateau era uma versão monocromática que combinava o revestimento de veludo do interior com a cor vinho da carroceria — não é difícil, portanto, entender o apelido.

Segundo consta, a ideia era uma tentativa de emular o visual dos carros americanos, nos quais não era difícil encontrar acabamento monocromático azul, verde, vermelho e marrom, entre outros. No Opala, consistia em tecido ou vinil vinho nos bancos e revestimentos em porta, além de carpetes e revestimento de painel combinando. Nas primeiras unidades, mais raras, o volante era preto, mas não demorou para que a Chevrolet começasse a equipar o Opala Chateau com volante combinando.

O acabamento Chateau estava disponível para as versões Comodoro e De Luxo do Opala de duas ou quatro portas, e também para a Caravan. No entanto, a ideia não foi muito bem recebida aqui no Brasil. Não se sabe quantas unidades foram equipadas com o opcional, mas estima-se que não passa de poucas centenas (ou mesmo dezenas).

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No entanti, isto impediu a Chevrolet de, dez anos depois, relançar o Opala Chateau para os anos de 1988 e 1989. Novamente disponível para Opala e Caravan e novamente um fracasso, o opcional desapareceu de vez antes do fim do Opala, em 1992. Hoje em dia, no entanto, o interior Chateau é muito cobiçado por fãs e colecionadores — alguns, dispostos a pagar quase o dobro do preço de um exemplar semelhante só por causa da raridade.

Couro de pênis de baleia

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Sim, pênis de baleia. Foi isto o que a fabricante independente Dartz Motorz (assim, com “z” mesmo), da Letônia, prometeu ao anunciar seu super-utilitário Prombron. A ideia era oferecer o utilitário blindado mais caro do mundo, do tipo que só é comprado por ditadores e astros de Hollywood  desprovidos de bom senso.

Assim, o Dartz Prombron é praticamente um bunker sobre rodas equipado com um motor V8 ou V12 construído pela AMG, capaz de suportar tiros de lança-granadas e minas terrestres. O que não o impede de ter pintura especial matte ou perolizada; diamantes encrustados na grade dianteira, nas laterais no painel; pedras preciosas no cluster de instrumento e, claro, o famoso couro de pênis de baleia. Só que este último acabou não virando realidade.

A pele extraída do prepúcio de cetáceos seria usada para revestir os bancos e portas. No entanto, o anúncio do material (que foi feito através de um press release divulgado em novembro de 2009) revoltou ambientalistas e acabou conseguindo notoriedade para a Dartz na época. Naturalmente, a empresa decidiu retirar a oferta e deixou de oferecer o opcional antes mesmo de o Prombron começar a ser vendido. Ainda bem.

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