A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Sessão da manhã

Os segredos de engenharia do Lancer Evolution III que competiu no WRC em 1996

Uma das maiores lendas do WRC é o Mitsubishi Lancer Evolution, que entre 1996 e 1999 conquistou quatro títulos de pilotos (todos com Tommi Mäkinen) e um título de construtores (em 1998, com o Evo V).

O primeiro deles foi com o Lancer Evolution III, carro que competiu em 1996. Já contamos aqui como era a versão de homologação para as ruas, mas se você quiser ver em detalhes como era o carro de rali, esta é uma das melhores oportunidades: Bob Riley, da RalliArt Australia, foi um dos envolvidos no projeto, e sabe como poucos explicar todas as modificações feitas para que o Evo III passasse de um sedã esportivo a um campeão nos ralis.

E ele fala tudo neste ótimo vídeo feito pelos caras do canal australiano CarTorque. Além de ser um dos engenheiros da RalliArt Australia, ele foi o resposnsável por supervisionar os carros que competiram no WRC de 1998 a 2003. Ele não está falando besteira.

Ele começa dizendo o que você provavelmente já sabia (ou ao menos desconfiava): seguindo as regras do Grupo A da FIA, o Evo III era baseado em um monobloco exatamente igual ao dos carros de rua, mas todo o resto era diferente — dos componentes da suspensão, que em vez de buchas de borracha usava uniballs (permitindo regulagem onboard, a fim de alterar a geometria da suspensão em tempo real de acordo com as condições da pista e do carro) ao motor, passando por freios, elementos aerodinâmicos e interior.

motor-lancer

O motor era um quatro-cilindros de 1.997 cm³, o famoso 4G63, que no Evo III de rua entregava 270 cv e 31 mkgf de torque. Na versão de competição, porém, os números eram mais generosos: 300 cv a 6.200 rpm e impressionantes 45 mkgf de torque a 4.000 rpm. O aumento de potência era conseguido graças à taxa de compressão mais elevada (9,5:1) e à pressão do turbo, que não era revelada na época, mas Riley diz ficar em torno de 2 bar. O motor era acoplado a uma transmissão manual de seis marchas da Xtrac, do tipo dog leg — com as marchas ímpares para baixo e as pares para cima.

interior

Um dos grandes segredos do Evo III do WRC, porém, eram os diferenciais central e traseiro ativos. Com a ajuda de um sensor na coluna de direção que media o ângulo de esterçamento, e outro sensor nas rodas traseiras para medir a velocidade do carro, um computador posicionado na parede corta-fogo determinava a aplicação do bloqueio dos diferenciais. Com isto, poucos carros eram tão estáveis e rápidos nas curvas quanto o Evo III, que também era um dos mais rápidos nas retas ao chegar a até 260 km/h.

atras

O interior, como todo carro de competição, era totalmente aliviado, com boa parte dos acabamentos removida, gaiola de proteção, bancos e cintos de competição. Uma das maiores novidades, porém, era o computador de bordo que mostrava em tempo real as condições do carro e do motor, como a temperatura e pressão dos fluidos. Como Riley demonstra, os números ficavam vermelhos quando se chegava a condições críticas — assim o piloto sabia que era hora de desligar o carro.

goal

Riley participou todo o processo de construção do carro que aparece no vídeo, que é idêntico ao Evo III que foi o terceiro colocado no Rali Hong Kong-Pequim em 1996, com Kenjiro Shinozuka ao volante. Os outros dois carros eram de Ari Vatanen, o vencedor, e Richard Burns o segundo colocado. A vitória foi uma das maiores conquistas do carro, ainda que, na época, não fizesse parte do WRC.

 

Matérias relacionadas

RS Fest – todas as gerações do Porsche 911 RS juntas em um único teste!

Dalmo Hernandes

Hennessey Performance: por dentro da preparadora mais extrema dos EUA

Dalmo Hernandes

Chevrolet Corvette Z06 vs. Nissan GT-R Nismo: qual dos dois supercarros de motor dianteiro é o melhor?

Dalmo Hernandes