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Os supercarros “alternativos” mais espetaculares que o dinheiro pode comprar

Ontem (14) perguntamos aos leitores quais eram os supercarros “alternativos” mais legais que o dinheiro poderia comprar — aqueles superesportivos feitos por fabricantes independentes, em quantidade limitada (ou até sob encomenda), muitas vezes de forma artesanal.

Nossa sugestão (e inspiração) foi o Ultima Evolution — afinal, o que é mais alternativo do que um supercarro de 1.036 cv que você pode montar na garagem da sua casa? Contudo, tínhamos certeza de que vocês conheciam vários outros, e não estávamos errados. Confira a lista com as melhores sugestões!

Wiesmann GT MF5

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O conceito de beleza é subjetivo, claro, mas achamos que dá para afirmar, sem medo de falar besteira, que o alemão Wiesmann GT não é um carro bonito no sentido tradicional da palavra. Contudo, por alguma razão suas proporções retrô, com capô longo, traseira curta e para-lamas pronunciados é bastante agradável aos olhos, mesmo com tanta informação — os faróis com elementos expostos, as curvas extravagantes ao longo da carroceria e os componentes aerodinâmicos ativos, por exemplo. Tem algo nele que nos atrai.

Wiesmann GT MF5

Ainda que o visual seja grande parte da experiência de se ter um supercarro, porém, o conjunto mecânico do Wiesmann GT definitivamente não faz feio: trata-se do V8 S63 da BMW — a versão usada nos atuais X5M e X6M, com 555 cv a 6.000 rpm e 69,3 mkgf de torque entre 1.500 e 5.650 rpm. O motor é acoplado a uma caixa automática de seis marchas, também de origem BMW. E o que um supercarro com motor de SUV e câmbio automático é capaz de fazer? Bem, ele vai de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos, com máxima de 311 km/h. Contudo, a Weismann se orgulha mesmo é do sistema de suspensão, com braços sobrepostos do tipo “duplo-A” na dianteira e na traseira — segundo a marca, seus carros grudam no asfalto como lagartixas na parede, e por isso o emblema da Wiesmann é uma… lagartixa.

Infelizmente, a Wiesmann foi liquidada em maio do ano passado, o que significa que, se você quiser um, vai ter que procurar um exemplar usado.

 

Saleen S7

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A americana Saleen, que começou a carreira preparando modelos da Ford (especialmente o Mustang) foi uma das poucas companhias que conseguiram fazer a transição de preparadora a fabricante de automóveis, desenvolver um supercarro do zero – sem usar outros modelos como base para estrutura e carroceria – e vendê-lo com relativo sucesso. Com exceção do conjunto mecânico e de algumas peças de acabamento, tudo no Saleen S7, que foi vendido entre 2000 e 2009, foi criado e fabricado pela Saleen.

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A primeira versão, vendida até 2004, usava o motor V8 big block 427 da Ford, todo de alumínio e preparado para entregar 550 cv a 6.400 rpm. Era o bastante para acelerar até os 100 km/h em 3,3 segundos, com máxima de 386 km/h. O segredo? A estrutura do tipo “favo de mel” feita de aço ultra-leve e a carroceria de fibra de carbono garantem que o peso do carro seja de apenas 1.247 kg, bastante leve para um supercarro.

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Em 2005 a Saleen promoveu uma atualização que, na verdade, nada mais fez do que incorporar algo que já era previsto desde o início do desenvolvimento do S7: dois turbocompressores, que elevaram a potência para 750 cv — o S7 Twin Turbo agora chegava aos 100 km/h em 2,8 segundos, com máxima de 399 km/h.

 

Noble M600

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Um motor V8 Volvo não é o tipo de coisa que se espera de um supercarro, mas é exatamente este o motor do Noble M600, lançado em 2010. Se o nome Noble não lhe é estranho, fique tranquilo: o criador do M600 foi Lee Noble, o cara por trás do Ultima GTR — ou seja, ele tem credenciais.

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O M600 é outra bela prova disso. Lançado em 2010 como modelo 2011, ele tornou-se o queridinho da imprensa automotiva internacional (e até do Top Gear) graças ao seu belo visual e ao desempenho do motor V8 Volvo. O chamado B8444S, que equipa o Volvo XC90 e o S80, recebeu um par de turbos com pressão variável — por um seletor no cockpit é possível escolher entre 456 cv (modo Road, com 0,6 bar de pressão); 550 cv (modo Track, com 0,8 bar) e 650 cv (modo Race, com 1 bar). Acoplado a uma caixa manual de seis marchas (YEAH!), em potência máxima o Noble M600 consegue chegar aos 100 km/h em três segundos cravados, com máxima de 362 km/h.

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É claro que, sendo um carro feito de forma artesanal por uma fabricante pequena, o M600 não é livre de defeitos (ou melhor, características): aparentemente os retrovisores atrapalham a visão nas curvas, e a falta de freios ABS torna fácil demais travar as rodas e perder o controle do carro. Não que isto chegue perto do próximo item da lista…

 

TVR Sagaris

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Vocês não achavam que ele iria ficar de fora, acharam? O Sagaris foi o último grande TVR fabricado antes de a companhia entrar em hiato, em 2006. Estamos falando de um monstro de fibra de vidro feito para competições de endurance, mas que acabou se tornando um dos esportivos mais extremos do planeta.

Para começar, seu seis-em-linha Speed Six, desenvolvido de maneira independente e inspirado no motor da Suzuki GSX-R750M — com comando duplo no cabeçote, 24 válvulas e corpos de borboleta individuais — entrega 405 cv a 7.000 rpm, sem qualquer tipo de indução forçada. Além disso, o único câmbio disponível é um manual de cinco marchas, e a TVR dispensou qualquer tipo de assistência ao motorista: nada de controle de estabilidade ou tração, ou mesmo itens de segurança como freios ABS e airbags.

Até seu nome é poderoso: “sagaris” vem da Grécia antiga, e é o nome de um machado que os antigos guerreiros usavam para penetrar as armaduras de seus inimigos. Nada mais justo para um superesportivo capaz de chegar aos 100 km/h em 3,7 segundos com máxima de 298 km/h que quer te matar a qualquer momento.

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Desde junho de 2013, o novo proprietário da TVR (um empresário britânico chamado Les Edgar) diz estar preparando a volta da marca à produção de automóveis. Esperamos que o Sagaris esteja incluso nos planos.

 

Caparo T1

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Um dos maiores problemas das fabricantes independentes de supercarros é a oferta maior do que a demanda — problema enfrentado pelo Caparo T1, por exemplo. Este monstro britânico foi feito para ser um carro de Fórmula 1 legalizado para as ruas, simples assim: ele só duas pessoas, com o passageiro atrás do motorista; o acesso é feito erguendo-se o canopi (ou removendo-0 completamente), os para-lamas são meras coberturas para as rodas e não há quaisquer itens de luxo ou conforto: apenas bancos concha, cintos de seis pontos (compatíveis com o dispositivo HANS usado na maioria das categorias de topo do automobilismo) e os comandos necessários para controlar o carro.

O motor é um V8 desenvolvido pela equipe americana Menard, que tem histórico na Nascar e na Fórmula Indy, e desloca 3,5 litros. Com cabeçote de 32 válvulas e cárter seco, ele entrega 583 cv a estratosféricas 10.500 rpm — some a isto o peso de apenas 470 kg (!), a relação peso/potência é de 1.241 cv/tonelada.

Some a isto a carroceria aerodinâmica de fibra de carbono projetada para gerar quase 900 kg de downforce em alta velocidade, o 0-100 km/h em menos de 2,5 segundos e a velocidade máxima de 330 km/h e não fica tão difícil entender porque a Caparo Vehicle Technologies não conseguiu cumprir a meta de 25 unidades vendidas por ano desde que o T1 foi lançado, em 2007: até 2012, só 16 pessoas tiveram colhões para levar um deles para casa.

 

Lister Storm

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Ao olhar para ele você pode não perceber, mas o Lister Storm tem um motor V12 na dianteira. E mais: foi o maior V12 já instalado em um carro produzido em série desde a Segunda Guerra Mundial: um leviatã de sete litros, de origem bastante nobre — os protótipos XJR da Jaguar, que competiram nos anos 90.

O próprio Storm foi feito para as pistas: versões de competição correram nas 24 Horas de Le Mans, Nürburgring e Daytona, além dos 1.000 km de Suzuka, mas seu melhor resultado foi um 19º lugar em Le Mans em 1996. Para homologação dos carros de corrida, foram fabricados quatro exemplares para as ruas.

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Com 550 cv e 80,5 mkgf de torque, o Storm era capaz de chegar aos 100 km/h em 4,1 segundos. Contudo, sendo um carro caríssimo para a época — custava US$ 350 mil em 1996, o que em dinheiro de hoje equivale a US$ 520 mil, ou R$ 1,75 milhão — apenas quatro exemplares foram produzidos.

 

Pagani Zonda

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Se a Lamborghini surgiu da teimosia de Enzo Ferrari, podemos dizer que a Pagani nasceu da teimosia da Lamborghini. Nos anos 1980 Horacio Pagani era funcionário da Lamborghini e tentou convencer a empresa a comprar uma autoclave para curar fibra de carbono e adotar o compósito na fabricação do Countach Evoluzione. A Lamborghini negou, então Pagani bancou uma autoclave do próprio bolso e saiu da fábrica para abrir sua própria empresa, a Modena Design, que em 1992 se tornou a Pagani Automobili Modena.

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Depois de sete anos de trabalho ele finalmente apresentou o Pagani Zonda C12 no Salão de Genebra de 1999. Inicialmente o Zonda usava um motor V12 de seis litros da Mercedes, com 394 cv e combinado a um câmbio manual de cinco marchas. Com esse conjunto o supercarro de Pagani era capaz de chegar aos 100 km/h em 4,2 segundos. Foram feitos somente cinco desses carros e um deles foi usado para crash-tests.

Em 2002 o Zonda começou a tomar a forma que o deixou famoso: o motor 6.0 deu lugar a um 7.0 preparado pela AMG para produzir 550 cv. Com o novo motor o Zonda S passou a acelerar de zero a 100 km/h em 3,5 segundos e chegava à máxima de 335 km/h. No mesmo ano veio o Zonda S 7.3, que trocou o motor 7.0 preparado pela AMG por um 7.3 construído pela divisão esportiva da Mercedes. Apesar do aumento de 5 cv, a Pagani afirma que o desempenho é o mesmo do 7.0.

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Desde então o Zonda sobreviveu à base de edições especiais — modelos customizados sob medida para clientes extremamente ricos ou séries comemorativas. O Pagani Zonda 760LH, roxo por dentro e por fora e equipado com um câmbio manual em vez da caixa sequencial normalmente empregada no Zonda, é um exemplo; enquanto o Zonda Final Edition, produzido entre 2010 e 2011 para marcar o fim da produção do superesportivo, é outra.

 

Hennessey Venom GT

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Embora não tenha pedigree das pistas, você pode encarar o Hennessey Venom GT como uma versão moderna do Shelby Cobra. Assim como o clássico de Carroll Shelby, ele também foi construído por um texano obcecado por velocidade que decidiu colocar um enorme motor americano em um equilibrado chassi inglês. Nesse caso, a base foi o Lotus Elise, enquanto o motor é um Chevrolet V8 LSX de sete litros com dois turbocompresores Precision que produz nada menos que 1.261 cv!

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A instalação do motor deve ter sido como estacionar um ônibus em uma vaga de shopping, e exigiu toda a reconstrução da traseira do carro. O resultado, contudo, valeu muito o esforço: o Venom GT se tornou um dos carros mais rápidos do planeta ao atingir 435 km/h em 2013. Ele também é o carro mais rápido do mundo a chegar aos 300 km/h, precisando de apenas 13,83 segundos isto.

 

Mosler MT900S

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Fundada em 1985, a Mosler Automotive fez somente uns poucos carros bem bizarros até 2001, quando lançou o MT900, seu primeiro supercarro de verdade. O esportivo é uma criação de Rod Trenne, que havia trabalhado no projeto do Corvette C5 nos anos 1990, e é equipado com um LS6 de 5,7 litros e 600 cv combinados a um transeixo ZF projetado originalmente para a Porsche.

Com esse conjunto o Mosler MT900S vai de zero a 100 km/h em 3,5 segundos e chega à máxima de 288 km/h limitada pela relação da sexta marcha. Seu nome vem das iniciais de Mosler, Trenne e do peso que a dupla pretendia para o modelo, 900 kg — no fim, o carro ficou um pouco mais pesado, com 998 kg sem fluidos. Com visual limpo e superfícies planas o coeficiente aerodinâmico era 0,25.

A produção do MT900S foi encerrada em 2011 e teve pouco mais de 35 unidades construídas e vendidas a US$ 164.000. A primeira delas foi vendida ao diretor de cinema George Lucas.

 

Spyker C8 Aileron

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Como é comum acontecer com supercarros alternativos, o holandês Spyker C8 é basicamente o mesmo carro há um tempo considerável — no caso desde 2000. Nestes 15 anos, ele manteve a silhueta básica e o design extravagante, com entre-eixos longo, diversas entradas de ar e elementos cromados. A inspiração veio da aeronáutica (note as tomadas de ar em forma de turbinas), pois a Spyker começou como uma fabricante de carrocerias na Holanda em 1880, mas nos início do século 20 passou a fabricar aviões de combate para a Primeira Guerra Mundial.

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A última versão do C8, chamada Aileron, foi apresentada em 2009. O motor é o mesmo V8 de 4,2 litros e 400 cv de origem Audi. Acoplado a uma caixa automática de seis marchas (com a característica alavanca com mecanismo exposto, marca dos Spyker), o motor é capaz de levar o C8 aos 100 km/h em 4,5 segundos, com máxima de 400 km/h.

 

Gumpert Apollo

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Como o Spyker C8, o Gumpert Apollo usa um V8 Audi de 4,2 litros, porém equipado com dois turbocompressores e um intercooler para entregar até 800 cv, acoplado a uma caixa sequencial de seis marchas. Faz sentido, porque enquanto o Spyker quer ser um supercarro de visual excêntrico com apelo luxuoso, o negócio do Apollo é acelerar até o limite — o seu e o do carro. Seu visual quase caricato, com linhas para lá de agressivas e rodas enormes, dão a impressão de que ele surgiu de um jogo de videogame.

Só que ele é bem real, e seu desempenho também: o modelo “básico”, com 650 cv, é capaz de chegar aos 100 km/h em apenas 3,1 segundos, com máxima de 360 km/h. Quer mais? A versão Sport, com cerca de 700 cv, foi o carro mais rápido na pista de testes do Top Gear em julho de 2008, com um tempo de 1:17,1 — desde então, superado apenas por nomes como Bugatti Veyron Super Sport, Lamborghini Aventador e McLaren 12C.

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A Gumpert pediu falência ao governo alemão em 2012, mas continuou fabricando carros até meados de 2013. Hoje, nem mesmo o site da companhia está ativo.

 

BAC Mono

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A Briggs Automotive Company foi fundada em 2009 no Reino Unido, e seu primeiro produto foi o BAC Mono, lançado em 2011. Desde então, o frugal esportivo equipado com um quatro-cilindros de 2,3 litros — o Ford Duratec, preparado pela Cosworth — acumulou elogios da imprensa especializada: gente como Jeremy Clarkson e Steve Sutcliffe, da Autocar, já manifestaram seu apreço por ele.

Mesmo que o Mono tenha deformado o rosto de Jezza

E se você duvida que algo equipado com um quatro-cilindros usado no Ford Focus possa ser considerado um supercarro, prepare-se: o-100 km/h em 2,8 segundos, máxima de 274 km/h e 1:14,3 na pista do Top Gear, garantindo-lhe a segunda posição na lista de carros mais velozes já testados pelo programa.

 

Koenigsegg Agera

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Se hoje a Koenigsegg tem no currículo um hipercarro de 1.500 cv que não usa uma transmissão convencional para levar esta força às rodas, é por causa deste cara: o Agera, apresentado em 2011 como sucessor do CCX, e equipado com um V8 de cinco litros biturbo capaz de entregar 940 cv — o bastante para chegar aos 100 km/h em 2,8 segundos, com máxima de 420 km/h.

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Produzido até 2014, o Agera serviu como base para outros modelos, como o Agera R, de 1.140 cv, e o One:1, que tem este nome porque pesa 1.360 kg e tem 1.360 cv — relação peso-potência de 1 kg/cv. O design de todos eles é praticamente o mesmo (o que não é exatamente algo ruim) e, em comum, todos têm carroceria de fibra de carbono e Kevlar e o motor, ainda que em diferentes níveis de preparação.

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