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P4 by Norwood: um protótipo clássico da Ferrari que você pode comprar zero-quilômetro

Quando você tem muita grana e quer comprar um carro, mas um superesportivo não é exclusivo o bastante, o que você faz? Uma solução é fugir das grandes fabricantes e comprar algo alternativo — um carro feito de forma artesanal, sob medida. Algo como o P4 by Norwood, esportivo de visual clássico inspirado nas belíssimas Ferrari P4 que competiram nas provas de longa duração dos anos 60.

Nós já contamos a história da Ferrari 330 P4 no FlatOut. Ela nasceu em 1967, um ano depois que Henry Ford II e Carroll Shelby acabaram com a festa dos italianos ao vencer as 24 Horas de Le Mans com o Ford GT40. Enzo Ferrari convocou o engenheiro-chefe da Scuderia, Mauro Forghieri, e deu uma ordem simples: construir um carro que superasse o prodígio anglo-americano.

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Você pode ler a história toda aqui, mas o essencial é o seguinte: a 330 P4 apostava em um V12 de três litros com injeção mecânica e 450 cv para superar o grande V8 de sete litros carburado de 500 cv do GT40. Como sabemos (a história está toda aqui), porém, os italianos não conseguiram vencer a Ford em Le Mans.

Por outro lado, isto não faz da 330 P4 um carro menos especial. Só fizeram três exemplares e, apesar de não vencer em La Sarthe, as P4 conquistaram uma vitória tripla nas 24 Horas de Daytona e uma dobradinha em Monza — além de ficar com o título do WSC em 1967. Sem falar na exuberância de suas linhas e no ronco de seu motor.

Não é à toa que, nas raras ocasiões em que trocam de mãos, as P4 costumam ser vendidas por cifras impressionantes — como da última vez, em 2009, quando a RM Sotheby’s leiloou um exemplar por US$ 12,4 milhões, ou cerca de R$ 43 milhões. É muito, muito dinheiro, ainda que o carro valha cada centavo.

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Dito isso, o P4 by Norwood é uma solução mais acessível para quem quer uma Ferrari P4 na garagem. Não que seja exatamente barato: estamos falando de um carro que custa pelo menos US$ 275 mil, ou por volta de R$ 960 mil em conversão direta. Por outro lado, o capricho na execução justifica cada centavo.

A Norwood começou suas atividades em 1985, quando o fundador da empresa, o texano Bob Norwood, começou a restaurar e realizar manutenção em Ferrari clássicas, como a 288 GTO e a 308. Não muito tempo depois, a oficina começou a construir carros inspirados na Ferrari P4. O primeiro ficou pronto ainda nos anos 80, e serviu como template para os que vieram depois. Não foram muitos: a Norwood concentra suas atividades na manutenção de Ferrari genuínas, e só começa a construir um novo carro quando há uma encomenda.

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Não é para menos: a cada novo P4 by Norwood que é construído, não são economizados recursos. O chassi e os componentes da suspensão por braços sobrepostos são feitos de cromo-molibdênio a partir do projeto original, recriado em CAD. A carroceria poderia, muito bem, ser de fibra de vidro, mas a Norwood optou pelo alumínio para garantir a maior fidelidade possível ao projeto original, ainda que as linhas não sejam uma cópia 100% exata da P4 dos anos 60. Na verdade, a companhia não chama seu carros de “réplicas”, preferindo dizer que eles são “inspirados pela P4 legítima”.

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O mais legal é que não há nada nos carros que denuncie sua verdadeira idade em uma primeira olhada. As rodas de magnésio, feitas in house, têm visual clássico. O interior não conta com itens de conforto, nem nada que destoe de um carro de corrida dos anos 60 — até a manopla do câmbio é feita de madeira.

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Nós até compreenderíamos se o motor atrás dos bancos fosseo um V8 americano, por exemplo (definitivamente isto não seria algo ruim), mas estamos falando de especialistas em Ferrari. Nada mais natural que a mecânica seja autêntica. Por isso, os carros usam motores italianos, ainda que não sejam antigos.

O carro que ilustra esta matéria, por exemplo, usa o V12 de 5,7 litros da Ferrari 575M Maranello. Originalmente, o motor desenvolve 515 cv a 7.250 rpm e 60 mkgf de torque a 5.250 rpm — e o fato de ser possível extrair perto de 600 cv do V12 sem modificações exageradas foi um dos fatores que levaram à escolha.

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Outro motivo foi a confiabilidade. De acordo com a Norwood, o V12 da 575M é um dos “menos temperamentais” fabricados pela Ferrari. O câmbio, por outro lado, é um Porsche G50 manual de cinco marchas, usado no Porsche 911 dos anos 90. Não precisamos pensar muito para perceber que a réplica é mais veloz que o original.

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A construção de cada carro demora cerca de doze meses. Cada peça é numerada e etiquetada, e a montagem de cada um dos sistemas do carro é realizada à mão, com interferência mínima de máquinas. Além disso, cada pequeno detalhe do carro é feito de acordo com as especificações do cliente. Dito isto, fica bem mais fácil entender o preço equivalente a quase R$ 1 milhão — e a necessidade de fazer uma encomenda e dar um gordo sinal para que o trabalho da Norwood comece.

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