FlatOut!
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Vídeo Zero a 300

Pare o que estiver fazendo e ouça o ronco do motor aircooled de 500 cv Singer-Williams

Já não aguenta esta quinta-feira modorrenta e está aguardando ansiosamente o fim de semana? Não se preocupe, caro leitor, pois temos algo que vai tornar a espera pelo amanhã mais tolerável: o ronco do motor aircooled de 500 cv que a Singer Vehicle Design está desenvolvendo em parceria com a Williams Racing Engineeringaka Williams Martini Racing aka “equipe Williams da Fórmula 1”. Lembra quando a Porsche fez aquele V10 para a F1, mas o projeto acabou abortado e virando o motor do Carrera GT? Agora o jogo virou.

As duas empresas não revelam muito a respeito do projeto além de algumas fotos e informações – e, ao menos por enquanto, já sabemos tudo o que há para saber. Quer dizer, quase tudo: até agora, a gente não tinha ouvido o ronco do flat-six arrefecido a ar.

Até agora. Aprecie os próximos 36 segundos como se deve: em alto volume, idealmente com fones de ouvido.

De acordo com o Youtube, até agora menos de 200 pessoas assistiram a este vídeo – existem sete bilhões de pessoas no mundo, e cerca de 60% delas têm acesso à internet então sinta-se privilegiado. Afinal, o que este povo todo estava fazendo que não parou por meio minuto para ouvir a sinfonia destes seis cilindros? O ronco é alto, tem um timbre belíssimo e é rouco e borbulhante na medida certa. Não é muito grave, nem muito agudo – é um “tenor” muito bem afinado.

O vídeo aparentemente é um teste simples, para avaliar o comportamento do motor sob aceleração e a dinâmica do carro – até porque o motor já tem suas características fundamentais e seus números de rendimento mais ou menos definidos. No entanto, é importante realizar acertos finos até o último instante, para garantir que tudo esteja em ordem quando for a hora de instalar o flat-six no carro de forma definitiva.

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A “mula” usada para testar o motor também merece comentários: pelo desenho da dianteira e dos para-choques, trata-se de um Porsche 911 Turbo da geração 964, que foi produzido entre 1990 e 1994 e teve 3.660 unidades fabricadas. A escolha é natural: a esmagadora maioria dos carros reconstruídos pela Singer é da geração 964 – eles não são tão raros e valiosos quanto o 911 original, e são mais fiéis a ele do que o 993.

O que chama a atenção, porém, são as modificações: os para-lamas foram alargados de forma rústica e agressiva, com um estilo que mistura Porsche 934 (a versão de corrida do Porsche 911 feita de acordo com as regras do Grupo 4 de turismo) e 911 GT2. Os para-choques não acompanham o arco dos para-lamas, que ainda estão cobertos com primer. Os para-lamas traseiros têm entradas e saídas de ar que proveem escoamento aerodinâmico e ajudam a direcionar ar frio para o motor (afinal, não há radiador!). O carro é largo, muito largo, e não lembra muito o Porsche 911 Targa laranja que, a princípio, ouvimos dizer que receberia o primeiro motor.

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Na filmagem onboard no início do vídeo vemos a moldura do painel do 964 (possivelmente uma réplica) e, no quadro de instrumentos, um painel digital – um lembrete de que, embora seja arrefecido a ar e usado como base um boxer fabricado em 1991,  o motor Singer-Williams não é completamente old school: tem admissão de fibra de carbono inspirada nos 911 de corrida, com dutos nas janelas traseiras; cabeçotes com quatro válvulas por cilindro (algo que o nine-eleven só ganhou depois que adotou o arrefecimento líquido) e fluxo melhorado; injeção eletrônica; corpos de borboleta individuais e bielas de titânio.

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Outro lembrete: quem trabalhou em seu desenvolvimento foi Hans Mezger, que como já dissemos foi o cara responsável pelo flat-8 do Porsche 908, pelo flat-12 do Porsche 917, pelo V6 TAG turbo da McLaren, e pelo flat-6 do Porsche 911 original. Até arriscamos dizer que, caso a Porsche tivesse insistido nos motores arrefecidos a ar, atualmente teríamos algo bem parecido com o motor Singer-Williams.

Se estamos loucos para ver e ouvir mais deste motor? Pode apostar!

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