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Sessão da manhã

Pegue uma carona em um sonoro Alfa Romeo GTAm de competição

Quando se fala em Alfa Romeo, é fácil se perder em um emaranhado de palavras românticas como “alma”, “paixão” e “beleza” e esquecer que são carros totalmente entusiastas — especialmente os modelos da década de 1960, como o belo (viu só?) cupê Giulia, derivado dos sedãs de mesmo nome, porém com linhas mais arrojadas, entre-eixos mais curto e uma veia entusiasta ainda mais intensa.

Não é difícil entender: o Giulia tem proporções compactas, peso baixo, tração traseira e, em qualquer versão, motor girador que faz parte daquele seleto grupo de propulsores que não precisam de mais que quatro cilindros para produzir um ronco bonito e estimulante. Não é à toa que, na década de 1970, a oficina Autodelta, especializada em Alfa Romeo, usou o Giulia como base para um carro de competição chamado GTA.

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Existiram algumas versões do GTA ao longo dos anos. Todo GTA começava a vida como um Giulia de rua, mas recebia painéis de alumínio no lugar dos componentes de metal da carroceria e janelas de plástico — o “A” do nome significa Alleggerita, que pode ser traduzido como “aliviada”. De fato eram carros bem leves, com pouco mais de 760 kg.

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O Alfa Romeo GTA 1600 vinha com um motor de 1,6 litro com comando duplo no cabeçote, duas velas por cilindro (o precursor do Twin Spark), dois carburadores Weber e diversos componentes de magnésio, como a tampa de válvulas e o cárter. Este motor entregava 170 cv. Havia, também, o GTA 1300 Junior, que usava uma versão de curso reduzido do motor 1600 e não empregava algumas das medidas de redução de peso, como os componentes de magnésio do motor ou janelas de plástico, mas ainda era bastante leve com seus 920 kg.

O 1300 Junior em uma bela filmagem de época

A versão mais destruidora, porém, era o Giulia GTAm. Não se sabe ao certo a origem da sigla — há quem diga que o “Am” significa Alleggerita Maggiorata (em tradução livre, “mais forte e mais leve”), mas há quem acredite que seja uma abreviação para “America”, pois a Autodelta usou como base alguns exemplares de origem americana além dos europeus.

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O carro usado como base foi o Giulia 1750 GTV e teve o motor de 1,75 litro e 122 cv aumentado para 1.985 cm³ (daí o Maggiorata) e recebeu um novo cabeçote com duas válvulas por cilindro. A potência era de generosos 240 cv, e mesmo que o GTAm não tivesse todos os painéis da carroceria substituídos por alumínio — só alguns —, ainda pesava saudáveis 940 kg.

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Era uma relação peso/potência excelente, ainda mais para um carro feito entre 1970 e 1971. E ele se comportava divinamente na pista, como dá para ver no vídeo abaixo, com quase três minutos do puro ronco do cuore sportivo (expressão que alude ao formato da grade, mas costuma ser usada em referência ao motor que, de qualquer forma, é o coração do carro):

É este o ronco de um motor de quatro cilindros e 240 cv sem indução forçada — e o vídeo também mostra que o GTAm era um carro de competição legítimo, com direito a interior depenado e gaiola de proteção.

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Só há um detalhe: não dá para saber exatamente quantos estão rodando hoje em dia. Estima-se que a Autodelta fez cerca de 40 unidades, mas outras centenas de réplicas foram feitas pelo mundo todo por equipes e preparadores independentes — muitos deles até preparando o motor de forma parecida.

O vídeo acima foi feito pelo italiano Davide Cironi, que mantém um canal dedicado principalmente, mas não somente, aos esportivos italianos clássicos. Em seus vídeos ele tenta colocar você dentro do carro junto com ele, e quase sempre consegue — como neste com um Alfa 75 Turbo Evoluzione:

O vídeo tem legendas em inglês que podem ser traduzidas automaticamente pelo YouTube

Mas, voltando ao Giulia GTAm, talvez três minutos não sejam o bastante e você precise de mais ronco de Alfa Romeo. Então toma:

Agora sim você está pronto para encarar de cabeça erguida e pé embaixo a semana que está começando.

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