Edição diária: 20/06/2019
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Project Cars Project Cars #84

Pelas minhas próprias mãos: a história do VW Fusca de Felipe Bariani

E aí leitores do FlatOut, sejam bem vindos ao meu projeto! Como este é meu post inicial, vou me apresentar e contar um pouco da minha história com carros – tenho absoluta certeza de que muitos irão se identificar. Meu nome é Felipe Bariani, tenho 25 anos e sou advogado. Não me recordo de um momento em minha vida em que eu não tenha respirado vapor de gasolina, porque sou apaixonado por eles desde sempre: todas as minhas lembranças sempre envolveram automóveis.

 

Os carros da minha infância

Quando era pequeno, entre 3 e 8 anos, meu avô tinha uma oficina próximo à fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, e era proprietário de uma Impala 62 Azul: quatro portas com coluna, motor seis cilindros em linha e interior monocromático.

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Lembro de querer faltar na escola para ficar com meu avô na oficina. Passava o dia inteiro lendo revistas como Oficina Mecânica, Motor 3, Hot Rod e VW Trends no interior da Impala, e também dormia durante a tarde, ali mesmo, deitado no banco de trás. Mas meu avô mudou-se e precisou se desfazer da Impala… uma grande pena.

E então, no verão de 1997 para 1998, fui passar as férias com meus avós. Quando ele estava me levando de volta pra casa, avistei um Dodge Charger R/T 1977 em uma agência na cidade de Campinas. Fiquei louco, e acho que pesei na mente do meu avô. Eu tinha nove anos e não sabia que carro era aquele, mas me apaixonei.

Nas férias seguintes, quando ele foi me buscar em casa, lembro-me perfeitamente de suas palavras: “tem uma coisa em casa pra você”. Sequer imaginava o que poderia ser. Quando chegamos, lá estava ele: o “Dodjão”.

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Saímos para dar uma volta com direito a arrancadas fortes, pneus destracionando, e aquele ronco do V8 318 berrando a todo instante. Fiquei fascinado. Acelerei este carro parado naquele dia tantas vezes, eu estava fascinado. Na verdade, acelerei esse carro parado a minha infância toda com o argumento de que ia esquentar o motor para sairmos, sonhando com a CNH aos 18 anos – para enfim esquentar outras coisas… os pneus!!!!

Os anos se passaram e, claro, eu tive estas oportunidades. Conheço cada parafuso desse carro, e também tenho minhas histórias com ele. Mas, ele não é o meu projeto para vocês agora. De Mopar já temos nosso amigo Juliano com seu Dart Games, o Irineu e seu Charger 1975 e Reinaldo, com seu Charger 1972. Quem sabe daqui alguns anos inicio um projeto com o Charger e compartilho com vocês aqui?

 

O meu primeiro carro

Meu projeto para vocês desta vez é o meu VW Sedan 1500, ano 1972, Verde Guarujá, vulgo Fuscão. Foi o meu primeiro carro e continua comigo até hoje. Vou contar um breve resumo de sua história abaixo.

Estava terminando o primeiro ano do curso de Direito quando tirei a minha CNH. Eu tinha várias memórias da infância de andar em Fuscas da minha família, mas durante a minha adolescência não tive experiências a bordo de um Volks destes. Foi quando um colega de classe começou a ir para a faculdade com seu Fusquinha pré 1970 com motor 1600, e eu tive oportunidade de andar nele e compartilhar diversas aventuras com nossa turma de amigos.

Ali eu me apaixonei pelo carismático VW e decidi que queria um Fusca. Afinal, por mais que haja preconceito com os Fuscas, eles possuem uma infinidade de possibilidades de customização e eu sou um gearhead. Dane-se a mulherada, eu queria um Fusca, queria exalar o cheiro da gasolina, queria aventuras.

Estava no 3° semestre da Faculdade, arranjei um estágio para ganhar R$ 300,00, cheguei em casa e falei com meu avô, que concordou em patrocinar a compra do besouro.

Em determinado sábado, depois de duas semanas à procura do besouro sagrado, saímos para ver um Fusca branco que estava anunciado no jornal. Foi quando minha vó falou da garagem de casa: “não me voltem para casa com um Fusca Verde!”. Talvez se ela não tivesse falado…

No meio do caminho vimos um Fusca 1500, ano 1972, Verde Guarujá, em uma agência e paramos para conhecer o carro. Demos uma volta no quarteirão, vimos que precisava de alguns reparos, mas no geral era um veículo muito alinhado. E como diz o ditado, “não é você que escolhe o Fusca, é ele que escolhe você!”, o Volks me escolheu e fomos todos para casa.

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Foi um ótimo carro. Fiz diversas modificações com o decorrer do tempo. Andei sem para-choques, coloquei suspensão tipo catraca na dianteira, depenei o carro para “aliviar peso”, degolei uma válvula e furei um pistão, fiz retífica na garagem de casa. Me serviu como uma boa faculdade de mecânica.

Depois de bons cinco anos, em junho de 2012, após uma viagem à São Bernardo do Campo para encontrar com a turma da Volkspage na Serrinha, seu motor sucumbiu quando chegamos na garagem de casa. Houve um desgaste prematuro do bloco no primeiro mancal (próximo à embreagem) e o motor rajava bastante.

Como já havia conquistado a tão famigerada inscrição na Ordem dos Advogados, poderia ter um tempo para me dedicar à outras coisas e resolvi que seria a hora de encarar mais um projeto. Então comecei o processo de restauração e customização do Fusca na garagem de casa.

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O propósito é fazer um carro próximo ao original, só que com detalhes de um carro de corrida. Aquele que te leva ao trabalho todos os dias e ainda assim pode fazer bonito na pista.

Nada contra os funileiros e mecânicos que temos no mercado, mas preferi fazer o carro em casa, pela dedicação aos detalhes que eu vou ter e eles não. Ninguém é mais chato do que o dono. Além disso, estou realizando o meu sonho, que é montar algo confiável, com peças de prateleira e na garagem de casa. Espero que de alguma forma inspire muitos a fazer o mesmo que eu, com qualidade e segurança.

E afinal, qual a receita da mecânica e o que será feito no Fusca? Vocês vão acompanhar aqui no FlatOut nos próximos posts. Mas garanto uma coisa: será bem divertido e os detalhes técnicos mostrarão que pensar fora da casinha tem as suas vantagens. Um abraço!

 

Por Felipe Bariani, Project Cars #84

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