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Car Culture

Pequenos grandes roadsters: BMW Z3

Já falamos do BMW Z1, o primeiro roadster da BMW em décadas depois do fracasso do 507, e do Z8 — um “super roadster” com o motor V8 de 400 cv do M5 E39 e estilo inspirado pelo mesmo 507. Mas estes foram dois modelos conceituais que se tornaram carros especiais, de produção limitada. No início dos anos 1990, porém, a BMW viu que o nicho dos roadsters podia ser devidamente explorado.

Como? Com um roadster mais barato e convencional do que o Z1, de preferência usando vários componentes já disponíveis nas estantes da BMW. Este roadster foi o Z3, que se tornou um sucesso absoluto.

Dizem que a decisão da BMW em desenvolver o Z3 também foi influenciada pelo sucesso cada vez maior do Mazda MX-5 — o carro que inspirou esta série, diga-se. Para tal, uma meta foi estabelecida: o modelo básico não poderia custar muito mais do que um Miata e vender mais de 100.000 exemplares ao longo de seu ciclo de vida.

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A primeira amostra do Z3 surgiu em 1991 — exatamente o ano em que o Z1 saiu de linha. O conceito Ur-Roadster era baseado no Z1, mas tinha formas mais robustas e portas convencionais, que se abriam para fora. Embora sua identidade visual fosse bastante experimental, com faróis pequenos e redondos e largos para-lamas, suas proporções já trazem muito do que viria a ser o Z3.

Em julho de 1992 o designer japonês Joji Nagashima — que também é o responsável pelo Série 5 E39 e pelo Série 3 E90 — começou a desenhar o Z3 com suas linhas definitivas. A partir daí, foram apenas 38 meses de desenvolvimento até a versão definitiva começar a ser fabricada, em setembro de 1995.

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Durante estes pouco mais de três anos — um estalar de dedos na indústria automotiva —, a BMW conseguiu colocar em prática um modelo exemplar de aproveitamento de recursos já existentes de modo a obter os melhores resultados, como só os alemães sabem fazer.

Para baratear o projeto ao máximo — e, consequentemente, conseguir vender o carro a um preço competitivo — a BMW aproveitou muito do Série 3 E36, lançado quatro anos antes, em 1991 — mais precisamente, a do E36 Compact. A plataforma do hatchback era, em essência, idêntica à dos outros modelos de carroceria, mas tinha uma diferença fundamental : a suspensão traseira que, em vez de um sistema multilink, usava um sistema de braços semi-arrastados — além de ocupar menos espaço, era mais simples e, por isto, mais barato. A dianteira permaneceu com o sistema McPherson. Por causa das mudanças, a plataforma do Z3 costuma ser chamada de E36/7 (no caso da versão cupê/hatch, E36/8) para evitar confusão.

Parte da estratégia da BMW com o Z3 era concentrar a maioria das vendas nos EUA — por esta razão, o modelo foi o primeiro a ser fabricado na então nova planta da marca em Spartanburg, Carolina do Sul, sudeste dos EUA.

Agora, ao contrário do que se costuma fazer, o Z3 não foi apresentado ao público em um Salão, como Detroit, Genebra ou Frankfurt: ele foi apresentado no cinema, como o carro de James Bond em “007 Contra GoldenEye” (GoldenEye, 1995) — primeiro na franquia a trazer Pierce Brosnan no papel do agente da MI6. O lançamento não tradicional foi escolhido para gerar mais buzz sobre o Z3 entre os americanos — afinal, a BMW precisava provar que os modelos produzidos nos EUA seriam tão bons quando os alemães.

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Deu certo, porque o sucesso do Z3 foi imediato e sem precedentes.

Dentro da proposta de ser uma alternativa um pouco mais sofisticada ao Mazda MX-5, a BMW ofereceu, de início, apenas o motor de quatro cilindros, 1,9 litro e 140 cv a 6.000 rpm. Era um bom motor e fazia sucesso no Série 3 E36, mas provou-se aquém das expectativas dos clientes. A BMW apressou-se em corrigir a situação e, em 1997, deu ao Z3 um motor digno: o seis-em-linha M52, com comando duplo no cabeçote, 2,8 litros, 192 cv a 5.900 rpm e 24,9 mkgf de torque a 4.700 rpm.

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A partir daí as vendas decolaram de vez, e o futuro do Z3 estava garantido. Esta primeira versão com motor de seis cilindros é considerada a mais clássica e desejável por sua robustez, pelo motor elástico e, claro, pelo fato de ser o primeiro.

Ao longo dos anos, uma série de motorizações diferentes foi oferecida — algumas, exclusivas para os EUA e outras, para os mercados internacionais. Em 1999 o modelo de quatro cilindros foi descontinuado, e a versão de entrada passou a usar um seis-em-linha de dois litros e 150 cv na Europa, e de 2,5 litros e 170 cv nos EUA. Este foi um dos poucos casos em que o modelo americano era mais potente que o europeu (e os americanos ainda preferiam o câmbio automático de quatro marchas ao manual de cinco) — algo que não se repetiu na versão mais incrível do Z3 — o M Roadster.

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A BMW não poderia ficar sem uma versão de alto desempenho de um carro que se mostrou tão vendável e, logo em 1998, anunciou o M Roadster. E não foi exatamente difícil concebê-lo — bastou transplantar ao roadster o conjunto mecânico do M3 E36, o que significa que o M Roadster tem um seis-em-linha de 3,2 litros e câmbio manual de cinco marchas.

Até mesmo a diferença de potência entre os modelos americano e europeu se repetia: do lado de cá do Atlântico, o motor era o S52 — de 240 cv a 6.000 rpm e 32,6 mkgf de torque a 3.800 rpm — enquanto na Europa era oferecido o S50, com 325 cv a 7.400 rpm e 35,6 mkgf de torque a mais baixos 3.250 rpm. O resultado se via nos números de aceleração: o M Roadster americano ia de 0 a 100 km/h na em cerca de 5,2 segundos, enquanto o europeu era mais de um segundo mais rápido, fazendo o mesmo em 4,3 segundos.

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Naquele mesmo ano, uma equipe de engenheiros malucos da BMW conseguiu autorização para fazer uma versão com teto fixo do M Roadster — o M Coupe, sobre o qual já falamos aqui.

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Outros componentes também mudavam no M Roadster — muitos deles emprestados dos M3 E30 e E36, como os freios e a suspensão. O M Roadster também tinha para-lamas alargados — possibilitando bitolas mais largas, assim como os pneus, de medidas 225/45 na dianteira e 245/40 na traseira, que calçavam rodas de 17 polegadas. O sistema de escape tinha duas saídas duplas que se tornaram a marca registrada do modelo, e a BMW ainda incluiu um diferencial de deslizamento limitado para aprimorar ainda mais a dinâmica.

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Em 2000, toda a linha Z3 foi atualizada com novos motores e um novo visual — com exceção do M Roadster, que permaneceu idêntico por fora mas ganhou um novo motor — o seis-em-linha S54 do BMW M3 E46, considerado por muitos entusiastas o último seis-em-linha à moda antiga da BMW. Naturalmente aspirado e girador, o S54 continuava entregando 325 cv a 7.400 rpm, com torque de 36 mkgf a 4.900 rpm. Mas a disparidade entre os modelos europeu e americano diminuiu: nos EUA, o M Roadster passava a 319 cv, enquanto o torque também era de 36 mkgf.

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O BMW Z3 durou mais dois anos, saindo de linha em 2002 — com mais de 100.000 unidades comercializadas — para dar lugar ao Z4, cuja segunda geração completa cinco anos em 2014. Há de se considerar, contudo, o mérito do Z3 como o carro que provou de uma vez por todas que a BMW entendia, e muito, de diversão a céu aberto.

 [ Fotos: BMW, elwood001, dbagus, focusnige ]

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