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Project Cars Project Cars #69

Peugeot 208 “GTI Aspro” – a história: eu e meus hatches franceses

Let the Games Begin… Esta é a frase que eu sempre mentalizo toda vez que um novo desafio é posto à minha frente. Isso valeu para a época de escola, para o curso de línguas, para a Academia Militar, para a pós-graduação e para o novo curso superior. Exemplos que me fizeram chegar onde estou neste momento. Meu nome é Luiz Fernando, e aqui vocês vão conhecer a história que me levou ao Project Cars #69 – o meu Peugeot 208, que será uma espécie de tributo aspirado ao esportivo GTI.

 

A primeira paixão

Para os automóveis, a sensação não foi diferente… Lembro-me como se fosse ontem do meu primeiro carro, o meu primeiro francês, a minha primeira injeção de vício automotivo na veia: um Peugeot 206 Quiksilver 1.6, 16V 2003. Ao receber, atônito, as chaves do carro das mãos de meu pai como presente por um objetivo conquistado, só guardei uma frase: “cuidado, esse carro não é mil”. Aquilo não soou como um aviso, mas como uma leve provocação para verificar a veracidade de suas palavras. E era tudo verdade. Como aquele motor 1.6 empurrava bem, girava bonito, e desempenhava seu papel com maestria. Isto, aliado ao desenho único do 206, com suas 2 portas e grafismos da marca de surf que deu nome à sua versão, deixava aquele momento ainda mais especial.

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Naquele dia tive mais que confirmada a minha real paixão. Carros! Eu sempre achei estranho gostar mais de jogos de corrida que de futebol, preferir arrancadas e Stock Car à idas em estádios, a passear de carona com meu pai em seus carros turbinados, a sair em shoppings com amigos. Mas ali, a bordo de meu primeiro carro, tudo fez sentido. Nunca alterei nada nele e fui feliz assim.

 

O revés

Mas a vida tem as suas penas também, e elas são duras. Com este 206, entrei para a academia militar. Ao sair da temporada de estudos, me dei de presente de formatura um Citroën C4 hatch GLX 1.6, afinal, estava “subindo” na vida. O equipei com faróis de xenônio, iluminação em LED, som de qualidade, molas esportivas H&R e um jogo de rodas American Racing Casino, de 20”.

Seis meses depois, sofri um acidente horrível, traumático para dizer o mínimo, após passar mal próximo a Foz do Iguaçu (PR). Me lembro de ouvir os pneus entrando no mato, da tentativa em vão de colocar o carro de volta à estrada, e pouca coisa depois disso. Eu só não morri pela segurança do meu “presente de formatura” – e por uma dose divina de sorte.

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Fiquei cerca de dois meses de molho, e só depois de um bom tempo retomei a busca por outro carro. Só havia um “pequeno” problema: o Citroën destruído não tinha seguro. Então, iniciou-se outro desafio: o de procurar algo financiável. Com um pouco da poupança, somado à ajuda familiar, consegui angariar dez mil. Era meu ponto de partida, minha entrada no novo projeto. Comecei a olhar os usados, com minha natural predileção aos franceses.

 

O recomeço

Um fim de semana chuvoso em Curitiba (algo meio redundante), meio de maio, e me deparo com um anúncio de jornal que fisgou os meus olhos. “Vendo: Citroën C4 VTR, 2 portas, xênon, impecável. Carro de mulher”. Como já tinha um conhecimento mais amplo sobre a família C4, sabia que aquele poderia ser um dos poucos VTRs com faróis de xenônio multidirecionais, e estes quase sempre eram recheados de mimos. Liguei na segunda-feira para a loja, perguntei do estado do carro, de sua quilometragem, solicitei fotos e fiz uma pergunta específica, que assim transcorreu:

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-“Esse carro tem faróis multidirecionais?”
-“O que é isso senhor? Ele tem xenon!”
-“Vá até o farol do carro. Ele tem uma bola preta dentro?”
-“Tem sim!”
-“Ok, é meu! Só preciso levar num mecânico de confiança.”

Solicitei a meu pai que fosse ver o carro, levasse à concessionária e me contasse tudo em detalhes, pois não estava na cidade naquela semana. No fim do dia ele me liga, com preocupação na voz:

-“Filho, você não vai comprar esse carro!”
-“Porque não pai, tá feio?”
-“Não não, ele está muito bem cuidado, mas você vai se matar nisso aqui, anda pra c*****o!”

E assim veio o Citroën C4 VTR. Passei dois felizes anos com ele, rodei 54 mil quilômetros neste período, viajei muito, modifiquei exterior, remapeei central, coloquei filtro esportivo, molas esportivas, amortecedores retrabalhados e mais alguns mimos de conforto, como retrovisores elétricos, central multimídia, etc. Mas a idade pesa. Meu filho já estava com 104 mil km rodados, e eu precisava de um novo ânimo, gastando menos com manutenção e mais com diversão. E é aí que entra o meu Project Car na história.

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O protagonista

Um novo começo, uma nova batalha, um novo projeto. Let the games begin… again! Decidi que queria outro francês, e assim foi. Vendi o VTR, e com dinheiro na mão e uma ideia na cabeça, entrei em uma concessionária Peugeot. Fui convicto a olhar a versão intermediária do 208, lançamento na época, agradável por suas linhas que remetiam ao 206 e pelo generoso teto de vidro panorâmico.

Mas vale lembrar: eu tinha como referência o topo de linha do C4. Me decepcionei. Falta de acessórios, motor fraco (aquele 1.5 é sofrível – me desculpem os donos!), não era o que imaginei – ou será que minhas expectativas eram altas demais? Depois dessa primeira impressão, olhei para o lado e vi um completão: Griffe 1.6 16v com VVT (motor conhecido – meu finado 206 mandou lembranças), sensores de chuva e crepuscular, estacionamento, ar digital tipo dual zone, faróis com LED e projetores, tecido diferenciado, rodas diferenciadas. Aí sim.

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Era o que eu queria. E por uma diferença de apenas cinco mil, valia a pena – não tive dúvidas, levei pra casa! O Peugeot “sorridente” (pense na grade do 208) estava ainda mais feliz nas mãos de seu novo dono – que tem planos ambiciosos: transformá-lo em um devorador de pseudo-esportivos e “pilotos de reta” nos eventos de track day e subidas de montanha!

Nas próximas postagens vocês irão acompanhar tudo o que foi e que ainda será feito neste francês, espero que curtam!

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Por Luiz Fernando Lopes Oliveira, Project Cars #69

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