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Project Cars Project Cars #71

Peugeot 306 Phase III Rallye: conheça o Project Cars #71 de Eurípedes Marley

Bom galera, vamos lá. Meu nome é Eurípedes, mais conhecido como Marley. Tenho 29 anos e sérios problemas no que diz respeito à carros, em especial a linha PSA – Peugeot Citroën. Para não acharem que estou mentindo (não pelo fascínio, mas pelos problemas mesmo), atualmente tenho 3 na minha garagem, são eles – um Peugeot 207 XS 2010 (o mal falado), um Peugeot 205 XSI 1997 (a lenda) e o motivo de eu aparecer aqui no FlatOut: um Peugeot 306 Rallye 2000, o qual espero poder mostrar para vocês e, principalmente, que todos gostem dele.

Minha história com carros começou como a maioria dos gearheads, ainda na infância vendo Formula 1, Mundial de Rallye e todas aquelas coisas que tínhamos acesso na época. Alimentava mais e mais esse vício que com certeza não me levaria para nenhum lugar diferente de onde estou hoje. Atualmente trabalho com TI/Sistemas/Loucura/whatever como Gerente de Serviços, ou seja, nada relacionado nem de perto com carros, mas nas horas vagas o tempo gasto é sem dúvida fuçando,  ajudando amigos, estudando, essas coisas.
Mas vamos ao que interessa né, como tudo começou e o que afinal é esse projeto!

Perfume Francês

Apesar de sempre gostar muito de carros, performance e tudo mais, minha cidade não é e nunca fui uma referência pra isso, infelizmente. Mas para minha felicidade um belo dia me deu na telha ir morar e trabalhar em São Paulo. Foi uma das melhores coisas que já fiz. Foram três anos aprendendo muito e aplicando muito desse aprendizado por conta própria, o que me trouxe até o nível que estou hoje.

Me tornei mais apaixonado pelos carros à medida em que adquiria mais conhecimento técnico. Comecei pela parte estética, ou seja, pequenas modificações feitas em casa no tempo ocioso e que foram crescendo a ponto de eu ter um (outro) Peugeot 207 Murdered Out completamente modificado por mim (estamos falando de estética por enquanto). Mesmo sendo um carro automático, a magia de Sampa  (e os amigos botando pilha), eu acabei aspirando esse automático, ou seja já estava dando meus passos para a preparação de motores.

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O tempo passou, o “007” — como a galera apelidou o carro — se foi, e me vi em um momento que teria que optar por um carro de R$15.000. As opções eram esdrúxulas, mas era o momento perfeito para talvez pular para outra marca. Porém um certo Peugeot 306 Branco Phase III Rallye ano 2000 me chamou atenção, com todos os opcionais que os concorrentes de preço nem sonhavam em ter (couro, air bag duplo, disco nas quatro rodas, bancos semi concha, motor 1.8 com potencial e aquela pegada racing) e o melhor de tudo, com aquele perfume francês! Esse carro era de um amigo meu e acompanhei toda a saga dele com o carro, e sabia que era de fino trato, ou seja, não precisa caminhar muito pra achar o que eu queria/precisava.

Bom, a conclusão disso: comprei o carro e foram alguns dias até conseguir finalmente sentar no cockpit e poder dar a primeira acelerada — dias intermináveis, diga-se de passagem. Já passava horas estudando projetos, navegando no eBay e há quem diga que já falava sozinho sobre possíveis modificações que faria assim que o pegasse.

A primeira sensação, que aliás ainda me passa pela cabeça toda vez que olho para o carro, foi uma coisa anormal e mágica, sem dúvida que é clichê mas é a verdade e não teria como fugir de descrever assim. Tanto que cheguei no atual ponto do carro por esse fascínio. Sim, eu já tinha um encantamento pelos Peugeot old school, mas poder pegar a chave dele, poder ligar e sair acelerando e depois guardar na minha garagem foi indescritível. Curvas com esse carro? Hmmm… melhor deixar a galera comentar por conta própria!

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Mas nem tudo são flores, né? Começaram as dificuldades, e de todas elas sem dúvida a pior é a falta de mão-de-obra capacitada. Temos algumas referências, claro, mas normalmente essas estão sempre com agenda cheia e isso complica. Foi por esse motivo que eu me joguei de cabeça pra conhecer a fundo a mecânica da famosa linha XU de motores da PSA, e assim eu mesmo conseguir resolver pequenos problemas e manutenções, mas sempre contando com a ajuda de grandes amigos.

A partir desse ponto minha vida, em São Paulo ainda, se resumiu a trabalho em horário comercial e toda folga possível o trabalho era dedicado ao carro, um do it yourself aqui, uma cerveja gelada ali e uma boa música no toca fitas, sempre! O carro já veio aspirado para minha mão, mas era uma receita padrão utilizada pela maioria que tem o motor XU 1.8 (XU7JP4), que basicamente se resume a peças do motor 2.0 do Xsara VTS e 306 GTI-6:

– Coletor de admissão;
– TBI;
– Coletor de escape;
– Comandos de válvulas;
– Escapamento Magnaflow;
– Set de freios do Citroen C4, com discos slotados;
– Suspensão do Xsara VTS – molas e amortecedores;
– Barra anti-torção;
– Cold Air Intake by Folego Turbo;
– Sonda Wide band AEM;
– Bicos Ford Racing + acerto para rodar no etanol;

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A Saga Rallye de verdade se inicia!

Mesmo com todos esses upgrades e toda a paixão pela jaca o carro ainda não estava desenvolvendo a performance que eu queria. Fiz e refiz algumas coisas, girou anel e abri o motor por completo, até que um belo dia, 28 de abril de 2013, a parada descambou de vez! Estava eu lépido, faceiro e serelepe fazendo aquela brincadeira noturna, quando não mais que de repente (a 6.500 rpm de quarta, prestes a espetar quinta) a maldita luz de Stop acendeu. Bateu tudo e foi aquele desespero, com certeza correu aquela gota de suor dos olhos.

Foi nesse momento, à beira da estrada e no meio da madrugada, comecei a chor…quero dizer, a pensar em fazer um swap. Afinal, porque eu estava me matando para aspirar um motor de 112 cv para chegar em 170 cv, enquanto poderia encontrar um motor plug and play já com essa cavalaria original? Pedo Bear estava lá de prova!

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A partir desse momento encostei o carro, e comecei a saga para montar um Rallye de verdade, como na Europa,  que usa o lendário motor XU10J4RS, tem apenas duas portas e vem sem vários frufrus para aliviar o peso do conjunto (faróis de neblina, retrovisores elétricos, vidros elétricos, ar condicionado (não, esse eu não tiro!) e banco de couro. Eu já sabia que seria um árduo caminho, mas já tinha um bom embasamento mecânico e contava com amigos que estavam sempre dispostos a fazer eu ter mais ideias na cabeça, além disso tinha a certeza de não iria desistir, custando o que custasse!

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Hoje o projeto ainda não está pronto, mas já é um sucesso. Contarei isso com mais detalhes no próximo post!  Até lá!

Eurípedes Marley, Project Cars #71

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