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Peugeot, Lotus e Lancia: entenda o sistema de nomes destas três marcas

Nos últimos meses explicamos os sistemas de nomenclaturas da Mercedes-Benz, da BMW e da Ferrari (se você não leu, pode ver aqui, aqui e aqui). São sistemas relativamente complexos e podem ser bastante confusos se você não tiver um guia à mão para explicar todos eles.

Logicamente elas não são as únicas marcas a adotar um padrão para batizar seus carros. A diferença é os outros fabricantes decidiram fazer isso de forma mais simples e solta, sem a confusa mistura de engenharia e marketing como na Mercedes, na Ferrari e na BMW. Alguns bons exemplos são a Lancia, a Peugeot e a Lotus, que sempre batizam seus carros seguindo as mesmas regras. Por serem simples, decidimos juntar os três em um post único que irá explicar cada um deles.

 

Lancia

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A moribunda marca italiana nasceu em 1906 e logo em seu primeiro modelo adotou um sistema de nomenclatura que a acompanha até hoje — apesar de produzir um único modelo atualmente. Trata-se do uso de letras e palavras gregas para batizar seus carros: Alfa, Beta, Gamma, Delta, Hypsilon (grafado como Ypsilon), Zeta, Theta, Kappa e Lambda são alguns dos modelos com nomes de letras.

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O uso da temática grega, contudo, não foi contínuo nestes 111 anos. Entre 1932 e 1970 a Lancia decidiu mudar o tema e escolheu um dos mais legais possíveis para homenagear suas raízes e a mobilidade em si.

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Lancia Fulvia

Seus carros passaram a ser batizados com nomes de antigas estradas romanas. Appia, Fulvia, Aurelia, Flaminia, Artena, Augusta, Ardea, Aprilia, Astura e Flavia parecem nomes de mulher, mas tratam-se, na verdade, dos nomes das mais famosas vias romanas da antiguidade.

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Lancia Aurelia

Em 1971 a marca lançou a única exceção às suas regras, o 2000 e, já no ano seguinte voltou à temática grega com o Beta, e passou a adotar também palavras gregas como Stratos, Thema, Thesis, Phedra, Lybra, Prisma, Dedra e Musa.

 

Lotus

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Quando Colin Chapman começou a construir carros, ele adotou o sistema mais simples possível para batizar suas criações: deu a eles o número do projeto. Assim, seu primeiro carro — que foi, na verdade, seu sexto projeto, era o Lotus Mark VI. Depois vieram o Lotus Mark VIII, o Lotus Mark IX.

Em 1956, na hora de fazer o Mark XI, ele achou que o carro poderia ser confundido com o Mark IX (não o culpe: números romanos são confusos para quem não está habituado). Chapman então cogitou usar os algarismos arábicos, mas ficou com receio de que o carro fosse chamado de “One-One” ou “I-I” (“eu-eu”, em português). A solução foi usar o número por extenso: Eleven.

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Chapman gostou da tanto sonoridade do “el” que, dois anos mais tarde, ao lançar seu primeiro modelo de rua, em vez de batizá-lo como Lotus 14 ou “Fourteen”, resolveu chamá-lo de Elite, dando início à tradição dos carros iniciados com a letra “E”. Depois do Eleven e do Elite vieram o Elan, o Europa, mais um Elite, o Esprit, o Eclat, o Excel, o Elise, o Exige, outro Elan, o Europa-S e o Evora.

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As únicas exceções são o Lotus Seven, que foi lançado depois do Eleven mas foi projetado antes dele, e os sedãs Cortina e Carlton/Omega, que eram modelos de outras marcas (Ford e GM, respectivamente) modificados pela Lotus e, por isso, tiveram seus nomes originais mantidos.

 

Peugeot

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A Peugeot mantém uma das tradições mais duradouras quando se trata de sistema de nomenclatura de carros. Em 1929 a marca decidiu adotar o padrão numérico de três algarismos, no qual o primeiro número indica a família do carro e seu posicionamento na linha da marca, baseado em seu porte (1 para o menor, 9 para o maior).

O segundo número é sempre o zero, um algarismo neutro que, segundo a Peugeot, foi usado para unir os outros dois números. Há uma outra versão sobre a origem do zero, que diz que ele foi usado para “disfarçar” o orifício da alavanca de partida nos modelos mais antigos. É essa versão que você deve conhecer, mas talvez esta história não seja como se conta por aí.

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201, o primeiro Peugeot com o zero no meio

Primeiro porque a própria Peugeot diz que o zero foi um algarismo neutro de ligação. Depois, porque o primeiro carro a usar este sistema, o 201, tinha seu emblema bem longe do orifício (veja a foto acima). O mesmo vale para o 301 e o 401.

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O 402, por sua vez, usava o zero como disfarce em algumas versões, porém só foi lançado seis anos depois da adoção do sistema. Por último, nos modelos anteriores, o orifício da alavanca ficava na parte inferior da grade, em um lugar nada convencional para se instalar o emblema com o nome de um carro. Além disso, as alavancas de partida eram comuns na época, não havia motivo para tentar escondê-las. Seria como tentar esconder os retrovisores do carro hoje em dia.

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Peugeot VD2 Coupe de Ville 1915: sem zero e com alavanca

O terceiro número, por sua vez, indicava a geração do modelo até 2012. O sistema foi modificado quando a Peugeot chegou ao 308 e, na hora de lançar seu sucessor, decidiu manter o mesmo nome, pois o número 309 já havia sido usado nos anos 1980 para designar uma variante de três volumes do 205. A marca decidiu então que os nomes passariam a usar sempre o número 8 no final.

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A Peugeot também se viu obrigada a criar variantes do seu sistema quando começou a produzir SUVs, crossovers e variações de seus modelos regulares. Tudo começou em 2004, quando a marca lançou um monovolume baseado no 107, que recebeu o nome 1007. No início seu nome era pronunciado “um-zero-zero-sete”, mas os produtores dos filmes de James Bond pressionaram a marca para mudar a pronúncia e, desde então os nomes destes modelos “00” são pronunciados por extenso — o que resultou no confuso Peugeot 2008 que, na verdade, foi lançado em 2013.

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2008 ou 2016?

Antes de terminar, é preciso esclarecer uma segunda lenda envolvendo o zero dos Peugeot: dizem que a marca francesa patenteou todos os nomes com zero no meio e que, por este motivo, em 1964 a Porsche foi pressionada a mudar o nome de seu novo modelo de 901 para 911. Na verdade o que aconteceu foi um ato de cavalheirismo da Porsche que, visando evitar problemas com a Peugeot, decidiu mudar o nome do 901 por iniciativa própria, sem interferência dos franceses.

Outra prova de que a Peugeot parece não se importar que outras marcas usem nomes com um zero no meio, é que a Ferrari lançou dois modelos 308 e dois 208 sem nenhum tipo de conflito. Ou será que o relacionamento entre a Peugeot e Enzo Ferrari falou mais alto?

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