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Pikes Peak International Hillclimb 2018: veja como foi a edição deste ano da subida de montanha!

O primeiro contato de muitos aqui com Pikes Peak (meu, inclusive) foi através dos games – no meu caso, Gran Turismo 2, que foi o primeiro a incluir pistas de terra entre seus circuitos. Quando era moleque eu não sabia que a Subida de Montanha de Pikes Peak era uma prova de verdade, e não conhecia o monstro chamado Suzuki Escudo Pikes Peak. Ainda bem que a gente cresce e vai aprendendo sobre o mundo.

Pois a Pikes Peak International Hillclimb (PPHC) chegou a sua 96ª edição no último domingo, dia 24 de junho – trata-se, sem dúvida, de uma das mais antigas disputas do esporte a motor. E, apesar de sentir que a prova não é mais a mesma desde que passou a ser realizada em uma superfície asfaltada, não deixamos de acompanhar e prestigiar. Até porque, sobre o asfalto, Pikes Peak está mais rápida do que nunca.

Muitos bólidos icônicos já deixaram sua marca em Pikes Peak desde que a prova começou a ser realizada, em 1916. Naquela época, porém, seu nome não era Pikes Peak International Hillclimb, e sim Penrose Trophy. Era uma homenagem do empresário Spenser Penrose a si mesmo. Com o dinheiro que fazia graças a suas várias empresas na região de Colorado Springs, Penrose contribuiu enormemente para infraestrutura e economia local – incluindo a construção da estrada de Pikes Peak, onde promoveu as primeiras edições da subida de montanha para automóveis. No ano de estreia o piloto mais rápido foi um jovem chamado Rea Lentz, que aos 22 anos levou o menor carro inscrito – o Romano Demon Special – até o topo em 20:55,6.

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Nos três anos seguintes a prova não foi realizada por causa da Primeira Guerra Mundial, e o mesmo aconteceu na virada da década de 1940 por conta da Segunda Guerra Mundial. Depois disto, Pikes Peak tornou-se parte da IndyCar Series, posição que ocupou de 1946 a 1970. Mas a competição começou a ganhar notoriedade mesmo a partir da segunda metade dos anos 80, quando os carros de rali que competiam no WRC começaram a participar. Já em 1982, por exemplo, o recorde ficou com o Audi Quattro conduizido pelo norte-americano John Buffum, que repetiu a dose no ano seguinte. O Audi Quattro ainda foi o mais rápido a subir a montanha outras três vezes – em três anos consecutivos, com Michèle Mouton, Bobby Unser e Walter Röhrl ao volante em 1985, 1986 e 1987 respectivamente.

Michèle Mouton, aliás, foi a primeira mulher a vencer em Pikes Peak e permanece como a única a fazê-lo

Depois, em 1988 e 1989, foi a vez do Peugeot 405 T16. Na edição de 1988 o vencedor foi Ari Vatanen, e sua subida foi toda filmada para produzir um dos melhores curta-metragens sobre automobilismo já feitos, Climb Dance.

A década de 1990 marcou o reinado das fabricantes japonesas. A aparição do Suzuki Escudo em Gran Turismo 2 (e em todos os títulos da franquia desde então) certamente lhe rendeu muita publicidade. O carro era uma bolha baseada no SUV Escudo (um dos vários nomes do Suzuki Vitara) sobre uma estrutura tubular, com um V6 biturbo de 2,5 litros 995 cv em posição central-traseira e um kit aerodinâmico quase obsceno para mantê-lo pregado no chão, e foi o mais rápido da edição de 1995.

Dito isto, seu irmão menor – o Cultus Pikes Peak, basedo no Suzuki Swift e construído da mesma forma que o Escudo, porém com um quatro-cilindros biturbo de 1,6 litro e 790 cv já havia conquistado a montanha em 1992. Em ambas as ocasiões o piloto foi o japonês Nobuhiro “Monster” Tajima, que foi o piloto mais rapido em Pikes Peak oito vezes entre 1992 e 2011, sendo que as últimas seis vezes foram consecutivas (2006-2011).

Pikes Peak começou a ser pavimentada em 2002, após a cidade de Colorado Springs ser denunciada por erosão e danos ao ecossistema local por conta de mais de 1,5 toneladas de detritos depositados sobre a vegetação e os rios da região. As autoridades estipularam que ao menos 10% do trecho de 20 km deveriam ser asfaltados todos os anos. Como resultado, o ano de 2011 foi o último no qual a prova foi realizada com trechos de terra, que consistiam em cerca de 25% do total. Foi por uma boa causa, ao menos.

Detalhe: em 2011 o recorde de Tajima foi consquistado com uma versão atualizada do Escudo, desta vez feita para lembrar de leve o Suzuki SX4

Coincidentemente a edição de 2012, que foi a primeira a ser realizada em uma subida 100% asfaltada, também foi a primeira na qual os carros elétricos começaram a ter destaque. A categoria para veículos elétricos foi introduzida em 2010 e não demorou a roubar a cena, ao menos no que diz respeito aos tempos registrados, da divisão Unlimited – que foi a principal por décadas e, como o nome diz, é praticamente irrestrita no que se dizia respeito às modificações. Em 2015, pela primeira vez todas as categorias foram dominadas por veículos elétricos – o protótipo Drive eO PP003 conduzido por Rhys Millen foi o mais rápido, com um tempo de 9:07,2.

Mas a maior conquista dos carros elétricos aconteceu mesmo em 2018: o protótipo elétrico Volkswagen I.D. R, conduzido por Romain Dumas, foi o primeiro carro a percorrer os 20 km de Pikes Peak em menos de oito minutos – mais precisamente 7:57,145, quebrando o recorde absoluto anterior de 8:13,878, que pertencia a Sébastien Loeb no Peugeot 208 T16. A intenção era quebrar apenas o recorde para veículos elétricos, mas os tempos de classificação mostraram que havia potencial para capturar o recorde absoluto. E foi o que aconteceu. Vale observar que foi a terceira vitória seguida de Dumas em Pikes Peak – em 2016 e 2017 o piloto francês foi o mais rápido com o protótipo Norma M20 RD.

O VW I.D. R foi revelado em 31 de maio de 2018. O protótipo foi o primeiro carro de competição 100% elétrico desenvolvido do zero pela Volks.

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Assim como o VW Golf Mk2 que foi levado para Pikes Peak nos anos 80 (sobre o qual falamos a respeito aqui), o I.D. R tem dois motores – ambos elétricos, um em cada eixo, gerando uma potência combinada de 690 cv e 66,6 mkgf de torque, ambos disponíveis imediatamente. O carro é alimentado por baterias de íon de lítio e possui sistema de recuperação de energia cinética das frenagens (KERS) para ajudar a carregá-las, e é capaz de ir de zero a 100 km/h em 2,25 segundos.

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A quantidade copiosa de fibra de carbono usada no I.D. R ajudou a manter o peso em razoáveis 1.133 kg – as baterias ainda são as maiores inimigas do baixo peso

Em uma prova como Pikes Peak, cujo pico fica a mais de 4.000 metros de altitude, uma das vantagens dos carros elétricos é o fato de eles não perderem potência em altitudes elevadas – algo que aflige os carros com motores a combustão porque o ar lá em cima é rarefeito, e com menos oxigênio a queima do combutível é prejudicada.

Dito isto, a conquista da VW não foi a única atração de 2018 em Pikes Peak. Um dos destaques foi Randy Pobst, que subiu a montanha com um Ford Mustang GT na categoria Open, para veículos produzidos em série com modificações ilimitadas.

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Randy Pobst no Mustang GT. Foto: Motorsport.com

Agora, Pikes Peak também possui categorias para motos. E teve brasileiro correndo: Rafael Paschoalin, que voltou à montanha no Colorado pelo terceiro ano consecutivo. No ano passado, Rafa correu com uma Yamaha MT-07 e ficou com a segunda colocação em sua categoria, a Middleweight, para motos de 501 cm³ a 750 cm³, com 10:42.793. Neste ano ele correu com a MT-09, na mesma categoria e ficou na terceira posição em sua categoria e na oitava posição na classificação geral, fechando sua passagem em 10:38,38. O vencedor foi Carlin Dunne, que virou 9:59,1 com a Ducati MTS1260. Você confere o onboard de Paschoalin abaixo.

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