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Car Culture

Mini “Quattro”: cinco cilindros, turbo, tração integral e quase 900 cv

Qual foi o projeto mais insano que você já viu? Quando se passa anos olhando carros na internet, esta se torna uma pergunta bem difícil de responder. Mas, de vez em quando, aparecem sérios candidatos à vaga. A bola da vez é este Mini. Quer dizer, não é bem um Mini, mas isto é só um detalhe: em um pacote que parece um Mini, há cinco cilindros alemães, turbo e quase 900 cv, que são enviados para as quatro rodas e fazem deste carro um legítimo foguete de bolso.

Ele vem direto da Noruega, onde seu dono, Brede Alnes, participa do Gatebil há alguns anos – você sabe, o festival de drift e time attack que é realizado na Escandinávia algumas vezes por ano e sempre reúne criações automotivas mirabolantes feitas para virar tempo na pista.

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Este Mini ficou famoso em 2012, quando apareceu no Speedhunters. Na época, era movido por um motor quatro-cilindros turbo de 1,8 litro vindo de um Audi A3, acompanhado de seu sistema de tração integral com diferencial central Haldex. Adaptar o conjunto mecânico ao Mini não foi exatamente um problema, pois o carro na verdade é uma estrutura tubular feita exatamente para receber o motor e o câmbio alemães. O câmbio, aliás, é manual de seis marchas e vem de outro Audi A3, com motor a diesel. A força do motor é levada para as quatro rodas, 50% para cada eixo, permanentemente.

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A carroceria, inspirada no Mini Cooper que venceu o Rali Monte Carlo na década de 1960, é toda de fibra de vidro, feita pelos britânicos da Z-Cars Performance Engineering, que desde 1998 modifica e prepara o Mini para track days – os caras entendem do riscado. As porções dianteira e traseira da carroceria são removíveis, tornando possível acessar com facilidade todas as partes mecânicas do carro, e as janelas são de policarbonato a fim de tornar o peso o mais baixo possível.

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Quase nada disto mudou de lá para cá – exceto pelo motor, que agora é um cinco-cilindros de 2,5 litros com cabeçote de 20 válvulas e pistões JD, novas bielas, virabrequim forjado, válvulas injetoras de alta vazão e sistema de lubrificação por cárter seco. O turbocompressor é um Precision 64/68, e é o principal responsável por colocar 870 cv e 103,9 (!) mkgf de torque em um carro que pesa o mesmo que uma miniatura 1:18. E é incrível ver como tudo cabe no minúsculo espaço debaixo do capô. O turbo, por exemplo, fica escondido ao lado do motor, próximo da roda dianteira direita.

A origem do conjunto mecânico foi o que inspirou Brede a batizar o carro como Mini Quattro, com direito a decalque no para-brisa e às cores de alguns carros de competição da Audi (branco com faixas em escala de cinza) na carroceria. Aliás, tal qual o Audi Quattro S1, o Mini Quattro tem entre-eixos curtíssimo (2,03 m, quase 20 cm a menos que o Audi, na verdade) e bitolas largas, sendo capaz de mudar de direção muito rápido. Ele também tem um conjunto aerodinâmico que consiste em um splitter frontal, uma grande asa traseira e um difusor traseiro nada discreto.

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Ao remover a dianteira e a traseira do carro, temos outros aspectos interessantes para observar: a suspensão dianteira, com amortecedores ajustáveis Bilstein do tipo coilover, e a traseira, com molas e amortecedores separados – tudo acomodado de forma justíssima na estrutura tubular, sob medida para ser vestido pela carroceria. A traseira também acomoda uma caixa de alumínio onde fica o radiador, que é alimentado por dutos nos para-lamas traseiros.

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Só é uma pena que não existam tantos vídeos do carro em ação – nestes aqui, só dá para ouvir o ronco do carro. Que é absurdo, claro.

[ Fotos: Gatebil.com, Brede Alnes ]

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