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Técnica

Por dentro do Porsche Mission E: as armas do supersedã elétrico para derrotar o Tesla Model S

O Tesla Model S mostrou ao mundo que é possível de se fazer um supersedã elétrico não apenas eficaz, mas saboroso e sedutor. E no Salão de Frankfurt, a Porsche quer mostrar que quer ir muito além do universo dos híbridos como o 918 Spyder. O Mission E tem um objetivo muito claro: derrotar o Model S em seu próprio jogo – e para isso, ele traz muitas armas de estilo, aerodinâmica, mecânica e dinâmica. Hora de detalharmos este arsenal!

O Mission E não é apenas um carro elétrico. É diferente inclusive dentro da proposta do segmento. Para começar, porque seu sistema não opera a 400V, como os demais elétricos, mas sim a 800V, que enfrenta menos perdas de condutividade e também permite um tempo de recarga das baterias muito mais rápido. Segundo a Porsche, em 15 minutos já é possível ter 80% da autonomia se o supercarregador desenvolvido para o carro for utilizado. E a autonomia, com baterias cheias, é de 500 km. Com apenas quatro minutos de carga, já é possível rodar mais 100 km com ele, resolvendo um dos maiores problemas dos elétricos em uso cotidiano.

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O motores são síncronos de ímãs permanentes, semelhantes aos usados no campeão de Le Mans deste ano, o 919. Além de garantirem tração nas quatro rodas, eles rendem 440 kW, ou 598 cv, o que leva o carro, que não teve seu peso divulgado, de 0 a 100 km/h em menos de 3,5 s e de 0 a 200 km/h em menos de 12 s. A velocidade máxima, limitada para poupar as baterias, é de 250 km/h.

Segundo a Porsche, além de compactos e muito potentes, os motores síncronos de ímãs permanentes conseguem desenvolver suas potências máximas mesmo depois de múltiplas acelerações, em intervalos curtos. O sistema de tração nas quatro rodas se diferencia pela entrega imediata dos motores elétricos, mas especialmente pela capacidade de produzir torques independentes em cada uma das rodas (algo bem mais intenso do que o funcionamento por diferenciais ou pela aplicação independente das pinças de freio), resultando em uma capacidade de ser tragado para dentro da curva fora do normal.

No topo disso, o Mission E tem quatro rodas esterçantes, sistema semelhante ao usado no novo Porsche 911. Esta combinação de torque vectoring imediato mais 4WS permitirá que o Mission E explore terrenos novos em termos de dinâmica, pois isso muda radicalmente a relação entre o eixo dianteiro e traseiro especialmente nas entradas de curva  – uma missão que aparentemente o novo Honda NSX também está buscando (não perca nossa reportagem técnica a respeito deste assunto clicando aqui). Segundo a Porsche, o Mission E completou Nürburgring Nordschleife em menos de 8 minutos.

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O carro foi construído com materiais leves, mas não pense que ele é todo de fibra de carbono. Segundo a marca, foram utilizados os materiais mais leves e mais resistentes para cada tipo de estrutura, o que inclui alumínio e aço de alta resistência na composição, algo que a marca diz ter sido herdado das pistas.

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O habitáculo, por exemplo, é todo de fibra de carbono, cuja extrema rigidez à torção permite a eliminação da coluna B sem prejuízos para o comportamento dinâmico.

Usando a mesma filosofia de integração do mítico motor Ford DFV V8 da Fórmula 1, as baterias fazem parte da própria estrutura do veículo. Elas ficam no assoalho do Mission E, o que torna o centro de massa o mais baixo possível. A distribuição de peso também é a ideal, com 50% do peso no eixo dianteiro e 50% no traseiro.

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Os motores elétricos são instalados diretamente nos eixos, deixando os espaços na dianteira e na traseira do Mission E livres para as bagagens.

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Os compartimentos também deixam o carro mais seguro, já que se tornam grandes caixas de absorção de impactos.

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Sob as baterias há uma placa de carregamento indutivo, que permitiria, por exemplo, que ele fosse carregado sem a necessidade de cabos. Seja em um estacionamento, sobre uma superfície de carregamento, seja nas chamadas estradas elétricas, que terão placas para a recarga indutiva instaladas em seu piso.

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As rodas do Mission E, de aro 21 na dianteira e de aro 22 na traseira, apresentam um novo desenho no miolo que minimiza o turbilhonamento de ar.

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E ela é parte central no desenvolvimento do Mission E. O carro tem apenas 1,30 m de altura, o que diminui consideravelmente sua área frontal. O coeficiente aerodinâmico do carro não foi divulgado, mas deve ser baixíssimo, como mostra a ausência de retrovisores externos.

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Eles foram substituídos por pequenos head-up displays posicionados nas quinas inferiores do para-brisa. O painel de instrumentos é de OLED e totalmente voltado ao motorista. Ele reproduz cinco mostradores redondos, na melhor tradição Porsche. O botão de partida fica do lado esquerdo do motorista, outra herança da marca.

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O sistema de ar-condicionado, de programa dinâmico e de multimídia obedece a comandos à distância das mãos e também a botões no volante. É o fim de telas sensíveis ao toque cheias de sebo dos dedos dos motoristas. Ou do passageiro da frente.

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A Porsche desenvolveu para o carro um site dedicado. E ele é espetacular. Demora à beça para carregar, mas mostra o Mission E em minúcia, com vídeos exclusivos. Vale cada minuto da visita.

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