Por que Felipe Massa se dá tão bem com uma Fórmula 1 mais aderente e aerodinâmica

Projeto Motor 18 março, 2017 0
Por que Felipe Massa se dá tão bem com uma Fórmula 1 mais aderente e aerodinâmica

Quem acompanha o Projeto Motor com assiduidade se lembrará de que, no fim de 2016, publicamos um artigo sobre o estilo de pilotagem de Felipe Massa na ocasião que seria sua aposentadoria da F1.

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No texto, que você pode encontrar aqui, foram listados os fatores técnicos que proporcionaram ao brasileiro atingir altíssimo nível de competitividade em 2008, além de mostrar como que as mudanças que ocorreram no início da atual década não se encaixaram bem com seu estilo.

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Massa, até agora, se diz confortável com novo carro

Então, a pergunta que ficou era: como Massa se sairia com os modelos de 2017? Bem, como todos sabem, o mundo da F1 virou de cabeça para baixo e o vice-campeão de 2008 precisou adiar sua aposentadoria por pelo menos um ano. Assim, Massa poderá mostrar na prática seu rendimento com os novos carros, e foi exatamente este ponto que o Projeto Motor investigou durante os testes de pré-temporada da F1, em Barcelona.

 

Volta aos velhos tempos?

No artigo mencionado, relatamos do que Massa precisa para se sentir confortável em um carro. Como tem preferência por atacar a curva com agressividade e ganhar velocidade em sua entrada, o piloto precisa de confiança na porção dianteira de seu conjunto e ter, ali, a aderência de que necessita.

Em 2010, a alteração na dimensão dos pneus comprometeu a sua tocada, e a introdução dos delicados compostos da Pirelli na temporada subsequente requereu uma lapidação de estilo que Massa nunca conseguiu aplicar.

Para a próxima campanha, o aumento da pressão aerodinâmica e a maior aderência mecânica proveniente do alargamento dos pneus podem dar a Massa a chance de reviver seu velho estilo. Quem garante é Rob Smedley, engenheiro do brasileiro em seus tempos de Ferrari e atual chefe de performance da Williams.

Quando foi questionado pelo Projeto Motor sobre o assunto, Smedley esbanjou otimismo:

“Acho que esses carros casam com seu estilo de pilotagem perfeitamente. Os carros que temos agora são muito mais semelhantes àqueles com os quais ele teve seus anos de mais sucesso – como o carro de 2008, com o pneu dianteiro mais largo, com ótima aderência na entrada da curva até a tomada. Nós definitivamente sentíamos falta disso nos últimos sete anos e sofremos. Quanto mais Felipe puder confiar na dianteira do carro na entrada da curva, contanto que a traseira também seja sólida, mais ele consegue render”, disse Smedley.

O inglês corrobora sua tese com base no que Massa pôde fazer durante as duas semanas de treinos em Barcelona. Enquanto que muitos pilotos sofreram para domar os novos carros e enfrentaram problemas (como Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen, Valtteri Bottas e Lance Stroll, que, entre outros, passaram alguns sustos), o brasileiro seguiu sua programação sem grandes contratempos.

Por exemplo, Massa rodou, apenas no quinto dia de atividades, incríveis 168 voltas, o que o ajudou a acumular uma bagagem de 1927 km no circuito catalão – e vale lembrar que algumas de suas jornadas na primeira semana ficaram comprometidas por danos no carro causados por acidentes de Stroll.

“O que estamos vendo é que ele está muito confortável. Você vê se Felipe está confortável pelo tanto de erros que ele comete quando entra em um carro novo pela primeira vez: acho que, nos mais de 1000 km que fez, ele só passou reto umas duas vezes e mal cometeu erros. Quando fazemos mudanças, como troca de pneus, aumentamos o regime do motor ou baixamos a quantidade de combustível, ele rende exatamente o que esperamos. Acho que isso mostra o quão confortável ele está”, relata Smedley

 

Novos pneus e o adeus ao “estilo vovó”

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Massa teve despedida bela fora da pista, mas conturbada dentro dela

Massa também não tem dúvidas de que as novidades de regulamento favorecerão sua tocada. Quando foi questionado pelo Projeto Motor a respeito de suas impressões sobre o novo carro, o brasileiro ressaltou outro ponto chave para a temporada: a mudança no comportamento dos pneus.

Por serem mais resistentes, os pilotos poderão adotar uma abordagem mais agressiva ao volante, além de não precisarem dosar tanto o ritmo ao longo das voltas a fim de evitar desgaste excessivo.

“Sem dúvida, fiquei bastante confortável com o carro. Prefiro muito mais o estilo de pilotagem, o jeito de guiar de um carro como esse do que aquele do ano passado, onde a única volta em que você dá seu máximo é na classificação – isso se o pneu não acabar no final. Agora, você dá seu máximo muitas vezes, durante tantas voltas, e durante a corrida também. Você não precisa guiar como uma vovó como acontecia em muitas corridas do ano passado. O pneu aceita muito mais, o carro aceita muito mais. É o que eu prefiro”, celebrou Massa.

Claro, sempre é importante ressaltar: um casamento mais favorável entre a pilotagem de Massa e o estilo dos novos carros não significa que o brasileiro necessariamente voltará a ser protagonista na categoria. Hoje, o grid da F1 conta com diversos nomes gabaritados e versáteis, que também podem se encaixar feito luva nos novos bólidos.

Além disso, as chances de Massa durante a temporada também dependem do que pode fazer a Williams, uma equipe que ainda precisa aprimorar seus recursos e mostrar que consegue manter certo nível de competitividade ao longo de toda uma temporada.

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Massa tem uma chance de dar a volta por cima em 2017

Contudo, as mudanças podem dar a Massa uma oportunidade valiosa de fechar seu ciclo na F1 em alta dentro da pista (coisa que não aconteceu em 2016). Uma campanha sólida, dentro de um time que ainda não pode confiar inteiramente no jovem aprendiz Stroll, pode ser a chance perfeita de deixar para trás o piloto errático e inconstante das temporadas mais recentes.