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Por que os carros norte-americanos têm piscas vermelhos?

Já notou que o Ford Fusion, o Nissan Sentra, o Chevrolet Camaro e praticamente todos os carros importados dos EUA têm piscas vermelhos em vez de laranja/âmbar? Aposto que sim — e que isso deve ter acontecido porque você não percebeu que aquela luz vermelha era a seta, e não a luz de freio do carro.

Os piscas vermelhos em nossas ruas são mais uma bizarrice de nossa legislação de trânsito, que exige que os carros fabricados no país tenham piscas na cor laranja, amarela ou âmbar (resolução 383 do Contran), porém permite que veículos importados sejam homologados com os piscas vermelhos devido ao acordo comercial firmado com o México. Segundo o decreto presidencial 5.507 de 2005, basta que o carro importado atenda as normas técnicas da Europa ou dos EUA para que possa ser vendido no Brasil sem alterações técnicas.

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A legislação dos EUA, Canadá e México permite que os carros tenham piscas vermelhos na traseira. Por esse motivo, alguns fabricantes que importam carros destes países, optam por não alterar as lanternas traseiras e vendem os carros no Brasil com os piscas vermelhos mesmo.

Mas afinal, por que cazzo os carros norte-americanos têm piscas vermelhos se a legislação local também permite que eles usem piscas âmbar como no resto do mundo? Porque é mais simples e barato.

Se você desmontar uma lanterna traseira de um carro com piscas vermelhos, verá que eles usam a mesma lâmpada, o mesmo projetor e o mesmo circuito da luz de freio. Quando o motorista pisa no freio, a lâmpada recebe o sinal elétrico positivo contínuo. Quando a seta é acionada o sinal positivo é intermitente para que ela pisque. Quando o freio é acionado com a seta ligada (ou vice-versa), somente a luz de freio contrária fica acesa.

Também é por isso que os EUA tornaram a terceira luz de freio obrigatória. Além de ser uma luz de freio redundante, ela facilita a visualização da frenagem através dos vidros do carro à frente. Aqui nós chamamos informalmente de “brake light”, lá ela se chama center high-mount stop light ou CHMSL.

O mercado norte-americano ainda têm outras duas peculiaridades quando se trata de lâmpadas automotivas: as luzes de posição e os piscas com refletores ou lentes âmbar.

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Estes equipamentos foram regulamentados em 1968. Antes disso os carros americanos podiam ter lentes transparentes nas setas, e não precisavam ter luzes de posição, nem pisca-alerta nos quatro cantos do carro.

O argumento para exigir luzes de posição ou refletores (chamados de side markers ou reflectors) diz que o veículo fica mais visível quando visto de ângulos muito fechados, que impedem a visualização dos faróis e/ou lanternas. Em alguns carros as luzes de posição dianteiras podem ter sua função compartilhada com os piscas dianteiros, assim como acontece com as lanternas traseiras, economizando uma lâmpada, alguns metros de chicote elétrico e simplificando o conjunto óptico. Na traseira as luzes de posição podem ser vermelhas.

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Agora, não pense que somente nós brasileiros que achamos ruins os piscas vermelhos norte-americanos: o próprio governo dos EUA, por meio de sua agência de segurança viária (NHTS), realizou em 2008 um estudo cujos resultados apontaram que os piscas âmbar (ou laranja ou amarelo) têm 28% menos chances de se envolver em certos tipos de acidentes. No ano seguinte a agência realizou mais um estudo que apontou um aumento significativo de benefícios com piscas âmbar no lugar dos vermelhos.

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