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Porsche 911 GT2 RS e Lamborghini Huracán Performante: quem leva o tira-teima em Hockenheim?

É sexta-feira! E se você acha que ronco de motor e pilotagem de primeira é a melhor forma de começar a sexta-feira, veio ao lugar certo. O pessoal da revista alemã Sport Auto colocou os dois carros mais rápidos em Nürburgring — o Porsche 911 GT2 RS e o Lamborghini Huracán Performante — em uma  batalha contra o cronômetro no circuito alemão de Hockenheim. E é claro que eles filmaram tudo para mostrar ao mundo.

É uma boa oportunidade para se ter uma noção melhor da diferença de desempenho entre os dois superesportivos feitos para track days de alto nível. São carros conceitualmente muito distintos, que buscavam o mesmo propósito e já protagonizaram um duelo intenso em Nürburgring Nordschleife. O circuito de 20 km com 73 curvas, a Meca da velocidade, o Inferno Verde é o benchmark desta geração. Mas não é a única forma de comparar o desempenho de dois carros.

Em outubro de 2016, a Lamborghini levou o Huracán Performante a Nürburgring e conseguiu virar de 6:52,01 – no processo, roubando o recorde de 6:55 que o Porsche 918 Spyder havia conquistado em 2013. O vídeo onboard tem algumas inconsistências que levantaram desconfiança de muita gente a respeito do tempo do Performante, mas em última instância o recorde é válido, e os italianos se tornaram os novos reis de Nürburgring. Quer dizer, a Lamborghini é italiana, mas pertence à Volkswagen tanto quanto a Porsche. Tanto que o novo SUV da Lamborghini, o Urus, usa o powertrain do Porsche Panamera

A Porsche iria deixar barato? Evidentemente que não. Assim, quase um ano depois, em setembro de 2017, o então recém-lançado 911 GT2 RS foi até Nürburgring e virou 6:47,25, recuperando seu recorde com cinco segundos de folga. O suficiente para cobrir qualquer fraude que possa supostamente existir no onboard do Huracán, diga-se.

Um tira-teima em um circuito muito mais curto e plano que o Nordschleife pode ser uma boa forma de, bem, tirar a teima. Será mesmo o Porsche 911 GT2 RS tão superior em desempenho do que seu rival da Lamborghini? Vejamos.

O momento é oportuno para relembrar os números das duas bestas. O Huracán Performante usa um V10 naturalmente aspirado de 5,2 litros com 640 cv a 8.000 rpm e 61,2 mkgf de torque a 6.500 rpm. O câmbio de dupla embreagem e sete marchas leva a força do motor para as quatro rodas, e o conjunto é suficiente para levar o supercarro, que pesa 1.553 kg em ordem de marcha, de zero a 100 km/h em 2,9 segundos.

O Porsche 911 GT2 RS tem um boxer de seis cilindros e 3,8 litro com dois turbos, capaz de entregar 700 cv a 7.000 rpm e 76,4 mkgf de torque entre 2.500 rpm e 4.500 rpm. O câmbio também é de dupla embreagem e sete marchas, mas a tração é apenas traseira. Com 1.470 kg, o GT2 RS é capaz de ir de zero a 100 km/h em 2,8 segundos.

Logo na primeira curva, dá para ver que a vantagem na relação peso-potência do Porsche 911 GT2 RS ante o Lamborghini Huracán Performante faz (2,1 kg/cv contra 2,42 kg/cv) faz diferença. Antes de começar a frear, o Lamborghini chega aos 220 km/h por uma fração de segundo, enquanto o Porsche bate nos 232 km/h. Ao longo do circuito, continuamos vendo o 911 GT2 RS freando mais tarde e retomando a aceleração mais cedo.

Outro fator que contrubui para isto é a natureza dos motores: o V10 gira mais, mas os picos de potência e torque ficam lá em cima. A curva do flat-six biturbo é muito mais plana – o torque, além de mais abundante, se faz presente por uma faixa bastante generosa, o que faz a diferença em um traçado de média velocidade como o Tilkódromo” de Hockenheim.

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Comparação do traçado antigo (em cinza) com o atual (em preto)

O antigo Hockenreimring, usado entre 1965 e 2001, era um longo circuito de quase sete quilômetros com quatro retas de cerca de 1,3 km controladas por chicanes, além de uma seção mais técnica e truncada. Com isto, a disputa trazia um fator a mais: era preciso escolher entre acertar o carro para ganhar vantagem nas retas, com menos arrasto, ou nas curvas, com um acerto de suspensão e aerodinâmica mais voltado ao downforce e à estabilidade.

A maioria escolhia a primeira opção, e o espetáculo era a velocidade que os carros atingiam nas retas. Se você assistir ao onboard de Michael Shumacher na volta de classificação para o GP da Alemanha de 2000, vai sentir o drama. Em certos momentos, a impressão é que se trata de um circuito oval.

Em 2002, a organização da Fórmula 1 exigiu que os admnistradores de Hockenheim modificassem extensivamente o traçado, que foi redesenhado por Hermann Tilke. Para a maioria dos fãs de automobilismo, Hockenheim tornou-se mais uma pista legal arruinada pelo projetista.

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Traçado completo (cinza) vs. traçado DTM (preto)

“Em compensação”, o fato de Hockenheim ser o oposto de Nürburgring, com velocidades médias, uma densidade de curvas muito menor e apenas 4,6 km de extensão, torna ainda mais escancarado: o rival de verdade do Lamborghini Huracán Performante é o Porsche 911 GT3 RS, e não o GT2 RS – este está um degrau acima quando o assunto é performance. Isto porque a volta foi disputada no traçado usado pela DTM, que é ainda menor – só 2,6 km de extensão. Em um circuito curto como este, é impressionante que o Porsche 911 GT2 RS tenha conseguido uma diferença de mais de dois segundos: 1:03,8 contra 1:05,5 do Lamborghini Huracán Performante.

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Repare que, no ranking da Sport Auto, quem está logo atrás deles é o Lotus 3-Eleven, uma espécie Elise aliviado ao extremo, sem teto, sem para-brisa e dotado de um V6 de 3,5 litros e 420 cv. Estes 420 cv só precisam empurrar 890 kg, o que ajudou o britânico a virar 1:06,2 no circuito. O Porsche 918 Spyder, que foi citado logo no começo desta matéria, disputou contra o 3-Eleven e perdeu por 0,1 segundo, virando 1:06,3.

E o 911 GT2 RS está acima (bem acima) de todos eles. Quem vai superá-lo?

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