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Porsche 911 GT2 RS MR vira 6:40,33 em Nürburgring e recupera o recorde. Só tem um detalhe…

Quando o assunto são tempos em Nürburgring, a Porsche não precisa provar nada a ninguém. Até pouco tempo atrás o recorde absoluto no Inferno Verde, 6:11,13, era do Porsche 956, em uma volta completada pelo grande Stefan Bellof em 1983. Levou 35 anos para que alguém superasse esta marca – e foi a própria Porsche, que em junho 2018 colocou uma versão modificada e irrestrita do 919 Hybrid a Nürburgring e, com Timo Bernhard ao volante, virou 5:19,55. É pouco improvável que outra companhia consiga superar este feito nos próximos 35 anos.

Isto não impediu a Porsche, porém, de levar um 911 GT2 RS modificado para Nürburgring a fim de recuperar outro recorde – o dos carros de rua. Até agora, o mais rápido automóvel legalizado para as ruas a percorrer o Nordschleife era o Lamborghini Aventador SVJ que, ao virar 6:44,97 no dia 26 de julho de 2018 com Marco Mapelli ao volante, superou a marca do 911 GT2 RS. Este havia feito 6:47,25 em setembro de 2017 com o piloto Lars Kern no comando. E, só para mostrar que a briga é mesmo entre Porsche e Lamborghini, o recordista anterior era o Huracán Performante, que em 5 de outubro de 2016 havia feito 6:52,01, também com Marco Mapelli.

Em vez de questionar a legitimidade do teste da Lamborghini, que colocou no Aventador SVJ uma gaiola de proteção completa – algo que não é oferecido no carro vendido ao público –, a Porsche decidiu simplesmente armar uma revanche. Para isto, eles chamaram a preparadora Manthey Racing – da qual a Porsche tecnicamente é a dona, pois detém 51% da companhia. Com sua sede ao lado de Nürburgring, a Manthey Racing conhece a pista muito bem: além de oferecer kits de preparação para esportivos, a companhia organiza eventos no circuito e já venceu as 24 Horas de Nürburgring seis vezes, sendo a recordista em vitórias na prova de longa duração. A Manthey Racing também foi a responsável pelos dois Porsche 911 RSR que competiram nas 24 Horas de Le Mans em 2018, sendo que um deles foi o vencedor em sua categoria.

Foto: Gruppe C Photography

Pois bem: o Porsche 911 GT2 RS MR recebeu algumas modificações: um reservatório de água adicional (para o sistema de injeção de água, que ajuda a resfriar o coletor de admissão e, consequentemente, melhorar a eficiência da queima); novas pastilhas de freio e linhas de aço inox; e um pacote aerodiâmico que inclui canards no para-choque dianteiro e uma asa traseira maior. Não foram realizadas modificações no motor: o flat-six biturbo de 3,8 litros continua entregando os mesmos 700 cv a 7.000 rpm e 76,5 mkgf de torque entre 2.500 e 4.500 rpm. E o câmbio é o mesmo PDK de dupla embreagem e sete marchas.

Foto: Gruppe C Photography

As modificações foram suficientes para enxugar quatro segundos no tempo do Aventador SVJ, virando 6:40,33 – o que significa que o 911 GT2 RS MR também foi sete segundos mais veloz que a versão totamente stock.

A Porsche chamou novamente Lars Kern para conduzir o GT2 RS MR em Nürburgring, que só teve uma volta para tentar bater o recorde por conta do horário, pois já estava escurecendo. Ele diz que o trabalho da Monthey Racing foi muito bem feito e que o carro ficou muito equilibrado, sem exigir uma pilotagem extrema e arriscada para ser veloz. O onboard deixa isto bem evidente – e também merece elogios pelo posicionamento da câmera acima do capô, que dá uma excelente visão do trajeto percorrido.

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Embora o Porsche 911 GT2 RS MR seja legalizado para as ruas, ele não pode ser considerado um carro produzido em série devido às modificações realizadas pela Monthey Racing. Isto quer dizer que, tecnicamente, o Aventador SVJ ainda é o detentor oficial do recorde. O que o Lamborghini não é mais, porém, é o carro legalizado para as ruas mais veloz em Nürburgring.

Além disso, a Monthey Racing já anunciou que oferecerá todas as modificações feitas no 911 GT2 RS MR ao público – exceto pelo banco concha e o cinto de competição utilizados na volta recorde. Segundo a Porsche, os itens foram instalados apenas por questões de segurança e não trouxeram qualquer benefício em termos de redução de peso.

A Porsche não precisa mesmo provar nada a ninguém mas, se tratando de recordes em Nürburgring, pelo visto ainda há muito pano para a manga. Quem ganha, no fim das contas, somos nós – quanto mais demonstrações de habilidade no Inferno Verde para apreciarmos, melhor.