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Car Culture História

Porsche 911: monstro nas ruas, nas pistas e no… rali!

Se dissermos mais uma vez que o Porsche 911 é uma verdadeira lenda, estaremos repetindo o que o mundo inteiro diz há pelo menos 30 anos — chutando muito baixo. Há décadas a Porsche desafia a física para transformar uma máquina de motor pendurado na traseira em um devorador de curvas no asfalto. Mas a história do 911 não se resume apenas a sucesso nas ruas e nas pistas, porque o esportivo alemão também marcou história na categoria favorita de boa parte dos fãs de automobilismo: o rali. E este carro foi o primeiro deles.

Segundo a Porsche, o 911 é o carro que mais venceu corridas em todos os tempos, vencendo mais de 20 mil corridas desde 1963, quando foi lançado. Ainda que a estatística não seja oficial e a Porsche não é a única a clamar o recorde para si — a BMW diz que o carro que venceu mais corridas na história é o M3, por exemplo —, não deixa de ser um feito impressionante.

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Destas mais de 20 mil vitórias, uma parcela corresponde, claro, aos ralis. E não estamos falando de um bando de equipes privadas que resolveram ousar e levar um esportivo feito para o asfalto para saltar sobre morros de terra e derrapar em estágios no meio do mato. Estamos falando de uma equipe de fábrica que pegou o que basicamente era um 911 de rua e o transformou um um carro de rali.

Era 1978 e a Porsche havia acabado de lançar o 911 SC, que trazia como principal novidade a adoção definitiva do boxer de três litros e o fim do motor 2.7. O motor 3.0, uma versão aspirada do motor do 911 Turbo lançado em 1973, era mais confiável e potente, com 180 cv, e também era mais receptivo a modificações que aumentavam substancialmente sua potência.

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Sendo assim, o SC foi o modelo escolhido pela Porsche para sua estreia nos ralis — mais precisamente, no East African Safari Rally, que fazia parte do WRC. A competição que acontece desde 1953 era, na época, um verdadeiro teste de resistência para pilotos e carros, que enfrentavam mais de 5.000 km no selvagem deserto africano. Estradas ruins, subidas íngremes e um terreno que formava uma nuvem de poeira vermelha no tempo seco e ficava absurdamente escorregadio nas chuvas eram desafios até mesmo para utilitários com tração integral.

Para que os dois 911 fossem capazes de enfrentar as condições duras do deserto, a Porsche preparou ligeiramente os motores para que a potência aumentasse para cerca de 250 cv, deu a eles suspensão elevada — a altura em relação ao solo era de 28 centímetros —, amortecedores de curso longo e tanques de combustível de 110 litros. A carroceria foi depenada e os recursos reduzidos ao essencial e, naturalmente, os carros receberam gaiolas de proteção e reforços estruturais nos pontos mais críticos.

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Os carros também foram equipados com diferenciais blocantes e uma proteção de alumínio bastante espessa para o assoalho, de modo que os detritos que voavam por baixo dos carros a mais de 200 km/h no deserto não os danificassem. Não estamos falando aqui de bolhas sobre estruturas tubulares, e sim de dois Porsche 911 de verdade, que foram decorados com a clássica pintura da Martini Racing e receberam os números #5 e #14.

Os chamados 911 SC “Safari” se deram bem em terreno africano. Partindo de Nairobi, no Quênia, ambos tomaram a liderança em questão de meia hora — o carro #14, de Björn Waldegaarde e Hans Thorszelius em primeiro e o #5, de Vic Preston Jr. e John Lyall, logo atrás. Acontece que, ao cruzar um pequeno riacho lamacento, o carro de Waldegaarde acabou passando em alta velocidade sobre uma pedra e teve a suspensão traseira danificada.

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O carro ainda foi consertado a tempo de terminar a corrida em quarto lugar, mas àquela altura o outro Porsche havia perdido a liderança para a dupla de franceses Jean-Pierre Nicolas e Jean-Claude Lefèvbre em um Peugeot 504 V6, terminando a corrida na segunda posição.

Depois da decepção, a Porsche só voltou aos ralis em 1983, quando a equipe inscreveu um 911 no rali Paris-Dakar. A vitória viria três anos depois, em 1986, quando René Metge e Jack Ickx conseguiram uma dobradinha em seus Porsche 959 (que, por sua vez, eram baseados no 911).

 

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