A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture Duelo do Dia

Porsche Carrera GT e Ford GT à venda, mas você só pode escolher um – qual vai ser?

Você nem precisa ser um dos leitores mais antigos do FlatOut para conhecer a brincadeira: encontramos dois carros bacanas à venda e te obrigamos a escolher um só — sem se preocupar com o preço, pois dinheiro de faz-de-conta é infinito

Normalmente os carros têm que ter alguma relação. Hoje temos um Ford GT e um Porsche Carrera GT e, logo de cara, vemos que ambos têm seus nomes em comum. Mas não é só isto: ambos foram fabricados em 2005, ambos estão impecáveis, ambos foram os halo cars de suas fabricantes, e ambos têm motor central traseiro. As diferenças, contudo, estão nos detalhes. E, é claro, não tem choro: você só pode escolher um, então pense bem! Por sorte, vamos falar um pouco mais de cada um dos candidatos à sua preferência agora!

 

Ford GT

AM16_r165_001

Olhe bem para este carro e tente não admirar o que a Ford fez ao trazer as formas do clássico GT40, vencedor de Le Mans na década de 1960 (já contamos esta história, com direito a parte 1 e parte 2), para a década de 2000 praticamente sem alterações. Ainda que, é claro, os elementos modernos sejam evidentes (como os faróis e lanternas, rodas e pneus e detalhes de acabamento), a essência do bólido clássico está toda ali.

AM16_r165_002

Curiosidade: você deve saber que o Ford GT40 tinha este nome por causa de sua altura de 40 polegadas (1,01 metro). O GT é um pouco mais alto, com 43 polegadas (1,09), mas a Ford não iria chamar o carro de GT43, não é mesmo? Quer dizer, pensando bem, seria bacana… mas a gente está divagando. O fato é que, em proporções, o GT é praticamente idêntico ao GT40.

AM16_r165_011

 

AM16_r165_012

Como você já deve saber, o Ford GT foi idealizado em 2002, como parte das comemorações pelo centenário da companhia. Em 2005, a versão de produção estava pronta — e era a representação perfeita do que deveria ser um supercarro americano.

AM16_r165_003

A começar pelo motor: o V8 de 5,4 litros tinha projeto baseado no motor da Ford F-150 SVT Lightning, porém com bloco revisado e cabeçotes projetados a partir daqueles encontrados no Mustang SVT Cobra-R. Com um compressor mecânico do tipo twin-screw, comandos de válvulas com maior levante e cárter seco, como nos carros de corrida, o V8 ronca bonito demais e entrega 558 cv a 6.500 rpm, com 69,1 mkgf de torque a 3.750 rpm.

O câmbio é manual de seis marchas, exclusivamente, e o interior todo remete ao desenho do GT40 original — com destaque para o cluster de instrumentos, com o enorme velocímetro à direita, voltado para o piloto, como no carro de corrida. As portas não abrem para cima, e sim da forma tradicional, mas levam consigo boa parte do teto a fim de facilitar a entrada.

AM16_r165_004

Uma vez acelerando, você será capaz de chegar aos 100 km/h em 3,8 segundos, com máxima de 331 km/h. Além disso, a estrutura excepcionalmente rígida e leve (o Ford GT pesa 1.520 kg em ordem de marcha), aliada à suspensão do por braços sobrepostos, garantem que a dinâmica não fique atrás do desempenho em linha reta.

O Ford GT em questão será leiloado pela RM Sotheby’s no dia 12 de Março. Ele só teve dois donos durante toda sua vida, e rodou apenas 297 milhas (477 km) nestes 11 anos. Estima-se que o valor de arremate fique entre US$ 320 mil e 380 mil, ou algo entre R$ 1,26 e 1,5 milhão em conversão direta. Mas talvez você queira dar uma olhada na nossa outra opção…

Porsche Carrera GT

AM16_r160_025

O Porsche Carrera GT é nada menos que o antecessor do todo poderoso 918 Spyder. E, apesar de a gente curtir bastante toda a tecnologia hipercarro híbrido de Stuttgart, fica difícil resistir ao apelo old school do Carrera GT, com seu V10 aspirado na traseira e câmbio manual.

AM16_r160_026

Temos certeza que muitos leitores acabaram de se decidir, mas a gente vai continuar falando. O Carrera GT, idealizado em 2000, é fruto de um projeto de carro de corrida que não deu certo — ele seria o sucessor do Porsche 911 GT1, que venceu as 24 Horas de Le Mans de 1998. No entanto, depois de uma mudança no regulamento por parte da FIA (sempre ela…), o programa foi abortado.

AM16_r160_011 AM16_r160_012

Normalmente isto acabaria em mais um carro incrível que jamais se tornaria realidade. Mas sabe por que isto não aconteceu? Porque, na época, a Porsche havia acabado de lançar o Cayenne, que vendeu muito bem. Com isto, havia dinheiro em caixa. Por que não, então, transformar aquele protótipo de corrida em um supercarro para as ruas.

AM16_r160_003

A ideia inicial era usar um flat-six turbinado, mas no fim das contas a Porsche preferiu utilizar um motor V10 que havia sido desenvolvido secretamente para a Fórmula 1 em 1992. O ronco que sai pelo sistema de escape de inox é hipnotizante.

E o mesmo pode ser dito de seu desempenho — que é bem semelhante ao do Ford GT, diga-se. São 5,7 litros, 613 cv a 8.000 rpm (yeah!) e 60,2 mkgf de torque a 5.750 rpm. O câmbio também é manual de seis marchas, com embreagem de carbono-cerâmica e alavanca com pomo de madeira. É bacana ver como o visual do Carrera GT é atual (o 918 Spyder é uma clara evolução dele) mas que, em filosofia, ele é um carro bem old school. Oficialmente, o conjunto mecânico leva o Carrera GT até os 100 km/h em 3,9 segundos, com máxima de 330 km/h. Ele pesa 1.380 kg.

AM16_r160_004

Assim como o GT da Ford, carro está muitíssimo bem conservado — só teve um dono, que rodou apenas 1.905 km (1.184 milhas) com ele e sempre fez questão de mantê-lo impecável. O valor estimado para arremate pela RM Sotheby’s, também em Amelia Island, é de algo entre US$ 750 mil e US$ 850 mil, o que dá algo entre R$ 2,96 e 3 milhões.

Mas e aí, qual dos dois você levaria para casa? O Ford GT é consideravelmente mais barato e tem quilometragem mais baixa. No entanto, não é tão raro quanto o Porsche, com pouco mais de 4.000 unidades fabricadas entre 2005 e 2007. Em contrapartida, o Carrera GT teve 1.270 unidades produzidas e rodou um pouco mais — porém, pode sair por mais que o dobro do valor do supercarro americano. Não vamos opinar: esta batata quente fica com você. Aos comentários!

Matérias relacionadas

Paykan: a história do primeiro carro desenvolvido no Irã | Lasanhas Sem Fronteiras

Dalmo Hernandes

Clássicos quase zero: quando a restauração é feita pela própria fábrica

Leonardo Contesini

Faszination Nürburgring, completo: vinte minutos de insanidade ao volante do Ruf CTR “Yellowbird”

Dalmo Hernandes