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Project Cars Project Cars #65

Preparando um Nissan Skyline GTS-T em família: conheça a história do Project Cars #65

Para começar, gostaria de apresentar a equipe que estará por trás do Project Car #65: Nissan Skyline GTS-T R33 1997. Serão três pessoas responsáveis, eu (Matheus Augusto), meu irmão (George Augusto) e meu pai (Daniel Xavier).

Eu e meu irmão somos estudantes de engenharia mecânica e meu pai funcionário público aposentado. Como estou distante fazendo um intercâmbio na Inglaterra, serei responsável principalmente por escrever os textos do Project Cars e também auxiliar no envio de peças para o carro. Meu irmão e meu pai seguirão com a parte mais divertida do projeto que é colocar realmente a mão na massa.

Descobrindo os clássicos

Na nossa família todos sempre fomos apaixonados por carros, no entanto o envolvimento no mundo gearhead começou há 13 anos, quando meu irmão viu um Chevrolet da década de 1920 estacionado na garagem de um amigo do meu pai. Foi nesse momento que a semente do antigomobilismo foi plantada no meu irmão e se enraizou também nas cabeças minha e do meu pai. Por indicação desse tal amigo, o Tonhão, começamos a frequentar encontros de carros clássicos, como os de Lindóia e Araxá. No entanto, nesse momento uma coisa ainda faltava na nossa vida, o primeiro carro.

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Foto ilustrativa do nosso primeiro carro, um Riley 1948.

Após procurar em anúncios pela internet, meu pai decide ver um carro em Vitória/ES. No caminho ele resolveu visitar um amigo em Viçosa/MG, que ao saber do objetivo da viagem contou ao meu pai que havia um carro antigo na cidade que pertencia a um professor da UFV. Ao chegar à casa do dono, meu pai descobre que o carro é um raro Riley 1948 todo original e íntegro, uma verdadeira “mosca branca” como costumam dizer os antigomobilistas, mas ele resolveu não fechar negócio antes de ver o outro carro em Vitória. Chegando lá, o carro não interessou ao meu pai, que voltou a Viçosa e arrematou o carro. Depois de alguns anos, ele acabou vendido, mas ainda permanece na lembrança como nosso primeiro carro antigo.

Somando os clássicos aos esportivos

Depois do primeiro carro, muitos outros foram adquiridos, porém apenas carros antigos entravam na garagem. No final da década de 1990 e início dos anos 2000, duas principais influências marcaram o interesse meu e do George por carros esportivos: o jogo Gran Turismo 2 e o filme Velozes e Furiosos.

Revendo essas influências, vemos que nossas principais inspirações tinham como protagonistas os esportivos japoneses, mas o sonho de ter um carro com o Skyline sempre pareceu algo muito distante. Por outro lado, ter um esportivo brasileiro já era um sonho bem mais tangível.

Meu irmão é mais velho que eu, portanto foi o primeiro a tirar a habilitação. Como a ferrugem corria em suas veias a coisa mais certa que ele tinha na cabeça era não querer um carro novo. Ele nunca viu graça em rodar com carro do ano.

Nessa época já ficávamos de olho em leilões em busca de esportivos da década de 1990, até que um dia surge um Gol GTi 1992 Amarelo Sunny. Após convencer meu pai de dar lances no carro, conseguimos comprá-lo, e este foi o primeiro carro do meu irmão.

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Foto do meu Gol GTi pouco tempo depois de ter sido comprado.

Pouco tempo depois de eu também tirar carteira, surgiu outro Gol GTi no leilão, só que ano 1994 branco pérola. Nessa época o carro que eu realmente queria era um GTI 16v, mas ao ver esse quadrado com as rodas originais BBS e em ótimo estado de conservação, sabia que este seria meu primeiro carro.

Um grande achado

Uma das melhores maneiras de achar carros clássicos ou esportivos com um preço em conta é procurando em leilões. No entanto, é preciso sempre estar de olho nos editais, pois um dia aparece uma oportunidade de ouro, ou seja, a paciência é fundamental.

Os leilões promovidos pela Receita Federal geralmente têm lotes com carros “diferentes”. Estes veículos são provenientes de apreensões devido a casos como importação ilegal, contrabando de mercadorias etc. Foi num leilão desses que fizemos o que consideramos o nosso maior achado até hoje, um Nissan Skyline GTS-T 1997.

Quando vimos que o carro estava no edital quase nem acreditamos. Fizemos uma pesquisa rápida para tentar descobrir de qual modelo se tratava, porém devido à baixa qualidade das fotos não conseguimos decifrar tal informação. Nessa hora torcíamos para que fosse um GT-R, mas podia bem ser um simples GTS de aspiração natural.

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Um dos problemas, no entanto, era que o leilão iria acontecer na distante cidade de Ponta Porã/MS e tínhamos que ir alguns dias antes para a visitação dos veículos. Como estávamos de férias nessa época decidimos ir, pois mesmo que não comprássemos o carro, estaríamos viajando para a fronteira com o Paraguai, ou seja, pelo menos as compras estariam garantidas.

Saímos de Belo Horizonte rumo à Foz do Iguaçu de avião, eu, meu irmão, meu pai e um amigo. Chegando lá alugamos um carro e começamos a subir rumo ao destino, Ponta Porã. Chegamos um dia antes do dia da visitação e aproveitamos para fazer algumas compras na cidade. No outro dia quase não conseguimos esperar de ansiedade para ver o carro, ficamos esperando até o pátio abrir e fomos direto ver o tal Skyline ainda não identificado. A primeira coisa que o George fez ao achar o carro foi abrir o capô. Demos de cara com o lindo seis cilindros em linha turbo, o RB25DET.

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Ficamos um pouco tristes por não ser um GT-R, mas felizes por ser um GTS-T (esse “T” no final faz toda a diferença). O Skyline estava no pátio sabe-se lá desde quando. Ao lado uma Caravan que veio de “brinde” no lote do leilão.

O carro estava completamente empoeirado e com alguns arranhões na pintura, mas o motor parecia estar completo e o interior também estava em boas condições. O esperado Skyline depois de ser minuciosamente analisado atendeu às nossas expectativas. Faltava só esperar o leilão, que aconteceria em dois dias.

O grande dia

Finalmente o dia tão esperado chegou, acordamos cedo e fomos direto ao auditório onde seria realizado o leilão. Chegamos ao local e ainda não havia muitas pessoas e ficamos torcendo para que continuasse daquele jeito. Analisamos as pessoas no local para tentar identificar compradores potenciais, pois sabíamos que se tivesse alguém com muita grana querendo o carro não teríamos muita chance.

Os lotes foram passando e o frio na barriga aumentava à medida que a hora do Skyline chegava. Quando finalmente chegou o momento sabíamos que não podíamos bobear, pois alguns leiloeiros batem o martelo antes mesmo da conhecida contagem regressiva. Os lances já começaram intensos e dispersos até que após certo valor a disputa ficou entre meu pai e outro comprador. Nesse momento já estava incerto se conseguiríamos mesmo comprar o carro, mas meu pai não abaixou a mão nem mesmo entre os lances. Após alguns minutos (que pareceram horas) de disputa, o leiloeiro finalmente bateu o martelo e quase nem acreditei: éramos donos de um Nissan Skyline.

Trazendo a joia para casa

Na maioria dos leilões, mesmo o lote sendo pago no dia da arrematação, demora-se por volta de uma semana para a liberação do mesmo. Dessa maneira tivemos que voltar para casa sem poder levar a máquina com a gente, pois nossas aulas estavam prestes a recomeçar.

Nissan-GTS-T

Carro na carretinha pronto para vir para casa.

Ficamos então na expectativa da liberação e meu pai já planejou uma viagem com seu motor home para ir buscar o carro. Partiram de Belo Horizonte meu pai, e outros dois amigos. Essa viagem durou cinco dias, mas para mim e meu irmão, que ficamos em casa esperando, esse tempo pareceu bem maior. Graças a Deus tudo ocorreu bem e o carro finalmente chegou ao seu novo lar. Nesse mesmo dia não conseguimos aguentar de ansiedade e já fizemos funcionar o motor pra ouvir aquele ronco lindo do seis-cilindros.

O projeto

Quando compramos o Skyline ele já havia algumas modificações como amortecedores com ajuste de pré-carga das molas, bancos provenientes do modelo GT-R, rodas de 18 polegadas e a turbina do modelo R34. Pudemos perceber pelos ajustes de suspensão que o carro era usado para drift no Japão, mas o nosso objetivo é transformá-lo em um devorador de pistas para uso em track days e eventos de arrancada. Nos próximos posts falarei mais sobre as modificações planejadas. Até lá.

Por Matheus Augusto, Project Cars #65

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