Prince Skyline Sports: conheça o mais antigo ancestral do Nissan GT-R

Dalmo Hernandes 11 junho, 2018 0
Prince Skyline Sports: conheça o mais antigo ancestral do Nissan GT-R

O Nissan GT-R pode ter mais de dez anos e já não causar o mesmo impacto quando aparece nas ruas, mas não importa: seu nome já está para sempre gravado na história dos carros esportivos como o cupê com motor V6 biturbo e tração integral que veio do Japão para enfrentar supercarros europeus muito mais caros e sofisticados. Um esportivo superdimensionado, capaz de suportar facilmente o dobro da potência de fábrica com o miolo do motor original e repleto de truques eletrônicos para garantir o máximo aproveitamento de sua força em toda situação. O Godzilla já é um mito.

Agora, muitos dizem que a linhagem do Nissan GT-R começou em 1968, quando a Nissan lançou o primeiro modelo a portar a sigla. O Nissan Skyline 2000GT-R é um ícone entre os admiradores dos clássicos japoneses por seu visual matador (a versão cupê tinha até alargadores de para-lamas com rebites à mostra, como os carros de corrida da época) e por seu motor seis-cilindros de dois litros e 160 cv, o S20. Com ele, o “Hakosuka” era capaz de chegar aos 195 km/h, marca impressionante cinquenta anos atrás.

Agora, se formos cavar a fundo na origem do GT-R, precisamos olhar ainda mais longe no passado. Olhar para uma época quando o Skyline sequer era um Nissan, mas sim um Prince.

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A Prince Motor Company era uma das rivais da Nissan no fim dos anos 50. Em 1957, a marca lançou o Prince Skyline, sedã de luxo que lembrava os modelos americanos da época. A segunda geração foi lançada em 1963 e ficou com um visual mais retilíneo e moderno, tornando-se eventualmente um dos carros mais vendidos do Japão. Isto levou a Nissan a olhar a concorrente com outros olhos, enxergando potencial em seus produtos, e em 1966 acabou comprando a Prince. Não foi uma aposta cega: a Nissan absorveu tudo o que a companhia podia oferecer — de recursos financeiros à tecnologia, e até alguns nomes de modelos. Sendo assim, a partir de 1968 o Prince Skyline se tornaria Nissan Skyline.

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Explicamos esta história com mais detalhes neste post, do qual recomendamos fortemente a leitura. Mas agora, vamos falar um pouco mais do Skyline de primeira geração. O carro lançado em 1957 era bem parecido com um Chevrolet Bel Air 1957, porém de porte mais contido e equipado com um motor quatro-cilindros de 1,5 litro e 70 cv. Era um carro bonito, sim, mas que não trazia nada que fosse extraordinário para a época. Ele foi vendido entre 1957 e 1964, quando foi substituído pela segunda geração – um carro similar em concepção, porém com formas mais modernas.

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Em 1960, porém, a Prince decidiu que precisava entrar com o pé direito na nova década, criando um carro mais sofisticado e esportivo para causar uma boa impressão e estabelecer uma nova identidade visual. Ficou resolvido que o carro utilizaria o nome Skyline, aproveitando o sucesso do sedã. E assim nasceu o Prince Skyline Sports.

O carro era feito sobre o Prince Gloria, que por sua vez era uma versão mais luxuosa e potente do Skyline, com motor de 1,9 litro e 94 cv. Agora, se a plataforma era a mesma, a carroceria era completamente diferente. Consegue enxergar o DNA italiano?

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Os faróis quádruplos, por exemplo, dão um olhar exótico ao Nissan Skyline Sports e nos trazem imediatamente a memória da Ferrari 330 GT 2+2, gran turismo criado pela Ferrari em 1963 para o mercado norte-americano, dotado de um V12 Colombo de quatro litros com 300 cv e carroceria projetada por Tom Tjaarda no estúdio Pininfarina.

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Mas o Skyline Sports, que teve versões cupê e conversível, era obra de outros italianos. A Prince, em uma atitude que foi vista como inovadora na época, contratou a Carrozzeria Michelotti para desenhar o carro, que tinha um perfil mais baixo e alongado, com traseira longa e ampla área envidraçada – e sem coluna “B”, como cupê legítimo. O motor era exatamente o mesmo do Prince Gloria, com os menos 95 cv, acoplado a uma caixa manual de quatro marchas com alavanca na coluna.

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Apesar de compartilhar o mesmo entre-eixos dos sedãs, de 2.535 mm, o Skyline Sports era 370 mm mais longo, com 4,65 m de comprimento total. Por isso, era também 50 kg mais pesado, com 1.350 kg. Por isto, apesar do nome ele não era exatamente rápido, com velocidade máxima de 150 km/h.

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De qualquer forma seu intuito não era mesmo ser rápido, e sim causar impacto pelo visual e pela estética. Por isto a Prince fez dele uma série limitada, com cerca de 60 unidades construídas artesanalmente, entre cupês e conversíveis. Um deles, o exemplar dourado que aparece nestas fotos detalhadas, pertence ao museu Nissan Heritage Collection.

Prince-Skyline-Interior-2Prince-Skyline-Back-Seats

O carro é mantido em condição impecavelmente original, sem qualquer tipo de restauração – é por isso que dá para ver as marcas no couro dos bancos e nos tapetes, pois trocar o revestimento dos bancos de um carro do acervo oficial nesse caso seria quase um crime. Afinal, esta é uma das 60 unidades do primeiro cupê esportivo chamado Skyline que existiu. Mesmo sendo relativamente desconhecido, ele marcou o nascimento de um ícone.

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