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Project Cars Project Cars #462

Project Bikes #462: conheça a Honda CG Street Tracker do Eurípedes Marley




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Falem, jovens! Como andam? Cá estou novamente, meu terceiro Project car, cês acreditam? É muita doença né? Bom, dessa vez pelo menos é um haxixe mais leve e barato! A história que vou contar aqui é a realização de mais um sonho de infância meu, que era fabricar minha própria moto em casa, como fazia com as bicicletas, mesmo que isso tenha acontecido por acaso. Acho (quero acreditar nisso).

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O começo!

Não estava nos planos, em 2017, adquirir uma moto, mesmo eu gostando demais e quase sempre tendo uma na garagem, a grana falava mais alto que a vontade. Até que aquele velho djabinho brotou na minha mente no formato de um amigo(beijos Cunha!), o jovem tinha um belo Corcel II a venda e um amigo dele de CWB tinha uma CG Bolinha 1980 que queria dar na troca, como meu nobre amigo não curte moto perguntou se alguém queria pegar no repasse, eu tava ali sem fazer nada, porque não? hahaha

Bom, já sabem né, a mão de se incomodar chegou a tremer. Tudo negociado partimos para Curitiba buscar a jóia e entregar o Corcel! A descrição da moto era que estava zerada, impecável e relíquia, e realmente parecia!

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Uma vez doido, sempre doido!

Ouvia minha noiva falar: deixa essa moto assim seu retardado! Ela tá bonita e tá andando!

Cês me conhecem né? A primeira coisa que fiz foi desmontar ela inteira pra dar um confere e o que vi não foi nada bom. Tinha muita maquiagem na bichinha — gambiarras elétricas, coisas amarradas do jeito que dava, massa no tanque, e uma queda lateral que comprometeu algumas coisas. 

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Nesse momento tinha duas opções: reformar do jeito original, que é caro demais pra essas motos desse ano, ou fazer um projetinho. Já sabem pra onde eu fui né?

Primeira coisa foi pensar em qual projeto eu iria me inspira. Na época já se falava demais aqui no Brasil sobre café racer, eu já acompanhava a cena muito antes disso e quando a coisa alçou voo aqui no Brasil eu desanimei um pouco porque tudo virou café racer,  e eu gosto de algo mais para o exclusivo e do meu jeito. Resolvi fazer uma Street Tracker, que é uma variação do projeto Café, mas de posição mais ereta, visual mais limpo, pneus maiores e garrudos. Desmontei da moto o que não iria usar pra fazer uma grana, essas peças vendem fácil e iriam me ajudar a bancar o projeto!

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Bota casaco, tira casaco!

Minha noiva falou durante todo o projeto: Mas meu Deus, para de montar e desmontar essa coisa! O mais importante nesse tipo de trabalho é desenhar, testar, medir, montar e desmontar quantas vezes forem necessárias para não errar (tanto, porque errar é necessário também). Primeira coisa que eu precisei agilizar, que influencia muito na moto como um todo foram as rodas e o guidão. Bom, as rodas porque impactam na largura do quadro elástico e bengalas, e no comprimento total da moto. E o guidão por conta da altura e posição de pilotagem, a partir disso se posiciona tanque e mede-se a altura do banco, pra ficar confortável, pelo menos da maneira que eu queria que ficasse.

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Medições feitas, já com as rodas novas e pneus(essa duvida dos pneus vai aparecer, então já fica aqui a info, usei 110/90 na frente e 120/90 na transeira, aro 18(medida original da Bolinha)) e guidão, comprei um fatbar da Oxxy que na primeira montagem ficou irado! Bom, desse ponto parti para o trabalho de tirar a tinta das peças que iria manter(tanque, quadro, bengalas, motor e suportes). Eita trabalhinho desgraçado! Fora esse produto que corrói até o osso.

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Feito isso passei para mais um passo de montagem e definições, dessa vez da traseira (conjunto do quadro, paralamas e lanterna, já considerando possível posição da placa) e da dianteira(altura e posição do painel e suporte do farol, já considerando os piscas). Essa parte é chatinha porque muito além do teu gosto, existe a parte funcional que influencia diretamente na ciclística e nas fatídicas leis de transito hahaahha que eu não queria infringir tanto pra não me incomodar mais do que já iria.

Bom na traseira peguei o paralamas original como base, uma tampa de spray pra simular a lanterna e um pedaço de cano pra medir a inclinação da curva que soldaria na ponta do chassi(única mudança no quadro da moto). Nesse momento percebi que não gostei do comprimento total da moto, na medição que fiz antes não tinha o paralamas e por isso o pneu ficou mais fora da linha, que pra mim fica mais agradável, mas deixei assim nesse momento. Na dianteira não iria mexer muito, só um suporte diferente para o farol, já que não iria usar o original(que tampa a bengala).

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Nesse meio tempo vendi muitas peças originais e paralelas da moto e comprei as peças que precisaria para fazer mais montagens e simulações de como ela ficaria. E inevitavelmente, se você tem a mesma pira que eu, vai comprar um monte de coisa que não vai usar por mudar de ideia.

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Ah os famosos problemas!

Fiz a montagem das rodas com os aros e pneus e parti para a próxima validação: vai servir essa merda no quadro elástico e nas bengalas? Afinal, medir seco é uma coisa, ter o set montado com pneus calibrados é OUTRA história. Resultado, a dianteira passou por 1mm de cada lado, e a traseira estava pegando na base do quadro elástico quando o pneu estava na calibragem correta, ou seja, me ferrei! 

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Fui pesquisar as opções que tinha pra resolver isso, a traseira era mais fácil, corta na parte reta do quadro elástico, solda uns cms de cano com outro por dentro pra reforçar e voilá! A dianteira que o bicho ia pegar, perdi mais tempo avaliando possibilidades e quebrando a cabeça sem ter peças sobressalentes pra medir e tirar a duvida. Até que resolvi arriscar quando surgiu a oportunidade de uma mesa de Bros 150, abracei e trabalhei nela pra resolver meu problema, mas malandro, foi um trabalho do cão!

Tive que:

– Medir o diâmetro pra descobrir qual bengala ficaria melhor, comprimento era o mais preocupante, não queria que virasse uma chopper, né? Usei bengala de CG 150 das mais novas;

– Barra de direção eu teria que serrar fora e soldar uma da Bolinha, por conta do comprimento, diâmetro, rolamento e porca central. No fim tive que fazer os rolamentos customizados especialmente para o meu projeto, ou seja, peguei daqueles rolamentos separados(que você monta com as bolinhas separadas) e acertar na dremel a altura e profundidade para as bolinhas servirem e ter espaço suficiente na porca central, literalmente fabriquei a porra toda;

– A parte de cima da mesa da Bros tem aquele câncer do painel embutido, tive que serrar e dar acabamento em tudo pra poder por o meu painel;

– O ângulo entre a barra de direção e as bengalas é muito menor que a da mesa original da bolinha, ou seja, meu ângulo de ataque pra virar o guidão foi pro espaço e com isso o fim de curso que tem no quadro, tive que fabricar uma peça pra bengala não pegar no tanque e a moto não ficou aquela Brastemp para manobrar;

Dito isso, se forem inventar uma dessa NÃO USEM MESA DA BROS!

Nesse meio tempo chegou meu carburador, resolvi comprar um Koso, de competição, com guilhotina e a porra toda, pra além de uma performancezinha a mais (afinal é uma CG125) ele também é bonito. Falando nisso, fiz o motor inteiro, troquei todo o miolo por peças novas(nesse momento o sorriso era difícil de conter, set de pistão e biela R$80,00 reais, quase igual o 306!), e meti um cambio cinco marchas também, porque o de 4 marchas original ninguém merece! A parte do motor foi a mais de boa pra resolver!

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Motor pronto, montado e pintado, fiz mais uma rodada de medição, com o amortecedor traseiro(comprei novo e todo cromado, já era a ideia), aqui vocês podem já ver também a primeira idéia para a placa.

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Nesse momento começou a sessão da pintura, o tanque foi o primeiro, demorei pra fechar a ideia de como ia ser o desenho do tanque, mas tinha certeza que iria manter no tom original da moto (cinza) e teria um toque especial. Pra esse trampo contei com a ajuda de um amigo de Joinville que tem uma oficina de customização irada, o Bob da Bob’s Garage Motorcycles, manda muito na pintura principalmente! No fim resolvi usar um cinza com uma faixa grande preta, uma linha divisória em branco e o símbolo old school da Honda.

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Hora de testar mais algumas coisas na montagem, chegou a lanterna traseira e antes de fazer a solda a curva do chassi montei para uma avaliação. Optei por uma lanterna pequena, de led e já com a luz de placa embutida.

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Mérde! De volta a prancheta!

Voltamos a treta das medidas que não deram certo, fui avaliar para cortar e soldar o quadro elástico e descobri que porra tava empenada –’ sem duvida reflexo da queda que o ex dono teve. Bom, voltar a peça não era uma opção. Lá vou eu correr atrás de opções, medir, testar, errar e fazer de novo. Descobri que poderia talvez usar um quadro elástico das CGs a partir de 2000, que tem um comprimento já maior, consegui uma para testar e deu certo, teria que fazer uma pequena redução no suporte do eixo central, mas nada que um disco de corte não resolvesse!

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Voltando ao prumo!

O tanque ficou pronto, isso deu um animo, porque ficou do extremo [email protected]#[email protected], como vocês podem ver…quero dizer, podem não, as fotos não fazem jus! Bom, a cereja ta ali, em cima, um decalque da NSR irado que o Bob fez!

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Como não resisti, adivinhem o que eu fiz? Sim, montei de novo pra ver como o tanque pintado ia ficar!

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E é isso caras, no próximo, e último, post começa a montagem final, a fabricação de mais algumas peças e ajustes antes de por ela pra rodar!

Bônus!

Na ida pra buscar o tanque no Bob tava rolando um evento e tinham algumas relíquias de babar por lá, como podem ver! A Chevy é do Fabiano da Rusty Custom, que fabrica replicas das Board Tracker de 1910 à 1915(tem uma na foto abaixo) e o Charger RT é de um amigo, todo original e impecável, set de escape completo Magnaflow, V8 redondo, coisa linda de Deus!

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Por Eurípedes Marley, Project Cars #461

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