Project Cars #104: a evolução do Fórmula SAE da equipe UFFormula

Diego Augusto 28 julho, 2014 33
Project Cars #104: a evolução do Fórmula SAE da equipe UFFormula

Tudo certo, pessoal do FlatOut? Me chamo Diego Marques, tenho 22 anos e sou estudante de engenharia mecânica na Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda (RJ). Meu amor por carros começou desde cedo, assim como a busca por saber como eles funcionam, e tenho um gosto em especial por hot rods e caminhonetes antigas como a F-100 (quem sabe no futuro…). Entretanto a vontade de conhecer melhor carros de Fórmula 1 também me levaram a entrar na engenharia e procurar um projeto voltado pra esse meio. Aqui entra o projeto UFFormula.

 

O Projeto

O UFFormula teve início em 2011 com a criação do primeiro time e a adequação às regras da Formula SAE Brasil. Procuramos a ajuda de outras equipes e por final fizemos uma visita à própria competição para observar o que os outros estudantes estavam fazendo com seus protótipos. A partir dali começamos a organização e as idéias para o projeto.

FlatOut 2014-07-28 às 13.52.55

Já no ano de 2012 começamos a luta para a construção do nosso primeiro protótipo o “Ousado 1º”, como já diz o nome estaríamos ousando pela primeira vez fazendo realmente o projeto acontecer e desafiando muitas pessoas que não acreditavam no potencial do projeto.

A primeira grande decisão que tomamos foi a escolha do nosso motor, oque afetaria todo o projeto desde o projeto da estrutura, a transmissão, peso do carro, entre outros fatores. Tínhamos em mente motores de diversas marcas como Honda, KTM, Kawasaki, Yamaha… todos com até 610 cm³ ( regra da competição ).

foto 2

Por falta de recursos financeiros e patrocinadores tivemos que optar por um motor mais antigo e não muito indicado para se utilizar no protótipo que foi o motor da CB400, mas como somente tínhamos essa possibilidade continuamos na batalha projetando o protótipo com esse motor, que por sinal era carburado. A base do projeto principal foi a suspensão duplo A, diferencial de Gol, estrutura em gaiola de tubo, pinças de freio da Falcon, transmissão (coroa, pinhão e cremalheira), entre outros.

Por final conseguimos levar nosso protótipo para a competição e como para toda equipe nova tivemos alguns contratempos, mas com o empenho da equipe conseguimos uma boa colocação entre as equipes iniciantes.

foto 3

Assim chegamos em 2013 com uma equipe mais experiente e com conhecimento do que enfrentaríamos na competição. Focamos na diminuição de peso, o qual fizemos um melhor dimensionamento tanto de nossa estrutura quanto de peças importantes para o carro, como manga de eixo e pedais, entre outros.

foto 4

Com o mesmo problema de recursos do ano anterior tivemos que utilizar o mesmo motor de 2012 o da CB400, mas nesse ano resolvemos usar um módulo de injeção FT300 da Fuel Tech, o qual nos possibilitou a otimização de nosso sistema de alimentação e várias possibilidades novas para estudarmos e conseguir o máximo do motor. Fizemos um mapeamento melhor eletronicamente no protótipo utilizando um Arduíno trabalhando juntamente com sensores que mediam rotação e temperatura do motor, voltagem da bateria, entre outros. E por final um enfoque especial em nossa carenagem, a qual nos rendeu elogios na competição.

FlatOut 2014-07-28 às 13.53.05

A competição de 2013 foi um divisor de águas para a equipe mostrando o potencial tanto do projeto teórico quanto da capacidade de fazermos um protótipo mais competitivo e com isso chegamos em 2014.

Esse ano o planejamento é que aconteçam grandes avanços em todos os setores desde a troca de nosso motor para o TXR 450 da Tokens, possibilitando mais torque para o carro e também a redução significativa de peso.

foto 5

Compramos pinças de freio Wilwood especiais para competição, fizemos um estudo aerodinâmico para implementação de asas e difusor no protótipo, e também compramos um Xbee, um componte eletrônico que permite a aquisição de dados por telemetria. Todos os detalhes da construção do carro deste ano e as modificações serão contados no próximo post. Abraços e até lá!

Por Diego Augusto, Project Cars #20

0pcdisclaimer2

  • Renato Souza

    Belo projeto e esse acompanharei de perto!
    Em particular o que não gosto não tem nada com o projeto em si, mas sim o escape.

    Protork não serve nem pra peso de papel, escape porco de mais, não aguenta a pressão e se deteriora com o tempo!
    Mas é o que tem o preço mais acessível, embora o projeto não seja focado no som que ele produzirá…. então continua sendo um beeeelo PC!

    • DeenisV12

      Pro Tork é dureza mesmo, mas dos baratos é o menos restritivo e mais leve

    • haha é verdade Renato, infelizmente foi o mais acessível para o projeto e foi o melhor custo/beneficio encontrado. Na competição ele tem que estar funcionando impedindo que o barulho supere 110 db ( passamos por uma prova chamada noisy) e ele está nos ajudando haha! Quando tivermos a oportunidade pode ter certeza que vamos olhar esse lado. Muito Obrigado pelo post ! E pode esperar que já já tem mais !

  • RLOPES

    OFF,
    para quem quiser chorar junto …
    http://www.carrosinuteis.com.br/

  • carlosvr6

    Parabéns pelo projeto!

    Fiquei curioso com uma coisa, sem a carenagem dá pra ver que o balanço dianteiro é curto, mas com a carenagem ele fica gigante, tem alguma razão técnica pra isso?

  • Brazooka

    Este parágrafo:

    “nesse ano resolvemos usar um módulo de injeção FT300 da Fuel Tech, o qual nos possibilitou a otimização de nosso sistema de alimentação e várias possibilidades novas para estudarmos e conseguir o máximo do motor. Fizemos um mapeamento melhor eletronicamente no protótipo utilizando um Arduíno trabalhando juntamente com sensores que mediam rotação e temperatura do motor, voltagem da bateria, entre outros. E por final um enfoque especial em nossa carenagem, a qual nos rendeu elogios na competição.”

    É SHOW DE BOLA!
    Tu compartilhaste conosco os equipamentos de controle que vocês utilizaram!
    A carenagem saiu do padrão quadrado/retangular/molde simples, e vocês pegaram um motor “cru” eletronicamente falando, e implementaram controle digital (e, claro, “apanharam” no processo – essa experiência NINGUÉM MAIS TIRA de vocês)!

    Parabéns, pessoal!!!
    Pode não ser o supra-sumo da tecnologia, como outro fórmula SAE com motor elétrico importado dos aliens/outra galáxia, mas vocês fizeram nascer um “carro-bebê” com pouquíssimos recursos e digno de nota!

    • Muito Obrigado! Quando faltam recursos temos utilizar oque temos e como você falou a experiencia é nossa melhor recompensa ! Qualquer ajuda é sempre bem vinda se tiver alguma idéia estamos aqui ! aha

  • Igor

    Motor era da CB400 correto ? Poderia ser feito algo nele pra deixar pra 610cc ? O motor original poderia ser alterado ? E motores dois tempos poderiam ser usados ? Um da RD350 aumentado pra 450 acho que daria um belo caldo, apesar de não ser um motor muito torcudo … se grana não fosse problema seria TOP colocar o motor da Ducati Monster 2003 … um bi-cilindrico bem torcudo com 80cv !

    • DeenisV12

      acho que o regulamento não permite dois tempos, pra aumentar a cilindrada teria que trocar as camisas e os pistões e ainda correr o risco de não ficar bom ou rachar as paredes do bloco, talvez nem compense

      • Igor

        Por que o da 750 não é muito diferente eu acho.
        100cc a mais acredito eu que não mudaria tanto assim o bloco e como o torque seria algo importante um aumento no curso seria de bom ganho.

    • DeenisV12

      já andei em um kart com motor de RD350, aquele sistema YPVS é do capeta, é um VTEC com esteroides haha

    • Opa igor obrigado pelas idéias infelizmente a formula SAE não permite o uso de motores 2 tempos e também é restringido a admissão de ar pro motor pelo motivo de segurança. É possivel sim alterar o motor, entretanto pra gente fica bastante custoso e não fica viável ( por enquanto haha). Mas esse ano com um patrocinador como a TOKENS nos ajudando com um motor de 450cc acho que já vai dar um up no projeto! Qualquer ajuda é bem vinda! Obrigado.

  • Adroaldo Henrique

    Amigo como funciona esse sistema do xbee. Entrei no site do fabricante e la não mostra a aplicação para automobilismo. Quais as capacidades e o que ele pode fazer para a telemetria? É viavel para trackdays ou é muito especializado? Abraços!

    • Adroaldo o Xbee é somente um componente, o qual utilizamos juntamente com o arduino (é como se fosse o componente responsável por enviar os dados por antena até um receptor e o Arduino trabalhando como um miniprocessador que faz a leitura dos sensores no carro e encaminha pro xbee mandar por sinal para o computador). Não é muito dificil de se utilizar e a programação é relativamente fácil de se entender. Se for do seu interesse posso te encaminhar diretamente pro responsável desse setor aqui no projeto, o qual poderá melhor te ajudar. Muito Obrigado pela dúvida e espero que acompanhe nossa evolução !

      • Adroaldo Henrique

        Valeu diego! Queria ver se arrumava uma solução que funcionasse proximo ao protune mas que não custasse 4k , kkkkk. Hoje eu uso o Gtech que funciona muito bem no realtime (até melhor que o protune) pq eu faço as seccoes da pista e ele me mostra se eu baixei ou aumentei o tempo em kd seccao. Mas o protune da muita informação util via odb2, quando voce coloca no computador.

        Abraços!

  • kudos pelo uso do Arduino…

  • Parabéns pelo projeto e o motor de CB400 tomara que dê certo.

    • Em 2013 conseguimos mapear bem com o módulo de injeção o motor, entretanto esse ano mudamos para o TRX 450 da TOKENS ( motor concorente da CRF 450) que virou nosso patrocinador e agora com mais torque e mais leve o projeto promete !

      • Então vai ficar melhor, parabéns pelo projeto.

  • Guido Ferreira de Almeida

    E o Motor da Hornet?

    • Então Guido existem bastante equipes que o utilizam, entretanto para nós que não precisamos de alta velocidade e sim torque para aceleração e retomada de velocidade um motor de moto de trilha é excelente para o projeto (monocilíndrico) e principalmente o peso, além de também ser mais fácil fazermos o pleno para admissão e programar a injeção eletrônica.

      • Dibsdibs

        Diego,

        O motor sozinho sem admissão e escapamento tá pesando quanto? é facil de encontrar peças de reposição? Conseguiu patrocínio com a Tokens??

        Valeu, abraços!

        • Dibsdibs

          Li aqui em outra resposta que vc conseguiu o patrocínio, mas poderia me esclarecer esses outros detalhes por favor?

          Valeu!

        • Opa então pesa mais ou menos 32 kg e as peças são tranquilas de se encontrar ( um pouco caras, mas fácil de se encontrar).

          • Dibsdibs

            Blz. Ela originalmente é carburada né?
            Você tem noção do peso aproximado do motor da CRF 450?

            Valeu!

  • MSF

    Primeiramente parabéns pelo projeto !
    Fiquei muito feliz de saber que a UFF de Volta Redonda tem uma equipe de Formula SAE ! Vou começar o curso de Eng. Mecânica e seria maravilhoso poder fazer parte dessa equipe !

    obs. queria ver esse carrinho andando no kartodromo de Vr porque moro aqui perto e fico doido vendo os karts acelerando imagina um Formula SAE !!

    • MSF já estou finalizando o vídeo dele andando no kartódromo quando estiver ok posto aqui pro pessoal ver ! E seja bem vindo a engenharia quando quiser é só aparecer em nossa oficina na faculdade !

  • Otavio Ribeiro

    Aooo UFF, se precisar de alguém com boa vontade para pilotar, sou de BP e estou disponível.

  • Phenx

    Curti muito usarem arduíno nele! Pensei esses dia com meu pai sobre usar o arduíno no caso de se fazer um projeto DIY para injeção eletrônica/controle do carro. Massa!