A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #112

Project Cars #112: escolhendo o novo motor para meu Monza S/R – C20XE, 2.2 16v ou V6 ?

Pois bem, depois de ajustar os freios ao propósito do carro, agora eu não tinha mais desculpa pra não ir atrás do motor. Mas será que ia ser fácil assim?

Resolvi começar da única referência que eu tinha: o Fábio, da EBTech. Em algumas das conversas que tive com ele, a missão que eu tinha, antes de ir atrás de um motor pra comprar, era medir o motor e o cofre do carro e ver se cabia. Física clássica. Para tal, ainda precisaria encontrar um Captiva e medi-lo de cabo a rabo. Ou um Omega.

foto01

O motor Alloytech 3.6 V6, de código LY7, famoso por ser o motor do Captiva, veio inicialmente para o Brasil em 2005, equipando o Chevrolet Omega de mesmo ano/modelo, cópia do Holden Commodore VZ, australiano. Apenas o coletor de admissão era diferente, sendo mais baixo no Omega e mais alto no Captiva. E, coincidentemente, eu tinha exatamente um desses em casa, cujo responsável pela compra foi exatamente o Monza.

foto02

A história foi a seguinte: no dia em que fiz um mês de namoro, resolvi levar a namorada pra ver o por do sol num lugar bacana e ir comer um sushi na volta. Pra isso, minha única opção no dia era o Monza. E no meio do caminho, mesmo andando na manha, o ponteiro da temperatura resolveu ficar no topo do medidor e não descia nem a pau. Fui com o redondinho na mão, mas cheguei no lugar.

Ficamos um pouco e uma chuva feia começou a armar. Na hora de ir embora, passei num posto pra completar a água do radiador e, ao sair de lá, o mundo caiu: chuva apocalíptica e muito granizo. Meti o pé atrás de outro posto pra proteger o carro das pedras de gelo e, no meio do caminho, passei por uma baixada que, naquele momento, passava um rio de enxorrada. E o que acontece quando você passar com carros que têm distribuidor por cima de grandes volumes de água? Pois é.

Fui com o carro se arrastando até o próximo posto e, ao chegar lá, ele apagou. E só tive a “honra” de vê-lo funcionar quase 1h mais tarde, depois de ter acabado com os guardanapos da conveniência do posto tentando secar o distribuidor levando chuva nas costas e quase acabando com a bateria de tanto dar partida. E com a namorada dentro do carro. Arreganhei o afogador e, com ele engasgando mais que a Dilma fazendo discurso, consegui chegar no restaurante. Chegamos, comemos, e na hora de ir embora, adivinha se ele pegou? Naquela hora, todo o entusiasmo ia por água a baixo e eu me convencia que precisava de um carro mais novo. E, assim, surgiu o Omega.

foto03


Alguns dias depois, eu percebi o carinho que eu tinha usado pra fechar a porta dele no dia.

E quando eu resolvi colocar os dois lado a lado e fazer as medidas, eu broxei: não medi com tanto capricho, mas algumas das medidas que fiz com uma trena tinham cerca de 15cm de diferença entre os dois carros. Curto e grosso: simplesmente não cabia. E como eu nunca quis rasgar o carro inteiro pra colocar o motor e não tinha à disposição soluções como a que o colega da Tempra SW com motor V6 de Alfa teve, comecei procurar uma alternativa pra continuar com o plano do V6. E encontrei esse cidadão:

No carro dele, ele usou um V6 3.0 de código X30XE, com pouco mais de 200cv, que equipou os Omega B europeus e, pelo que eu vi no tópico dele no mk2cav, não precisou cortar nada do carro pra tudo se encaixar com certa facilidade. Ótimo, agora eu só precisava de um desses. E, de repente, o euro chegou perto dos R$4,00 e a libra esterlina passou dos R$5,00. E, assim, o plano do V6 ficava adiado.

Foquei, então, no plano B. Afinal de contas, do jeito que estava, não dava pra continuar: o 1.8 original a álcool, alimentado por carburador, nem andava o suficiente (sofria pra despachar alguns 1.0) e nem era econômico (média de 6km/l). Então, vamos ao 16V.

A primeira opção, obviamente era o C20XE, com seu cabeçotão muito doido e seus 150cv. No entanto, todo motor que eu encontrava à venda era parcial (apenas o bloco), não tinha documento ou simplesmente era muito caro. Até que um dia, um amigo me avisou de um Vectra e um Kadett, ambos GSi, que seriam leiloados pelo Detran daqui como sucata. No outro dia, fui no depósito ver isso de perto.

foto04 foto05

O Vectra estava inteiro e, apesar de faltar o vidro traseiro e o motor estar bem sujo de óleo, deu coragem de continuar o plano. Como o lote era composto por uns 10 carros, a tática seria ir ao leilão, identificar quem arrematou o lote e pegar o contato pra poder negociar o motor depois. Simples. Bastava acordar cedo no dia do leilão e aparecer por lá na hora certa, o que o despertador do meu telefone, que estava com mau contato na campainha, não permitiu que acontecesse.

Plano B do plano B: fui ao depósito antes da retirada e deixei um bilhete com um dos vigias com meu contato e pedi que entregasse ao comprador do lote 2 quando viesse buscar os carros. Uma semana sem o telefone tocar e me dei conta que o Vectra estava no lote 4.

foto06

Beleza, só me restou bater perna em todos os ferros-velhos da cidade e ver se eu encontrava o tal carro. Uma semana fazendo isso, porém, e nada feito. O carro já tinha saído do depósito e não aparecia de jeito nenhum. Até que um dia, um kadetteiro mandou num grupo a foto de um Kadett GSi desmontando numa loja perto de casa. Um detalhe ou outro me chamaram a atenção: era o mesmo carro que estava no pátio do Detran, perto do Vectra GSi.

foto07

Obviamente, voei na loja, na esperança de encontrar o bendito Vectra. Mas, como era de costume, nem sinal dele. No entanto, havia um outro Vectra, que não me era estranho. Três segundos depois, eu lembrava que também o tinha visto no tal pátio. E coincidentemente ele tinha sido arrematado no mesmo lote do tal Kadett GSi. Era um CD 1998, com motor 2.2 16V. E ele até que estava bem inteiro?

foto08

“Quanto no motor, cidadão?”

“De qual carro?”
“Do Vectra aqui. Quero completo, com injeção e tudo que tiver direito.”

“Quatro e quinhentos.”

“Tá caro. Esse preço tem conversa?”
“Tem… que que você quer fazer?”

E fui olhar o carro de perto. O motor estava bem limpo, com aparência de bem cuidado, assim como os chicotes e periféricos sem emendas aparentes ou gambiarras.

foto09

“Cê divide isso daí no cartão?”

“Divido… até 3x dá pra fazer.”

“Então vamo baixar mais esse preço pra gente fazer negócio.”

Saí de lá com o preço arredondado pra baixo e a possibilidade de dividir no cartão, além de eu poder desmontar tudo que quisesse/precisasse do carro. Fiquei uma semana pensando na idéia e, exatamente no dia do meu aniversário, voltei lá e deixei um sinal. Finalmente meu carro teria um motor decente.

Sim, eu sei que não era o V6 e isso me frustrava um pouco. Mas não adianta: vivendo no contexto administrado pela nossa comandanta e sua trupe, arriscar encarar um mega projeto agora sem ter o cheat de dinheiro infinito seria coisa de louco. Por outro lado, o sentimento de conformação acabou me ajudando a redefinir o meu conceito do um carro precisaria para ser divertido em uma pista, principalmente quanto ao item potência, coisa que eu já vinha pensando desde o fim do ano passado, quando tive oportunidade de andar em um Suzuki Swift de apenas 136hp em Nürburgring.

foto10

A foto  foi tirada pouco depois dos 12:10 do vídeo. Acho que dá pra entender bem o sentimento.

Apesar de decidir não tentar encontrar os limites do carrinho por causa da pista molhada e por ser a minha primeira vez por lá (e arriscar a pagar a bagatela de 3500 euros na franquia, em caso de acidente, ou multas de várias dezenas de euros para cada vez que eu porventura errasse alguma marcha), deu pra se divertir muito. Por ser um carro pequeno, extremamente aliviado (dentro, só os bancos concha, a gaiola de proteção e o painel) e com uma suspensão muito bem acertada, ele tinha um chão espetacular.

foto11

O freio gigante e o câmbio de seis marchas bem escalonado completaram o pacote: nesse dia eu aprendi que daria, sim, pra se divertir com um carro nessa faixa de potência, desde que bem acertado. Portanto, juntando esses dois fatos, essa passou a ser a nova meta do projeto. Pelo menos por enquanto: afinal de contas, não é você que possui um Project Car, é ele que te possui.

No fim das contas, estava só esperando meu cartão fechar pra poder desmontar o motor do carro e levar pra casa.

Mas eis que numa sexta feira, num grupo do WhatsApp…

PRINT

 

Não percam as cenas do próximo capítulo!

 

Por Sherman Vito, Project Cars #112

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars #304: a história do meu Ford Escort RS 16v Turbo

Leonardo Contesini

Project Cars #456: a história do meu Peugeot 106 Turbo

Leonardo Contesini

Project Cars #72: a primeira etapa da preparação do Pontiac Trans Am 400 de Fabio Aro

Leonardo Contesini
error: Direitos autorais reservados