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Project Cars Project Cars #112

Project Cars #112: finalmente o motor C20XE entrou no cofre do Monza S/R

Já tem um tempo que a coisa tá tão séria que não tá sendo mais preciso ficar olhando site de compra e venda pra encontrar alguma galinha morta automotiva e se endividar mais ainda: ultimamente, basta abrir o Whatsapp. Se não é alguém oferecendo alguma coisa num grupo, é um amigo da onça te mandando um link e dizendo “vamos gastar dinheiro?”

Dessa vez foi o primeiro caso: em uma das olhadas cotidianas no aplicativo, um membro de grupo (que eu ainda nem conhecia) estava oferecendo um Vectra GSi sucata e sem documento, mas completo, faltando apenas o alternador e o compressor do ar condicionado. Mas o que interessava, que era o famigerado motor C20XE, estava lá. O preço também era bem convidativo, e como eu tinha uma graninha no bolso dando bobeira…

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Chamei o cidadão no particular na hora e bati o martelo. O problema era que o carro estava em Goiânia, a quase 200km de casa, e eu teria que arrumar um jeito de buscá-lo. Com alguns contatos feitos, quem acabou resolvendo minha vida foi justamente o Leonardo do PC #12 (valeu, Lindo!), me conseguindo uma carretinha emprestada. No outro dia, chegávamos em Goiânia assim que o sol nascia.

 

Pequeno parêntese: a D-20 das fotos que levou o Vectra pra casa era nossa há 15 anos e foi roubada em Brasília no fim do ano passado. O valor financeiro é algo “resolvível”, mas o vazio que a companheira de tantas aventuras deixou na família é imensurável. No entanto, como a esperança é a última que morre, fica aqui essa pequena “homenagem” pra ela, com um leve tom de apelo, mostrando as placas que ela tinha quando foi roubada, pra tentar manter a chama de um dia reencontrá-la…

Mas voltemos à história: pagamento acertado, novas amizades feitas (valeu Márcio e Israel!) e levamos o Vectra pra casa. Agora o plano dava uma ligeira modificada: sabido que o temido R/L era maior no motor 2.2, a idéia agora era montar tudo no 2.0 e trabalhar a partir dele. Mirando no carro do lindo, sabia que o 2.0 poderia render bastante e chegar na faixa dos 180cv na roda, que seria meio que a meta (que vai ficar aberta, mas quando atingirmos a meta, nada impede de dobrarmos a meta). Além disso, como eu tinha um 2.2 16V fechado e revisado em casa, poderia vendê-lo por um preço legal e usar o dinheiro na montagem do 2.0.

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Nesse meio tempo, ainda apareceu um jogo de pistões forjados da Wössner pro cabeçote C20XE com 12,5:1 de taxa por um preço bem bacana. E assim, o primeiro ingrediente do bolo já estava na mão. Um conjunto de coletores bem feitos, um escape bacana, quiçá um comandinho… e pimba. Não precisava de mais nada. Mas como a vida é uma caixinha de surpresas…

Algumas horas de trabalho e a ajudar dos amigos (valeu Galinha, Cu, Rafha e pai!) foi suficiente pra tirar o que ia ser necessário do lugar. Mas quando levei o motor na retífica pra verificar as medidas e fazer a revisão, a notícia não foi das melhores: apesar do cabeçote estar aproveitável, a parte de baixo tinha chegado ao fim em todas as medidas (bloco, virabrequim e bielas) e, mesmo que fosse tudo resolvido com encamisamento e troca das peças, ainda encontramos 3 roscas de fixação dos parafusos do cabeçote com embuchamento.

Segundo o Léo, que teria a missão de encarar o projeto daí pra frente, um bloco com rosca embuchada ia me dar mais tristeza do que alegria, caso eu continuasse o projeto com ele. Ou seja: pra seguir em frente com o projeto do 2.0, precisaria de um bloco completo novo.

Saí da oficina desanimado e com mais essa pra resolver. Mas com um tempo matutando, lembrei de uns vídeos que o rapaz que me vendeu os pistões tinha mandado de quando os pistões estavam montados no Corsa dele. O bloco era um 2.2 sem o as árvores de balanceamento (boladas pela fábrica pra deixar o funcionamento do motor mais suave), que deixava o motor mais “livre” e com mais uma boa pimenta ali e outra aqui. O dono usava o carro mais em arrancada, mas vez ou outra comparecia em um track-day e disse que nunca tinha ficado a pé. Todos os vídeos eram sensacionais, mas um deles em específico me chamou a atenção.

Eu acho que até então não tinha visto um carro “dando VDO” no conta-giros. E isso me interessou um bocado. Por mais que a grana da venda do 2.2 fizesse diferença, eu ainda teria que comprar um bloco novo e ver o vídeo desse carro girando desse jeito me animou de vez. O projeto agora seria um misto-quente: cabeçote do C20XE, bloco do 2.2 e os pistões cabeçudos. Isso aliado ao câmbio do Monza S/R, que é naturalmente mais curto que o dos outros GM, tinha boas chances de ficar interessante.

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Como o cabeçote já tinha levado alguns passes na vida, o Léo chutou que a taxa de compressão final iria ficar por volta dos 14:1 ou até um pouco mais. É uma taxa até interessante pra se rodar no álcool, mas que teria como conseqüência perder a injeção seqüencial original, que não suportaria o avanço de ponto necessário à nova taxa do motor.

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O jeito seria partir pra uma injeção programável da vida. Inicialmente querendo manter a característica seqüencial da injeção original (acionando um bico de cada vez), as opções mais ao alcance seriam a Fueltech FT500 e a Megasquirt, mas ambas sairiam bem caras e não teriam tanto ganho em consumo comparadas com uma injeção semi-seqüencial (acionando dois bicos por vez). E eleita, então, foi a Pandoo Pro Inject, também abençoada pelo preparador.

E enfim chegamos ao estágio atual do projeto. Praticamente tudo já está comprado e pronto pra ser montado. No entanto, o mundo real exige alguns custos para que tudo esteja no lugar: montagem, escape, embreagem, acerto… e essa grana ainda vai demorar uns meses pra chegar. Portanto, por hora o PokeMonza entrará na geladeira. Fora a parte do swap, muita coisa ainda vai rolar por aqui: o painel digital do Kadett GSi europeu já está em casa, assim como os bancos Recaro do Kadett GSi nacional (mais confortáveis e com melhor apoio lateral), que terão seu tecido trocado pra combinar com o restante do interior, os freios do Vectra GSi com ABS, o piloto automático do primeiro Vectra da história… a lista é grande e o fim está bem distante. Mas como dizem que “você não possui o projeto, ele que te possui”, acho que está tudo nos conformes.

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Portanto, deixo um abraço e o agradecimento aos que acompanharam o projeto até aqui, com dicas sugestões e críticas e, apesar de o projeto ainda ter um potencial bem bacana, novamente peço desculpas por não ter conseguido tocar a idéia inicial pra frente e realizar o provavelmente inédito swap com o V6. No entanto, se serve de consolo, um swap bem interessante está pra acontecer por aqui lá pro ano que vem. Dando tudo certo e passando em uma próxima votação, obviamente vou pretendo contar a história dela por aqui também…

Um abraço!

Por Sherman Vito, Project Cars #112

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