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Project Cars Project Cars #117

Project Cars #117: como é a manutenção de rotina de um Alfa Romeo 155?

Olá, pessoal. Hoje continuarei falando sobre a manutenção, mas dessa vez feita por profissionais. Tive que recorrer a eles poucas vezes e somente uma vez porque o carro parou de funcionar, as outras foram para manutenção preventiva e correção de pequenos problemas que não comprometiam o uso da macchina.

Existem duas oficinas que o pessoal do Alfa Romeo Club Londrina utiliza com mais frequência, ambas possuem bastante conhecimento na marca e seus donos tem ou já tiveram Alfa Romeo. Aproveitei essa fase onde as manutenções foram mais tranquilas para experimentar os serviços das duas empresas.

Fiquei satisfeito com ambas, o ambiente é bem organizado e o serviço é feito com agilidade e capricho. Como é de se esperar o preço é de acordo com a qualidade do trabalho. Mas comprei o carro preparado para sempre ouvir orçamentos com pelo menos quatro dígitos, portanto não tive nenhuma surpresa ruim até aqui, pelo contrário.

Peças

Agora vamos às ocorrências, cerca de 40 dias depois da compra o carro morreu enquanto meu pai manobrava e não deu mais sinal de partida. Procurei por ajuda no Grupo Alfa Romeo BR e algumas opções de diagnósticos foram dadas, como mau contato no comutador de partida, em relês, bateria ou na fiação do motor de arranque.

Desmontei e testei alguns componentes, mas no final o veredicto era um dos que eu mais temia, o problema estava no motor de arranque. Pesquisei se havia alguma compatibilidade e descobri que era o mesmo componente usado pelo Brava 1.8 e o preço não era absurdamente caro, ainda mais se tratando de uma peça nova e de primeira linha.

Enviei o carro para a oficina e lá foi constatado que o problema era em um conjunto de engrenagens do motor de arranque que travaram e seria necessário trocar apenas elas. O motor de arranque foi para um eletricista e depois de dois dias o carro estava de volta em casa.

Pastilhas

Em abril desse ano, a Guria foi para a oficina novamente. Dessa vez para revisão, troca de fluidos e tirar alguns vazamentos, já que iria viajar e queria estar com o carro em perfeita ordem. Como relatei no post anterior consegui sanar parte dos vazamentos em casa, o restante ficou com os profissionais.

Na oficina, foi trocado o bujão do cárter, a mangueira de pressão da direção hidráulica, as pastilhas traseiras que ainda eram as originais e soldado um furo no escapamento. Também trocaram os fluídos de freio e direção hidráulica, óleo do motor e filtros de ar e óleo. Na viagem a ponteira do escapamento se soltou, mas foi resolvido sem maiores complicações assim que voltei para Londrina.

A última visita à oficina foi para um dos serviços mais essenciais dos motores Twin Spark, que é a troca das correias e tensores dos comandos, acessórios e dos balanceadores. A troca é recomendada a cada cinco anos ou 50 mil quilômetros, porém donos mais cuidadosos trocam com três anos ou 30 mil quilômetros. No meu caso optei pelo meio termo, a troca foi feita com quatro anos e pouco mais de 15 mil quilômetros.

Motor1

Não é um serviço complicado, mas requer conhecimento e algumas ferramentas específicas e peças de qualidade. Se for mal executado ou ignorado, as consequências são desastrosas e caras. Um bom serviço de retífica, não sai por menos de seis mil reais.

Durante a revisão anterior fui informado que o motor estava com os balanceadores sem correia, o que estranhei, pois sua função é anular as vibrações do motor e no meu carro elas são mínimas, praticamente imperceptíveis. Dessa vez resolvi levar na oficina onde foi realizada a última troca, pensando que eles poderiam me dar uma luz sobre o porquê dos balanceadores desativados.

Pelas informações que colhi, há alguns anos o Twin Spark foi aberto em uma terceira oficina por causa de formação de borra, porém o motor ficou fora do ponto e o problema só foi resolvido por essa oficina que usei agora. Mas nessa época os balanceadores já estavam fora de uso.

Motor2

Aparentemente eles estão travados, para ver o qual é a causa é preciso tirar e abrir o motor. Não quero e nem posso fazer isso agora e como a Guria está funcionando redondinha não vou mexer até a próxima troca planejada para 2018, onde já pretendia abrir o motor e fazer uma revisão completa para o ele durar mais 20 anos sem dor de cabeça.

Ainda sobre os balanceadores, a minha ideia é reativá-los. Existe muita polêmica entre mantê-los ou não e como meu motor está aí para provar a sua falta não altera significativamente o funcionamento. Nos próximos anos vou pesquisar mais sobre o assunto e tomar uma decisão definitiva. Enquanto isso gostaria da opinião de vocês sobre os prós e contras de mantê-los ou não.

Bandeja

Além da troca das correias, aproveitei para trocar a bandeja da suspensão que estava com uma bucha estourada, mas ainda não apresentava nenhum barulho ou mudança de comportamento, as bieletas da barra estabilizadora, a bucha do trambulador, o filtro de gasolina os dois amortecedores traseiros estes bem ruins, influenciando na dirigibilidade e as mangueiras do ar quente.

Essas mangueiras ainda eram as originais e uma delas furou na última viagem que fiz. Ainda bem que o carro tem sensor do nível de fluído de arrefecimento e me avisou que alguma coisa estava errada antes de algo pior acontecer. Na foto, dá pra ver o tamanho do furo que causou o problema e numa inspeção mais profunda vi que poderia ser bem pior, por dentro a mangueira estava bem mais avariada, cheia de rachaduras.

Mangueira

Depois de constatar a causa, fui atrás de mangueiras novas e achei fácil uma equivalente no comércio local, já que elas não possuem curvatura específica. Até tentei trocá-las em casa, mas como o acesso era muito difícil desisti da ideia. Com isso praticamente zerei a mecânica do carro, só faltam alguns detalhes que deverei fazer antes de abril.

Aconselho a quem tiver pensando em comprar um Alfa Romeo ou um carro de outra marca com a manutenção mais sensível, já ir se preparando para uma revisão nos moldes dessa última que fiz logo que pegar o carro. No meu caso adiei isso por um tempo já que o carro chegou meio de surpresa, mas como por conhecer seu histórico e ter as manutenções bem documentadas, pude fazer isso sem muito receio.

Amortecedores

Sobre as oficinas, o que posso recomendar é pesquisar na sua região quais os estabelecimentos que estão aptos a fazer a manutenção do carro, com certeza os lugares especializados acabam cobrando mais caro pela mão de obra, mas é um gasto que compensa em longo prazo. Uma boa referência são outros proprietários e fóruns ou grupos e discussão na internet.

Se possível, tente chegar à oficina já com uma ideia do que deverá ser feito, assim fica mais difícil tentarem empurrar algum serviço desnecessário. E dê preferência a locais que trabalham com agendamento de horário, assim o carro fica lá o mínimo de tempo possível e o mecânico pode dar atenção só a ele, em vez de ficar pulando de serviço em serviço. Eu sei que é difícil, mas pesquisando bem ainda dá pra achar bons prestadores de serviço.

Agora que terminei as manutenções programadas, vou focar na parte estética já que a Guria tem 16 anos de estrada e possui algumas marcas de batalha. Até a próxima!

Por Delfino Mattos, Project Cars #117

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