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Project Cars Project Cars #117

Project Cars #117 – os pequenos reparos do Alfa Romeo 155 Super

Olá, pessoal. Hoje chegamos ao terceiro capítulo da minha história e agora a coisa fica séria. Até aqui foi só alegria. A Guria era melhor do que eu imaginava, mas ainda é um veículo com dezessete anos de uso e, além daquilo que já necessitava de atenção, eu sabia que poderia aparecer alguma surpresa.

Antes de começar vou explicar como farei a manutenção. Anualmente o carro vai passar por revisão e manutenção preventiva, as eventuais ações corretivas serão feitas conforme a necessidade e disponibilidade do meu bolso. Se não tiver a grana no momento, encosto o carro e espero, pois felizmente não dependo dele para trabalhar.

Pretendo fazer o que for possível em casa, para isso conto com a ajuda de fóruns, grupos de discussões, proprietários e de alguns manuais de manutenção que baixei e mostram quais os procedimentos a serem seguidos e também com o fato de o 155 ser um carro fácil para desmontar, não requerendo muitas ferramentas especificas.

facilidade

Tenho o curso técnico e habilitações em Manutenção de Aeronaves e apesar de nunca ter atuado na área, aprendi a importância de saber os números de peças, especificações mínimas e ordem de montagem e desmontagem, que ajudam muito a não fazer besteira.

Com relação às peças, o 155 divide muitos componentes com carros da Fiat. Se por um lado o preço nem sempre é dos mais camaradas, ao menos existe a disponibilidade de peças. No grupo ARBR, temos uma tabela de compatibilidade de peças, que ajuda muito na hora da manutenção.

Na hora de comprar as peças minhas prioridades são por componentes originais, depois peças compatíveis de marca e qualidade reconhecidas e em último caso adaptações, desde que já tenham sido testadas e aprovadas por outras pessoas. E para comprar conto com a ajuda de um amigo que é dono de uma distribuidora de peças, além do eBay.

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Nesse post, vou relatar as manutenções feitas em casa e no próximo quando precisei recorrer à ajuda profissional. Como geralmente trabalho sozinho e não imaginava que participaria do PC acabei não tirando muitas fotos dos trabalhos, mas se tiverem dúvidas em algum procedimento, podem perguntar que eu tento ajudar, dentro das minhas possibilidades.

A primeira vez que desmontei alguma coisa foi para ver porque a luz de um dos botões da luz do teto não estava funcionando, três parafusos de fácil acesso prendiam a peça e após alguns testes o veredicto foi uma lâmpada queimada, que ainda não troquei.

Interruptor

Engenharia de “precisão”

Mas enquanto desmontava, perdi um “arame” com cerca de 1 centímetro do sistema que arma a desarma o interruptor, a solução foi fazer um novo me baseando no componente do outro botão, demorei algumas horas até acertar o tamanho e a curvatura mas no final o resultado ficou perfeito, tanto que hoje eu não conseguiria dizer qual é a cópia e qual o original.

maçaneta1

Algum tempo depois foi a vez da maçaneta da porta do motorista pedir as contas. Para minha sorte (e tristeza) existem vários 155 em desmanches e não foi muito difícil achar uma peça substituta. O fato de o carro doador também ser vermelho ajudou muito, só poli a peça e instalei.

Mas não sem antes xingar muito o ser que projetou a porta. Além de o acesso ser difícil, exigindo alguns malabarismos. Da remoção do forro da porta até a desmontagem total da maçaneta são cinco tipos de parafusos diferentes que tem que precisam retirados — até tirei fotos deles, mas não consegui achar para incluir no post.

maçaneta2

Outra manutenção que fiz em casa foi a troca da válvula termostática e alguns componentes do sistema de arrefecimento. Aqui vai mais uma dica pra quem está a fim de comprar um Alfa Romeo, existe 90% de chance de você ter que mexer nisso logo de cara.

Um dos sintomas da válvula defeituosa é o carro ficar com temperatura baixa na estrada, ao contrário da crença popular não é benéfico para o motor trabalhar frio, pois a injeção manda mais combustível que o necessário para o motor chegar na temperatura ideal, que no Twin Spark é 90° C.

arrefecimento1

Como sabia que era uma parte crítica do motor, tinha pesquisado antes de comprar o carro e fiquei sabendo que além da termostática, o ideal era trocar mais alguns sensores do sistema, como o de temperatura, a resistência do eletroventilador e seu interruptor (cebolão). Essas peças são compartilhadas com o Marea, Brava e Palio e não tive dificuldades para achá-las.

Num primeiro momento a troca seria feita na oficina, junto com uma revisão. Mas um dia olhei para onde fica a termostática, comecei a analisar o espaço, a disposição dos componentes e quais parafusos eram usados, comecei a achar que dava conta do serviço.

arrefecimento2

Então, depois de alguns dias pensando comprei as peças e as ferramentas que faltavam e esperei pelo final de semana. Mas na sexta-feira depois do trabalho, com a desculpa de adiantar o serviço, comecei a desmontar e só parei quando estava tudo montado com os novos componentes no lugar. Não tem preço que pague a satisfação de ver tudo montado e funcionando certinho, depois de horas de esforço.

Alguns meses depois, tive que recorrer à oficina. O carro tinha vazamento de óleo, água, fluído de freio e da direção hidráulica, e eu já aproveitaria para trocar os fluidos e fazer uma revisão, pois iria viajar e queria que tivesse tudo em ordem. Mas antes de internar a Guria fiz uma inspeção em casa, o vazamento de água foi resolvido com o reaperto das mangueiras.

O vazamento do fluído de freio era por causa do atuador da embreagem que estava com os anéis vedadores em mau estado, novamente pesquisei na internet e descobri que a peça foi utilizada nos Fiat Coupé e existia uma solução com direito a um tutorial bem explicado onde se trocava apenas esses reparos de borracha. E o mais interessante, é que eram os mesmos utilizados na Kombi entre as décadas de 1950 e 1980.

Embreagem

O martelo é apenas ilustrativo

No caso, teria que comprar o kit de reparo do cilindro-mestre e do freio da Kombi. O atuador novo custava cerca de R$ 250,00, os kits iria sairiam por R$ 50,00 e ficaria com várias peças dele sem uso, por isso pesquisei e consegui achar um lugar que vendia somente os anéis e a coifa. Acabei gastando inacreditáveis R$ 15,00, o vazamento acabou e a embreagem funciona perfeitamente.

Mais recentemente, o lavador do para-brisas parou, a bomba funcionava, mas não saía água. Primeiro pensei que fosse um vazamento ou obstrução da mangueira, verifiquei seu caminho, mas estava tudo em ordem. Teria então que ver junto ao reservatório e já que ia fazer isso, tentaria reativar o lavador dos faróis que estava sem a bomba.

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Depois de tirar o reservatório de expansão do arrefecimento, fui surpreendido com o fato do reservatório só sair com a retirada do para-lamas. Felizmente a bomba ficava em local de fácil acesso, não foi difícil retirá-la e descobrir a causa do problema, o filtro entupiu por causa do lodo de que se formou ao longo dos anos, uma lavagem resolveu o problema.

Pesquisei pela bomba do lavador dos faróis, descobri seu part number e que foi usada em poucos carros, nenhum disponível no Brasil, as que encontrei custavam em torno de 80 euros. Como não é um sistema que impacta diretamente na segurança, comprei uma bomba universal e refiz as conexões com o que tinha a mão, não ficou bonito, mas a princípio funcionou bem.

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O lavador do para-brisas voltou a funcionar normalmente, mas o dos faróis ainda não, a bomba funcionou, mas não saiu água, as mangueiras estão entupidas e como o acesso é difícil, vou esperar quando for pintar os para-choques, retiro as mangueiras e vejo o que terei que fazer.

Para quem tem vontade de mexer no carro por conta própria, mas tem medo, a dica é começar por coisas simples como trocar alguma lâmpada ou o filtro de ar. Procure na internet por tutoriais e clubes de proprietários, onde sempre tem alguém disposto a ajudar e sempre use as ferramentas certas, nada de inventar.

Por hoje vou ficando por aqui espero que tenham gostado e até a próxima!

Por Delfino Mattos, Project Cars #117

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