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Project Cars Project Cars #120

Project Cars #120: como transformar um Citroën C4 hatch comum em um VTS apimentado

Olá, petrolheads e leitores entusiastas do FlatOut! Meu nome é Luiz Filipe, tenho 21 anos, sou estudante de Engenharia de Produção e apesar de ser aficionado por carros desde pequeno (uma paixão herdada do pai), não tenho nenhuma experiência prévia no mundo das preparações. Mas é claro que, quando se corre sangue de alta octanagem em suas veias, tudo tem um começo, mesmo que de maneira não muito convencional: “preparar” um Citroën C4.

Você pode estar pensando “Ah, mas isso não é tão fora do comum, pois o C4 VTR encanta muitos por aí com seu design ousado e um tanto esportivo…”, o que é verdade. Contudo meu carro tem duas portas a mais que o VTR: sou proprietário de um hatch, também chamado de “C4 bolinha”, “C4 de titia”, “C4 bunda redonda”, e entre outros apelidos dados pelos colegas do C4Clube.

Confesso que no princípio eu queria mesmo o VTR, afinal ele era mais arrojado, diferente de tudo que eu via na rua, e alguns anos antes meu pai havia tido um, preto, com faróis direcionais “bi-xenon”, que eu achava iradíssimo! Mas diante da dificuldade em encontrar um por aqui com os ditos faróis por um valor interessante e quilometragem baixa, acabei optando mesmo por um Hatch zero quilômetro, na versão 2.0 Exclusive Sport manual – aliás, nunca saquei qual é a desse “Sport” no nome a partir dos 10/11.

Em meados de 2010 eram relativamente poucos os carros brancos aqui por Vitória/ES (a não ser frotista ou taxi), e como desde o VTR de meu pai eu havia visto fotos da versão branca na Europa, ficando apaixonado, optei pelo C4 branco, que não estava disponível a pronta entrega, e que segundo a Citroën foi o primeiro dessa cor aqui (verdade ou não, realmente demorou algum tempo até eu passar por outro na rua).

Foto 2

Foram-se então uns três ou quatro meses até receber o carro, e durante esse tempo aconteceu o 26º Salão do Automóvel de São Paulo, que me espantou pela grande quantidade de carros brancos em diversos estandes, como no da BMW e até mesmo os C4 “Yin Yang” no estande da Citroën. Mal sabendo que lá fora isso já era tendência (ingenuidade minha, afinal os organizadores do Salão são mais que antenados), pensei “Vai virar moda em pouco tempo”.

Dito e feito, mas pouco me importou, já que eu estava feliz da vida curtindo o carro, com os faróis direcionais de xênon, sensores de estacionamento traseiros e dianteiros, controle de estabilidade e tração, ar digital bi-zone, retrovisor interno eletrocrômico, e também aquele painel de nave espacial com velocímetro e conta-giros digital, que acende em vermelho ao chegar ao corte de giro. Um sonho realizado.

Foto 3

Além de tudo isso, para mim (que fique bem claro o “mim”) as rodas foram a cereja do bolo — o modelo de 16 polegadas do… Aircross! Não, você não leu errado: ele usa rodas do Aircross! Me desculpe se alguém se empolgou e esperou por rodas 17” de C4 VTS ou 18” estilo C5…

Brincadeiras à parte, tanto as Resolfens quanto as Atacamas não cabiam no meu orçamento, e eu havia gostado demais da combinação do preto/diamantado com o carro branco, que ainda não era muito corriqueira na época – diferente de hoje em dia, em que praticamente todos os modelos das mais diversas marcas vêm com rodas diamantadas.

É claro que se fossem uma ou duas polegadas maiores seriam mais interessantes, contudo o fato de ter 16 polegadas implicou em não ter que gastar muito com pneus. As rodas do Allcross permanecem até hoje, embora agora esteja sonhando com as de 18 polegadas do DS5.

Foto 4

Entretanto, apesar de estar super satisfeito com o carro, conforme o tempo foi passando, eu comecei a observar atentamente outras versões da família C4 não só aqui no Brasil como em outros lugares do mundo, o que me deu certa vontade de modificar o carro, seguindo um tipo de “padrão de fábrica” – que mais tarde descobri ser chamado por alguns de “OEM+”. E o fórum do C4Clube.com, onde fiz vários e bons amigos, fomentou demais essa vontade, afinal, diversos loucos entusiastas trocando ideias continuamente não poderia resultar em algo diferente.

Foto 5

Depois de algumas modificações sutis, como colocar volante de couro e retrovisores rebatíveis eletricamente, que eram de série apenas na versão automática e não na manual, a vontade de mexer no carro só aumentou, e assim surgiu a ideia: por que não criar uma versão “VTS” do Hatch? Não no sentido de soldar as portas traseiras (because racecar!), mas no que se diz respeito ao feeling do carro, e é claro, ao nível de equipamentos embarcados e acabamento que um  C4 VTS “puro-sangue europeu”, topão de linha tem, e o meu franco-argentino não tem.

Foto 6

A partir daí, o leque de mods possíveis se tornou grande, sendo algumas ideias já concretizadas, como o para-choque de VTR, acabamentos internos, sistema NaviDrive RT6 (esse merece mais destaque a frente, até então acreditava-se na comunidade do C4 não ser possível), luzes de ré dos dois lados (nunca curti a ré “caolha”), lanternas novas; e outras ideias ainda a ser executadas, como abertura interna do tanque, bancos elétricos de C5, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, freios de C4 Picasso.

Foto 7

Por último, mas não menos importante, a preparação aspro do motor EW10A aliada a um câmbio manual de 6 marchas de Pug 306 GTI-6. Só que tudo isso é assunto para o próximo post! Um grande abraço e até lá!

Por Luiz Filipe Vasconcelos, Project Cars #120

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