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Project Cars Project Cars #128

Project Cars #128: conheça a história do Fusca Split Window 1952 de Jayme Costa

Meu nome é Jayme, tenho 21 anos e sou aluno de engenharia mecânica automobilística da FEI. Minha paixão por carros vem desde que me entendo por gente. Afinal, em uma família de gearheads (em maior ou menor grau) não se podia esperar outra coisa.

Project Cars são comuns na família. Sou um apaixonado por Volkswagen e Porsche, especificamente os com motor boxer refrigerados a ar. Esta paixão, inicialmente pelo Fusca, veio do meu avô materno que sempre me dizia que “o Volkswagen é o melhor carro do mundo”. O tempo passa, uma coisa puxa a outra e logo os Porsche começaram a dividir minha preferência com os Volks.

O projeto

Ainda bem pequeno, já louco pelos Fusquinhas em miniatura (especialmente um Fusca Split Window 1:18) decidi que queria um Fusca — mas tinha que ser um “Split” de verdade; nada daquelas adaptações com peças de fibra. Depois que passamos a ter um computador em casa, passei a pesquisar quase que diariamente em sites de venda por Fuscas alemães. Em paralelo, ficava horas em sites estrangeiros literalmente estudando os componentes, originalidade e demais características dos primeiros Fuscas alemães da década de 1950.

No principio eu queria um Fusca 1952 Split Window “Brezel”, que foi fabricado até setembro daquele ano com os famosos “gela saco”, que estivesse funcionando (mas para ser restaurado), e se possível matching numbers, ou seja, com motor, câmbio e demais componentes originais. Pouco exigente para um moleque de uns 10 anos, né?

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O “gela saco” é essa pequena abertura atrás do para lama dianteiro para circulação de ar no interior do carro. Esse modelo de Fusca ainda não tinha quebra-vento, que foi o substituto do “gela saco”. 

Foi em uma dessas buscas, quando eu tinha 13 anos, que achei um carro anunciado no Sul que preenchia quase todos os requisitos. O carro estava rodando, mas precisando de restauração, com boa originalidade, só que a mecânica havia sido alterada. Mesmo assim gostei do carro, fiz as contas e dava pra comprar. Na época eu tinha uma conta poupança que meus pais abriram quando eu nasci.

A ideia era comprar um carro quando eu fizesse 18, mas como o dinheiro era meu, meus pais disseram que eu podia comprar o Split, desde que não reclamasse por não ganhar outro carro aos 18 para andar no dia a dia. Maravilha, estava autorizado!

Agendamos a viagem e fui com meu pai ver o carro. Vistoria feita, voltamos e eu fiquei louco pra fechar negócio. Era setembro e percebi que meus pais estavam me enrolando para não comprar o carro. Sabia que meu pai não era muito favorável, mas não consegui entender porque aquilo estava acontecendo. Na manhã do dia 25 de dezembro daquele ano eu descobri o porquê. Este Fusca estava parado na porta de casa e a chave na minha mão:

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Meu presente de Natal de 2006.

Sabendo que eu queria um Fusca, meu pai havia comprado um Fusca Itamar um ano antes. O carro ficou na oficina do meu tio por um ano para garantir que ele estivesse em perfeito estado quando eu o recebesse no dia de Natal. Eu não suspeitava de nada, foi uma surpresa e tanto! Afinal, que pais em sã consciência dão um carro para um garoto que havia acabado de fazer 14 anos? Mas o tempo mostrou (eu espero) que foi uma decisão acertada. Com isso pensei que havia acabado a brincadeira do Split. Que nada! Três meses depois, mesmo com o Itamar na garagem, o guincho da transportadora estava entregando o Split aqui em casa!

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Uma das primeiras fotos que eu tirei do Split.

Logo neste primeiro ano, não consegui ficar sem explorar o Split. Queria colocar a mão na massa e entender e ver na prática como eram aqueles componentes que eu tanto havia estudado. As curiosas “bananinhas” de seta perdi as contas de quantas vezes desmontei e montei. Legal também era desmontar algumas peças e descobrir alguma marcação original ou plaqueta quase perdida embaixo da forração, um verdadeiro trabalho de arqueologia automotiva.

Mas o mais legal nesses anos todos foi que este hobby me fez conhecer alguns novos amigos, mas principalmente me aproximou da minha própria família. Meus tios passaram a me ajudar com frequência no carro (lembra que os Project Cars são comuns na família?) e ficamos muito mais próximos. Acabei descobrindo que a paixão pelos refrigerados a ar não é exclusividade minha na família e que tinha acesso a um verdadeiro expert da mecânica Volkswagen, com quem aprendi e aprendo muito até hoje.

Outro tio (o que cuidou do meu Itamar por um ano antes de eu ganhá-lo) me ajudou muito no começo da vida como proprietário de veículo automotor e compartilhou algumas dicas do universo da funilaria e pintura. Meu pai, apesar de gostar de carros (bem) mais velozes, acabou tendo que participar da dança, afinal, alguém tinha que fazer a força bruta para soltar algumas porcas e parafusos mais emperrados. Nem mesmo minha mãe escapou da tarefa de ajudante em algumas ocasiões. Curioso como as coisas acontecem, não?

Como descobri o Flatout

Aliás, a forma como descobri o Flatout também é bastante curiosa e vale mencionar. Ao contrário do que era de se esperar, não foi o mundo aircooled que me fez conhecer e frequentar o Flatout. Descobri o site por intermédio de alguns amigos que me mandaram o link do Project Cars #91, um Polo Gti. Vocês devem estar se perguntando por que me mandaram esse e não o de um Fusca. Acontece que meu carro de uso diário é um Polo GTI. Gostei do site e achei bacana a história de documentar a evolução dos carros no Flatout. Já vinha com uma ideia de documentar a restauração do Split de alguma forma, mas as inscrições já estavam encerradas havia algum tempo. Quando as novas vagas foram abertas, fiz a inscrição e para minha surpresa aqui estou!

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O painel simétrico do Fusca Split “Brezel”, conhecido por ter dois porta luvas que vinham originalmente sem tampa. No meu caso, o carro veio com tampas nos dois porta luvas que eram acessório de época.

Desde que comprei o Split, tenho dedicado a totalidade dos meus recursos financeiros para compra de peças para a restauração do Fusca. Como os componentes são raros e caros além da verba ser curta, isto tem demandado muito tempo (quase sete anos até agora). O objetivo é começar a restauração da carroceria ainda este ano uma vez que já tenho a maior parte das peças para isto.

Reconheço que sou um “purista” e prefiro carros originais, apesar de saber reconhecer as boas modificações. Meu objetivo sempre foi de restaurar o Split para deixá-lo o mais original possível, mas como quero um carro que possa ser usado para ir e até mesmo viajar para eventos (nada de guincho), duas alterações reversíveis estão previstas, respeitando o que existia na década de 1950 e começo dos 1960.

Mas isso fica para um próximo post quando entrarei em detalhes no que será feito no carro e quais os meus planos para ele. Abraço e até a próxima!

Por Jayme Costa, Project Cars #128

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