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Project Cars Project Cars #146

Project Cars #146: o transplante da tração integral do meu Mitsubishi Eclipse GSX

Fala, galera do FlatOut! Estou de volta com a segunda parte da história do meu Eclipse GSX. Como eu havia contado na primeira parte, levei o carro para a oficina junto com o kit de tração integral e esperei a hora da desmontagem. Nesta parte, veremos como foi o processo de transplante do kit e um certo pesadelo mecânico.

No começo tudo parecia correr bem. Moro a 100km de onde o carro estava sendo desmontado, então quase todo final de semana eu ia visitar o paciente. Olhei as peças em um canto e tinha certeza que a transformação ia acontecer.

Na época tinha um carro na minha frente, esperei ele ser terminado para que o meu pudesse entrar na faca. Passou uma semana, um mês, dois meses… seis meses! E meu carro não saía. Não era por falta de peças, conhecimento ou dinheiro, era falcatrua mesmo. A oficina que até então eu confiava e indicava aos meus amigos começou com atitudes estranhas. Certo dia uma pessoa que eu nem sabia que tinha meu telefone me ligou e disse que minha turbina tinha sido retirada e já estava rodando em outro carro, fui alertado para ficar de olho no que se passava lá.

Foi aí que o pesadelo começou.

No final de semana seguinte fui novamente até a oficina e realmente minha turbina não estava mais no meu motor, sendo que no procedimento inteiro da tração nem chega perto dela, a mesma deveria estar no meu carro como estava até sete dias atrás. Questionado sobre a turbina, o elemento me disse que tinha uma pequena folga e que mandaria para revisão, eu tinha comprado dele a menos de seis meses e não tinha rodado nem 800km com ela. Pela amizade que tínhamos, se ele tivesse me ligado e dito que precisava de uma turbina igual a minha para resolver um problema em outro carro, prontamente eu ia mandar ele tirar logo ela do meu carro e depois veríamos o que fazer, tudo tem negócio, era só questão de conversar.

A ligação então tinha sido verdadeira, depois dessa cena eu decidi tirar meu carro de lá, a confiança tinha acabado. Nesse ponto a tração estava devidamente instalada mas todo interior do carro tinha sido retirado inteiro, acabamentos, carpete, etc. Faltavam algumas coisas no motor, inclusive a turbina. Sem pensar duas vezes chamei um guincho da minha cidade e apareci lá de surpresa. Ao ser cumprimentado como se nada tivesse acontecido, com a cara fechada e sem muita vontade de olhar para a cara dele eu disse, “sobe meu carro, estou levando embora, depois conversamos”, eu não queria ouvir sequer uma palavra mais daquela pessoa que me enrolou por seis meses, em um procedimento de uma semana, e ainda mentiu para mim em outras coisas.

E foi dessa forma que chegou na minha casa:

 

As peças e o interior estavam assim:

O carro chegou num estado que eu não sabia por onde começar a montar novamente, nunca tinha colocado a mão nesse nível de complexidade. Fiquei uns dias sem passar na frente do carro, não queria olhar, não tinha nem idéia do que fazer. Procurei outro lugar que eu pudesse levar o carro e continuar o projeto, agora era só questão de terminar de montar o interior, o que faltava do motor e colocar na rua. Só que não…

Primeiro lugar, eu não encontrei uma oficina que tivesse me passado confiança em levar o carro, segundo, não sabia se faltavam peças ou não. Depois de umas duas semanas recebi a turbina que estava faltando, e como a história batia, era a turbina do outro carro que tinha sido retificada para ser devolvida para mim e não mais a minha que era original.

Sem muita saída e sem chance de confiar em alguém de novo só me restava montar o carro por conta própria. Eu tinha conhecimento, só não tinha ferramentas. Após mais alguns dias resolvi que o dinheiro que eu fosse gastar em outra oficina, eu gastaria em ferramentas e colocaria em prática a frase “quer bem feito faça você mesmo”. Foi apartir desse dia que comecei a ser independente, tudo só dependia de mim agora.

Minha sorte é que na época eu tinha outro Eclipse GST, um exemplar impecável de 19.000Km, era meu gabarito ! Foi nele que me espelhei para montar meu carro novamente.

Metade das peças eu sabia onde ia, a outra metade eu tinha apenas noção e não sabia que parafusos usar, pois tinha um balde com todos eles juntos. Nessa hora eu ia até o gabarito e com cuidado desmontava para ver quais eram os parafusos e posição de montagem. Levei aproximadamente três dias para montar o interior do meu carro, mas era uma cópia perfeita do original. O conhecimento que eu ganhei foi incrível, era tudo novo para mim, comecei a pegar gosto. Aproveitei fazer uma boa limpeza, cortei todos os fios do som que o antigo dono tinha instalado, vários outros que estavam ali à toa e etc, reconstruí eles com solda, termo retrátil e tudo mais. Sou engenheiro, é a minha área !

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O carro estava sujo mas dessa vez montado. O jogo de ferramentas que eu tinha comprado era simples mas suficiente para montar o carro todo. O grande momento estava para acontecer, tudo no devido lugar e revisado, virei a chave e o carro funcionou como um relógio. Nem eu acreditava que tinha conseguido montar tudo aquilo e funcionou logo de cara, sem vazamentos nem sintomas estranhos. Subi a rampa da minha casa e lá estava eu com meu carro 4×4 na rua !

Nem 20 metros percorridos e eu ouvia um ronco estranho, lembrei que estava com pneus diferentes, eram de perfil 45 na frente e 50 a tras, tinha saido barato uma vez e acabei comprando. Carro 4×4 permanente não pode ter diâmetro diferente em nenhuma roda, fiz a conversão na esquina, voltei para casa e troquei as rodas 17 que eu tinha pelas originais do carro, elas estavam guardadas com pneus iguais, ótimo ! Só que não, mais uma vez…

O ronco continuava igual como se eu não tivesse trocado as rodas. Rodei mais alguns kilômetros bem devagar, não sai forte, nao acelerei, fui bem tranquilo mesmo roncando para sentir o carro e tentar perceber mais alguma coisa. Conforme a velocidade aumentava o ronco aumentava junto, independente se era acelerando, brecando ou livre. Voltei para casa e resovi dar uma procurada mais fundo no cofre se eu achava alguma coisa fora do normal, quando me deparo com:

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Tive um mini infarto. Minha caixa de câmbio tinha uma trinca de 10cm em cima, um de 5 cm embaixo e um de 8cm atrás. Depois de ter uma turbina “retirada sem meu consentimento” o que mais eu poderia esperar ? Ele instalou o câmbio trincado mesmo e nem me avisou ! Se tivesse me falado eu diria, vamos soldar, trocar a caixa seca, não sei, mas íamos resolver da forma mais eficiente. Tinha na cabeça que ia ter que tirar o câmbio para soldar aquela trinca.

Olhando para o carro caí na real, essa sucata de 15 anos está consumindo óleo, câmbio trincado, turbina que eu não confio, tudo meio sujo e com cara de velho, isso nunca vai ser um carro de verdade, pronto cheguei ao fundo do poço.

Mais algumas semanas passando pela garagem sem olhar para o carro, ficava lá apenas fazendo peso na face da terra.

Eu lia muito, pesquisava muito sobre projetos nos sites gringos, isso me animou e certo dia eu tomei a decisão mais drástica da minha vida. Eu vou desmontar esse carro inteiro, isso mesmo, inteiro, e vou reconstruí-lo sozinho na minha casa, vai ser o eclipse mais completo e bem montado do Brasil, comprarei só o que tem de melhor para todas as partes possíveis. Nessa época eu participava de um grupo nacional, hoje chamado de “Mitsumania (Oficial)” no facebook não mais como leitor, agora como mecânico, e comecei a fazer serviços leves em Eclipse. Comprei ferramentas pesadas, guincho, suporte de motor, cavaletes, torquímetro, carrinho de ferramentas, compressor de ar. Meu conhecimento decolou e eu senti que teria capacidade de fazer o que tinha sonhado para o meu carro, e aí foi.

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Eu acabara de tirar pela primeira vez o motor de um carro, a suspensão, o escapamento, os freios, tudo que eu pude fazer com as ferramentas ainda limitadas eu fiz. Cada peça e seus respectivos parafusos eram colocados dentro de um saquinho e fechado. Cobri o carro com uma capa, deixei no canto da garagem e ali ele hibernou por um loooongo tempo.

To be continued…

Por Cesar Mazzocato, Project Cars #146

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