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Project Cars Project Cars #157

Project Cars #157: o início da restauração do meu Chevette 1983 – um novo interior, rodas e funilaria

Olá amigos do FlatOut! No primeiro post falei sobre a compra e algumas melhorias realizadas por mim em meu Chevette 1983, vocês podem conferir clicando neste link. Neste segundo post irei falar sobre a minha escolha entre tornar o Chevette digno de placa preta ou partir para algo diferente — como montar o projeto ao meu gosto, mesmo que não agrade a todos.

Logo de cara descartei a placa preta. Embora goste muito de carros totalmente originais, não era o que eu tinha em mente para o meu Chevette. Na verdade enquanto os upgrades iam acontecendo, surgiam as idéias de como deixar o projeto mais bonito e harmônico e meio sem querer ficou com jeito de personalização dos anos 1980/90, com a suspensão levemente rebaixada, escapamento aberto, rodas de tala larga faróis amarelos e outros detalhes.

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Os boys da década de 1980 e suas personalizações

Além de me inspirar neste estilo, que o pessoal chama de VEB (Velha Escola Brasil), eu sempre gostei dos Chevette europeus (Opel Kadett C) e seus projetos para subidas de montanha e rallye.

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Mas para chegar a este nível faltava muito e decidi dividir o projeto em etapas, que seriam estas:

1° Fazer a tapeçaria

2° Novas rodas, com uma pegada mais ‘’racing’’

3° Comprar todas as peças necessárias de acabamento dos Chevette 83/86

4° Iniciar a restauração (funilaria e pintura)

5° Preparar o motor original ou partir para um swap

Rumo traçado era hora de seguir em frente e focar no objetivo. Então comecei primeiro pela tapeçaria, já que o seu estado era deplorável.

 

Comecei desmontando tudo e para a minha surpresa apenas o assoalho do motorista estava ruim. Eu já suspeitava, pois já havia dado uma checada por baixo e toda vez que pisava ali para sair e entrar escutava um rangido.

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Como o interior já estava todo desmontado, era hora de cuidar destes podres. Além deste no assoalho tinha também alguns pontos de ferrugem entorno do para brisa e do vidro traseiro direito, coisas comum em um carro com mais de 30 anos.

Então levei a um funileiro de confiança que poderia fazer o serviço sem me cobrar um absurdo, lembrando que eu ainda tinha um orçamento extremamente apertado, porém sempre tentando fazer com o máximo de qualidade possível. Como as bandejas paralelas são de qualidade duvidosa, decidimos comprar uma chapa com uma espessura um pouco maior e moldar no lugar, além de revestir tudo com KPO e bate pedra.

E este foi o resultado, não ficou com um acabamento digno, mas garanto que a ferrugem por ali não voltará tão cedo.

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O restante do assoalho só precisou de uma boa limpeza e estava em ótimo estado.

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Agora teria que tomar outra decisão, manter o interior totalmente original, garimpando o seu tecido — que já não é fácil de se encontrar — ou fazer algo diferente?

Sempre gostei da combinação carro preto interior claro, do tipo creme, bege ou marrom, então porque não fazer algo deste tipo no Chevette, já que meu projeto não era ter um placa preta e sim um Chevette diferenciado, porém com muitos detalhes originais.

Decisão tomada deixei os bancos com o Jorge, um amigo tapeceiro o qual eu agradeço muito pelo trabalho feito em meu carro. A escolha foi um curvim creme bem claro. Enquanto o interior não ficava pronto, precisava refazer o console central, que antes abrigava os comandos elétricos do Monza e um toca-fitas TKR.

Retirei algumas medidas do antigo console e fiz um projeto adicionando porta objetos e o alongando até o banco traseiro. Antigo console se desmanchando e o projeto feito por mim para o novo console.

Projeto em mãos, porém não tinha ferramentas e nem conhecimento em marcenaria para executar, então recorri a um tio de minha namorada que fabrica violões e ele topou me ajudar. Simplesmente um trabalho de primeira, agradeço imensamente ao Nelson pelo console.

Agora era hora de ver se eu realmente tinha acertado na escolha de um interior creme para o Chevette.

Como no primeiro post eu deixei bem claro os valores gastos, aqui não será diferente, dá para se fazer um bom projeto sem gastar fortunas. A tapeçaria ficou em R$ 1.350, e foram feitos o forro de teto, as quatro laterais, console central, tampão traseiro e claro os bancos — tudo em curvin de qualidade. Claro que o ideal seria usar couro, mas para mim é impossível financeiramente.

E este foi o resultado:

Com o novo interior, o filme dos vidros foi embora, já que eles estavam ali para esconder o antigo todo rasgado.O encosto traseiro é da linha Fiat, e para mim trouxe um pouco de modernidade para o interior. As costuras foram feitas seguindo o padrão original, não totalmente a risca, pois fiz algumas mudanças. Para alguns este interior não combina em nada com o carro, para outros é o ponto que chama mais atenção no Chevette, já que se tem um belo contraste com a sua pintura preta.

A primeira etapa havia sido concluída, hora de buscar um novo jogo de rodas para o Chevette. Foi quando um amigo me oferece um jogo de rodas Girus, modelo BBS aro 14 tala 6,5,pintadas de marrom outono metálico. As rodas estavam em perfeito estado e depois de uma boa negociação (suaves prestações) decidi que seria elas o novo set de rodas.

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Montei as rodas com pneus Kumho 185/60 e aproveitei para dar um leve tapa na altura dele, com amortecedores preparados e dois elos a menos nas molas o deixaram mais firme nas curvas. Para reforçar a estrutura e estabilidade foi montada uma barra estabilizadora superior.

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Agora o Chevette tinha uma pegada um pouco mais “racing”, mas ainda longe do meu objetivo.

Segunda etapa concluída era hora de começar a garimpar peças novas para a restauração. A lista era grande, mais devagar comprei tudo o que eu precisava: retrovisores 83/86, frisos lateiras em alumínio, polainas, grade dianteira, faróis e par de setas .

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Alguns vão perguntar “somente isso? e o restante como para choques, lanternas traseira e vários outros itens?”. Respondo: pretendia utilizar os originais do Chevette, todos em ótimo estado e sem a necessidade de troca, já que o projeto é de baixo custo.

Enquanto ia levantando a grana para começar a fazer alguns orçamentos de funilaria e pintura, fui a alguns encontros de carros antigos. O primeiro foi em Avaré, onde conheci o Rafael, meu mecânico e proprietário de um belo Chevette 1986 Automatic todo original e nunca restaurado.

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Depois fui para Ourinhos/SP e fui muito bem recebido. Nesta viagem fiz mais um amigo, este de longe, Edmar Vieira de Presidente Prudente/SP e seu Chevette 1986 SL.

Desde o término da retífica do motor até esta última etapa se passaram cerca de 10 meses e havia um longo caminho a percorrer, pois a funilaria e pintura não ficaria por menos de R$ 5.000. E quando a gente menos espera, alguém nos ajuda: meus pais decidiram dar um empurrãozinho na reforma e me ajudaram financeiramente.

Menos de 15 dias depois, lá estava eu com capital suficiente para poder finalmente concluir o meu projeto.

Agora precisava manter a calma, segurar a ansiedade para escolher a oficina certa que executaria o serviço, já que dinheiro não seria o problema. Porém nos três primeiros orçamentos nas melhores oficinas de funilaria e pintura da cidade, quase desisti de tudo: me pediram entre R$ 7.000 e R$ 10.000 para fazer o serviço — algo impensável pelo estado do meu carro, que era muito bom e não exigiria grandes serviços.

Após cerca de 50 dias finalmente encontrei alguém disposto a me ajudar: Sombra, um ótimo funileiro e pintor que trabalha sozinho e apenas com serviços agendados. Eu já havia lido centenas de projetos, conversado com amigos e o que mais me preocupava era a demora da maioria dos profissionais desta área, aqueles casos de projetos esquecidos no canto da oficina, desentendimentos e outros problemas.

A primeira coisa que conversei com o Sombra foi o valor que seria cobrado, ele olhou tudo no carro, mostrou como iria fazer, o que seria feito e assim adiante, isso com o carro todo montado.

A mão-de-obra custaria R$ 3.000, fora isso teria o gasto com todo o material necessário e o prazo de entrega de 60 dias. Sinceramente eu duvidei um pouco deste prazo inicial, mas foi o melhor custo x benefício e fechei negócio. O pagamento seria efetuado apenas com o carro finalizado e já em casa, e o material seria todo comprado por mim.

Ele prontamente aceitou e marcamos que no dia 10/06/2014 eu teria que estar com o carro na porta da funilaria todo desmontado, já que esta parte eu decidi que caberia a mim, tanto a desmontagem quanto a montagem depois do término da pintura.

Neste meio tempo sempre ficava namorando algumas rodas no site Rodas de Liga Leve, um dos parceiros aqui do FlatOut, até que me aparece esta belezinha aqui, por um preço imperdível:

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São rodas GSW de 15 polegadas, tala 8 e offset 15. Após consultar um amigo para saber se caberia no Chevette sem grandes adaptações, arrematei o jogo e em pouco tempo elas estavam prontas para ser montadas no Chevette — antes mesmo de ir para a funilaria. Não aguentei esperar fui ver como ficariam. Junto vieram pneus Kumho Ecsta SPT 195/45.

Após a montagem, eu tinha a certeza que a escolha foi certa, as rodas ficaram perfeitas, não foi necessário nem rebater os para-lamas. Isso me animou e muito e finalmente estava na hora de iniciar a desmontagem do Chevette.

Eu jamais havia desmontado um carro quase por completo, não seria uma tarefa fácil,mais com um pouco de organização e calma eu o faria tranquilamente na garagem de casa e sozinho. Para isso eu precisava de ferramentas de qualidade, então decidi comprar logo um belo kit de ferramentas Mayle.

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Eu tinha cerca de 10 dias para desmontar tudo, exceto mecânica e os vidros. No início parecia um prazo curto para alguém que jamais fez algo parecido, mais com calma em menos de cinco dias o carro estava somente na lata. Como trabalho cerca de 10 horas por dia, comecei desmontando no horário do meu almoço e a noite.

Carro todo desmontado e com as peças organizadas, foi mais fácil do que eu imaginava, porém ainda me assustava o fato da montagem posterior. Principalmente a parte elétrica, eu marquei todos os chicotes e isso facilitou muito. Dei uma boa organizada no cofre, já que o motor não seria retirado para a pintura.

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Finalmente chega o dia esperado e lá se vai o Chevette rumo à funilaria e pintura.

Confesso que foi um momento tenso, pois vários projetos ficam estagnados nesta parte, às vezes por anos. Então tinha que ficar em cima do funileiro/pintor e foi isso que fiz. Todo dia eu passava fazer uma visita e ver como ia o serviço. O restante fica para o terceiro e último post, no qual falarei sobre o término da restauração, a montagem, alguns upgrades e o futuro do projeto.

Um grande abraço a todos e até breve!

Por Fred Castro, Project Cars #157

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