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Project Cars Project Cars #190

Project Cars #190: a busca pelo Peugeot 306 S16 perfeito

Fala, galera do FlatOut! Meu nome é Ricardo Fay, sou de São Paulo, e a partir deste post vou contar a história do Project Cars #190, meu Peugeot 306 S16, começando pelo nascimento da minha paixão pelo Peugeot 306, o que aconteceu quando eu tinha 18 anos.

Eu sempre fui um gearhead, até por conta da profissão (sou engenheiro mecânico), e assim que fiz 18 anos, faltando seis meses para começar a faculdade (FEI), eu ganhei um carro, ou algo parecido: uma empilhadeira que meu pai usava na fábrica transformadora de papel que ele havia acabado de fechar. Brincadeiras à parte, a empilhadeira foi vendida e eu presenteado com o dinheiro para adquirir um carrinho. Com carta branca para comprar o que eu quisesse, a única imposição era que o pagamento chegaria na minha mão em três parcelas, totalizando 10 mil reais — isso em 2005.

Comecei a pesquisar carros com a ajuda do meu primo, sempre focando em carros mais usados e com uma boa quantidade de opcionais, até que meu primo me apresentou o Peugeot 306 e eu apaixonei à primeira vista pelo design. Decidi que teria aquele carro. Aprofundamos a pesquisa e vi vários em estado lamentável (devido ao pouco dinheiro que eu tinha para comprar), mas no fim encontrei um 306 XSI (2.0 8v, irmão menor do S16) que tinha alguns (muitos) detalhes a serem feitos e por fim o antigo dono topou as condições financeiras.

XSI 2

O sofrimento com este Peugeotzinho foi enorme: vários problemas de elétrica, o carro havia pegado fogo, passado por enchente e apesar da baixa quilometragem na época, tinha muitos problemas de elétrica devido ao incêndio no cofre do motor. Foi uma bela escola sobre os Peugeot, com participação no Clube Peugeot, conhecimento sobre a marca e os carros, amizades, amor ao carro, mesmo com os problemas. Depois de resolver boa parte dos problemas, gastar rios de dinheiro, eu o vendi, mas a vontade de ter outro 306 ficou, desde que encontrasse “O” 306, num belo estado de conservação para que o dinheiro investido fosse melhorando o carro e não somente consertando o mesmo.

XSI 3

Eventualmente, conheci o Fórum 306 Brasil, fórum especializado no modelo e nos PSA próximos, onde o número de participantes apesar de pequeno, tem uma qualidade e conteúdo que torna o fórum muito especial, considerado por mim e por muitos outros como uma segunda família, aonde mais importante do que os carros é a amizade. Lá ampliei meu conhecimento sobre o carro e suas particularidades e quando estava próximo de concluir a faculdade, iria possuir uma melhor estabilidade financeira, decidi que era hora de ter outro 306, e dessa vez seria um S16 — e desta vez tive mais calma na busca do carro que realmente estivesse nas condições que eu gostaria que estivesse. Acabei passando um ano procurando, sem pressa, em busca daquele que nunca mais seria vendido.

Durante uma tarde chuvosa, recebo uma mensagem no chat do Facebook, com um link de um anúncio em um site não muito conhecido, um S16, vermelho Lúcifer com 33.000 km rodados, por um preço bem razoável, fiquei eufórico, entrei em contato, mal conseguia me conter, havia achado meu carro no Rio de Janeiro.

S16 02

S16 05

De cara já me prontifiquei a ir ver pessoalmente o carro, me preparei brevemente e sai de Itu (cidade que morava na época) até São Paulo, numa quinta-feira, encontrei alguns amigos no oosto e ficamos conversando. Sexta-feira era o dia de buscar o brinquedo novo.

Nesta semana havia esquecido a carteira no carro de um amigo, o Hudson, precisaria dela para ir ao Rio buscar o carro, ele coincidentemente estaria no posto, pois estava trabalhando em um evento. Resumindo: cada vez que eu ligava, atrasava um pouco, e fui aguardando, sem dormir. Recuperei a carteira às seis da manhã, como não havia mais tempo para dormir, liguei para um outro amigo o Pixel e perguntei se ele estava livre para uma insana road-trip naquela sexta-feira. Muito solícito, ele se propôs a fazer o trabalho que tinha que fazer usando o banco do carona e via 3G.

Nada como a amizade: Pixel, que não tão coincidentemente é administrador do Fórum 306 Brasil, me acompanhou ao Rio na busca do S16 tão sonhado. Ao ver o carro, constatei seu excelente estado, mas que aparentava mais do que os 33 mil km, o dono então me contou que ele havia trocado o odômetro para resolver uma pequena folga no velocímetro, e a peça anterior fazia parte do pacote, revelando o carro com então 100.000 km. Na hora fiquei decepcionado, mas o estado do carro era tão surreal perto dos outros exemplares que me senti compelido a fechar negócio. Tratei de realizar as transferências, tanto monetária, quanto de propriedade e toca estrada de volta pra SP. Totalizando 1.200 km rodados no dia, 46 horas sem dormir, exausto, mas feliz.

S16 10

Muitos gearheads quando compram um carro, já tem todo o plano traçado para seus brinquedos. Eu não. Sempre fui impulsivo e gosto de definir os aspectos na última hora, com o S16 também foi assim, comprei e não tinha plano nenhum, apenas ir curtindo, aproveitei e montei o sistema de som que eu havia guardado do antigo XSI, sem muito mais planos, fui deixando a vida levar.

S16 06

Porém existiu uma pedra no caminho, ou melhor, uma árvore. Em dezembro de 2011, próximo ao natal, estava com alguns amigos no posto, local já conhecido de encontro da galera, quando um outro amigo fala que estava no Pacaembu, resolvemos fazer um comboiozinho e ir encontrar ele por lá. Era madrugada e como sempre aquela pequena irresponsabilidade toma conta e pequenas aceleradas no caminho sempre acontecem. Parado no farol antes do contorno do Pacaembu, resolvi brincar naquelas curvinhas que são tão deliciosamente chamativas próximas as entradas laterais do estádio. O farol abre, acelero, praticamente sozinho, entro na primeira curva e o CATT, dispositivo na suspensão do 306, entra em ação. Caso não saiba o que é CATT, esse post aqui mesmo do FlatOut explica tudo direitinho.

Um dos problemas do CATT é que por vezes ele corrige demasiadamente a trajetória, apontando o carro para o centro da curva a ser contornada. Com o carro apontado para dentro da curva em direção a um muro, a atitude correta seria diminuir o giro do volante, sem retornar a posição reta, desacelerar e frear lentamente o carro para que o CATT retorne e a trajetória corrigida. Lembra aquela revisão de freio que eu estava evitando? Pois bem, o barato saiu caro, o freio não mostrou resposta alguma, me obrigando a efetuar um contra-esterço.

Quando o CATT está “aberto” e um contra-esterço é efetuado, o sistema retorna a posição de maneira brusca, causando um efeito de chicoteada da traseira, lançando o carro em trajetória oposta de maneira brusca, obrigando o condutor a efetuar um novo contra-esterço, no qual o efeito se repetirá, cada vez com maior violência. A única alternativa então, seria continuar brigando com o carro, enquanto freia de modo a reduzir a velocidade e minimizar os efeitos do lançamento da traseira, até conseguir alinhar o carro e retomar o controle da trajetória.

O espaço entre o 306 e a ”árvore mais próxima” não foi suficiente para que eu conseguisse retomar esse controle, resultado: um s16 que estava em excelente condição, com exceção dos freios, agora estava com uma árvore no meio dos faróis. Consegui chamar um guincho e mandei direto pra Itu/SP, na casa do meu pai, aonde eu teria espaço para mexer no carro e descobrir o que fazer. Papai Noel chegou mais cedo naquele ano, e me trouxe uma bela infelicidade com menos de quatro meses de brinquedo novo na garagem.

No próximo post contarei a vocês a análise dos estragos e toda a trajetória de restauração do carro. Deixando as preparações já instaladas e os planos futuros para um terceiro e último post. Termino aqui com um pedido de desculpas pela qualidade do texto, pois estou com programações corridas e pouco tempo e acesso a computador para escrever. Prometo um texto mais elaborado e técnico para os próximos posts, espero que gostem da história deste gearhead que vos fala e que é apaixonado pelos PSA dos anos 1990. Até a próxima!

Ricardo Fay, Project Cars #190

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