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Project Cars Project Cars #198

Project Cars #198: a história e a restauração do Passat Pointer 1986 de Guilherme Deitos

Fala, galera do Flatout! Meu nome é Guilherme Deitos, sou de Serafina Corrêa/RS e a partir de hoje vou contar no Project Cars a história da restauração do meu Passat Pointer 1986.

A ideia de trazer um Passat Pointer de volta à vida começou em 2007. Naquela época eu e meu pai procurávamos na internet projetos de restauração e seus resultados, mais para ficar por dentro do assunto, sem muita pretensão inicialmente.

Até que em fevereiro de 2012, lendo um post do finado Jalopnik Brasil (aquele dos preços atualizados dos carros, que foi republicado e atualizado no FlatOut) a ideia novamente veio à tona. Ficamos o resto da semana pensando em como faríamos tudo, e lembramos de um Passat que um borracheiro da cidade tinha há muitos anos e que parecia estar alinhado.

Voltando das férias fomos atrás do tal Passat e descobrimos que ele havia sido vendido na semana anterior! Então procuramos o novo comprador e, ao encontrá-lo, descobrimos que ele já tinha vendido novamente! No fim conseguimos encontrar o carro, que estava bem alinhado, tinha os bancos Recaro no lugar e não parecia ter muitos problemas na lataria. Só não tinha praticamente nenhum acabamento que se pudesse aproveitar.

Qualquer um em sã consciência pularia fora, mas como queríamos mesmo salvar um, e sabendo que se não comprássemos o carro o mesmo iria para uma reforma “nas coxas” para ser vendido (novamente), aceitamos o desafio e levamos ele pra casa. Essas são fotos do estado de decomposição conservação do dia da compra, cerca de uma semana depois da ideia inicial:

 

Bom, com o carro comprado agora precisávamos de um funileiro! Conversando com um amigo que era sócio de uma loja de pneus, ele contou que já foi funileiro e que poderia fazer o trabalho em sua loja mesmo, já que não tinha tanto movimento e tinha um bom espaço — sem contar que poderia começar na mesma hora. Aceitamos com um pouco de receio, mas posso dizer de antemão que foi a melhor decisão que tomamos, vocês verão por quê.

No dia seguinte levamos o carro lá e começamos a desmontagem. Foi quando vimos a “bucha” em que nos metemos. O carro tinha muitos podres; a caixa de roda do passageiro, para terem ideia, tinha três latas diferentes soldadas uma por cima da outra! Aqui algumas fotos do desmonte:

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Começamos então a corrigir alguns pontos de ferrugem, fazendo remendos onde necessário:

Mas claro que não teria como resolver tudo só com remendos. Então analisando as peças e conversando com um amigo que tem muito mais experiência em restauração de Passat, vimos que para a lata ficar 100% precisaríamos trocar “algumas peças”. Até o final foram trocadas por peças novas e originais VW: as duas portas, os dois para-lamas, painel frontal, painel traseiro, tampa traseira, capô do motor e caixa de roda direita. Claro que achar tudo isso não foi fácil, mas essa é justamente a parte boa de uma restauração, porque além de se conhecer muita gente na busca, quando se encontra a peça é como conquistar um troféu, principalmente nas mais difíceis, e o sabor da conquista fica ainda melhor quando se paga um preço baixo! Aqui fotos dessas peças:

E aqui as elas já indo pro lugar, vejam que o bojo do estepe também teve que ser trocado, mas esse tirei de um outro Passat sucata:

Depois de toda parte mais grossa pronta, hora de virar o carro usando um suporte que projetamos no olhômetro, com base apenas em fotos na internet, e trabalhar na parte de baixo raspando todo KPO (emborrachamento) original e reparando mais alguma coisa que esteja ruim antes de preparar a chapa para o novo KPO:

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Aí passamos para a preparação para pintura da parte visível. Removemos a tinta e nivelamos tudo — isso durou uns bons meses até ficar como queríamos. Foram várias camadas de fundo, taqueamentos com contraste e tudo mais, tentando usar pouca massa:

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Agora começou a parte boa: ver o carro tomando cor. Aqui temos o KPO sendo aplicado — quem dirá que não é de fábrica? Para esse acabamento é passado primeiro com o pincel, para vedação mesmo, depois o produto em si com pistola, novamente o pincel para fazer as marcas nas emendas e pra finalizar uma camada de tinta. Para melhor acabamento usamos KPO misturado com tinta, para caso alguma pedra bater o risco não aparecer. Já por baixo a cor original é preta, então foi usado apenas KPO cinza escurecido, em vez do KPO branco + tinta preta por cima, que é como vem de fábrica, pelo mesmo motivo que descrevi acima.

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Com tudo isso pronto, começamos a pintura em si pelo cofre e porta malas, depois demos uma primeira demão na parte externa para ver se estava tudo como deveria ser. Pintamos também partes internas de portas e do carro em si, tudo com o maior capricho mesmo nas partes que ficariam escondidas —nada de só “sujar” de tinta partes que não aparecem.

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Depois montamos a suspensão temporariamente para podermos colocar ele no guincho e lixamos todo o carro para a camada definitiva de tinta:

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E finalmente o dia da pintura. Estava quase certo que teria que levar o carro para outra cidade para fazer a pintura numa cabine, mas por sorte poucas semanas antes ficou pronta uma aqui mesmo, toda no gabarito, com aquecimento e tudo mais, então depois de acertar o valor consegui utilizá-la. Para alguns pode ser frescura, mas o resultado fica muito melhor, não tem risco de cair sujeira na pintura e quando se tira o carro a tinta já está seca. O resultado foi melhor que o esperado, pintura lisa e com bastante brilho antes mesmo de lixar:

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Com a parte de funilaria concluída pudemos começar a montagem, mas isso vai ficar pros próximos capítulos, onde detalharei as modificações mecânicas que foram feitas conciliando aparência original e desempenho, além de toda a parte da montagem, peças,e o dia em que demos a primeira volta. Fiquem ligados!

Por Guilherme Deitos, Project Cars #198

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