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Project Cars Project Cars #199

Project Cars #199: a pintura, a montagem e a estreia do meu Gol 1.8 turbo nas pistas

Olá novamente amigos do FlatOut! No meu primeiro texto contei um pouco da minha história até chegar na compra do carro, agora finalmente chegou a hora de falar sobre ele.

Relembrando, é um Gol CL 1.8 1993 cinza, que muita gente acha que é verde! O carro chegou em casa praticamente original, andei com ele alguns dias para poder senti-lo, e estava muito bom, tudo em ordem para um uso normal, mas como não era essa minha intenção logo comecei a botar a mão na massa. É importante lembrar que quase sempre tudo foi feito junto com vários amigos, os quais tentarei citar durante toda história.

 

Desmontei praticamente todo o carro, externamente e internamente. Queria verificar todas as peças, a estrutura e tudo mais que fosse importante. Nas fotos estão uma parte da desmontagem, mas no final ficou só na lata. Ele não tinha nenhum problema, era muito integro e a estrutura estava perfeita. Faróis, lanternas, grade e demais itens de acabamento eram todos originais. Fiz uma lavagem geral, inclusive por baixo para deixá-lo totalmente limpo. A lataria estava boa, com exceção do cofre. Manutenções feitas sem o devido cuidado durante seus anos de vida deixaram muitos riscos. Como o carro estava desmontando, a solução foi procurar a cor original e pintar.

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Escolha da cor correta e original

 

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Cofre antes da pintura

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Isolando as partes que não precisam de tinta

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Cofre após pintura

Um amigo que trabalha na área me ajudou com o serviço, e o resultado final ficou muito bom. Assim o carro estava pronto para começar a montagem. O processo de definição de que peças usar, a compra e instalação sempre é longo, exige muita pesquisa e até sorte, para que tudo saia bem até a peça estar instalada e funcionando. Nem sempre tudo sai como planejado, mas faz parte da brincadeira. Vou descrever sobre como tudo foi pensado e feito nessa primeira etapa.

A suspensão original teve os amortecedores substituídos por outros de maior carga e as molas por modelos esportivos e menores. Também foi adotado o sistema de regulagem de altura com rosca, para que fosse possível regular um pouco a suspensão, já que eu queria usar o carro em situações diferentes, na rua, na arrancada e no circuito. As buchas foram substituídas por outras de poliuretano e foi instalada uma barra inferior para auxiliar na rigidez.

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Suporte do câmbio em poliuretano

Os freios originais utilizavam pequenos discos na dianteira e tambor na traseira. Com certeza esse sistema original seria pouco eficiente para a nova configuração do carro, então os discos dianteiros foram substituídos por outros de 288mm, juntamente com uma pinça maior. Na traseira o tambor foi substituído por um sistema de disco. Ambos os kits são da empresa PowerBrakes. A adaptação foi fácil, o kit já vem com suportes prontos. Na traseira é necessária uma modificação no acionamento do freio de mão, mas nada complicado também.

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Kit de freio dianteiro

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Comparação do disco de freio

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Kit de freio traseiro

Com a modificação na traseira é necessário a adoção de uma válvula reguladora de pressão, pois com o disco adaptado a tendência é sempre travar mais cedo que a dianteira. Também realizei a troca do fluído de freio por um melhor, afim de evitar o superaquecimento.

As rodas utilizadas foram as famosas Orbitais, no aro 15, com pneus radiais convencionais na medida 195/50 R15. Independentemente de ser moda ou não, sempre gostei da roda por equipar a versão esportiva do Gol, então esse foi o primeiro conjunto do carro.

E para finalizar o chão do carro, demais terminais, buchas e rolamentos foram trocados por peças novas.

Sempre fui fã de motores turbo, então nesse caso a preparação seria essa. Nada de muito diferente foi feito. O original motor AP 1.8 recebeu pistões forjados de maior diâmetro da Iapel e bielas forjadas da Scat, para conseguir o famoso “milenove”. O cabeçote 8v recebeu poucas modificações e um comando 49G. Velas NGK mais frias também fazem parte do pacote. Embreagem de 6 pastilhas com platô de 1200lbs. Peças básicas para se montar o kit turbo.

Lembro que no momento da compra da turbina existia um modelo 50×48 e outro 50×70. Por algum motivo achei que a primeira seria pequena e a segunda grande, pedi a troca da parte quente e acabamos montando uma 50×58. Ela ficou excelente, tendo uma pegada desde baixas rotações sem restringir nos altos giros. Utilizei a alimentação por carburador, uma 2E.

O carro foi ajustado inicialmente com 1kg de pressão, e ficou muito bom. Tudo que foi feito estava funcionando de acordo. Mas uma coisa me incomodava muito, o tal carburador. Para usar o carro era preciso esperar esquentar bastante o motor, antes disso não era possível nem arrancar com o carro. E em determinados momentos o carro ficava ótimo, em outros ruins. Em WOT era uma maravilha, mas em meio acelerador, se quisesse dosar, o negócio não ficava legal. As vezes dava excesso, as vezes falta. Isso começou a me irritar, não era isso que esperava. Foi nessa época que começaram a aparecer as primeiras injeções programáveis.

Pesquisando, descobri que essa era a solução para meu caso. Comprei uma FuelTech RacePro 1Fi, e através da internet com meu amigo Rafael Saba de SP um kit de injeção para AP Mi. Tudo era novidade e tive que pesquisar bastante para fazer a instalação. No final deu tudo certo, agora o carro era injetado e muito melhor. Funcionava bem mesmo frio, não tinha buracos na aceleração, era mais forte e econômico. Foi uma revolução. Hoje em dia isso é normal, mas numa época onde todo mundo só sabia andar de 2E e até tirar injeção eletrônica original para poder turbinar, foi incrível ter feito isso. A regulagem da injeção também foi um grande aprendizado.

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Com a mudança na alimentação, troquei o tanque de combustível original por um da Imohr feito de polietileno com catch tank embutido. Dessa maneira iria evitar qualquer falta de combustível nas situações críticas de força G, rsrs! Instalei duas bombas de combustível da SPA, de 12 BAR cada, com um filtro de alto fluxo.

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No interior tentei criar um cockpit para o “piloto”. Apesar da quantidade de instrumentos, todos eles tem função importante para ler informações de todo sistema. Utilizei iluminação no mesmo padrão do carro e instrumentos com cores discretas, tudo para tentar manter um aspecto original.

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Processo de montagem do interior

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Medições para perfeito alinhamento dos instrumentos

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Interior montado

Na parte esquerda temos um instrumento para ler a mistura ar/combustível através do fator lambda. Junto com ele foi colocado um shift light para alertar o tempo certo das trocas de marcha. O painel de instrumentos básico foi trocado para outro da versão GL com relógio digital e conta-giros. O volante original é de plástico duro e tem a pegada fina, então acabei trocando pelo volante original da linha G4, que é de uma borracha mais macia e tem uma pegada melhor. Não optei por um volante esportivo pois ainda queria tentar manter o visual original.

Na parte direita superior temos 3 manômetros, pressão do turbo, pressão de combustível e pressão de óleo. Logo abaixo temos 3 termômetros, temperatura do escape, temperatura da água e temperatura do óleo. Originalmente o carro já tem a informação de temperatura da água no painel, mas um mostrador digital acaba sendo mais preciso. Já a temperatura do escape ajuda bastante para o acerto fino, e também para não derreter o motor. No console central ficou um botão para o corte de arrancada e duas chaves, uma para o sistema elétrico e outra para as bombas de combustível.

Basicamente essa foi a primeira montagem do Gol. Claro que existem vários detalhes menores que não comentei, mas não são importantes para entender o projeto. Com o carro pronto, pude começar a me divertir. O objetivo de ter um carro misto, divertido e confiável estava concluída.

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Motor finalizado

Na época, fiz 2 anos do curso Técnico em Automobilística no Senai. Me ajudou a aprender algumas coisas e principalmente fazer grandes amizades que conservo até hoje. Lá aproveitamos para fazer uma inspeção veicular completa no Gol, mais a título de curiosidade e oportunidade.

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Comecei a participar das provas de TrackDay no autódromo de Curitiba. Claro que não era um carro exclusivamente de pista, mas ficou muito divertido para pilotar, gerando bons resultados e muitos sorrisos!

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Também usei bastante o carro na rua para passear e curtir.

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Só me aproximei para tirar a foto da Ferrari, eu juro! 

E ainda nas provas de arrancada desafio:

 

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Torcida organizada. Só faltou a faixa!

Com relação a arrancada, vale a pena contar uma breve história. Meu amigo Ramon sempre me disse que o “fulano” queria acelerar comigo. Já tinha me visto na rua e queria muito me dar um pau. Não sou adepto de marcar racha na rua, então sempre neguei. Até que num desses eventos o cara estava lá participando. Então meu amigo perguntou: “O fulano está aqui hoje, posso avisar que você também está?”. Pensei um pouco e disse que sim, afinal lá era o lugar certo para isso, e não teria nenhuma desculpa para negar. Quando fui alinhar, fiquei esperando minha vez na fila, e quando chego lá vejo o carro me esperando logo ao lado na grama, ou seja, já tinham avisado ele que eu estava lá. Ele pediu a vez e entrou ao meu lado. Era uma simples prova de arrancada na modalidade desafio com meus amigos assistindo de pé na mureta, mas para mim se tornou uma final do NHRA com a arquibancada lotada!

O carro dele era bem parecido com o meu. Fiquei nervoso, mas tive que me concentrar para não errar, principalmente nessa puxada, afinal a torcida dele também estava lá. Arranquei bem, o carro dele era rápido mas consegui ganhar! Voltando aos boxes meus amigos vieram me cumprimentar, lembro que o Ramon estava até emocionado e queria abraçar o carro, agradecendo por ele ser tão especial para nós. E o “fulano” sumiu. Tempo depois ele me esperou de volta para uma revanche. Pela demora eu deduzi que ele tinha alterado algo no carro ou aliviado peso.

Arrancamos novamente, e nessa vez ele perdeu muito tempo destracionando, acredito que tenha aumentado a pressão do turbo, e consegui ganhar novamente, dessa vez com um pouco mais de folga. Aí fiquei mais tranquilo e com a sensação de dever cumprido. Nossa “cria” montada em casa não fez feio frente a muitos carros de oficinas. Nesse dia arranquei incríveis 31 vezes com o carro. O melhor tempo nos 201m foi de 8,6s, o que acredito ser um tempo muito bom para um carro de rua, sem suspensão especial para arrancada e pneus comuns.

De todas vezes que arranquei, ganhei 29 e perdi duas, uma para uma Caravan, que arranquei uma segunda vez e consegui ganhar depois, e outra para um Bugue, tração traseira, turbo e muito leve, impossível competir. Então fiquei extremamente feliz com todo o resultado. Abaixo o vídeo desse dia com os melhores momentos:

Esse foi o começo da história do Gol. Usei o carro desse jeito por um bom tempo, me diverti muito! Aos poucos fui parando de andar nas arrancadas e comecei a me empolgar mais com as provas de TrackDay. O custo da inscrição era maior, mas era possível aproveitar muito mais tempo de pista e de uma forma muito mais dinâmica, sentindo o carro em diversas situações, explorando frenagem, saídas de curva, traçado e várias coisas que uma volta no circuito proporciona.

Com esse pensamento em mente, e com o a primeira quebra do câmbio ainda original, o Gol começou a tomar um novo rumo, o qual vou contar no terceiro e último texto em breve. Forte abraço e até lá!

Por Giovanni Grigolo, Project Cars #199

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