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Project Cars Project Cars #225

Project Cars #225: a construção de uma réplica do Lamborghini Diablo VT

Saudações, parceiros do Flatout! Meu nome é Denis Schiavon, atualmente sou auxiliar administrativo e… bem… o que eu sou não é tão relevante, mas o que estou fazendo você talvez ache interessante. Quem nunca em algum momento de tédio começou a construir uma réplica de um Lamborghini Diablo?

Talvez nem todo mundo pensou desta maneira, mas foi quase isso que aconteceu comigo, e posteriormente meu pai quis abraçar a loucura (abraços, pai!) com aquela rotina de pesquisar carros que não podemos comprar, só pra dar uma checada sabe? Certo dia deparei com um anúncio interessante: um kit de carroceria do Lamborghini Diablo VT 6.0, no Brasil!

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Era isso que faltava para dar ignição à nossa loucura. Negociamos com o vendedor e, como se fosse a coisa mais normal do mundo, pegamos um caminhão emprestado. Bem no dia do meu aniversário fomos de Londrina/PR até São Paulo buscar a carroceria. Que presente!

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Carroceria e acessórios carregados, voltamos para casa. Os detalhes da carroceria contarei em breve, quando estiver ajustando-a no chassi. É sobre ele que iremos falar neste primeiro post.

Adquirimos um projeto do chassis de um Lamborghini Diablo com descrição das medidas e peças usadas, além da liga do metal e diâmetro dos tubos. Mesmo com quase nenhum parâmetro de como iriamos fazer isso — apenas nossa experiência em fabricação de máquinas industriais — fomos à obra.

 

Chassi

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Não queria fazer uma réplica que simplesmente se parecesse com um Diablo usando chassi adaptado de outro veículo. Eu queria algo que fará me sentir dentro de um Lambo, e é por isto que escolhi este chassi chamado NAERC. Ele é exatamente o mesmo que o Diablo original utiliza, feito em aço. Você pode vê-lo melhor neste cutway de um original:

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Repare a similaridade nas treliças laterais e estrutura ao redor do motor

Comprados os tubos que precisamos, começamos a montagem do quebra-cabeça. O projeto nos deu todas as medidas dos tubos e chapas, e ainda que possa parecer fácil assim dizendo, foi algo que me fritou os neurônios legal, afinal eu não sou nenhum engenheiro. Ainda não.

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Eu no começo da montagem

Tenho certa experiência com cortes e solda, também tenho o maquinário necessário, o que ajudou muito a montagem. Ela foi seccionada em partes, antes de ser montada por inteiro. Para facilitar, dividimos em frente, cockpit e traseira.

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Com os tubos montados e secções juntadas, chegou a hora da soldagem das chapas que tem a função tanto de impedir entrada de ar na cabine no cockpit, quanto de reforçar a estrutura do chassi, travando os tubos por meio de solda Mig.

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O chassi montado:

 

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Como se nota, é um chassi bem reforçado, com treliças generosas nas laterais e bem equilibrado, ainda falta eu construir a estrutura do teto, que servirá tanto a gaiola de proteção quanto a estrutura que fixará o teto na carroceria.

 

Suspensão, direção e freios

Assim como o chassi, as bandejas, offset das rodas, carga dos amortecedores e diâmetro das molas também são réplicas exatas do Diablo original. Por exemplo, este é o braço inferior dianteiro de um Diablo:

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E este é o nosso braço:

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Todos os braços da suspensão “made by Schiavon Industries”, note os do meio para comparar a similaridade.

Algumas mudanças foram feitas. Tendo em vista que este é um projeto com orçamento limitado, algumas peças não foram viáveis, como a manga de eixo do Corvette, então utilizamos a da S10, que usa pivôs nos dois braços, e assim ficou:

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Os suportes dos braços da suspensão precisaram ser alterados para compensar o tamanho extra da manga de eixo, com um pouco de trabalho conseguimos fazer a suspensão trabalhar corretamente, a roda não pode alterar sua cambagem ao subir e descer dos braços para evitar o “lixamento” dos pneus, ocasionando desgaste prematuro dosmesmos, o funcionamento precisa ser como neste vídeo:

A suspensão traseira, assim como a dianteira, também é feita aos moldes do Diablo original, com braços triangulares sobrepostos. Aqui as mangas de eixo precisaram ser fabricadas:

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As barras estabilizadoras, são do Opala seis-cilindros, a caixa de direção vêm de um Santana 2000 e a coluna, de um Alfa Romeo 164 (esta coluna também é utilizada no Diablo original). A caixa de direção foi instalada em uma posição na qual as barras de direção deverão ficar niveladas na altura certa do carro para aumentar a precisão na direção, além de deixá-la mais suave.

 

Freios

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Os freios, apenas para teste, são provenientes de uma S10 — a mesma que desmontamos para poder utilizar das mangas de eixo e cubos de roda. Futuramente pretendo instalar um jogo Brembo, com quatro pistões na frente e dois pistões atrás, mas como já disse, dinheiro é um grande problema neste projeto. Aceito doações se você tiver um jogo sobrando.

Nota: se você tiver um Diablo e precisar trocar os cubos de roda, os da S10 são praticamente a mesma peça! Acho que o Diablo é um verdadeiro Frankenstein.

 

Motor e câmbio

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O motor escolhido foi um V6 2.8 30V vindo de um Audi A4, com 193cv a 6.000 rpm e 28,6 mkgf de torque a 3200 rpm. Ele foi escolhido por ser o motor acessível com o ronco mais similar a um V12 e está conjugado com um câmbio manual original Audi de cinco marchas — um tanto raro no Brasil. Pense em um drama para encontrar a embreagem!

Inicialmente o motor terá apenas modificações básicas, injeção programável Injepro, piltros e escapes esportivos em inox. Pretendo deixar o ronco parecido com este:

Potência, ao menos por enquanto, não é prioridade, tendo em vista que é a primeira vez que monto um carro. Tenho outras coisas a me preocupar primeiro. Mais adiante estarei realizando outras modificações, porém irei mantê-lo aspirado, questão de gosto pessoal mesmo.

Um problema: pelo fato do motor ser muito largo devido ao ângulo entre os cabeçotes, (V6 90º), e nós não termos medido o chassis antes para dimensionar o berço do motor, ele não entrava!

Para solucionarmos isto, o berço do motor precisou ser um pouco alargado, e com um tanto de trabalho, o motor está no lugar, com uma folga minúscula de 30 mm para cada lado:

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Por enquanto é isso galera! No próximo post vou contar detalhes da carroceria e o processo de fixação da mesma no chassi. Até mais!

 

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Por Denis Schiavon, Project Cars #225

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