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Project Cars Project Cars #225

Project Cars #225: os detalhes finais da minha réplica do Lamborghini Diablo – e o shakedown no autódromo

Por Denis Schiavon, Project Cars #225

Depois de tanto tempo, estamos de volta para contar pra vocês o que aconteceu nessa saga da construção da réplica da Lamborghini Diablo.

Para quem não acompanhou ainda se trata de uma réplica feita em casa com chassi tubular seguindo o projeto da Diablo original, com motorização Audi v6 2.8 30v. Você pode acompanhar os detalhes no link logo acima.

No último post havia mostrado a funilaria do carro, mas ainda faltavam muitos detalhes a serem concluídos para que o carro pudesse se considerar “pronto” (entre aspas pois como todos sabem, um Project Car nunca está pronto).

 

Sistema de escape

O Sistema de escape do motor foi concluído, feito toda a dobra e solda do mesmo e instalado dois Luzian LA01 de 3” no final, e nada mais.

Os dutos primários mais longos e o X logo após a junção deixou o som bem mais agudo e encorpado, fluxo mais livre por criar uma zona de baixa pressão nesta junção, favorecendo RPM mais altas.

No vídeo em questão ainda estava com algumas falhas na ECU (contarei a seguir) e a subida de giro não estava rápida como deveria estar, mas já da para ter uma ideia do som do motor.

 

A saga das ECU

Como disse anteriormente o que estava gerenciando o motor do carro era uma Injepro SFI-6, mas infelizmente tive problemas com a mesma, apesar da instalação ter sido correta, sem nada que fosse ocasionar o mesmo, me ocorreram 2 queimas no módulo, consertadas sem custo algum pela Injepro que foi super prestativa, mas mesmo assim não confiei mais e passei para uma Fueltech FT 550, mas a história não acaba ai…

 

Acontece que quando foi feita a adaptação para roda fônica na polia, não sabíamos que a mesma tem um sistema de amortecimento, ocasionando uma vibração que interferia na leitura — o que explica por que nunca consegui ter um ajuste mais fino. Não tenho as ferramentas corretas para mensurar os sinais e também não sou nenhum profissional, o carro estava rodando, injeção e ignição sequencial para os seis cilindros, mas não como deveria…

Apareceu uma oportunidade de comprar um volante do motor e câmbio manual desse motor 2.8 30V (até então utilizávamos câmbio do Passat 1.8T, que não tinha o encaixe para o sensor), aí me surgiu a ideia: já que estou pegando um conjunto do motor manual, por que não também a ECU original e deixar o motor certo, sem precisar me preocupar com a programação da injeção programável?

Sei que vai causar uma certa polêmica esta decisão, e sei também da capacidade tremenda de gerenciamento que a FT550 proporciona, mas meu motor está longe de ser algo preparado e também não pretendo tão cedo, além disso, em 90% do tempo eu estarei andando devagar, especialmente nas cidades, onde um gerenciamento mais específico pro motor pode fazer uma diferença. Pois bem, ECU instalada e tudo certo!

Ainda não.

Na tentativa de usar a ECU sem o painel e chave original do Audi a ECU não funcionou. Mandei desbloquear, porém algum erro foi cometido e ela acusava uma temperatura do ar em 95 Graus e motor acusando 92 graus com o mesmo frio! Precisei mandar a ECU para reparo, onde está neste momento 90% finalizado

Mas neste meio tempo, nada me impediu de ter um certo divertimento com o carro, como por exemplo ter levado ao autódromo para dar umas voltas na pista

Sim, eu estava me esforçando para acompanhar uma Alfa 155, motor ainda todo errado nos parâmetros, mas não deixou de ser bem divertido!

 

Interior

A interna ficou pronta, instrumentos do painel da Countach casaram bem no visual, grelha do câmbio usinada em alumínio fica como a cereja do bolo nesta parte. O cluster é fibra de carbono real, o console e todo o resto utilizado envelopado 5D. Foi feito também todo o isolamento térmico – acústico do interior com manta asfáltica e feltro.

O volante de Alfa 164 permaneceu, apesar com uma pequena cirurgia no badge, pretendemos instalar sistema de som, a central multimídia já está no painel, faltam apenas os auto falantes nas portas, além de uma botoeira no console central para acionamentos, abrir capô, porta malas, e sistema de erguer a frente do carro que instalaremos em breve.

 

Detalhes

Na funilaria tivemos a (péssima) decisão de fechar o buraco dedicado as pequenas lanternas na dianteira, vendo como o carro ficou “bicudo” decidimos fabricar aqui mesmo, usando acrílico embutido na fibra do parachoque, uma estutura de alumínio e uma barra de LED branco e amarelo para as setas dianteiras, o resultado ficou muito bom!

 

Um passeio a noite

Também foram colocadas máscaras nas lanternas traseiras, para preencher o visual, feitas em adesivos mesmo pois aqui fiquei com dó (ou medo mesmo) de cortar e fazer uma máscara separada, como é na Diablo original.

Uma homenagem a nós mesmos, após tanto trabalho, por que não?

Durante o tempo que estava de programável até inventei de por borboletas individuais, utilizei dois corpos de Triumph 1050, e dutos cortados de dois coletores de Audi 1.8T 150CV, e não é que casaram certinho?

Porém a aceleração ficou muito dura, tanto por ter duas molas fortes no sistema, como eu não ter reservado um tempo para ajustar isso, funcionou bem no motor, e ficou um som muito legal, mas não poder andar em dias chuvosos ( o capô é vazado bem em cima desse corpo) e os pequenos solavancos na saída incomodavam muito nos quebra molas, onde tenho que passar praticamente parado, coitada da embreagem neste tempo!

Mencionei essa instalação mas pra uma informação de quem já imaginou algum V6 com ITB’s, raro de se encontrar por ai, e também que Tenham um Escopo em seu projeto! Ou terá muitas idas e vindas como tivemos aqui também, mas tudo isso faz parte de um aprendizado, e foi muito gratificante montar cada peça e funcionar, mesmo que não tenha sido o ideal e mudado de ideia depois…

A cor combina muito com o autódromo!

Sobre o comportamento no carro na pista, foi muito bom! Freio eu tinha de sobra graças aos Brembo de quatro pistões na frente e dois atrás, a suspensão se comportou maravilhosamente bem, apesar de em uma curva eu ter saído de frente, a tendência do carro é bem neutra porém tenho que mudar os suportes da suspensão para conseguir mais ângulo de cáster, o volante está muito leve e não volta para posição original após a curva, felizmente não é difícil de corrigir, estar lá, ouvir o rugido mesmo o motor estando anestesiado foi muito gratificante, com um carro que eu e meu pai fizemos do zero!

Mais do que um mero hobby isto nos uniu como nunca, e é uma grande distração na batalha dele contra o câncer que já dura há mais de uma década, queria dizer que te amo pai, e obrigado por entrar nessa comigo!


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